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	<title>Comments on: Estudo relaciona descrença religiosa a Q.I. alto.</title>
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	<description>blog do escritor yuri vieira e convidados...</description>
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		<title>By: daniel christino</title>
		<link>http://blog.karaloka.net/2008/06/26/estudo-relaciona-descrenca-religiosa-a-qi-alto/comment-page-1/#comment-80754</link>
		<dc:creator>daniel christino</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Jun 2008 02:03:38 +0000</pubDate>
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		<description>Sobre o teste de Q.I. é verdade, filipe. O fato de que uma pessoal pode, ao longo do tempo, melhorar sua performance fazendo sucessivos testes é uma prova. Trata-se de avaliar certas habilidades. Nem de longe roça a complexidade do fenômeno. 

Mas o fato de que alguém se dispõe a financiar e divulgar de modo sério pesquisas com este viés é interessante. Como disse, até que ponto somos capazes de separar fato e valor? Tenho quase certeza de que o pesquisador já sabia o resultado antes mesmo de fazer a pesquisa. 

Outra coisa que vale a pena perguntar é qual teoria da inteligência sustenta a possibilidade destes tipos de pesquisa. Se não dá para fazer uma separação clara entre os tipos de inteligência, ao mesmo tempo ficamos sem conseguir explicar os gênios, por exemplo. Há coisas na pesquisa bem mais interessantes do que a pesquisa.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Sobre o teste de Q.I. é verdade, filipe. O fato de que uma pessoal pode, ao longo do tempo, melhorar sua performance fazendo sucessivos testes é uma prova. Trata-se de avaliar certas habilidades. Nem de longe roça a complexidade do fenômeno. </p>
<p>Mas o fato de que alguém se dispõe a financiar e divulgar de modo sério pesquisas com este viés é interessante. Como disse, até que ponto somos capazes de separar fato e valor? Tenho quase certeza de que o pesquisador já sabia o resultado antes mesmo de fazer a pesquisa. </p>
<p>Outra coisa que vale a pena perguntar é qual teoria da inteligência sustenta a possibilidade destes tipos de pesquisa. Se não dá para fazer uma separação clara entre os tipos de inteligência, ao mesmo tempo ficamos sem conseguir explicar os gênios, por exemplo. Há coisas na pesquisa bem mais interessantes do que a pesquisa.</p>
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		<title>By: filipe</title>
		<link>http://blog.karaloka.net/2008/06/26/estudo-relaciona-descrenca-religiosa-a-qi-alto/comment-page-1/#comment-80738</link>
		<dc:creator>filipe</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Jun 2008 18:36:37 +0000</pubDate>
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		<description>daniel,

a inteligência não é resultado de apenas uma, mas de um conjunto de capacidades relativamente independentes. essa idéia está
fundamentada na teoria das múltiplas inteligências desenvolvido pelo psicólogo howard gardner, na qual o próprio divide a
&quot;inteligência&quot; em sete componentes distintos: lógico-matemática, espacial, musical, cinemática, linguística, intra-pessoal e inter-pessoal. o guilford conseguiu distinguir 120 tipos de inteligências.  outros pesquisadores &quot;investiram&quot; ainda num
conceito de inteligência emocional, chegando a afirmar que esta seria tão importante quanto a perspectiva mais tradicional de
inteligência. esse grupo de pesquisadores considera que a teoria g e o Q.I. são, no máximo, uma medida de capacidades
acadêmicas. portanto, os outros tipos de inteligência podem ser facilmente mais importantes fora desse ambiente [academia].

dessa forma, além de não existir um conceito definitivo que sintetise todas essas habilidades, também não existe apenas um
único teste para medir esta idéia de inteligência de forma coerente. historicamente, os testes de inteligência surgiram na china, pelo século V, e passaram a ser utilizados cientificamente na frança século passado. inclusive, este emprego 
científico [por alfred binnet e theodore simon] buscava não uma mensuração da inteligência, mas a identificação de estudantes que precisassem de ajuda extra na sua aprendizagem escolar. nas palavras do binnet: 

&quot;This scale properly speaking does not permit the measure of the intelligence, because intellectual qualities are not superposable, and therefore cannot be measured as linear surfaces are measured, but are on the contrary, a classification, a
hierarchy among diverse intelligences; and for the necessities of practice this classification is equivalent to a measure&quot;.

isto é, baixos resultados nos testes indicavam uma maior necessidade de intervenção dos professores no ensino destes alunos, e não necessariamente uma inabilidade no aprendizado. 

falando especificamente sobre o quociente de inteligência, esse termo foi proposto para representar o nível mental relacionando duas variantes: idade mental e idade cronológica. ainda assim, não existe um único teste de q.i., e sim várias adaptações pra situações/realidades diversas. não sou especialista no assunto, mas é fácil imaginar o grau de variância que se obtém na aplicação desses testes e quão complexo deve ser sua análise. portanto, seus resultados bem como sua validade devem ser relativizados. jared damond causou polêmica sobre o assunto quando sugeriu que qualquer ocidental [estamos falando de pessoas, obviamente] teria certamente resultados péssimos num teste de q.i. elaborado por aborígenes australianos. por que? porque o resultado do teste depende de elementos culturais articuladores de idéias como forma de comunicação, sistema de contagem e de operações aritméticas bla bla bla. em média, testes de q.i. sugerem que metropolitanos são mais inteligentes que tribais. também já foram submetidos chimpanzés e gorilas ao teste, onde a gorila chamada koko alcançou um q.i. 95 [ela tem, por convensão, um inteligência acima da média para humanos]. então, é um equívoco, ao meu ver, pensar que pessoas com q.i. alto são, de alguma forma mais elevadas cognitivamente [e pessoas com q.i. baixo são idiotas], da mesma forma que não existe bom senso em relacionar resultados de q.i. com crença em deuses.   

