Submarino.com.br

Arquivo para August, 2007




Tuesday, August 7, 2007

Cansados 3

rodrigo fiume, 9:39 pm
Filed under: Imprensa, Política

Da Folha:

Casa-grande e senzala

CARLOS HEITOR CONY

RIO DE JANEIRO – Para quem já nasceu cansado, como o cronista, participar do movimento daqueles que se declaram cansados é, além de um esforço suplementar, um esforço inútil. Durante os oitos anos do governo de FHC, quase diariamente eu me declarava cansado -e não adiantou. Antes mesmo da posse de Lula, eu já estava exausto de saber que nada iria mudar, o que acaso mudasse, mudaria para pior.

Há espanto entre os entendidos sobre a taxa de aprovação do atual governo, apesar dos escândalos, da corrupção, da inércia, da embromação oficial. Aos poucos, estão brandindo a dicotomia de pobres e miseráveis contra ricos e remediados. A luta de classes é explorada agora pelo próprio presidente, que não entende como os ricos que ele beneficiou estão contra ele. Para os pobres, prometeu o Fome Zero, que fracassou, e o Bolsa Família, que alguns receberam e a maioria ainda espera.

Mas não é por aí que se explica a charada. Quem ganha menos de R$ 1.500, acredito que a maioria dos brasileiros, se identifica com Lula de uma forma que transcende a realidade e o raciocínio. É uma química de vísceras, de tripa, “ele é um dos nossos”. Atribui os problemas que todos sofremos à maquinação dos patrões, dos bem nascidos que não deixam Lula fazer o que prometeu e continua prometendo.

Também eles estão cansados das maquinações das elites, das classes dominantes que não assinam carteiras de trabalho, demitem para enxugar a folha, exploram o suor escravo, a clássica divisão entre a casa-grande e a senzala.

Acontece que estou realmente cansado de tudo isso. Já citei aqui uma estrofe genial do Orestes Barbosa num velho samba que nunca esqueci: “Meu avô morreu na luta, o meu pai, pobre coitado, fatigou-se na labuta, por isso nasci cansado”.

A Guerrilha do Araguaia

yuri vieira, 7:38 pm
Filed under: Podcast e videos, Política, amigos, cinema

Trailer do documentário dirigido por nosso amigo Eduardo Castro, que, ano passado, trabalhou conosco no making of da Goiânia Mostra Curtas. Guerrilha do Araguaia – As Faces Ocultas da História, segundo me disse o próprio Eduardo, mostra, em primeiro lugar, como os camponeses foram sacaneados por guerrilheiros e militares; em segundo, como ingênuos estudantes travestidos de guerrilheiros foram iludidos e traídos pelo Partido Comunista; e, finalmente, como foram todos pulverizados pelo Exército.

Sunday, August 5, 2007

Best shortfilms on You Tube

yuri vieira, 2:18 pm
Filed under: Podcast e videos, cinema, sites

Resolvi buscar no You Tube: “best short films” (melhores curtas-metragens). E então descobri a lista com o título acima: Best shortfilms on youtube. Qual não foi minha surpresa ao encontrar, entre esses melhores curtas, o vídeo “From Goyaz to Glauber Rocha“, cujo roteiro escrevi com o Pedro Novaes, e que realizamos com a ajuda de Dib Lutfi e João Paulo Carvalho. Bem, verifiquei – não sem uma pontinha de desapontamento, confesso – que o dono da lista é brasileiro, afinal, seria muito estranho um vídeo em língua portuguesa, e sem legendas, tocar a mente de um estrangeiro. (O brasileiro costuma ter um comportamento de torcida de futebol que sempre me faz duvidar de sua isenção crítica.) Em contrapartida, estamos em contato com a organização de um evento em Barcelona, uma mostra sobre o Glauber Rocha, que nos convidou a apresentar por lá o mesmo vídeo. Quem estiver na Catalunya…

Lula e a caixa preta

yuri vieira, 11:32 am
Filed under: Cotidiano, Política

Do Alerta Total:

Os dados da caixa-preta e do Gravador de Dados de Vôo (FDR, na sigla em inglês) do trágico Airbus A-320 da TAM passaram pelo Palácio do Planalto, antes de serem remetidos para exame nos Estados Unidos. A informação foi passada ao Alerta Total por um brigadeiro da FAB, que não pode ser identificado por questões óbvias. A ordem foi do próprio presidente. Lula da Silva queria ter a certeza absoluta de que no acidente, onde morreram 199 pessoas, não houve responsabilidades diretas do seu governo.

