O Garganta de Fogo

blog do escritor yuri vieira e convidados…

Categoria: meio ambiente Page 3 of 7

Algumas verdades inconvenientes

1) Sim, Hollywood ficou toda prosa com o filme do Al Gore. Contudo, ninguém me tira da cabeça que o cinema americano – com suas enormes explosões, incêndios e tiroteios – é responsável por pelo menos 50% do efeito estufa. O que quer dizer que, se não fosse o cinema deles, a Terra seria mais fresquinha. Sacou? Sem os filmes do Rambo, do governador Schwarzenegger e, sei lá, sem os filmes sobre a guerra do Vietnã, seria possível até mesmo nevar aqui no Centro Oeste. (Na fazenda da minha saudosa avó materna, geava. O tempo passou, a véia morreu e não geia mais.)

2) O Jornal Nacional mostra uma reportagem falando coisas terríveis sobre a poluição dos rios e a porcaria que são as tais garrafas plásticas e demais dejetos não-degradáveis encontrados em meio à natureza. (São mesmo, principalmente quando muito distantes da possibilidade de serem recolhidos e reciclados.) Em sua locução, a Fátima Bernardes faz a mesma cara de quando o Brasil perde um jogo na Copa, aquele olhar de amiga de defunto recém empacotado. Intervalo comercial: Coca-cola, guaranás x, y, e z. Todos em garrafas PET. Volta o jornal e aparece o William Bonner todo sorridente mostrando uma apreensão de toneladas e toneladas reluzentes de CDs e DVDs piratas sendo esmigalhadas por tratores ou seja lá o que for aquele monstro de ferro e aço. O pátio da polícia federal fica repleto de pequenas montanhas de lixo plástico e… alumínio? Não sei. Sei apenas que não falam nada a respeito do destino de tanto lixo. Por que não? Meu Deus! Por que nããão? À noite, a cabeça cheia de circunferências metálicas de brilhos iriados, os olhos teimam em arregalar-se. Tento dormir. Não consigo.

3) Prosseguindo minha pesquisa no Google, volto a encontrar vários sites se referindo ao aquecimento do próprio Sol. (Sim, basta digitar “solar warming“.) Isso me deixa preocupadíssimo, afinal ninguém parece dar atenção ao tema, o Al Gore não passa nem triscando nele, e o Sol impávido segue sua órbita ao redor do centro da Via Láctea, um colosso a ignorar nossos temores. Porra, penso, cadê a ONU? Alguém precisa multar o responsável pelo Sol, ameaçá-lo com uma comissão de astrônomos e, por que não?, de astrólogos. Caso o Sol prossiga com sua maldade, seria necessário enviar os capacetes azuis para tomá-lo de assalto, invadi-lo e fincar lá a bandeira das Nações Unidas. Hmmm. Sim, sim. É fato, os sacanas dos americanos certamente não cederão os foguetes da NASA. The bastards! Será preciso recorrer à Rússia, um povo muito mais racional…

4) Hugo Chávez acusa os futuros produtores de etanol de roubar terras necessárias à agricultura de alimentação, mas não se dá conta de que, segundo aquele pessoal da ONU que o convidou para xingar o Bush de diabo lá em Nova Iorque, o aquecimento global – responsável pela tal desertificação e pelo desarranjo climático destruidor das hortas das velhinhas camponesas de todo o mundo – é supostamente causado pela queima do petróleo que sustenta seu governo corrupto. Ou será que ele já tem a confirmação de que a culpa é apenas do Sol?

O Garganta de Fogo

O vulcão Tungurahua (5060m), em erupção desde 1999. (Do quechua, O garganta de fogo.)

O chatérrimo aquecimento global

Já que nosso colega Daniel quer mais opiniões e depoimentos de cientistas, segue este vídeo que eu havia esquecido em meio aos meus favoritos do You Tube. (O Pedro Sette já o publicou n’O Indivíduo dias atrás.) Em resumo, os cientistas entrevistados afirmam não apenas que não há provas de que o homem esteja causando o tal aquecimento global – ou mesmo que o CO2 tenha algo a ver com isso (é mais provável que o aumento de CO2 seja um efeito do aumento da temperatura e não uma causa dela) -, mas ainda que tudo não passa dum grande negócio, a “indústria do aquecimento global”, uma vez que toda uma multidão de empregos e cargos burocráticos foram criados em função desse falso alerta. Das intenções político-ideológicas dos defensores do estatismo, que não querem senão mais um pretexto para avançar sobre as liberdades individuais, se fala apenas por alto. Mas os cientistas não deixam de repetir: é propaganda política. E comentam sobre o sofrimento dos países subdesenvolvidos que, com a criminalização da indústria e da produção de energia, são impedidos de crescer.

E olha só que interessante: Nigel Calder, que foi editor da revista New Scientist, faz exatamente a mesma analogia feita pela Ann Coulter, tão criticada pelo Daniel: o “aquecimento global” é como uma doutrina religiosa e quem não concorda com ela é um herege. “Eu sou um herege”, diz Calder.

E, finalmente, alguns cientistas estão convencidos de que o comportamento do Sol é que é o verdadeiro responsável pela coisa toda: o Sol controla os raios cósmicos que controlam as nuvens que regulam o clima. Voilà. (Aliás, eu já havia tratado do Sol aqui.)

This short program, produced and shown in England, destroys the arguments put forward by Al Gore and the human caused Global Warming activists.


A religião do aquecimento global

Da Ann Coulter:

No matter how much liberals try to dress up their nutty superstitions about global warming as “science,” which only six-fingered lunatics could doubt, scratch a global warming “scientist” and you get a religious fanatic.

These days, new religions are barely up and running before they seize upon the worst aspects of the God-based religions.

First, there’s the hypocrisy and corruption.

(…)

As has been widely reported, Gore’s Tennessee mansion consumes 20 times the energy of the average home in that state. But it’s OK, according to the priests of global warming. Gore has purchased “carbon offsets.”

It took the Catholic Church hundreds of years to develop corrupt practices such as papal indulgences. The global warming religion has barely been around for 20 years, and yet its devotees are allowed to pollute by the simple expedient of paying for papal indulgences called “carbon offsets.”

(…)

The moment anyone diverges from official church doctrine on global warming, he is threatened with destruction. Heretics would be burnt at the stake if liberals could figure out how to do it in a “carbon neutral” way.

Climatologist Dr. Timothy Ball is featured in the new documentary debunking global warming, titled “The Great Global Warming Swindle.” For this heresy, Ball has received hate mail with such messages as, “If you continue to speak out, you won’t live to see further global warming.”

I’m against political writers whining about their hate mail because it makes them sound like Paul Krugman. But that’s political writers arguing about ideology.

Global warming is supposed to be “science.” It’s hard to imagine Niels Bohr responding to Albert Einstein’s letter questioning quantum mechanics with a statement like: “If you continue to speak out, you won’t live to see further quantum mechanics.”

(…)

Sentando no próprio rabo

Eu não vi o filme do Al Gore e nem quero ver, mas não me confundam com o Paulo Paiva que não acredita no papel humano nas mudanças climáticas, etc. e tal. Acho os ecologistas em geral chatos e chorões, além de herdeiros da tradição política da esquerda, que acha que são as idéias quem define as pessoas e que quem não está do nosso lado está contra nós. Fodam-se.

Mas eu também acho um pé no saco esse escárnio de quem não leu, não viu e não sabe do que se trata e fica com risadinhas, como se falar no efeito das ações humanas sobre o meio ambiente e nas relações entre economia e ecologia ainda fosse realmente coisa de hippie. Tá certo. Então o Nick Stern, o Amartya Sen, o José Eli da Veiga e Miriam Leitão são companheiros em armas de guerrilha e ficam fumando maconha e viajando nessas coisas, né?

Aí eu tava escrevedo outro dia um post sobre a relação entre ciência e política, tendo como base o aquecimento global, pra brigar com o Paulo e depois me deu uma preguiça danada e ele está aqui meio parado, porque eu entrei numa de citações e comecei a estudar e achei tudo isso muito ridículo.

Aí eu vejo um texto como esse no Mídia sem Máscara e me lembro de um texto do Alexandre Soares Silva (não sei cadê, mas procura aí que cê acha nos posts antigos) em que ele dizia que sempre que ouvia alguém falar que não era nem de esquerda, nem de direita, dava um nervoso e ele ficava olhando pros pés da pessoa com medo de que ela fosse começar a sambar.

O Paulo já tinha me falado dessa bobagem da casa do Al Gore ter um consumo imenso de energia e de se configurar em uma hipocrisia muito grande ele viver assim e vir falar do aquecimento global. Eu dei uma risadinha e perguntei se ia chover porque não estava fim de falar dessas coisas. O argumento do texto é bem bobinho. Levado ao limite, ele significa que nenhum de nós, exceto talvez um asceta nas montanhas tibetanas, pode fazer crítica a coisa alguma, porque afinal nosso telhado é sempre de vidro, ou não? Aliás, não há nada que distingua mais a tal da modernidade do que esta separação entre discurso e prática, ou não? Todos os dias, inúmeras vezes, a maioria delas sem que nos demos conta, pregamos coisas que não praticamos ou fazemos coisas que vão contra valores que nós mesmos defendemos.

Eu mesmo, e não apenas o Al Gore, temos modos de vida profundamente insustentáveis em termos ambientais, começando por coisas básicas: entre outras coisas, não separo o lixo do meu lar e trabalho a maior parte do dia em uma ilha de edição com ar condicionado a 19°C gastando preciosos kilowatts de energia produzidos no Brasil num mix que inclui termelétricas a gás, gerando gases estufa, hidrelétricas, alterando radicalmente grandes ecossistemas e emitindo gases estufa, e nuclear, ao risco que brincar com a radioatividade impõe. São apenas singelos exemplos.

Tudo bem. É evidente que o seu Al Gore tem mais responsabilidade que nós pela posição que ocupa e blábláblá. Mas realmente o que me surpreenderia seria ele ter uma casa parecida com um cupinzeiro, construída de adobe, usando técnicas de permacultura, com condicionamento de ar natural, usando técnicas herdadas dos povos pré-colombianos em suas pirâmides, aquecida por células de hidrogênio no inverno e movida a energia solar.

No limite, segundo o raciocínio de Eduardo Ferreyra, ninguém pode falar nada. Sentamos no próprio rabo o tempo todo. Criticazinha besta. Me dá raiva até de ler e gastar minha manhã de sábado escrevendo isso, quando tenho outro post mais engraçado e menos sérião pra fazer. Devo ser tão chatinho quanto esse Eduardo Ferreyra que nem sei quem é.

O Mídia Sem Máscara costuma publicar textos bem melhores.

Saco.

O Garganta de Fogo em erupção

Eu certamente já esclareci isto em algum post, mas, se ainda não o fiz, faço-o agora: este blog deve seu nome ao vulcão equatoriano Tungurahua (do quechua Garganta de fogo), de 5060 metros, que a duras penas escalei anos atrás, antes que reiniciasse a série de erupções em que se meteu a partir de 1999. (Veja as fotos no meu perfil.) A foto abaixo foi eleita a foto do dia pela Folha de São Paulo. (Isso é o que eu chamo de propaganda subliminar…) Que Deus olhe pelo povo de Baños e de Ambato, Província de Tungurahua, e pela família Naranjo, minha família de intercâmbio, que vive próxima ao vulcão Cotopaxi (5890m), alguns quilômetros mais ao norte, que também escalei, e que ainda é ativo. Viver à base dum vulcão é como viver coletivamente sob a espada de Dâmocles.