pra finalizar, concordo contigo, daniel, e acho muito perigoso tentar levantar alguma conclusão sobre esse tipo de estudo. 
lembro bem quando eu discutia resultados de projetos científicos com meu orientador e ele citou um exemplo clássico de 
conclusões equivocadas tiradas de correlaçoes. contarei bem resumidamente. um professor-pesquisador do estado de connecticut [se não me falhe a memória] determinou o período do ano no qual havia maior número de nascimentos de bêbês numa região e o período no qual uma espécie de cegonha &quot;aportava&quot; na mesma região para descansar e procriar. curiosamente, quando relacionou ambas as situações, notou que tratavam-se do mesmo período do ano. sarcasticamente, ele utilizava esse exemplo durante suas aulas pra sugerir que, de fato, a cegonha exercia seu papel folclórico de encomendadoras de criancinhas. eu poderia traçar, agorinha, uma correlação entre pessoas que tem q.i. alto, seus indicadores socioeconômicos maiores e consequente melhor 
acesso à saúde,  informação e posterior descrença numa força suprema. seria uma idiotice, mas faria algumas pessoas 
discutirem por alguns minutos.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>daniel,</p>
<p>a inteligência não é resultado de apenas uma, mas de um conjunto de capacidades relativamente independentes. essa idéia está<br />
fundamentada na teoria das múltiplas inteligências desenvolvido pelo psicólogo howard gardner, na qual o próprio divide a<br />
&#8220;inteligência&#8221; em sete componentes distintos: lógico-matemática, espacial, musical, cinemática, linguística, intra-pessoal e inter-pessoal. o guilford conseguiu distinguir 120 tipos de inteligências.  outros pesquisadores &#8220;investiram&#8221; ainda num<br />
conceito de inteligência emocional, chegando a afirmar que esta seria tão importante quanto a perspectiva mais tradicional de<br />
inteligência. esse grupo de pesquisadores considera que a teoria g e o Q.I. são, no máximo, uma medida de capacidades<br />
acadêmicas. portanto, os outros tipos de inteligência podem ser facilmente mais importantes fora desse ambiente [academia].</p>
<p>dessa forma, além de não existir um conceito definitivo que sintetise todas essas habilidades, também não existe apenas um<br />
único teste para medir esta idéia de inteligência de forma coerente. historicamente, os testes de inteligência surgiram na china, pelo século V, e passaram a ser utilizados cientificamente na frança século passado. inclusive, este emprego<br />
científico [por alfred binnet e theodore simon] buscava não uma mensuração da inteligência, mas a identificação de estudantes que precisassem de ajuda extra na sua aprendizagem escolar. nas palavras do binnet: </p>
<p>&#8220;This scale properly speaking does not permit the measure of the intelligence, because intellectual qualities are not superposable, and therefore cannot be measured as linear surfaces are measured, but are on the contrary, a classification, a<br />
hierarchy among diverse intelligences; and for the necessities of practice this classification is equivalent to a measure&#8221;.</p>
<p>isto é, baixos resultados nos testes indicavam uma maior necessidade de intervenção dos professores no ensino destes alunos, e não necessariamente uma inabilidade no aprendizado. </p>
<p>falando especificamente sobre o quociente de inteligência, esse termo foi proposto para representar o nível mental relacionando duas variantes: idade mental e idade cronológica. ainda assim, não existe um único teste de q.i., e sim várias adaptações pra situações/realidades diversas. não sou especialista no assunto, mas é fácil imaginar o grau de variância que se obtém na aplicação desses testes e quão complexo deve ser sua análise. portanto, seus resultados bem como sua validade devem ser relativizados. jared damond causou polêmica sobre o assunto quando sugeriu que qualquer ocidental [estamos falando de pessoas, obviamente] teria certamente resultados péssimos num teste de q.i. elaborado por aborígenes australianos. por que? porque o resultado do teste depende de elementos culturais articuladores de idéias como forma de comunicação, sistema de contagem e de operações aritméticas bla bla bla. em média, testes de q.i. sugerem que metropolitanos são mais inteligentes que tribais. também já foram submetidos chimpanzés e gorilas ao teste, onde a gorila chamada koko alcançou um q.i. 95 [ela tem, por convensão, um inteligência acima da média para humanos]. então, é um equívoco, ao meu ver, pensar que pessoas com q.i. alto são, de alguma forma mais elevadas cognitivamente [e pessoas com q.i. baixo são idiotas], da mesma forma que não existe bom senso em relacionar resultados de q.i. com crença em deuses.   </p>
<p>pra finalizar, concordo contigo, daniel, e acho muito perigoso tentar levantar alguma conclusão sobre esse tipo de estudo.<br />
lembro bem quando eu discutia resultados de projetos científicos com meu orientador e ele citou um exemplo clássico de<br />
conclusões equivocadas tiradas de correlaçoes. contarei bem resumidamente. um professor-pesquisador do estado de connecticut [se não me falhe a memória] determinou o período do ano no qual havia maior número de nascimentos de bêbês numa região e o período no qual uma espécie de cegonha &#8220;aportava&#8221; na mesma região para descansar e procriar. curiosamente, quando relacionou ambas as situações, notou que tratavam-se do mesmo período do ano. sarcasticamente, ele utilizava esse exemplo durante suas aulas pra sugerir que, de fato, a cegonha exercia seu papel folclórico de encomendadoras de criancinhas. eu poderia traçar, agorinha, uma correlação entre pessoas que tem q.i. alto, seus indicadores socioeconômicos maiores e consequente melhor<br />
acesso à saúde,  informação e posterior descrença numa força suprema. seria uma idiotice, mas faria algumas pessoas<br />
discutirem por alguns minutos.</p>
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