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Pergunta sem Resposta

Aron Ralston

Há poucas coisas tão intrigantes quanto o gosto de alguns seres humanos pelo risco, ilustrado de maneira radical pelos relatos de adversidades, mega-roubadas e episódios de quase-morte ou morte que chegam das montanhas.

Confrontada com tais histórias arrepiantes, a mente ecoa de forma incessante a pergunta sem resposta: “por que estes seres humanos sentem prazer em arriscar a própria vida para galgar uma parede de pedra ou encostas geladas de uma montanha, muitas vezes em empreitadas árduas e sofridas, sob frio congelante ou calor enauseante?”

Meus quase 15 anos de montanhas e paredes – embora hoje com o instinto um pouco adormecido -, não oferecem mais do que pistas, sem qualquer resposta definitiva. Ninguém a possui, exceto talvez aqueles que já se foram, tragados por avalanches ou vitimados por quedas fatais e que, no derradeiro instante, viram-na brilhar diante de seus olhos. Riem de nós hoje reunidos no além.

A história de Aron Ralston ganhou as manchetes dos jornais do mundo todo em 2004. Este é o camarada que serrou, com um canivete, o próprio antebraço esmigalhado e preso sob uma rocha em um cânion remoto do Colorado.

Esta reportagem da revista Go Outside [1] é um resumo deste episódio enauseante detalhadamente descrito no livro “Between a Rock and a Hard Place” [2], escrito de próprio punho, ou de punho e prótese, se podemos nos permitir algum humor negro.

Imperdível.

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Comments Disabled To "Pergunta sem Resposta"

#1 Comment By Duda Vila Nova On 25/04/2007 @ 5:09 pm

bom… o medroso aqui tá quase desistindo de começar as aulas de rapel… hehehehe

belíssmo blog

#2 Comment By paulo paiva On 25/04/2007 @ 7:56 pm

Cara, eu li o artigo da revista Go Outside. É duca! E a pergunta continua sem resposta final. Mas arrisco: é natural em alguns a confiança cega de que são protegidos! Lembro-me de uma história de quando o D.H. Lawrence, colhido por uma grande tempestade em um navio e diante do espanto dos outros passageiros, ao vê-lo tão calmo enquanto estavam desesperados, disse: “Barco em que eu estou não afunda!”.

#3 Comment By Fernando On 26/04/2007 @ 3:14 pm

O Ralston contou que quando estava com o braço preso na pedra, teve um sonho e viu um menino louro que, pelo que entendi, Ralston sabia que seria seu filho e aquilo lhe deu coragem para se livrar do braço.

Foi o momento mais bonito dessa estória terrível.

Esse filho dele já existia, nasceu depois do acidente ou, se é que eu entendi direito, ainda não existe?

#4 Comment By yuri vieira On 27/04/2007 @ 4:21 pm

D.H. Lawrence estava citando Julio César, Paulo. Aliás, segundo Spengler, pessoas dotadas de alguma tarefa relevante para a Civilização são protegidas pela Providência. E também cita Napoleão, o qual supostamente sabia que a vulnerabilidade total o esperava no fim da sua “missão”.

Quanto àquilo que move o montanhista, bem, tenho várias respostas. Algumas delas foram respondidas quando subi o Tungurahua (5060m), outras o Cotopaxi (5890m), e as derradeiras apenas ao atingir outros cumes abstratos.

Ainda voltarei ao tema.
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