A passagem da caixa preta pelo Planalto, antes de ser mandada para perícia na Nacional Transportation Safety Board, revela que não foi “uma trapalhada da FAB” o envio equivocado, à NTSB norte-americana, de um gravador comum, achado pelas equipes de resgate nos destroços do avião, no prédio destruído da TAM Express. Na verdade, o “erro” serviu para que o Planalto tivesse mais um dia para analisar a caixa-preta, antes de enviar o material correto ao órgão de segurança de tráfego aéreo, em Washington. (…)

Saturday, August 4, 2007

Prática de conversação online

yuri vieira, 5:48 pm
Filed under: Second Life, software, tecnologia

Apenas para avisar aos poucos que se interessam por tecnologias revolucionárias: o Second Life agora tem Voice Chat, isto é, você pode bater-papo nas mais diversas línguas sem tirar a bunda da cadeira. Sim, você pode treinar seu ouvido e sua dicção com pessoas que vai encontrando ao acaso. Sem falar que, agora, as palestras e discussões literárias, políticas e filosóficas ficarão mais dinâmicas. (Antes só o palestrante tinha acesso à transmissão de áudio, as perguntas eram feitas por escrito.) Como também há o recurso do chat comum, sempre que você não entender algo, seu interlocutor pode – como diziam lá no Equador – “dibujar” pra você, colocar tudo em letras de forma. Uma ótima escola de línguas para autodidatas. (Agora só falta a força de vontade.)

Aliás, cá entre nós, a técnica de aprender idiomas fazendo sexo – aprimorada por Sir Richard Francis Burton no século XIX – terá agora toda a segurança da virtualidade. Brave New World

Os atletas cubanos

yuri vieira, 5:16 pm
Filed under: Esportes, Política

Realmente um absurdo essa história de deportar atletas cubanos. Pô, os caras estão tentando fugir da Ilha Prisão!! Ao chegar em Cuba, serão presos ou fuzilados. Fiquei pensando nessa palhaçada ontem. (Enquanto eu pensava, o Reinaldo Azevedo escrevia.) Onde estão nossos atletas que não parecem se interessar pelo caso? Não vão defender os colegas? Da torcida brasileira – a mais bárbara e maliciosa de todos os eventos esportivos já ocorridos no mundo (vaiava apenas para desconcentrar os adversários dos brasileiros) – dela não se pode esperar nada, afinal, ficará satisfeitíssima com a eliminação de mais “inimigos” dos nossos atletas.

Ê povinho bunda.

Friday, August 3, 2007

Títulos

rodrigo fiume, 9:37 pm
Filed under: Imprensa

Primeiro, o comentário do ombudsman da Folha, ontem:

Cada cabeça, uma sentença.

A minha: é de uma infelicidade antológica o título principal da capa de Turismo. Desrespeita-se quem ainda chora os mortos de Congonhas e quem se angustia com as incertezas da aviação.

Segundo, a explicação: o caderno mostra que a temporada de cruzeiros é uma opção ao caos aéreo; a capa tem uma foto enorme de um navio.

