14/01/2006

A Brave New World

sunami chun, 2:45 am
Filed under: cinema,especulativas,Games

Um filme que marcou muito minha infância foi “O Vingador do Futuro”. Nele, Schwarzenegger tem uma experiência de imersão total numa máquina de realidade virtual e vive uma aventura hollywoodiana, em contraponto à sua vida monótona. Já em “Matrix”, outro filme que enreda na mesma pergunta – “O que é a realidade e o que é fantasia?” -, Neo já nasce e vivencia diariamente uma ilusão, de onde terá que lutar para escapar e salvar a humanidade. São, enfim, dois filmes de ficção com visões hipotéticas de para onde a tecnologia poderá nos levar.

E independentemente de se para um futuro dramático como em “Matrix”, ou cômico como no caso de “O Vingador do Futuro”, a questão que merece consideração é que a tecnologia é a vedete dessa transformação e ela está mais próxima do que parece. No mundo dos Games.

Um aspecto que me chamou a atenção nestes filmes foram as máquinas geradoras de realidade virtual. Ainda de forma embrionária, os game designers e programadores de simuladores de RV, com seus enredos e tecnologias em hardware e periféricos, estimulam e retro alimentam esses mundos virtuais. Atualmente fazem os jogadores imergirem cada vez mais e por mais tempo nestas fantasias. O nível de realismo não é apenas ditado pelos gráficos mais rebuscados que utilizam as placas de vídeo mais poderosas do mercado, óculos 3D e som surround, mas também pela criatividade em elaborar enredos cada vez mais complexos e que atendam agora também à necessidade de convívio social, como é o caso dos MMORPG´s “The Sims” e “City of Heroes”, entre muitos outros.

A realidade é que independente da “máquina”, pc, ou console, o conteúdo tem se desenvolvido paralelamente e, dentro desses mundos virtuais, já é possível assimilar conceitos e idéias que não poderiam ser aprendidos em uma única vida, na vida real. Mas, de certa forma, a existência de uma vida digital, ou muitas, dependendo do número de jogos em que se participe, permite que um garoto possa desenvolver habilidades políticas, administrativas, sociais e intuitivas. Muitos desses rpg´s online destacam valores que na nossa sociedade real se encontram nulificados pelo cotidiano moderno sempre ocupado pelo binômio trabalho-recompensa. E dentro dos games é possível encontrar oportunidades para mostrar o melhor de si fora dessas amarras, ser Schwarzenegger ou Neo.

Nestes mundos virtuais, onde há regras econômicas e de conduta – mas não há hegemonia de um único modelo econômico-social, cultural ou religioso – existe uma profusão de ideologias que se refletem nos “clãs” que se formam dentro dos jogos e, mesmo que de forma superficial, como é na maioria dos casos (muitas vezes apenas no sentido visual), já demonstram as possibilidades futuras, pois o cerne destes universos virtuais é compartilhar a experiência das aventuras ou “quests”, respeitando e convivendo com seres tão diferentes quanto possibilitem as combinações e a liberdade própria do jogo. E talvez seja essa habilidade específica de permitir a livre-imaginação-interação que atraia cada vez mais pessoas para dentro desses mundos. E sem dúvida as experiências obtidas nestes mundos virtuais tem respaldo e podem ser aplicadas no cotidiano. Isso já é ou não é matrix?

Imagino que a evolução do conteúdo dos Games e a seriedade com que venham a ser tratados possam, um dia, mantendo a característica inerente da diversão, ajudar a moldar o curso da história assim como grandes obras literárias ou filosóficas fizeram anteriormente, reinventando seu status de cultura “geek”, ou no melhor dos casos “pop”.

Posts relacionados

Mais posts:

« « Pão em coreano| Zeste Szego de Zeveja » »




3 Comments

  1. yuri vieira escreveu:

    Meses atrás, aí em SP, li o conto do Philip K. Dick de onde saiu o roteiro desse filme. É uma história bem maluca, mas sem todas aquelas peripécias do filme. É tudo mais mental, uma viagem mais interior. Nela, o escritor prefere criar um clima de grande estranhamento, com uma certa pitada de humor. Comprei o livro no sebo do Messias…
    {}’s

    Comentário de 14-1-2006 @ 3:04 am

  2. paulo paiva escreveu:

    Caralho, eu nunca tinha pensado nos games desta maneira… Fiquei imaginando como seria o correspondente nos jogos ao “Werther”, de Goethe.

    Comentário de 14-1-2006 @ 11:05 am

  3. Max Sander escreveu:

    Olá
    Muito interessante mesmo. Mas é preciso que essa galera pare de vez em qundo pra poder digerir a experiência. Me parece que são tão viciados que fora dali só sabem gaguejar.
    Um abraço do
    Max

    Comentário de 14-1-2006 @ 11:47 am

Sorry, the comment form is closed at this time.




Add to Technorati Favorites



Blogarama - The Blog Directory








83 queries. 0,585 seconds. | Alguns direitos reservados.