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Wednesday, April 9, 2008

Tlön, Urântia, Borges, Deus

yuri vieira (SSi), 7:17 pm
Filed under: Livro de Urântia,Religião,escritores,literatura,livros

 

“Não rir, não lamentar, nem detestar, mas compreender.” Baruch Espinosa

Em 1941, Jorge Luis Borges publicou El Jardín de los senderos que se bifurcan e, neste livro, o conto “Tlön, Uqbar, Orbis Tertius”, que mais tarde também apareceu em Ficciones(1944). O conto narra, de início, as supostas peripécias de Borges e de seu amigo Bioy Casares, outro conhecido escritor argentino, em busca do porquê de o verbete “Uqbar” constar na enciclopédia deste último mas não no volume correspondente da de Borges. Uqbar, segundo a Anglo-American Cyclopaedia, seria um país localizado na Ásia Menor, com sua própria história, geografia, literatura, língua, etc. O termo Tlön surge aí pela primeira vez, relacionado a uma “região imaginária” presente com certa freqüência nas epopéias e lendas de Uqbar. No entanto, por mais que os dados do verbete tragam certa verossimilhança, a tal enciclopédia não lhes parece senão uma falaz reprodução da Encyclopaedia Britannica(1902) — certamente criada com o único intuito de divulgar semelhante fraude. Afinal, além desse país não ser mencionado por nenhum atlas oficial, a estranha história de Uqbar e Tlön leva-os tão somente a infrutíferas pesquisas. Assim, anos mais tarde, ainda segundo o próprio conto, tendo esquecido o assunto, o narrador descobre entre os pertences do engenheiro inglês Herbert Ashe — um amigo de seu pai, falecido havia pouco — um livro de 1001 páginas intitulado A First Encyclopaedia of Tlön. vol. XI em cuja primeira página se vê um “óvalo azul” com a inscrição: “Orbis Tertius“. E não pára aí. Aos poucos, toda uma enciclopédia sobre o planeta Tlön vem à luz, magnetizando as atenções gerais. Sim, ao invés de um único verbete perdido numa enciclopédia comum, despontam, ao redor do globo, volumes e mais volumes de uma enciclopédia tratando unicamente da vida num estranho planeta. Borges, então, passa a descrever detalhes minuciosos das crenças, da ciência, da filosofia, da psicologia, da história, da literatura, enfim, dos mais diversos âmbitos da vida inteligente de Tlön. E avisa: com o correr dos anos, todo esse conteúdo chegou a afetar a humanidade a tal ponto que nosso mundo simplesmente passou a ser Tlön, uma vez que, nas escolas, nas universidades e na vida cotidiana, a Terra deixou de ter qualquer importância, não se estudando, respeitando ou vivendo senão os aspectos e atributos desse novo orbe: “El contacto y el hábito de Tlön han desintegrado este mundo”. E então, sem deixar de lembrar que no latim inventar e descobrir são sinônimos, Borges indaga: “¿Quiénes inventaron a Tlön?”

