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Na Natureza Selvagem

Livro

Sempre gostei dos livros e do estilo de escrita de Jon Krakauer [1]. Foi em 1999, logo depois de traduzir seu “Sobre Homens e Montanhas” para a Companhia das Letras, que li “Na Natureza Selvagem”, seu relato sobre a história de Chris Mccandless, o jovem que abandonou sua família na Virgínia por uma vida na estrada e de aventuras ao estilo dos personagens de Jack London e inspirado por Thoreau e John Muir.

Ontem, fuçando nas minhas coisas, encontrei um artigo que à época escrevi para o jornal “O Popular” [2]. Seu título é “Selvagem é o Concreto”. Tem um tom nostálgico e meio melodramático que dá uma certa vergonha. Infelizmente, só o tenho em papel, mas se tiver saco vou redigitá-lo para algumas reflexões. Pensar se ainda acredito no que dizia há quase dez anos – afinal, em outros campos, mudei radicalmente. Afinal, todo o mundo se encantou e ainda se encanta com as idéias de Thoreau e com uma certa visão romântica da vida liberta na estrada e junto à natureza.

Outro dia, meu amigo Nelson me ligou no meio da tarde. Saía da sessão de “Na Natureza Selvagem”, o filme de Sean Penn [3] baseado na novela de Krakauer (trailer aqui [4]). Quase fora atropelado na Paulista de tão atordoado. Dizia que saíra do cinema pensando em mim. Vá saber por quê.

Cartaz

O livro me causou forte impacto em 1999, e ontem, na expectativa da estréia do filme aqui no sertão, comecei a relê-lo e já não o consigo largar. As perguntas são sempre as mesmas e seguem essenciais, penso: o que realmente vale à pena? Vale trocar as montanhas pela segurança do cotidiano? Em tempo, eu não considero que tenha abandonado as montanhas, mas por ora tenho outras prioridades, antes de retornar a elas.

Chris largou tudo e foi viver no Alaska, depois de rodar metade dos Estados Unidos – a pé, de carona, de canoa. Morreu de inanição em meio ao inverno rigoroso.

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#1 Comment By Ronaldo Brito Roque On 13/03/2008 @ 2:48 pm

Cara, o problema é o sexo. Se vivêssemos isolados sentiríamos muita falta de sexo. Já pensei sobre isso, e cheguei à conclusão de que viver isolado é problemático.

Abraço,
Rbr

#2 Comment By milton ribeiro On 21/03/2008 @ 7:31 pm

Não acho que o ideal proposto no livro deva ser aprovado pelo leitor. Minha opinião é que se trata de um apelo emocional impulsionado pela veracidade da existencia do personagem , e temperado pela sua morte final , tentando levar a um grande consumo de uma publicação . É uma formula conhecida. O personagem deveria ser visto como alguém perdido em seus próprios desejos narcisistas , que resultou em seu estabelecimento em um pano de fundo desertico , como mostra o lugar que buscou para se alocar. No fim das contas , êle buscou atingir o mesmo fim que em seu discurso rejeitou , apenas um relato inconciente , apesar de estar sempre endossando o que todo mundo já sabe desde a antiguidade .

#3 Comment By jose carlos kriver On 21/03/2008 @ 8:27 pm

Não é uma boa idéia tentar vender como uma obra cult , o suicídio de um jovem impotente em assumir algum tipo de liderança frente a sua família conservadora.Existe grande conotação narcisista no personagem .Seu discurso repetitivo.Melhor seria considerar esta obra como uma aventura , similar a 11 homens e um destino , assaltantes de bancos , repleta de maus exemplos . Enfim mais uma amostra da confusão da sociedade americana , que os brasileiros vão endossar enganosamente.