Agora, o motivo, isto é, o título do caderno:

Balança, mas não cai

Um mergulho aristotélico-stanislavskiano

yuri vieira, 2:31 pm
Filed under: Política, escritores, interiores, literatura

Trecho de mais um artigo imprescindível, Quando a alma é pequena:

“(…) Esse medo, por sua vez, revela-se da maneira mais inconfundível na literatura de ficção nacional. Repassando mentalmente as produções maiores da nossa criação romanesca – índice seguro da imaginação das classes letradas –, o que me chama a atenção em primeiro lugar é a falta absoluta de problemas, de enigmas, de perplexidades. O romancista brasileiro limita-se a retratar situações vistas segundo a ótica de uma filosofia ou ideologia preexistente, de modo que tudo no fim parece óbvio e explicado. Não estou falando de escritores ruins, mas justamente dos melhores. Tomem o excelente Graciliano Ramos no mais bem sucedido dos seu livros, São Bernardo , no mais popular, Vidas Secas , ou no mais ambicioso, Angústia . O que se vê nos dois primeiros são equações de sociologia desenvolvidas com a lógica de uma demonstração matemática, a condição de classe dos personagens determinando suas escolhas e produzindo inevitavelmente o destino correspondente: o senhor de terras age como um senhor de terras, a professorinha como uma professorinha, o camponês diante da autoridade como um camponês diante da autoridade. É tudo muito bem observado, muito bem construído, mas não suscita um único “por que?”. No terceiro romance a fórmula parece complicar-se um pouco mediante a introdução de elementos de psicopatologia, mas no cômputo final estes se somam aos dados sociológicos e explicam tudo. Ninguém nega que esses livros sejam obras-primas à sua maneira, mas, se eles nos ensinam algo sobre a vida brasileira e algo sobre como se escreve um romance, não abrem nossa inteligência para nenhuma questão que ali já não esteja de algum modo respondida. Não têm a força fecundante da grande arte literária. O mesmo pode-se dizer de quase toda a produção de Raul Pompéia, José Lins do Rego, Jorge Amado, Lima Barreto, Guimarães Rosa, José J. Veiga, Antônio Callado, Herberto Sales, Josué Montello e outros tantos.

“Você não pode ler o teatro grego, Shakespeare ou Dostoiévski sem perceber que ali se encontra algo de perfeitamente real e ao mesmo tempo inexplicável, lógico e ao mesmo tempo absurdo. Os ensaios de interpretação podem se multiplicar ao longo dos séculos sem jamais dar conta do mistério. A grande literatura de ficção mostra-nos como é a vida humana, mas não pode nos explicar o porquê. Para fazê-lo, teria de subir um grau na escala de abstração, tornando-se análise e teoria, abandonando portanto a contemplação da vida concreta, que é o seu terreno específico. Mesmo os romances mais complexos do século XX, que incorporam elementos de análise filosófica, como A Montanha Mágica de Thomas Mann, Os Sonâmbulos de Hermann Broch, O Homem Sem Qualidades de Robert Musil ou a trilogia de Jacob Wassermann ( O Processo Maurizius , Etzel Andesgast e A Terceira Existência de Joseph Kerkhoven ) não têm por resultado uma teoria explicativa mas a expressão formal concreta de um aglomerado de tensões sem solução. Daí o fascínio mágico que continuam exercendo sobre o leitor por mais que este, eventualmente filósofo ele próprio, se esmere em transformar o egnima em equação. A equação resolvida é sempre genérica, não esgota nunca a infinidade de sugestões embutidas na trama particular e concreta.

“Nada disso se observa em geral na ficção brasileira, uma literatura de segunda mão que nasce do recorte da experiência pelo molde de explicações previamente dadas. A análise das obras esgota rapidamente a problematicidade da sua cosmovisão, não sobrando outro enigma senão, é claro, o do talento individual que encontrou soluções tão boas para a transposição estética de uma vivência espiritual tão pobre.(…)”

Thursday, August 2, 2007

Cansados 2

rodrigo fiume, 4:37 pm
Filed under: Política

Da Folha:

ENTREVISTA
PAULO ZOTTOLO

Ricos não são menos brasileiros que pobres, diz o líder do “Cansei”

Empresário afirma que não é menos brasileiro por ter dinheiro e nega que movimento pretenda depor o governo Lula
GUILHERME BARROS
COLUNISTA DA FOLHA

No dia 27, a Philips do Brasil publicou anúncio nos principais jornais manifestando seu apoio ao “Cansei”. A carta da Philips foi alvo de muitas críticas, inclusive do governo. O presidente da Philips, Paulo Zottolo, 51, nega que o movimento tenha qualquer motivação política ou que vise derrubar o governo -e sugere que o presidente Lula se engaje no movimento.
“Eu posso ter minhas diferenças com o PT, isso é uma coisa, mas o que eu não concordo é achar que qualquer movimento que se faça de cidadania neste país ou é de oposição ou é de elite”, diz Zottolo. Ele afirma que vai continuar a apoiar o movimento, apesar das críticas. “Não preciso me sentir culpado porque sou rico”, afirma.

