31/10/2006

Veja, PT e Totalitarismo

daniel christino, 9:32 pm
Filed under: Imprensa,Mídia,Política

Acabei de assistir ao Jornal Nacional. Sempre fui muito cauteloso em relação a qualquer tipo de teoria conspiratória e, quando as coisas tendem a sair do controle, apelo sempre à realidade – é simples e bem eficaz: as instituições democráticas estão operando com autonomia e liberdade dentro do País? Estão. Então não há motivos para alarme. As pessoas podem falar as asneiras que lhes vierem à cabeça, não tenho nada com isso. Se, por outro lado, o funcionamento das instituições fica ameaçado, deve-se acender a luz vermelha. Pois bem, pela primeira vez desde que Lula foi eleito, minha luz vermelha acendeu. E, creio, há um bom motivo para isso.

O JN repercutiu uma nota publicada por Veja relatando o modo como seus jornalistas foram “interrogados” pelo delegado Moysés Eduadro Ferreira. Segundo a revista,

Para surpresa dos repórteres sua inquirição se deu não na qualidade de testemunhas, mas de suspeitos. As perguntas giraram em torno da própria revista que, por sua vez, pareceu aos repórteres ser ela, sim, o objeto da investigação policial. Não houve violência física. O relato dos repórteres e da advogada que os acompanhou deixa claro, no entanto, que foram cometidos abusos, constrangimentos e ameaças em um claro e inaceitável ataque à liberdade de expressão garantida na Constituição. (para ler na íntegra clique aqui)

A PF se defende em nota no seu site:

em nenhum momento os repórteres, ou sua advogada, manifestaram às referidas autoridades a contrariedade ou discordância com a condução do depoimento, causando surpresa à este órgão a conotação de suposta arbitrariedade que vem sendo dada ao procedimento em questão; (você pode ler a íntegra aqui)

Não vejo, pessoalmente, como a revista poderia ganhar alguma coisa denunciando um falso comportamento arbitrário desse delegado. É arriscar a credibilidade por muito pouco.

Numa democracia a liberdade de expressão – desde que responsável e em acordo com a lei – é um valor fundamental. Qualquer tipo de cerceamento ideológico – seja para defender o partido, seja para defender a “honra” da Polícia Federal – deve ser rechaçado e punido. Esse delegado deveria, no mínimo, pegar uma geladeira e a PF deveria pedir desculpas, oficialmente, à revista. Jornalista não é bandido. Se a PF acreditava que a matéria sobre a “operação abafa” era especulativa, que acionasse a assessoria de imprensa e solicitasse direito de resposta. É um direito. Intimidar jornalistas é uma estratégia vil e covarde, bem ao gosto dos regimes totalitários aos quais a oposição adora comparar o governo, e este não cansa de negar.

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5 Comments

  1. yuri vieira escreveu:

    Nossa, demorou, hem. Nunca vi um alarme tão difícil de soar. É como se vc estivesse em casa lendo um livro – para ficar bem inteligente – e só percebesse que um ladrão limpou sua casa quando ele, por algum estranho motivo, viesse a lhe tirar o livro das mãos. A tentativa de controlar a imprensa por meio daquele – como se chamava mesmo? Conselho Federal? – órgão maluco idealizado pelo PT não lhe causou coceiras? A perseguição do Gushiken e do José Dirceu ao Boris Casoy nada significou? A ameaça que Lula fez ao Boris, ao vivo, não acendeu sua luzinha vermelha? Pelo amor de Deus, depois eu é que sou o lunático. A ambição do PT é totalitarista, ponto. Só não vê quem não quer. E finge que não vê quem é cúmplice. That’s it.
    []´s

    Comentário de 1-11-2006 @ 5:54 am

  2. daniel christino escreveu:

    Ainda não acredito em conspiração esquerdista maligna para tomar o poder no Brasil ou no mundo. Isso é uma tara sua e dos “adoradores do carvalho”. Mas o governo deve posicionar-se oficialmente, porque as acusações da VEJA são graves. No mais, continuo com meu critério (que você, convenientemente, ignorou) para soar meu alarme e espero sincereamente que ele não soe como um ataque histérico. Só para te dar um exemplo bem paroquial aqui, no Estado de Goiás, jornalistas foram despedidos pelo Governador tão arbitrariamente quanto o Casoy, e você não saiu por aí gritando “fogo! fogo na floresta”. Dizer que a arbitrariedade da polícia me icomoda não significa concordar com o apocalípse cultural e político pregado por você.

    Comentário de 1-11-2006 @ 7:56 am

  3. Jacqueline escreveu:

    “Aquilo que, noutros tempos, parecia homogêneo, dissolveu-se em configurações multiplas.”Kals Jaspers
    Sem comntários

    Comentário de 1-11-2006 @ 10:58 am

  4. O Garganta de Fogo » Los locos también matan escreveu:

    […] Reproduzo letra por letra o artigo de Carlos Alberto Montaner – Los locos también matan – publicado no site Firmas Press. A maior parte dos leitores deste blog irá compreendê-lo facilmente, com exceção do nosso colaborador Daniel, a quem repito: a percepção da tal, em suas próprias palavras, “conspiração esquerdista maligna para tomar o poder no Brasil ou no mundo” está fundada em dados da realidade, não em imaginação paranóica. Aliás, tenho certeza de que o Primeiro Ministro inglês Neville Chamberlain também achava paranóicos aqueles que lhe diziam que Hitler era perigoso. Cada época com seus bobos. (E vale lembrar que Evo Morales e Hugo Chávez são amiguinhos do presidente Mula.) Los locos también matan […]

    Pingback de 1-11-2006 @ 4:51 pm

  5. wagner paulista de souza escreveu:

    Por uma imprensa livre e alternativa aos jornalões defensores da Direita raivosa e babona. Vocês perderam a eleição. Viva o Povo Brasileiro

    Comentário de 3-11-2006 @ 10:44 am

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