blog do escritor yuri vieira e convidados...

Mês: fevereiro 2006 Page 4 of 14

Ainda a Loira

Gravei minha leitura da crônica O urubu e o amor. Para quem não teve olhos de lê-la, aproveite e tenha agora ouvidos de escutá-la.

  • [audio:http://audio.karaloka.net/audio/urubuamor.mp3]
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Tocando o Vazio

Tocando o Vazio é dessas histórias que nos fazem pensar, em todos os sentidos, sobre limites. Quais são os limites do ser humano, em termos físicos e mentais? Até onde nosso corpo é capaz de nos levar? Até que ponto a mente comanda o corpo? E, mais que isso, onde termina o ser humano? Que estranhas conexões etéricas guardamos com o mundo que nos cerca e com o universo? Como explicar uma saga de sobrevivência que desafia todas as possibilidades? Como dar conta das inexplicáveis intuições que guiam o ser humano numa jornada cara a cara com a morte? Por que certas pessoas, como Joe Simpson, insistem em viver, quando outros submetidos às mesmas situações, já teriam passado desta para melhor?

Lugares-Memória IX

Campo Santo de Yungay, Peru
A trágica notícia do deslizamento de terra nas Filipinas, que matou cerca de 1800 pessoas, me fez lembrar de um dos lugares mais estranhos que já conheci.

Em meio à paisagem grandiosa dos Andes peruanos, no sopé do Nevado Huascarán (6.768 m), montanha mais alta do Peru e quinta das Américas, se esconde a simpática e colorida vila de Yungay, uma das principais cidades do Callejón de Huaylas, o vale agrícola cortado pelo Rio Santa, que percorre todo o lado oeste da Cordillera Blanca.

Mais uma vez, a vida imita a ficção…

Em 1960, o escritor argentino Adolfo Bioy Casares, comparsa de Borges, escreveu Diario de la guerra del Cerdo. Neste livro, as ruas de Buenos Aires são tomadas por uma implacável onda de violência perpetrada por gangues de jovens contra idosos. Toda a ação deste romance perturbador é vista da perspectiva solitária e angustiada de Isidoro Vidal, pacato aposentado, e seus amigos.
Com um arrepio na espinha, leio a manchete da página A23 da Folha de hoje: “Argentina vive onda de violência contra idosos”.

Google Watch


Para quem curte uma paranóia, nada como uma passada pelo site da Google Watch, um site cheio de textos e argumentos assustadores para quem, assim como eu, é usuário de diversos serviços da Google. Por exemplo: você sabia que ao deletar para sempre um email do Gmail ele só desaparece do seu webmail virtualmente? Ou seja, segundo esses caras tudo o que você deleta continua disponível para o staff da Google, do qual, aliás, fazem parte ex-funcionários da CIA e da famigerada National Security Agency. Que meda, hem.

Polzonoff entrevista Ferreira Gullar

Muito boa a entrevista que Ferreira Gullar concedeu a Paulo Polzonoff Jr. Vale a visita.

Primavera Tripartida, de Edson Tobinaga

Conheci recentemente, através da comunidade Hilda Hilst no Orkut, o compositor paulistano Edson Tobinaga, que me enviou os três movimentos – Sinfonia, Dança e Oferenda – da sua “Primavera Tripartida”, composição essa premiada num concurso que tinha como um dos jurados o compositor José Antônio de Almeida Prado, aliás, primo da Hilda. Foi gravada pela extinta Sinfonia Cultura, orquestra da Rádio e Televisão Cultura, da Fundação Padre Anchieta de São Paulo. A regência é do maestro Lutero Rodrigues. (Veja mais abaixo o encarte do CD.) Para ouvir o podcast, clique num dos players a seguir:

  • [audio:http://audio.karaloka.net/audio/primaveratrip.mp3]
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Negócio da China: como funciona

Antônio C. Veloso, irmão do meu cunhado, é empresário do ramo de autopeças. Recentemente participou de um encontro, em São Paulo, com representantes de indústrias chinesas interessadas no mercado brasileiro. Passadas as formalidades e o grosso da reunião, sentou-se a conversar com um desses negociantes. A certa altura veio à tona a observação, corrente entre nós, a respeito da baixa qualidade dos produtos importados da China e o impacto destruidor de seus baixos preços.

Duas gotas de vingança

Minha boca tem agora um gosto metálico, por isso temo que ela rejeite meu beijo. Estamos deitados no tapete, ouvindo a música que ela não quer cantar. A nudez é um detalhe que não chega a cobrir a formalidade dos nossos gestos. Sexo assim é melhor não fazer, eu sei. Mas achei que se a penetrasse romperia a barreira de silêncio que ela ergueu para se proteger. Estúpido engano. Tudo que consegui foi afastá-la ainda mais, para dentro de um limite menor e mais duro. Quando a música termina, eu me levanto para desligar o aparelho. Só então percebo a tristeza machucada dos seus olhos. É uma menina, apesar dos braços grossos. Eu peço novamente que cante. Talvez ela possa me perdoar, agora que acabo de descobrir sua infância insuspeitada. Ela abre a boca. Penso que finalmente ouvirei sua voz, segundos antes de levar a mordida. Meu sangue escorre pelas pernas. Vejo sua vingança consumada no tapete onde a possuí. Entrego-me aos seus braços, sem a menor esperança. A visão me falta, percebo que vou desmaiar, mas agora que sou um menino machucado, agora que ela também conhece minha infância, seu perdão me cobre como um sudário. Na escuridão do nosso encontro, finalmente ouço sua voz: ela canta para se despedir.

Blogs e Mídia

O New York Times comenta a fronteira cada vez mais tênue entre os blogs e a mainstream media (para acessar a matéria diretamente no site do NYT é preciso ser cadastrado):

That Which We Call a Blog…

By DAN MITCHELL

Published: February 18, 2006

THE rise of blogging is often cast in black-and-white terms: blogs versus the “MSM” (the derisive term some bloggers apply to the mainstream media).

But things may shake out more along the lines of journalism versus armchair yammering. Both can be, and are, presented on Web sites that call themselves blogs. Both have been presented in the mainstream media all along.

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