Arquivo para a categoria "memória"




11/09/2008

7 anos

yuri vieira, 1:40 am
Filed under: Cotidiano,memória

Apenas para lembrar que três brasileiros também morreram no atentado ao World Trade Center: Ivan Kyrillos Fairbanks Barbosa, Anne Marie Sallerin Ferreira e Sandra Fajardo Smith.

04/07/2008

Paulo Francis

daniel christino, 9:06 pm
Filed under: Cotidiano,escritores,memória

Nunca fui fã do Paulo Francis. Mas tenho que admitir que o texto abaixo é muito bom.

O marxismo foi, por certo, uma revelação, só comparável ao valor sacrossanto que o cristianismo descobriu na pessoa humana. Mas Marx é o que Merleau-Ponty disse: um clássico. Suas verdades e erros fazem parte de um todo, onde o aplicável e o inaplicável não alteram ou destróem a grandeza geral, mas devem ser vistos à distância, com um detachment brechtiano, e jamais como uma camisa-de-força da nossa realidade, inclusive da ampliação de conhecimento da natureza humana que adquirimos a partir de 1914.

Paulo Francis. Certezas da dúvida. Paz e Terra, 1970. Graças ao Leon Rabelo.

22/06/2008

Viver está ficando perigoso demais…

daniel christino, 2:54 pm
Filed under: Ciência,Cotidiano,especulativas,memória

Quando eu era menino o final de junho geralmente significava duas coisas muito boas: festa junina e férias. As férias, por sua vez, desdobravam-se em vários subtemas (futebol, viagens, brincadeiras de rua, etc.). Dentre estes, o mais desejado e esperado era soltar raia (ou pipa, dependendo do modelo aerodinâmico em questão).

A expressão em si já é deliciosa. “Soltar raia”. Soltar. Deixar ir, liberar. Não eram tanto os constructos de papel e taboca, mas nós mesmos que nos liberávamos na brincadeira. Sujos, soltos e barulhentos corríamos pelas ruas do setor Fama.

A logística da brincadeira era a seguinte: acordávamos lá pelas nove horas da manhã e começávamos a juntar as peças. Papel impermeável, linha, taboca (apanhada às margens do Anicuns ou do Capim Puba), cola, vidro (lâmpadas fluorescentes ou, quando não dava, garrafas de vidro transparente) e plástico para as rabiolas. Depois do almoço nos dividíamos. Um grupo construía a raia ou pipa e outro preparava o cerol.

Fazer o cerol era mais uma questão de força e persistência do que talento. Com uma barra de ferro amassávamos incansavelmente o vidro numa lata de óleo de soja até que não sobrasse nada além de um pó fino – tão parecido com açúcar refinado que o irmão mais novo de um dos moleques adoçou um copo de leite com ele, felizmente tomou apenas um gole antes de perceber que o pó não era nada doce. O cerol era então misturado com cola tenaz e um pouco de água. Aí vinha a parte onde era necessária alguma habilidade. A mistura era feita na palma da mão e aplicada na linha (10) esticada entre dois postes. Era importante dar entre dois ou três “toques” para que a camada de cerol não ficasse muito grossa, dificultando o manejo da raia durante uma “guerra”. O número de toques variava de acordo com a composição do cerol. Eu era bom nisso, apesar de ser uma negação em engenharia de pipas. Meu amigo Gláucio era um construtor muito mais habilidoso.

(Continua…)

20/06/2008

Morre o Visconde de Sabugosa

daniel christino, 1:20 pm
Filed under: Arte,Cotidiano,memória,Mídia

Se você tem mais de 35 anos provavelmente assistiu, lá pelo meio da década de 80, ao Sítio do Pica-Pau Amarelo, série de TV inspirada na obra de Monteiro Lobato. Se você, além disso, era um garoto meio nerd apaixonado por tecnologia, ciência e filosofia, seu personagem preferido deve ter sido, certamente, o Visconde de Sabugosa (além, é claro, do Pedrinho, dotado de uma inteligência pragmática realmente genial).

Mas o Visconde era uma enciclopédia de erudição. Inspirado na elite científica britânica (Royal Academy) formava o par oposto com a boneca Emília, fruto da intuição pura. Eu adorava o Visconde pelo seu porte nobre, um tanto didático e professoral (para um moleque de 5ª série, perfeito) e pelo modo como acessava os problemas de modo analítico e racional. Visconde de Sabugosa foi o primeiro intelectual que conheci.

