blog do escritor yuri vieira e convidados...

Mês: setembro 2006 Page 5 of 8

Esse não volta mais…

Meu avatar já mergulhou tanto no Second Life que o perdi de vista. Mas descobri hoje que ele e o colunista oficial do Linden Lab, Hamlet Au – aliás, avatar do jornalista Wagner James – já andam trocando informações, tanto que no final do blogroll dele você encontratá um link para este blog em nome do meu avatar, que nem sequer me pediu licença. É o primeiro blog brasileiro com uma seção voltada exclusivamente àquele mundo virtual. Ao menos segundo o Hamlet. Esse avatar ainda vai acabar se dando melhor do que eu…

De Volta de um Outro Tempo

Estou de volta. Na pressa, nem avisei aonde ia. Peço desculpas. Mas fui e voltei. Fui conhecer outro espaço-tempo. Como seria de se esperar, foi experiência radical. Não se olha o mundo com os mesmos olhos depois de usar, ainda que canhestramente, as lentes de um índio, como alertava Darcy Ribeiro.
Fui ao Xingu, Alto e Baixo, trajeto de um mês, passando por seis etnias diferentes com nomes de sonoridades distintas: Waurá, Kalapalo, Yawalapiti, Kuikuro, Metuktire e Panará.
Eu não fui ao passado, porque não acredito na idéia de “sociedades primitivas”. Ao contrário, considero-as muito avançadas em diversos aspectos. Mas também não fui ao futuro, porque não acredito que nossa trajetória nos possa levar a algo semelhante. Leva a lugares diferentes, que podem ser melhores ou piores.
Acredito que as sociedades indígenas brasileiras se aproximam em muitos aspectos de certas utopias humanas: igualitárias, constituídas por pessoas absolutamente livres e autônomas, que não dão, nem recebem ordens. Lá não há asilos, presídios, favelas, nem hospícios,
Ao mesmo tempo, não desejo, nem posso ser índio. Sei que não seria capaz, e me oprimem a falta de individualidade (ainda que paradoxalmente haja a mais profunda autonomia), de privacidade e de solidão.

Gonçalves

Lua cheia em Gonçalves

É uma cidadezinha no sul de Minas, bem bacana, onde faz um frio danado. Pus mais fotos em um site. Por favor, dê uma olhada. (São poucas, não vai demorar; basta ir clicando em NEXT para ir acompanhando a seqüência)

Frase de cinema — 21

aspas_vermelhas_abre.gif Porque foi lá que eu tenho a impressão de que quase te perdi aspas_vermelhas_fecha.gif

Eiji Okada, para Emmanuelle Riva, em Hiroshima, Mon Amour (1959) — homenagem ao lançamento em DVD

O veado falante

Pô, eu curtia tanto esse programa na TV a cabo, The Man Show, salvo engano, traduzido como O Mundo dos Machos. Nunca mais vi. Eis uma das sacanagens que costumavam aprontar.

Procura-se: vivos ou mortos!

Segundo Lisandra Ferreira, por algum tempo foi mantido online um blog chamado “Procura-se: vivos ou mortos!”, onde petistas davam a ficha, fotos e referência de anti-petistas. (Aposto que eu também estava lá.) Chegaram a acusá-la de prostituição. Ainda segundo ela, o blog contava com o apoio de Marcos Claudio L. da Silva, filho do presidente Lula. No seu álbum do Orkut há algumas imagens em printscreem do tal blog. Num país descente – olha o ato falho, o nosso é um país “descente” – enfim, num país decente, isso daria pano pra manga…

Revelação

Alguns trechos do livro “Fronteiras da Tradição”, do Olavo de Carvalho, que o Bruno Tolentino me emprestou lá na casa da Hilda Hilst:

“O revigoramento periódico do contato entre a inteligência e o infinito, que é a sua origem, denomina-se revelação, quando desse contato surgem um rito e uma norma destinada a possibilitar esse contato para um grande número de pessoas; denomina-se intuição intelectual quando ocorre para um indivíduo em particular. A revelação fornece os meios para que os indivíduos atinjam, quando qualificados para isso, a intuição intelectual. Para os que não tem essa qualificação, ela fornece a norma e o ensinamento para que se aproximem o quanto possível desse limite(…).”

“Não há religião nem esoterismo de espécie alguma sem uma revelação.”

“A revelação origina ao mesmo tempo as técnicas e disciplinas que conduzem à intuição, e as normas e leis que conduzem à vivenciação simbólica e indireta do sentido. A estas duas instâncias dá-se o nome de esoterismo e exoterismo, respectivamente.”

“Toda tradição remonta a uma revelação.”

“A revelação provém da Misericórdia divina, e a Misericórdia é por natureza expansiva.”

“A manifestação da ‘Tradição Primordial’, com uma forma própria e independente das demais, é um contra-senso puro e simples, que vai contra todas as condições de espaço, tempo e número que definem o ‘nosso mundo’, e portanto essa manifestação não ocorrerá antes do término deste mundo, o qual por sua vez deverá ser precedido justamente pela ‘Grande Paródia’ de Tradição Primordial, que será o Reino do Anticristo.”

(Fronteiras da Tradição, Olavo de Carvalho, Nova Stella, 1986.)

Uma amostra do Second Life

Para quem ainda não captou como afinal de contas funciona esse Second Life, eis um vídeo do You Tube, que mostra alguns lugares que nem eu conheço. (O trem fantasma é ótimo! Me lembra o saudoso Playcenter. Vou procurar.)

A Montanha Aborrecida

Estou na página 311 de A Montanha Mágica, do Thomas Mann, e a sensação que tenho é de que o livro ainda não começou. A única coisa que rolou comigo até agora foi uma pleurisia. Somatização? Creio que não. Inverno seco, só isso. Sei apenas que se fosse Dostoiévski eu já estaria com os cabelos em pé. Os alemães costumam ter a carne literária meio dura mesmo. Demorei a curtir o Goethe, mas até hoje tenho em minha mente as imagens do Fausto, que li há uns dez anos. O Jünger é um excelente pensador, mas sua narrativa empolga tanto quanto uma ida ao dentista. Bem, vou dar um crédito ao mestre Mann, cuja Morte em Veneza muito me tocou. Afinal ainda faltam 675 páginas para o final d’A Montanha…

Ossos do ofício

Uma das maiores dificuldades que um anjo enfrenta – principalmente quando é um anjo caído – são as missões periódicas no Inferno. Sei que preciso orientar essa gente para que eu mesmo volte a ascender. Mas a força da gravidade nesses abismos é muito forte…

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén