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04/05/2005

Patente

yuri vieira (SSi), 4:07 pm
Filed under: especulativas,Umbigo

Falcon
Fico bastante chateado quando me lembro que, hoje, eu deveria ser um milionário. Explico: em fins dos anos setenta, eu costumava atirar meu Falcon pela janela do quarto – morávamos num sobrado em São Paulo – com as pernas presas a um elástico comprido, o mesmo que meu pai usava para impulsionar seu aeroplano (um aeromodelo sem motor). Se eu soubesse que, mais tarde, o tal bungee jump viraria um esporte radical, teria patenteado minha invenção e, agora, bem, agora estaria montado na nota. Como toda invenção, essa também nasceu de uma preguiça: eu não agüentava mais descer as escadas para buscar meu Falcon cada vez que o fazia saltar de pára-quedas. E, quando um dia o pára-quedas não abriu, vi que o vai-e-vem do elástico era muito mais divertido. Será que, caso eu encontre uma foto da época, ainda poderei registrar a tal patente? Poderei? 🙁

Armas Again

yuri vieira (SSi), 3:49 pm
Filed under: Cotidiano,Política

Deu n’O Popular(gyn) de hoje: “Gleison Isaías Nunes bateu a viatura no carro de André Ricardo Barbosa, que queria chamar a perícia. Após a discussão, o soldado encostou sua arma na boca dele e disparou. O PM perdeu o cargo e cumprirá pena em regime fechado”. Eu pergunto: o famigerado desarmamento desarmará também os policiais? E os juízes? (Vide o caso do super-mercado cearense.) Eu acho que deveria, deixando armados apenas os bandidos, afinal, parecem ser os únicos que usam tais objetos coerentemente com sua posição na sociedade…

O Exorcista na Casa do Sol

yuri vieira (SSi), 2:50 pm
Filed under: Avisos,escritores

Clique aqui e saiba como foi assistir ao filme O Exorcista, na Casa do Sol, acompanhado pela escritora Hilda Hilst, pelo poeta, ex-professor de Oxford e ex-detento da ilha do diabo inglesa, Bruno Tolentino, e mais quinze cães.

03/05/2005

Bate-bola

yuri vieira (SSi), 11:29 pm
Filed under: Cotidiano,Umbigo

clovis.jpgEu estava revendo a foto da entrada anterior e, graças às burcas, me lembrei do Clóvis ou, como as crianças costumavam chamar, dos Bate-bolas. Eram uns palhaços sinistros, com máscaras indefinidas ou de caveiras, que, durante o carnaval, saíam pelos subúrbios do Rio de Janeiro a assustar as crianças. Sempre passávamos as férias de final de ano e os feriados curtos na casa dos meus avós paternos, em Guadalupe, bairro onde, segundo dizem, morou o Caetano Veloso logo que chegou ao Rio. Guadalupe ainda era um bairro tranqüilo, pacato, sem a bagunça e a violência atuais. Brincávamos sempre na rua, exceto quando passavam os bate-bolas. Morríamos de medo. Eles andavam com bolas de couro presas em cordas, e as atiravam contra os portões das casas, apitando horrivelmente por baixo das máscaras. Corríamos gargalhando de pavor. Ouvi dizer que, hoje em dia, não apenas as crianças temem esses caras. Agora, muitos ladrões se fantasiam de Clóvis no Carnaval. O medo, que antes era apenas uma ilusão infantil, tornou-se mais uma triste realidade.

P.S.: É claro que, segundo acabo de descobrir, já havia uma comunidade no Orkut sobre esses monstrengos…

Al Friends

yuri vieira (SSi), 9:37 am
Filed under: Humor,Religião

Mulheres sendo espancadasNem Al Quran, nem Antigo Testamento. A melhor maneira de educar esses fundamentalistas islâmicos – no que se refere à relação entre os sexos – é bombardear seus países com caixas contendo dois, e somente dois, explosivos ítens: um aparelho de DVD e a coleção completa de todas as temporadas do Friends. Isto corroeria, com muito mais vigor, qualquer atitude inamistosa entre os gêneros. Veja o testemunho dessa tal Jutta e saiba o porquê dessa necessidade urgente.