Crianças geralmente confundem ator e personagem e comigo não foi diferente. Quando, mais tarde, decidiram mudar o ator perdi o entusiasmo com a série. Estava crescendo, também. Minha memória afetiva, entretanto, plasmou a figura do personagem em André Valli. Para mim não há outro Visconde, apenas aquele feito pelo André. O original.

Diz a matéria do G1 que ele foi diagnosticado com câncer há apenas um mês. Como teria reagido Visconde? Teria procurado informações na enciclopédia, analisado a situação e partido em mais uma aventura, agora em busca de uma salvação? Como reagiu o ator? Não sei. Deve ter sido difícil. Quem dera pudéssemos apanhar uma outra espiga de milho e devolver-lhe, num passe de mágica deliciosamente anticientífico, a vida. Descance em paz, Visconde/André. As sementes que Lobato lhe colocou na boca – e para as quais você foi forma e adubo – ainda estão a germinar por aqui. Num vasto milharal…

24/02/2008

Monstruosidade

daniel christino, 8:55 am
Filed under: Arte,baladas,Cotidiano,memória

Em 1991, quatro amigos meio entediados com o dia-a-dia do curso de Jornalismo da UFG decidiram fazer uma festa diferente de tudo quanto rolava na época (a mania era acrescentar “a festa” depois do nome, p.ex., medicina, a festa!). Ao mesmo tempo, um amigo comum – Júlio Vann – comentou sobre um bar no centro de Goiânia – Controvérsia, antigo Querelle – precisando desesperadamente de algum evento para ampliar a clientela, muito restrita e muito underground. Santa conveniência celebrou o casamento. Os amigos eram eu, Yuri, Leo Rasuk e Luis Fernando Pudim.

E não é que hoje eu leio, no Popular, que o selo musical do Leo, a Mostros Records, firmou um acordo com a Trama – do irmão da Maria Rita – e muito provavelmente será um selo escancaradamente nacional este ano. E isso 10 anos depois de começar, com a primeira edição (festa?!) do Goiânia Noise.

O Leo é um cara quieto. A fim de planejar a festa, fomos para o apartamento dele num edifício da T-9. O que me espantou não foi tanto seu empenho em nos deixar a vontade, mas a imensa aparelhagem de som que ocupava uma parede inteira da sala. Enquanto eu e o Yuri discutíamos alguma coisa, ele o Pudim conversavam sobre a lista de músicas da festa (lembro-me deles pararem a festa para tocar a introdução de Carmina Burana antes da música Losing my Religion do REM). O Leo sempre foi completamente apaixonado por música. E gostava de manter-se atualizado em relação aos lançamentos e bandas internacionais. Daí o dito pelo João Marcello Bôscoli não soar novo para mim.

Para João Marcello Bôscoli, músico, produtor e diretor artístico da gravadora paulista Trama, o fato de a Monstro estar fora do chamado eixo gravitacional do mercado cultural brasileiro (Rio-SP) foi uma dificuldade que acabou virando um diferencial. “Se você pensar em termos de mídia, de maior projeção no início, sim, estar fora do eixo é um problema. Mas a honestidade estética desses caras foi tanta que eles viraram um eixo. Não adianta tergiversar, a Monstro hoje é o maior selo de rock do País”, diz o filho de Elis Regina, comentando que “o aspecto artesanal” e o “carinho no processo de produção dos discos” são as coisas que mais o agradam no trabalho da Mostro.

Ele planejam também abrir uma editora este ano. Parabéns Leo. Você merece. Abaixo vai a programação da Mostro para o ano.