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O polêmico aquecimento global II

Há uma variável que nunca vejo ser levada em conta nas equações catastróficas, via imprensa, do famigerado aquecimento global: o aquecimento do próprio Sol. Segundo Richard Willson (pesquisador da Columbia University e do NASA’s Goddard Institute for Space Studies), o aumento da temperatura solar contribuiu com algo entre 10 e 30% do aquecimento global registrado apenas entre 1980 e 2002. E, segundo consta, isso vem ocorrendo desde antes do início do século XX. Aí eu me pergunto: qual a conexão entre o comportamento humano e o estado do nosso Sol? O que ficaremos proibidos de fazer para evitar o incremento da atividade solar? Que artigos o futuro Governo Mundial terá em sua Constituição para nos acusar de “acaloradores” da nossa estrela? Porque esse negócio de plantar um bosquezinho de sequóias a cada peido de metano que dermos não irá adiantar muito não. No fundo, imagino que a burrice e a maldade tenham sim algo a ver com a atividade do Sol. Ele deve ficar muito irritado ao iluminar o que se passa por aqui. Se isso for verdade, creo que ya nos jodimos todos. Só com a eleição do Lula várias explosões solares de grande magnitude devem ter ocorrido. Sem contar as burradas de todos os demais políticos e líderes da Terra, seus gurus e seus financiadores. E as minhas burradas. E as suas.

Espero que o tal Jan Val Elan esteja certo…

(Este é um post para reforçar o anterior.)

O polêmico aquecimento global

Rolou, no correr da semana passada, uma discussão interna entre os colaboradores deste blog, via email, a respeito do aquecimento global. Na verdade, participei mais enquanto observador – não tenho acompanhado esse tema com a devida atenção -, mas meus colegas de nome bíblico (Pedro, Paulo e Daniel) andaram medindo os bigodes. Paulo e Pedro já trabalharam nessa área por anos, tendo o Paulo sido superintendente do Parque Ecológico de Goiânia e o Pedro, geógrafo e consultor na área, além de cineasta, com documentários tratando do assunto circulando por aí. Ah, vale dizer que ele também traz os genes do pai, o jornalista Washington Novaes, com anos e anos de dedicação ao debate ambiental. Já o Daniel é mais como o autor deste post, imagino: assim como eu fui um militante da Fundación Natura, no Equador, foi ele membro de um grupo de militância ambiental anos atrás. Enfim, na referida discussão, meu único comentário foi: vcs deviam ter escrito isso tudo no blog. Já que ainda não vejo sinais do debate por aqui, aproveito para dar a deixa ao sugerir a leitura do post do Pedro Sette Câmara, Václav Klaus sobre o aquecimento global, no blog O Indivíduo.

Procissão

“O Senhor é meu pastor, nenhum passarinho me pegará…”

Procissão de lagartas no corrimão da varanda da casa dos meus pais.


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(Clique nas imagens para ampliá-las.)

Giannetti e Aquecimento Global no Roda Viva

Por falar em Eduardo Giannetti, ele é um dos convidados do Roda Viva especial de hoje, sobre o tema do aquecimento global, discutindo o recente relatório do IPCC – Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas -, que traz asserções muito sérias sobre o fenômeno e as mudanças climáticas relacionadas. Além de Gianetti, participam da discussão:

* Marcelo Furtado, diretor de Campanhas do Greenpeace;

* Washington Novaes, jornalista, colunista do jornal O Estado de S. Paulo e supervisor do quadro Biodiversidade do programa Repórter Eco, da TV Cultura;

* Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP e membro do IPCC;

* José Antonio Marengo, pesquisador climatologista do CPTEC INPE – Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais;

* Horácio Lafer Piva, presidente da Associação Brasileira de Celulose e Papel;

Apresentação: Paulo Markun.

A partir das 22:30h, na TV Cultura e Rede Pública de Televisão.

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