02/03/2006

Duelo de Titãs

pedro novaes, 11:08 pm
Filed under: Cotidiano,escritores,literatura,livros

O Alex Castro pergunta qual é o maior romance latino-americano do século XX? Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia Marquéz, Sobre Heróis e Tumbas, de Ernesto Sábato, ou Pedro Páramo, de Juan Rulfo.

Infelizmente os brasileiros estão fora deste páreo. Se não o estivessem, eu diria, sem pestanejar, “Grande Sertão Veredas”. Cem Anos de Solidão perderia por uma cabeça para a obra-prima de Guimarães Rosa – a ousadia linguística.

Apesar disso, tenho que admitir que gosto mais de “Sobre Heróis e Tumbas” que de “Cem anos de Solidão”. Sábato me provoca sentimentos e sensações muito mais intensas do que Garcia Marquéz. Há poucas coisas tão angustiantes quanto o “Informe sobre Cegos”, romance anterior que Sábato incorporou como capítulo de “Sobre Heróis e Tumbas”.

Aliás ainda sobre este autor, eu acho, como obra literária, “O Túnel” ainda melhor que “Sobre Heróis…”. Ler o túnel é passear dentro da mente de um assassino.

O mexicano Juan Rulfo foi a fonte de que todos depois beberam, de uma maneira ou outra, mas acho que os que vieram depois aperfeiçoraram a coisa. O que não significa que “Pedro Páramo” seja uma obra menor. Está, sem dúvida, entre os grandes romances do continente.

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6 Comments

  1. alex castro escreveu:

    eu nao perguntei qual desses tres era o maior romance latino-americano do seculo. eu perguntei qual era o maior romance latino-americano do seculo ponto.

    Comentário de 3-3-2006 @ 12:32 am

  2. yuri vieira escreveu:

    Acho que essa é uma pergunta que só poderei responder aos 50 anos de idade. Dos livros citados, li apenas Cem anos de solidão, Grande sertão: veredas e A invenção de Morel. É preciso optar, há tanto para se ler. Preferi, por exemplo, ler as peças de Sófocles, Ésquilo, Eurípedes, Shakespeare, e também Fausto, e Don Quijote do que qualquer um do Sábato, que ainda pretendo encarar futuramente. Na verdade, não sou um estudioso de literatura, ainda mais duma específica, como a latino-americana. Literatura é meu modo de expressão. Leitores buscam livros, escritores buscam influências ou, melhor dizendo, um agon, um desafio pessoal. Para Gabriel García Marquez – aquele que segundo me disse o Tolentino fuma um baseado atrás do outro – para ele, bastou ler Faulkner, seu agon. O de Joyce, segundo Bloom, foi Shakespeare. Digo isso porque sei que vc, Pedro, e também o Alex Castro, tanto como eu, têm a literatura como dharma. Nenhum de nós chegou aos 40, uma idade em que escritores ainda são tratados como “jovens”. Pelo que pude apreender da Hilda Hilst, enquanto com ela estive, só se pode ter uma ligeira noção da literatura aos 50 anos, e isso caso se leia sem parar. Caso contrário, diria aqui que o maior romance é o Grande Sertão. Mas como de fato saber se não li os demais? Qual seria, por exemplo, o maior romance da literatura de língua portuguesa? A Hilda dizia que Nítido Nulo, de Virgílio Ferreira, estava entre os maiores. (E por isso o homenageou com seu Rútilo Nada.) Mas quem é que conhece esse cara? É difícil, hermanos. Sí, lo sé que todo empezó en una charla de borrachos, pero… la red mundial le dá dimensiones impensadas…
    Abrazos!

    Comentário de 3-3-2006 @ 10:26 am

  3. pedro novaes escreveu:

    Eu concordo com você Yuri. Então, assim, pra ser bem claro e não dar margem a dúvidas, como você gosta, digamos que estamos falando dentre os romances que já lemos, qual o que mais gostamos. Na verdade é isso, mas a gente faz de conta que tem pretensões maiores de cagar qual o melhor romance do século só pra impressionar e causar polêmica. Eu não tenho nenhuma prentensão de algum dia poder pretender seriamente cojeturar algum dia qual o melhor romance do continente. A disciplina de leitura exigida apavora meu diletantismo. Assim como não tenho nenhuma pretensão de ser um estudante sério nos termos sugeridos pelo Oalvo de Carvalho. Não tenho disciplina para tanto. Tenho, aliás, a pretensão de ser cada vez menos sério.

    Comentário de 3-3-2006 @ 11:16 am

  4. Vinicius escreveu:

    Dos três, li “cem anos de solidão”. Achei-o meia-boca. Romance, particularmente, fora do eixo latino-americano, é “Os sofrimentos do jovem Werther” do Goethe. Imbátivel, ao menos até agora, pois, como vocês, tenho muito para ler.

    Ao contrário do Pedro, desejo ser um estudante sério, e logo depois de ler o artigo do professor Olavo, adquiri três obras do Aristóteles num sebo.

    Creio que atualmente existem uns 20 livros na fila para serem devorados. Se existe uma compulsão em mim, esta compulsão é de comprar livros, tê-los ao meu alcance.

    No mais, vamos seguir o conselho do huxley: “aprender pouco é algo perigoso, mas excesso de aprendizado altamente especializado tambem é uma coisa perigosa, e por vezes pode ser ainda mais perigoso do que aprender só um pouco”. (A condição humana)

    Comentário de 3-3-2006 @ 1:10 pm

  5. yuri vieira escreveu:

    Bom, Pedro, se é pra impressionar e causar polêmica, vou acrescentar a esta lista um livro que, imagino, vcs não terão CORAGEM de ler, mas que, para mim, está entre os maiores que já li: “Há dois mil anos”, de Emmanuel, psicografado por Chico Xavier. E olha que literariamente ele é muito bom, não falo dele meramente pelo conteúdo. Embora seja escrito numa linguagem tradicional, sem qualquer sombra de Joyce ou Rosa, a narrativa é shakespeareana no melhor sentido, cheia de tramas, traições, invejas e vinganças. É provavelmente o único exemplar de tragédia cristã que li e do melhor tipo. E a brasiliense Miriam Virna, a melhor atriz e diretora teatral da nova geração, cujo sonho é montar Ricardo III – e que por acaso também é minha ex-namorada – concorda comigo, basta olhar o perfil dela no Orkut. Se alguém vier me dizer que é preciso ser espírita ou cristão para engolir esse livro, direi: é preciso ser católico para fruir A Divina Comédia? É preciso acreditar nos deuses gregos para ler as tragédias clássicas? Embora a resposta a estas perguntas seja um redondo “não”, devo acrescentar: vcs não imaginam o upgrade que dá na leitura encarar um livro desses acreditando na realidade de seus respectivos Deus Ex Machinas. Nunca havia lido um livro sofrendo convulsões e aos prantos como quando li “Há dois mil anos”. Se alguém tivesse me dito, aos meus 21 anos, que rolaria isso comigo no futuro daria gargalhadas na cara dessa pessoa. Como escreveu o Henry Miller, no livro que o Bruno me deu

    Só depois que eles [os pregadores] pararam de molestar-me é que consegui deveras interessar-me por “toda essa bobagem”.

    Abraços!

    Comentário de 3-3-2006 @ 2:37 pm

  6. Vinicius escreveu:

    E por falar em Grande Sertão: Veredas, olhe aqui e veja a materia da revista bravo.

    Comentário de 4-3-2006 @ 10:35 pm

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