Confira a programação da Monstro para este ano, em comemoração aos dez anos do selo e produtora:

¤ 27 de março – lançamento do novo CD da banda Violins (Rendenção dos Corpos)
Local: Bolshoi Pub

¤ 10 de abril – lançamento do novo CD da Jupiter Maçã (Uma Tarde na Fruteira)
Local: Bolshoi Pub

¤ 18 de abril – show Music for Anthropomorphics, baseado no disco da Mechanics (com participação de Fabio Zimbres)
Local: Centro Cultural Goiânia Ouro

¤ 8 de maio – lançamento do CD Macaco Bong (Artista Igual Pedreiro)
Local: Bolshoi Pub

¤ 23 a 25 de maio – 10ª edição do Festival Bananada
Local: Centro Cultural Martim Cererê

¤ 19 de junho – lançamento do CD da banda Sick Sick Sinners (Road to Sin)
Local: Bolshoi Pub

¤ 5 de julho – Festa Monstro 10 Anos
Local: Ambiente Skate Shop

¤ 1º e 2 de agosto – 3ª edição do Antimúsica Rock Festival
Local: Centro Cultural Martim Cererê

¤ 19 a 21 de setembro – 4ª edição da Trash – Mostra Goiânia de Video Independente
Local: Centro Cultural Goiânia Ouro

¤ 18 de outubro – lançamento oficial da 14ª edição do Goiânia Noise Festival, com a banda Mudhoney (EUA)
Local: Centro Cultural Oscar Niemeyer

¤ 21 a 23 de novembro – 14º Goiânia Noise Festival
Local: Centro Cultural Oscar Niemeyer

11/01/2008

Sir Edmund Hillary (1919-2008)

rosa maria lima, 10:26 am
Filed under: interiores,memória,montanhismo

Meu mundo nunca teve muitos heróis. Sou de uma geração pobre deles. Não porque morreram de overdose como os do Cazuza e seus contemporâneos. Não. Eles simplesmente desapareceram num mundo de “celebridades” tão escadalosamente fluorescentes quanto voláteis. Isso é mais triste que parece. É solitário viver sem heróis. Ficamos sarcásticos e cínicos quando crescemos iconoclastas. Até os super heróis dos quadrinhos têm segredos sórdidos, preferências sexuais pouco ortodoxas, medos incontidos. Nada escapa aos olhos crus de uma adolescente órfã de heróis.

Meio desesperada e ainda adolescente, adotei alguns dos meus pais e sofri com a morte moral de um deles recentemente, o Genoíno. Já adulta, tomei outros do meu irmão, mais fortes e interessantes com suas conquistas extremas, mas distantes da minha realidade de café e sofá.

Apenas um deles ficou e se tornou mais próximo quando me mandei de mala e cuia pras Antípodas. Sir Edmund Hillary, o primeiro ocidental que nos anos 50 escalou o Everest.

Esse ícone nacional da Nova Zelândia, estampado na nota de 5 dólares neozelandeses e exemplo do que se pode chamar de cultura kiwi ou “kiwi lifestyle” assumiu um papel importante na minha “educação” para um mundo melhorado, povoado por pessoas com valores fundamentais que não mudam com o tempo. Um mundo com heróis finalmente!

Quando vim pra cá morar ao pé do Ruapehu (o vulcão), soube que Sir Ed (como era chamado por aqui), aos 16, numa excursão da escola ao Ruapehu, ficou fascinado pela montanha. Não o culpo. Eu, que vim do Planalto Central, sofri uma espécie de epifania diante “dele”, coberto de neve, radiante numa noite clara de verão.

É quase ridículo assumir publicamente que me senti próxima do herói. Eu, uma medrosa profissional, de repente, entendi melhor meu irmão e suas aventuras, suas conquistas e, finalmente, seus heróis – Shackleton, Scott, Klink, Blake, Cousteau…Hillary.
Depois, à medida em que ia me aclimatando, o jeito “kiwi” de viver pareceu menos absurdo e rude. O DIY (Do it yourself), o andar descalço, o prático antes do bonito… E, mais uma vez, Sir Ed, que se definia como um “ordinary kiwi bloke” (um neozelandês comum), serviu de modelo.

Ele subiu o Everest, chegou ao Pólo Sul, subiu o Ganges e muito mais. Sobreviveu a todos os tipos de intempéries naturais e interiores até falecer hoje, aos 88 anos, na mesma casa de fazenda em que nasceu, nos arredores de Auckland, e para onde sempre voltou depois de cada viagem.

O Himalaia tomou-lhe bons anos de vida (incluindo as expedições e depois a construção de hospitais e escolas com os fundos de ajudou a levantar mundo afora), a mulher e a filha adolescente (mortas num acidente de avião nas montanhas nos anos 70), a alegria de viver (uma depressão que durou anos depois do acidente). Mas o herói, e mais herói por isso, sempre contou do que as montanhas lhe deram, do que aprendeu perambulando por lugares longínquos e, principalmente, por entre as pessoas que lá vivem, como os Sherpa, que, segundo ele, resgataram-lhe a paz de espírito.