Em 1997, recebi em meu apartamento, na Universidade de Brasília, a visita de uma amiga que me apresentou um livro de 2100 páginas, em inglês, com três círculos azuis concêntricos na capa e o título The Urantia Book. Comecei a folheá-lo distraído e, sem que me apercebesse, acabei virando a noite sobre ele. Quando finalmente me senti cansado, o sol já dourava o lago Paranoá. Minha inclinação pela literatura de cunho fantástico não me permitiria outra atitude: tive a sensação de estar com o Graal dos livros de literatura fantástica em minhas mãos. Do que tratava? Bem, a mera leitura de seu índice me causou vertigens, haja vista suas 59 páginas. Sim, 59 páginas apenas de sumário. Havia capítulos e seções com títulos tais como: “Os níveis espaciais do Universo Mestre”, “O circuito de gravidade mental”, “Os sete Superuniversos do Espaço-Tempo”, “Os mundos Vorondadec”, “A respiração do espaço”, “A energia, a mente e a matéria”, “Os ultimátons, os elétrons e os átomos”, “As Personalidades do Universo Local”, “As sedes centrais das constelações”, “As hostes seráficas”, “A união trinitária da Deidade”, “A natureza da Ilha Eterna”, “Os domínios do Absoluto Não Qualificado”, “O sistema Paraíso-Havona”, “Os artesãos celestiais”, “O superuniverso de Orvonton”, “As Esferas Arquitetônicas”, “Os Serafins Transportadores”, “Os Sete Espíritos Reitores”, “O Espírito Materno do Universo”, “A estabilidade dos sóis”, “A origem dos mundos habitados”, “Os manipuladores da energia”, “Tipos físicos planetários”, “Os mundos dos que não respiram”, “As criaturas volitivas evolucionárias”, “A rebelião de Lúcifer”, “A origem de Monmátia – o sistema solar de Urântia”, “Os níveis da realidade no Universo”, “A associação terciária transcendental da realidade”, “O conceito filosófico do EU SOU”, “A supervisão da evolução”, “O fim da idade dos répteis”, “A origem das raças de cor”, “Os Príncipes Planetários”, “Os Adãos Planetários”, “Os sete Mundos das Mansões”, “O governo de um planeta vizinho”, “Dalamátia — a cidade do Príncipe”, “Os edenitas entram na Mesopotâmia”, “Os adanitas entram na Europa”, “A encarnação de Maquiventa Melquisedec”, “A verdadeira natureza da religião”, “A ciência e a religião”, “A finalidade do destino”, “As auto-outorgas de Cristo Miguel”, “A viagem de Jesus a Roma”, “O significado da morte na cruz”, “O totalitarismo secular”, “O problema do cristianismo”, “O futuro”… Eu lia trechos e mais trechos de arrepiar os cabelos, como, por exemplo, a informação de que, na sede central do Universo Local, mais de um bilhão de seres materiais, “moronciais” e espirituais assistiram, ao vivo, juntos e embasbacados, no anfiteatro em torno ao “Mar de Cristal”, ao martírio e à crucificação do Soberano de Nebadon no mísero planeta Urântia, um dos planetas isolados pela rebelião de Lúcifer, que havia sido escolhido previamente como cenário para a experiência material de seu próprio Criador. Sim, o livro narra a vida de Jesus na Terra — Urântia — sem saltar um dia sequer… Embora a princípio tudo se assemelhasse à mera explanação da excêntrica doutrina de mais uma possível seita de fanáticos cristãos, eu lia aquelas páginas como quem se depara com o guia do mais vasto, completo e coerente mundo de Role Playing Game. O texto parecia elaborado por uma equipe de seis Jorges Luises Borges e quatro J.R.R.Tolkiens juntos. E, no correr dos últimos onze anos, tal impressão não se desvaneceu, ao contrário, amplificou-se, uma vez que uma coesa unidade de conceitos e princípios perpassa toda a obra. O responsável por aquilo tudo não há de ter sido nenhum idiota. A obra traz conhecimentos avançados sobre teologia, religião comparada, filosofia, antropologia, sociologia, política, física, astronomia, biologia e, ousarei dizer?, história. Até mesmo o prêmio Nobel de química Kary Mullis publicou artigos confessando sua surpresa diante de dados científicos exatos apontados pelo livro com décadas de antecedência. Na minha singela opinião, ou o livro é resultado de toda uma vida de elucubrações espantosas — a obra dum anônimo e delirante gênio — ou é a evidência de que alguma sociedade secreta decidiu entrar para valer na guerra cultural que assolou todo o século XX e que continua a agir por trás de todos os grandes conflitos deste novo milênio. As alternativas me assombram. Principalmente porque há também a opção — nem um pouco impossível, vale lembrar — defendida pelo próprio livro: trata-se da “Quinta Revelação Epocal”. Quem enfim teria inventado (descoberto?) O Livro de Urântia?

(Continua…)

Friday, June 8, 2007

Os ursos do Ronald Golias

yuri vieira (SSi), 11:47 pm
Filed under: Humor,Podcast e videos

O último homem honesto

yuri vieira (SSi), 2:52 pm
Filed under: HQs,Humor

char29052007.gif

Friday, May 18, 2007

Emagreça em três minutos e meio

yuri vieira (SSi), 2:40 pm
Filed under: Podcast e videos,fotografia,software

Essa gente fica enviando spam ao meu orkut, sugerindo mil “técnicas” de emagrecimento – logo eu, que preciso engordar – mas nenhuma delas há de ser tão boa quanto a deste vídeo.

Bobby McFerrin – Ave Maria

yuri vieira (SSi), 2:27 pm
Filed under: Podcast e videos,música

Saturday, May 12, 2007

A alegria do Batman

yuri vieira (SSi), 9:28 pm
Filed under: HQs,Humor

Eis o Batman se esforçando para parecer alegre…

batmancarryingrobin2.jpg

O nojo da dona Marisa

yuri vieira (SSi), 9:14 pm
Filed under: Cotidiano,fotografia

lula_marisa_papa.jpg

O Garganta de Fogo

yuri vieira (SSi), 1:36 pm
Filed under: Podcast e videos,meio ambiente,montanhismo

O vulcão Tungurahua (5060m), em erupção desde 1999. (Do quechua, O garganta de fogo.)

