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Antonia, o Filme

O melhor filme a que assisti no 2º Festival de Cinema Brasileiro de Goiânia [1] foi “Antonia” [2], da diretora Tata Amaral (“Um Céu de Estrelas”, “Através da Janela”).
O longa só estréia no circuito comercial em fevereiro, em função o fato de que, antes mesmo de seu lançamento, o produtor Fernando Meirelles emplacou um acordo com a Rede Globo para a série em cinco capítulos já em exibição às sextas-feiras.
Para quem está acompanhando na TV, o filme antecede os acontecimentos retratados na série televisiva e conta a história de quatro cantoras de rap da periferia de São Paulo e sua tentativa de emplacar seu grupo musical, que dá o título do filme, em meio a um cotidiano de violência, machismo e pobreza.
O roteiro do filme é bastante bom, embora não seja espetacular e tenha algumas falhas de ritmo. Seus problemas, entretanto, são largamente compensados pelas excelentes interpretações das quatro atrizes iniciantes – Negra Li, Leilah Moreno, Quelynah e Cindy – nos papéis principais e de vários coadjuvantes.
Certamente, parte da naturalidade das interpretações deve ser creditada a Sérgio Penna, grande preparador de elenco, que trabalhou em filmes igualmente bem interpretados como “Bicho de Sete Cabeças”, “Contra Todos” e, mais recentemente, “Sonhos de Peixe”, selecionado para uma das mostras de Cannes, e “Batismo de Sangue”, recém-lançado no ainda não encerrado Festival de Brasília. Tive a grata oportunidade de participar de um curso com Sérgio, que é um profissional do melhor calibre com um trabalho muito sério e profundo.
Além do trabalho de atores, ponto mais forte do filme, também se destaca a fotografia de Jacob Sarmento, inclusive premiada no 2º Festcine Goiânia. A câmera na mão, num estilo quase documental, se soma ao naturalismo das intepretações e ao cenário da favela para dar a impressão de que se trata mesmo quase de um documentário – afinal não são de fato as quatro intérpretes cantoras de rap na periferia de São Paulo? Elas não interpretam suas histórias, mas histórias que são quase suas histórias num quase documentário portanto. A câmera vai e vem muitas vezes acompanhando personagens como em uma filmagem caseira, reforçando a sensação de se estar compartilhando realmente da intimidade de pessoas reais.
Finalmente, em meio a tudo, ecoam as maravilhosas vozes das próprias protagonistas numa trilha sonora de rap de primeira qualidade.

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