FaithFreedom

yuri vieira (SSi), 9:04 am
Filed under: Religião

Desfile infantilTá, eu sei. Você irá me dizer que a Igreja Católica já fez coisas tão ruins quanto. E, embora eu tenha sido batizado e tenha feito a Primeira Comunhão – da qual tenho ótimas lembranças – não posso dizer que eu seja um católico de verdade, já que não freqüento missas. (Tá, essa também foi infeliz: “freqüentar missas”. Mas você entendeu.) Contudo, continuo achando que, nos dias de hoje, o catolicismo é ainda a religião mais próxima do universal. Porque o islamismo… puts! por mais que me falem bem dele, só me vem à cabeça as imagens da galeria do FaithFreedom.org

02/05/2005

Tio quase zen

yuri vieira (SSi), 8:19 pm
Filed under: Cotidiano,Humor

Se meu tio Paulo não fosse um cara tão esquentado quanto eu, seria um grande mestre zen. Acho que você conhece a anedota dos monges e do gato, não é? Monges de dois mosteiros diferentes discutiam sobre a posse de um gato. Uns diziam que o gato era deles porque havia nascido em seu mosteiro, os outros diziam que não, que o gato era deles porque eram eles que o alimentavam. Nisto, vinha passando um mestre zen muito respeitado por todos. Pegaram-no para juíz e lhe explicaram a situação. Ele, ao terminar de ouvir as partes, deu um salto no ar, desembainhou a espada e cortou o gato em dois. “Pronto”, disse, “cada grupo fica com sua parte…” A conclusão de praxe no zen-budismo é aquela lenga-lenga estilo Matrix: este mundo é uma ilusão e não vale a pena apegar-se aos fenômenos, etc. e tal. Bom, agora meu tio. Minha vó Maria – a mesma do Cu do Capeta – certa vez passou toda uma semana pedindo ao meu tio que colocasse um novo cabo numa panela de que ela muito gostava. “Mas, mãe, essa panela tá muito velha, tem mais de vinte anos, tá toda amassada, sem cabo… Deixa que eu compro outra.” E ela: “Não, essa panela é tão boazinha, arruma ela.” Meu tio comprou uma panela nova e ela continuou insistindo que ele consertasse a antiga. “Tá bom, mãe, vou arrumar essa bosta”, disse, irritado. E, então, pegou uma espingarda calibre 22, automática, foi ao quintal e deu uns quinze tiros na panela.

Arma por livro

yuri vieira (SSi), 7:47 pm
Filed under: Cotidiano,livros

Numa bienal de livros, me deparo com estranho estande onde se vê um grande recepiente cheio de armas coloridas de brinquedo. Na entrada, a placa: “Troque sua arma de brinquedo por um livro”. Penso: será que essa gente realmente acredita que a violência brota dos objetos e não do obscuro interior humano? Realmente crêem que, tirando um brinquedo de uma criança, a tornará uma pessoa melhor? Não duvidaria nada se, em troca de uma pistola vermelha, cheia de luzes brilhantes, essa gente não daria um exemplar de O Capital pra molecada… Se eu fosse criança, teria ido até lá, com meu livrinho vermelho na mão, e exigido que o trocassem por uma arma laser. Armas de espuleta, de setas, etc. sempre foram meu brinquedo favorito e isso não me tornou um monstro ou uma pessoa violenta. Pobre gente de miolo mole! São todos tão cheios de boas intenções, tão convictos de que há um complô das armas – e só delas – contra a humanidade!

Simenon

yuri vieira (SSi), 7:02 pm
Filed under: escritores,literatura,livros

Qualquer um que tenha, digamos, a ousadia de – após a publicação de seu primeiro livro – se auto-intitular escritor – eu por exemplo – não pode senão ficar envergonhado diante da informação de que Georges Simenon escreveu, ao todo, “75 romances e 28 contos com seu mais célebre personagem (Maigret), além de 120 romances psicológicos, 200 romances populares, alguns livros de memórias e inúmeros artigos jornal”. E o pior é que o cara recebeu a maior consideração da parte de seus colegas:
(Continua…)

Greenhalgh

yuri vieira (SSi), 6:44 pm
Filed under: Política

Recebi o texto abaixo da minha amiga GataLôca:

O SÍMBOLO DA FALTA DE ESCRÚPULO

P: Vocês sabem quem é o advogado que representa todas as causas de pedido de indenização às “vítimas da ditadura militar” no Brasil?
R: O Sr. Luis Eduardo Greenhalgh.

P: Vocês sabem qual a participação ou “taxa de sucesso” do Sr. Greenhalgh em cada indenização concedida?
R: 30%

P: Vocês sabem qual o lucro obtido até agora pelo Sr. Greenhalgh com a máquina de indenizações que montou com conivência do Planalto?
R: Cerca de R$ 900.000.000. Sim é isto mesmo que vocês leram, 900 milhões de reais!
(Continua…)

Província

yuri vieira (SSi), 9:51 am
Filed under: cinema,exteriores,interiores

Continuo procurando loucamente uma cópia da carta “From New York to Paulo Francis”, escrita pelo Glauber Rocha, aliás engraçadíssima, na qual ele explica porque Nova York é, como toda grande cidade, um mero agrupamento de cidades do interior, de tribos e pequenas províncias. Depois ele fala de grandes criadores que nunca botaram o pé fora de seus países e da roda-viva dispersante que tais viagens podem efetivamente ser. Se alguém tiver uma cópia dessa carta, por favor, me envie porque há anos não consigo encontrar a que eu tinha. Sempre achei o Glauber melhor escritor que cineasta.