Thursday, May 10, 2007

Associação de Bloggers Anônimos

yuri vieira (SSi), 10:44 am
Filed under: Humor,internet

Barão e Legião no Chacrinha

yuri vieira (SSi), 7:52 am
Filed under: Mídia,Podcast e videos,memória,música

Ão e ão no inha, hehehe.

Não sei qual o motivo da frescura, mas o “dono” do vídeo do Legião o bloqueou para divulgação em blogs e sites. Clique aqui para assisti-lo.

Agora, engraçado mesmo é o Chacrinha cantando: “Você pensa que cachaça é água/ Cachaça não é água não/ Cachaça vem do alambique/ E água vem do ribeirão…/ Você pensa que mulher é bola/ Mulher não é bola não/ Bola a gente chuta/ Mulher não se chuta não…/ Você pensa que o Chacrinha é bobo/ Chacrinha não é bobo não/ O Chacrinha é seu amigo/ O Chacrinha é seu irmão…”

É lógico que o cara já deve estar trabalhando há muito tempo como “diretor de reversão” (informe-se).

Saturday, May 5, 2007

Entrevista com Wim Wenders

yuri vieira (SSi), 5:54 am
Filed under: Podcast e videos,cinema

Thursday, April 19, 2007

Pin ups do Wilson – 1

yuri vieira (SSi), 12:54 pm
Filed under: Arte,amigos,colírio,plásticas

Uma pin-up do meu bróder, o artista plástico paulistano Wilson Neves.

wilson_neves_ana.jpg

Saturday, April 14, 2007

“Getúlio Vargas foi assassinado”

yuri vieira (SSi), 6:18 am
Filed under: Imprensa,Podcast e videos,Política,extraordinárias

virginialane.jpg
A ex-vedete Virgínea Lane, que foi amante de Getúlio Vargas, em entrevista ao jornalista Roberto Canázio, da Rádio Globo, logo após o carnaval deste ano, afirmou que estava na cama com o então presidente quando quatro homens mascarados o assassinaram. O suicídio teria sido balela. Ouça o podcast com sua declaração:

Friday, March 30, 2007

O chefe de cozinha sueco

yuri vieira (SSi), 11:17 pm
Filed under: Humor,memória

Este vídeo é do fundo do baú. Esse cara ensinava suas receitas num quadro de um minuto (ou dois) durante o Muppet Show. Este clip reúne vários quadros. Gosto muito do esquete em que as lagostas vêm salvar sua companheira, o da rã pedindo socorro ao Caco (Kermit) e daquele em que o chefe prepara um “Moose de chocolate” (alce de chocolate!, hehehe).

Monday, March 26, 2007

Iluminado e fofo

yuri vieira (SSi), 12:55 am
Filed under: Humor,Podcast e videos,cinema

Alguém aí já assistiu a essa “comédia” fofa?


Tuesday, March 20, 2007

O tio e os sobrinhos

yuri vieira (SSi), 11:11 pm
Filed under: Cotidiano,Humor,fotografia,interiores,memória

isa_dimi_eu.gif

Esta é a fotomontagem que ganhei da minha irmã e dos meus sobrinhos: eu sou o lindão de charuto. Foi feita online no Pikipimp.com, um site para passar uns bons minutos rindo. (Principalmente em companhia de crianças.) A imagem me lembra algo ocorrido dois anos atrás, na escola do meu sobrinho. Segundo minha irmã, Dimitri, então com quatro anos, discorria com os colegas a respeito das profissões de seus pais, mães, tios, etc. “Meu pai é médico”, dizia um. “O meu é piloto”, dizia outro. “Minha mãe também é médica”, acrescentava um terceiro, orgulhoso. Outros permaneciam em silêncio, o olhar perdido de quem procura dados na memória, provavelmente por não terem a menor idéia sobre a profissão dos pais ou, quem sabe, por jamais terem imaginado que seus progenitores tinham outra ocupação além da própria paternidade. Meu sobrinho então se pronunciou, cheio de si, arrancando expressões de admiração de todos: “Meu tio é lobisomem!” Ganhou, obviamente. (Médico? Piloto? Dentista? Bobagens.) Todos o olharam com uma mistura de espanto e interesse, uma pitada de inveja também, que criança não é de ferro. Afinal de contas era o garoto cujo tio (eu, claro) tinha a mais fantástica e curiosa das ocupações – se é que virar lobo uma vez por mês tem algo a ver com trabalho. “Pois é”, concluiu minha irmã, “melhor você parar de dizer essas coisas a eles”. E eu, quieto, o olhar fixo no passado, roxo de inveja do meu sobrinho: sempre quis ter um tio lobisomem. Ao menos me resta um consolo: por algum tempo acreditei que meu pai fosse um agente secreto. (Ah, quer saber? Imaginar é flutuar. Às vezes sobre nuvens branquinhas e fofas, às vezes sobre abismos…)



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