Fiquei triste com sua morte hoje. Não é fácil saber da morte de um herói, ainda mais com tão poucos. Procurei consolo falando dele pra minha filha, que me ouviu com olhinhos arregalados e curiosos de bebê. “Kiwi” como Hillary, Clarice crescerá ouvindo muito sobre o herói de seus pais até que encontre os seus próprios. Até lá, Clarice, como diria Sir Ed, “be determinate, aim high”!

02/10/2007

J. Toledo se despede

yuri vieira, 8:23 pm
Filed under: amigos,escritores,livros,memória,plásticas

O escritor e artista plástico paulista J. Toledo, com quem costumava conversar ao telefone menos do que deveria, faleceu sábado passado. Eu o conheci quando eu ainda morava com a escritora Hilda Hilst, na Casa do Sol (1998-2000). Naquela época, falávamos quase todas as manhãs. Cheguei inclusive a contribuir com alguns dos verbetes de seu Dicionário de Suicidas Ilustres, editado pela Record. (Ele também publicou livros de crônicas e uma biografia sobre o artista plástico Flávio de Carvalho, a quem conheceu, e que traz um prefácio de Jorge Amado.) Toledo era um amigo extremamente atencioso e tinha um excelente senso de humor. Aliás, como costumo dizer, ele ainda o é e ainda o tem. Está vivo em algum lugar, dando risadas com a Hilda.

Logo mais colocarei em meu podcast uma gravação que fizemos juntos por telefone. Nada de mais, apenas para dar uma idéia de sua personalidade.

Vaya con Dios, hermano!

10/05/2007

Barão e Legião no Chacrinha

yuri vieira (SSi), 7:52 am
Filed under: memória,Mídia,música,Podcast e videos

Ão e ão no inha, hehehe.

Não sei qual o motivo da frescura, mas o “dono” do vídeo do Legião o bloqueou para divulgação em blogs e sites. Clique aqui para assisti-lo.

Agora, engraçado mesmo é o Chacrinha cantando: “Você pensa que cachaça é água/ Cachaça não é água não/ Cachaça vem do alambique/ E água vem do ribeirão…/ Você pensa que mulher é bola/ Mulher não é bola não/ Bola a gente chuta/ Mulher não se chuta não…/ Você pensa que o Chacrinha é bobo/ Chacrinha não é bobo não/ O Chacrinha é seu amigo/ O Chacrinha é seu irmão…”

É lógico que o cara já deve estar trabalhando há muito tempo como “diretor de reversão” (informe-se).

30/03/2007

O chefe de cozinha sueco

yuri vieira (SSi), 11:17 pm
Filed under: Humor,memória

Este vídeo é do fundo do baú. Esse cara ensinava suas receitas num quadro de um minuto (ou dois) durante o Muppet Show. Este clip reúne vários quadros. Gosto muito do esquete em que as lagostas vêm salvar sua companheira, o da rã pedindo socorro ao Caco (Kermit) e daquele em que o chefe prepara um “Moose de chocolate” (alce de chocolate!, hehehe).

20/03/2007

O tio e os sobrinhos

yuri vieira (SSi), 11:11 pm
Filed under: Cotidiano,fotografia,Humor,interiores,memória

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Esta é a fotomontagem que ganhei da minha irmã e dos meus sobrinhos: eu sou o lindão de charuto. Foi feita online no Pikipimp.com, um site para passar uns bons minutos rindo. (Principalmente em companhia de crianças.) A imagem me lembra algo ocorrido dois anos atrás, na escola do meu sobrinho. Segundo minha irmã, Dimitri, então com quatro anos, discorria com os colegas a respeito das profissões de seus pais, mães, tios, etc. “Meu pai é médico”, dizia um. “O meu é piloto”, dizia outro. “Minha mãe também é médica”, acrescentava um terceiro, orgulhoso. Outros permaneciam em silêncio, o olhar perdido de quem procura dados na memória, provavelmente por não terem a menor idéia sobre a profissão dos pais ou, quem sabe, por jamais terem imaginado que seus progenitores tinham outra ocupação além da própria paternidade. Meu sobrinho então se pronunciou, cheio de si, arrancando expressões de admiração de todos: “Meu tio é lobisomem!” Ganhou, obviamente. (Médico? Piloto? Dentista? Bobagens.) Todos o olharam com uma mistura de espanto e interesse, uma pitada de inveja também, que criança não é de ferro. Afinal de contas era o garoto cujo tio (eu, claro) tinha a mais fantástica e curiosa das ocupações – se é que virar lobo uma vez por mês tem algo a ver com trabalho. “Pois é”, concluiu minha irmã, “melhor você parar de dizer essas coisas a eles”. E eu, quieto, o olhar fixo no passado, roxo de inveja do meu sobrinho: sempre quis ter um tio lobisomem. Ao menos me resta um consolo: por algum tempo acreditei que meu pai fosse um agente secreto. (Ah, quer saber? Imaginar é flutuar. Às vezes sobre nuvens branquinhas e fofas, às vezes sobre abismos…)