Interiorrrrr

yuri vieira (SSi), 2:08 am
Filed under: exteriores,Umbigo

Estou pensando em me mudar para o interior. Depois de São Paulo, Brasília e Goiânia – sem falar das minhas curtas viagens ao exterior – pude perceber que o planeta INTEIRO é uma grande província, não importando que seja Hong Kong, Rio ou New York. Se não sou conhecedor direto, por exemplo, de países de “primeiro mundo”, ao menos conheço muitos de seus representantes. E a conclusão é: terráqueo é sinônimo de caipira. Parisiense? Caipira. Nova-iorquino? Redneck. É foda ser de outro planeta – para não dizer do mundo da lua – e, ao mesmo tempo, apaixonado pela Terra. Acredite: estamos no Capão Redondo do Cosmos, na Quixeramobim do Universo, todos nós, brancos, amarelos, roxos ou negros.
Quanto à mudança, estou pensando em Alto Paraíso de Goiás – ao norte de Brasília, na Chapada dos Veadeiros – ou em algum lugar no litoral. Sugestões? Tudo o que quero é paz para escrever, amor para viver, e dor natural para suportar. Chega de abismos abstratos. Claro, se surgir uma diplomata para me levar mundo afora, aceito. Não seria ruim bancar o Clariço Lispector de má qualidade…

01/05/2005

Socialismo

yuri vieira (SSi), 11:18 pm
Filed under: escritores,Política,Religião

“(…) não há necessidade alguma de separar o monarca da plebe: toda autoridade é igualmente má. Há três espécies de déspota. Há o que tiraniza o corpo. Há o que tiraniza a alma. Há o que tiraniza o corpo e a alma. O primeiro chama-se Príncipe. O segundo chama-se Papa. O terceiro chama-se Povo.”
Oscar Wilde, in A alma do homem sob o socialismo.

O nome do blog

yuri vieira (SSi), 11:52 am
Filed under: este blog,Umbigo

A partir de hoje, meu blog não terá nome fixo. O conceito, claro, será sempre o mesmo: kara e loka, isto é, “autor” ou “escritor” mais “o lugar onde ele se encontra”. Como minha linda amiga candanga Jamila Gontijo andou puxando minha orelha, me aconselhando a sair da toca, hoje o blog se chama “A toca do autor“. Se amanhã eu estiver deprê – ou com a “vó atrás do toco”, como diria meu amigo Paulo Paiva – eu então mudarei o título para “A caverna do autor”, “o subsolo do autor”, “a fossa do autor” e coisas do gênero. Se, pelo contrário, eu estiver na minha fase maníaca, mudarei o nome para “O sétimo céu do autor” ou, quem sabe, “o jardim das delícias do autor”, e por aí vai. Claro que, no arquivo mensal e semanal, contanto que eu não necessite reconstruí-lo totalmente, o nome do momento permanecerá registrado, ficando aí minha dica: num futuro próximo, verifique as diferentes semanas e vc encontrará, não diferentes blogs, mas diferentes tons do mesmo blog.

30/04/2005

Picasa 2

yuri vieira (SSi), 11:39 am
Filed under: fotografia,software

Eu já tinha visto a propaganda no Orkut, mas não tinha me interessado. Sin embargo, depois de ver esse software em ação, lá no apê do meu bróder Paulo Paiva, resolvi fazer o teste. O mais impressionante é a facilidade de selecionar fotos para enviá-las via email. Para quem tem o Gmail então, carácoles! Já cheguei a enviar um email de 30Mb só de fotos. E rapidinho.

Cu do capeta

yuri vieira (SSi), 10:52 am
Filed under: Ciência,Cotidiano,Umbigo

Vó MariaNão sei se você conhece o Cu do Capeta. Foi minha Vó Maria quem me informou sobre sua existência. Minha avó materna é uma camponesa típica. Nasceu, cresceu, amadureceu e, hoje, envelhece numa fazenda. Tem quase noventa anos, anda escorada num cajado e diminuiu tanto que já parece um duende, um leprechaun. Em sua casa, cada vez que um objeto desaparece, é porque ele está “socado no cu do capeta”. E de nada vale lhe explicar que, segundo Stephen Hawking, não existem, como se imaginava, os tais buracos-negros absolutos. Algumas coisas podem ir até eles e voltar. “Não do cu do capeta”, diz ela.



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