FOLHA – Como nasceu o “Cansei”?
PAULO ZOTTOLO – O Jesus Sangalo me ligou dizendo-se indignado com a situação no país e me perguntou se poderia contar com o meu apoio na criação de um movimento de indignação contra isso. Eu indiquei o João Dória Jr, que seria a melhor pessoa para canalizar o movimento. O João Dória me ligou logo depois de ter conversado com o Jesus: “O cara está bravo”. Eu disse para o João Dória que o melhor era segurar o cara porque ele estava querendo fazer um movimento que não seria benéfico para ninguém. Dória marcou então uma reunião.

FOLHA – O que foi decidido?
ZOTTOLO – O João Dória disse, na reunião, que esse movimento não poderia ser partidário.

FOLHA – Mas ele apoiou Alckmin.
ZOTTOLO – O que eu estou contando foi o que aconteceu. Ele disse que não poderia ser um movimento político nem um movimento para derrubar presidente ou para provocar o impeachment, o que tinha de ser é um movimento de indignação. Assim começou a história. Nessa reunião eu também dei a idéia de trazer a África [do Nizan Guanaes] para nos ajudar.
(Continua…)

Sicko

yuri vieira, 2:06 pm
Filed under: Política, cinema

Ainda não assisti ao novo documentário do Michael Moore – Sicko – mas já ouvi alguns comentários. O cara agora está pegando no pé das empresas de convênio médico que, conforme sabemos, costumam merecer as críticas que recebem. Contudo, cá entre nós, o cara levar um grupo de voluntários que trabalhou no resgate das vítimas do WTC, e que teve seqüelas por isso, para se tratar “gratuitamente” em Cuba diz mais sobre o próprio Michael Moore do que sobre as empresas de saúde norte-americanas…

Wednesday, August 1, 2007

Fui simpsonizado!

yuri vieira, 12:09 pm
Filed under: Humor, Umbigo

Melissa, minha irmã caçula, me simpsonizou. Será que fiquei realmente parecido comigo mesmo?

yuri_simpson.jpg

Espelho – quase lá

yuri vieira, 3:43 am
Filed under: Avisos, amigos, cinema

Nosso curta-metragem Espelho – cujo roteiro escrevi e que dirigi com a Cássia Queiroz – está quase terminado. No momento, estamos à espera da trilha sonora. Assim que tiver notícias sobre – como dizer? a estréia? o lançamento? a avant-première? – darei um toque aqui. (Vale lembrar que dois colaboradores deste blog participaram como atores: o Pedro e o Paulo. Não, não é um filme sobre apóstolos…)

Abaixo, no escurinho do cinema, os excelentes atores Renata Mello e Sandro Torres.

sandro_renata1.jpg

O artigo do Rubem Fonseca

yuri vieira, 2:41 am
Filed under: Arte, escritores, literatura

O artigo do maestro Rubem Fonseca no Digestivo CulturalA literatura de ficção morreu? – me lembrou esta máxima do Oscar Wilde (cito de memória): “A vida artística não é senão o desenvolvimento da própria personalidade”. Ora, porque viveram outras personalidades antes de mim minha vida não faz sentido e por isso não mereço viver? Um escritor contemporâneo deve apenas responder a essa questão. Quanto a ser sua personalidade – sua imaginação! – vasta ou medíocre, eis um problema para o leitor, não para ele. Um dedo não pode tocar a própria ponta.



Page 2 of 2«12
Submarino.com.br

59 queries. 1.018 seconds. | Alguns direitos reservados.


Livros - Submarino.com.br