10/03/2007

Fazendo Sala

pedro novaes, 11:17 am
Filed under: amigos,Humor,memória

Vi esta beleza de notícia sobre um tipo inusitado de serviços que o Ronaldo Roque me enviou, e lembrei de uma outra empresa prestadora de serviços que há tempos eu venho querendo montar. É lucro certo. Pena que um de nossos principais sócios e prestadores de serviços em potencial – o Chris, que Alá cuide dele – tenha batido as botas. Mas o Daniel Christino e o Yuri são os outros e estão bem vivinhos, graças a Deus.

É o seguinte: se o senhor ou a senhora precisa receber aquela tia chata, um amigo pentelho, o patrão que dá sono ou se simplesmente deseja tornar mais animada aquela festinha, o jogo de bridge do Clube de Senhoras, o chá das cinco ou um gathering social no Country Club, SEUS PROBLEMAS ACABARAM!

Temos especialistas em “fazer sala”. Eles nunca têm sono, sempre tiram da manga um assunto genial ao gosto dos convidados e tornam qualquer ambiente super descontraído e agradável. E, melhor, tudo isso sem recorrer a jogos de salão. Mais barato e melhor que um karaokê e dispensa a necessidade de se embebedar para aguentar seus convidados. Eles os aguentam em seu lugar e você ainda leva a fama de ser um excelente anfitrião.

Tivemos essa idéia quando, certa vez, eu trabalhava, muito atarefado e superimportante, em um evento e, ademais, fora encarregado de ciceronear um casal de figurões que passariam por lá. Sem pestanejar, o Daniel e o Chris se ofereceram para me ajudar, acompanhando-nos para jantar e fazendo a necessária sala para nossos convidados.

Eu estava todo nervoso e preocupado, mas não houve tempo ruim. Os visitantes ficaram encantados com meus amigos. “Eles são muito simpáticos”, dizia ele levemente embriagado a caminho do hotel. “Seus amigos são ótimos!”, ela falava uma oitava acima do normal, “São todos cineastas e filósofos. Adorei tudo! Muito obrigada”. Eu, comigo mesmo, agradecia a meus amigos e confirmava o fato de que realmente sou uma fraude, levando a fama por coisas que não fiz.

É uma benção ter amigos assim. Se eu estivesse sozinho com eles o mais provável seria que, após a troca de triviais frases soltas, do tipo “A cidade aqui é muito agradável” e “Será que vai chover”, baixasse um silencião constrangedor sobre a mesa: “Vamos nos servir…” Longa pausa. “Obrigado por nos receber, em?” Longa pausa. “Você trabalha com o que mesmo, em?” E logo eu seria incapaz de conter meu primeiro bocejo e, muito cedo e sem graça, os levaria para o hotel.

Nesse dia, o Yuri não estava, mas se estivesse com certeza teríamos ficado ainda até mais tarde. Cinco da manhã talvez.

Por isso, se precisar, não hesite. Mande um email através do contato do blog aí acima e contrate meus amigos. Eles irão com prazer a seu evento.

