O Garganta de Fogo

blog do escritor yuri vieira e convidados…

Categoria: escritores Page 10 of 31

Günter Grass foi da SS

O escritor alemão Günter Grass, 78 – prêmio Nobel de 1999, autor de O Tambor e do chatérrimo A Ratazana – confessou esta semana ter feito parte da Waffen SS nazista. O tribunal da consciência dele deve ter-lhe dado um veredito.
Antes tarde do que nunca.

Arte e Moral

Do Fernando Pessoa (1916):

As relações entre a arte e a moral são análogas às entre a arte e a ciência. Não há relação entre a arte e a moral, como a não há entre a arte e a ciência; mas um poema que viola as nossas noções morais impressiona idênticamente o homem são como um poema que viola a nossa noção da verdade.

Um poeta que canta, elogiando, o roubo, não fará com isso um bom poema; nem o fará um poeta moderno a quem lembre cantar o curso do sol á volta da terra, que é uma cousa falsa.

Viola a regra do agrado. Agradará a mais gente um poema que, sobre ser belo, seja moral, que um que, sendo belo, seja imoral. As épocas têm mais de comum as suas ideias morais que as suas imoralidades. Só nas épocas de decadência é que a moralidade deixou de ser um ideal; e, mesmo nessas, reconhece-se o seu valor ideal.

As relações são entre o artista e o moralista, não entre a arte e a moral. Como é improvável que um grande artista, por isso mesmo que é um grande artista, falseie a verdade, é improvável que falseie a moral. Não pertence esse característico aos de um cérebro típico de criador.

O criador de arte para influenciar tem, em geral, como motivo o interesse de influenciar; ao qual falha se cria obra com elementos que tendem a limitar a acção da obra.

A tendência moral é reconhecida pela espécie humana como superior à realidade imoral. O poeta imoral corre portanto, na proporção em que é imoral, o risco de não influenciar os espíritos superiores (quando não da sua época, porventura decadente), das outras épocas pelo menos.

Epígrafe – I

Epígrafe da primeira parte do livro Gravity’s Rainbow, de Thomas Pynchon:

“A Natureza não conhece a extinção; tudo o que conhece é transformação. Todas as coisas que a ciência me ensinou, e continua a me ensinar, fortalecem minha crença na continuidade da nossa existência espiritual após a morte.”

Werner von Braun

A Sílvia morreu

Cada vez que morre um dos cães da Hilda Hilst sinto uma estranha pressão no peito: é como se a Hilda ainda não tivesse terminado de morrer. Agora foi a vez da Sílvia, filha do Zidane, o cachorrão com quem eu “lutava kung fu”. Na foto abaixo, de 1999: a diretora teatral Ana Kfouri, Hilda, eu e a Sílvia, sob a figueira da Casa do Sol.

Os dois Estados Unidos de Truman Capote

Diferentemente de até bem pouco tempo, eu hoje tenho grande vontade de voltar aos Estados Unidos. Este desejo acaba de receber uma boa dose de reforço com a conclusão da leitura de “In Cold Blood”, a célebre “novela de não-ficção” do mestre Truman Capote.

Evito ao máximo ler traduções de livros publicados em línguas que domino. Como já exerci o ofício de tradutor, atento para e me irrito em excesso com os erros ou escolhas equivocadas de meus colegas. Além do fato óbvio de que o estilo de um mestre como Capote só pode ser integralmente apreciado no original.

Desta forma, comprei na Livraria Cultura uma edição paperback deste best-seller logo depois de assitir ao espectacular Capote, filme que rendeu o merecido Oscar de melhor ator a Philip Seymour Hoffman, e que conta a história do envolvimento do escritor com os fatos reais que inauguraram um novo gênero literário – o que se passou a designar como “non-fiction novel” – e geraram este livro que permanece como uma das grandes obras da literatura americana: o assassinato de uma próspera família numa comunidade rural do interior do estado do Kansas.

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Aniversariantes de hoje

Hoje é aniversário do poeta Stefan George que, graças a um poema de sua autoria sobre o anticristo, convenceu ao Conde von Stauffenberg, ao irmão deste e a outros oficiais nazistas de que o dito cujo carcará sanguinolento não era outro senão seu próprio líder, Adolf Hitler. Daí para a idéia de assassinato e para o ato de colocar uma bomba no bunker em que o ditador participaria de uma reunião foi um pulinho. A explosão matou um oficial, mas a grossa mesa de madeira protegeu Hitler, que sofreu apenas algumas escoriações. Todos os conspiradores foram executados.

Também é aniversário do irmão Henry David Thoreau, escritor americano, autor de Walden e do ensaio sobre a Desobediência Civil. Foi um ferrenho defensor do libertarianismo, do individualismo sadio e, certa feita, após ser preso por não pagar impostos atrasados – o cara tinha uma birra enorme com o Estado – riu-se por achar ridícula a crença dos burocratas de que aquelas grades o privariam de sua liberdade interior. (Isso me lembra um caso que li no De Gustibus sobre um velhinha americana que preferiu ser presa a pagar um imposto territorial urbano que não era usado para melhorar de forma alguma sua própria rua. Deve ser descendente do Thoreau.) Thoreau é citado no filme Sociedade dos Poetas Mortos. Aliás, sempre achei incrível o fato de que estudantes universitários prefiram o alienado do Karl Marx a esse figura genial.

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Nelson Rodrigues e as mulheres

Eu sei que a citação é mais que batida. Mas dificilmente a ouvimos na voz do próprio autor.

    [audio:http://www.vozesbrasileiras.com.br/html/mp3/g/g-nelson_rodrigues.mp3]

(Valeu pela dica, Aryna.)

Schopenhauer e os ideogramas

Já escrevi algumas vezes sobre o futuro dos ideogramas chineses, que certamente conquistarão todo o mundo. (Veja este artigo e estes posts:Pão em coreano e As línguas do futuro.) O que eu não sabia é que Schopenhauer já previra o mesmo há mais de um século:

Nós desprezamos os ideogramas chineses. No entanto, como a tarefa de toda escrita é evocar conceitos mediante sinais visíveis na mente alheia, apresentar à vista, em primeiro lugar, apenas um sinal equivalente ao sinal audível e fazer com que ele se transforme no único portador do próprio conceito representa, evidentemente, um grande desvio: com isso, nossa escrita por letras é apenas um sinal do sinal. Poderíamos então nos perguntar qual vantagem teria o sinal audível em relação àquele visível, a ponto de nos fazer deixar o caminho direto da vista à mente para tomar um desvio tão grande, como o de fazer o sinal visível falar à mente alheia apenas por meio do sinal audível; enquanto seria obviamente mais simples, à maneira dos chineses, fazer do sinal visível o portador direto do conceito, e não o mero sinal do som; tanto mais que o sentido da vista é sensível a modificações ainda mais numerosas e delicadas do que o da audição e, além disso, permite que as impressões sejam dispostas uma ao lado da outra, o que as afeições da audição, por sua vez, não são capazes de fazer, pois são dadas exclusivamente no tempo. Os motivos aqui indagados poderiam ser os seguintes:

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O Dia em que a Terra parou

Leia minha coluna deste mês no Digestivo Cultural.

O bardo no Google

shakespeare.gifO Google pôs à disposição do internauta toda a obra de Uiliam Xeiquispir (saúde!!!). Em inglês, claro. O legal é que dá pra localizar uma palavra ou expressão nas peças. Aperte aí no bardo.

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