19/01/2007

Elis

rodrigo fiume, 9:53 pm
Filed under: memória,música

Hoje, em 1982, eu estava na praia em Guarapari, no Espírito Santo, quando minha irmã me disse que a cantora de que meu pai gostava havia morrido. Coisas que guardamos na memória…

05/12/2006

Second Life: Solte Sua Imaginação

Era esse o nome do Projeto do qual fiz parte anos atrás em São Paulo: Solte Sua Imaginação. Na verdade, não foi além de um site que dividi com o fotógrafo Dante Cruz e com o VJ Alexis Anastasiou, tendo cada qual uma página para apresentar suas próprias viagens pessoais. (Hoje é apenas o site do atual estúdio do Dante.) O Dante, obviamente, pretendia incluir mais um monte de artistas, músicos, cineastas, DJs, estilistas e escritores que pudessem dar asas às suas respectivas imaginações, gente que íamos conhecendo nas raves que frequentávamos. Mas o Projeto SSi não foi pra frente. Claro que tudo teria sido muito diferente se fôssemos programadores e não um bando de artistas. Porque, quando me lembro das conversas que eu tinha com o Dante, vejo que a realização de tudo o que ele sonhava então – liberdade, criatividade, interatividade, internacionalismo – se chama hoje Second Life. Ainda não é grande coisa – e para muitos pode não passar de um vício besta e de pura perda de tempo – mas essa tal “SL”, como se costuma dizer ali dentro, já está pirando a cabeça de aproximadamente 1.790.000 pessoas.

(Senhor, não me deixeis errar pelos caminhos perversos da minha imaginação…)

30/11/2006

Domingo no Parque

yuri vieira, 3:09 pm
Filed under: Humor,memória,Mídia

Este vídeo mostra direitinho por que a Hilda Hilst costumava trocar o termo criança pelo neologismo crionça. A saia foi tão justa que quase não deu saudades do Domingo no Parque. Mas o Sílvio Santos teve um jogo de cintura espantoso. (Cá entre nós, nunca entendi por qual motivo minha escola nos levou ao programa do Torresminho e Pururuca, na Bandeirantes de SP, e nunca nos levou ao Domingo no Parque. Graças a Deus, eu teria tido um ataque de paranóia só de me imaginar naquela cabine do “você quer trocar um carro zero quilômetro por um band-aid usado?”)


____
P.S.: Acabo de ver que o vídeo foi retirado do You Tube por questões de Copyright. Sei… Na verdade, o Sílvio Santos deve ter grilado com essa pérola sacada do fundo do baú da infelicidade. Eis o que rolou: conforme costumava fazer, ele perguntou a uma menina da platéia se ela conhecia alguma charada – caso ele não soubesse desvendá-la, ela ganharia um prêmio – e o que ele ouviu foi o seguinte: “Qual a diferença entre a mulher, o bambu e um poste de rua?” E o Sílvio: “Ih, lá vem besteira. (risos) Não sei. Qual é a diferença?” E a japonesinha: “É que o poste dá luz por cima e a mulher dá luz por baixo”. O Sílvio repete essa resposta e então diz: “É, tá certo. Mas e o bambu?” E a garota: “Enfia no teu cu!” A cara dele é impagável. A criançada ri em uníssono. Mas, na minha opinião, ele ainda se saiu bem da história, afinal, é o Sílvio Santos.

02/11/2006

Uma vela para os meus mortos

daniel christino, 7:32 pm
Filed under: Cotidiano,especulativas,extraordinárias,interiores,memória

Vai acabando o dia de finados. Ano passado escrevi uma pequena crônica sobre este dia que ficou enterrada no meu antigo e abandonado blog. Para mim o dia de finados é todo pôr-do-sol, é todo crepúsculo. Eis a crônica:

O dia de finados transcorreu normalmente. Céu nublado, muita gente nos cemitérios, muitas flores, choros e longos suspiros de saudade. Algumas pessoas passeavam com o olhar perdido, um longo olhar. Outros permaneciam parados até, de repente, girar a cabeça num movimento brusco, como se tivessem ouvido ou visto alguma coisa. Depois retornam para dentro de si mesmos, contemplando mudamente as lápides como a um espelho. “Ó espelho meu, o que de mim neste morto morreu?”

Meus mortos aumentaram este ano. Por isso este post. Uma vela para os meus mortos, simbólica, cibernética.

Estou ouvindo uma missa composta por Palestrina. Como são belos os meus mortos, congelados em lembranças alegres ou graves. Acompanho-lhes os movimentos em detalhe, acompanho-lhes a precisão dos gestos. Meus mortos não se perdem, nem fazem o que não deviam. Quando me olham, que doçura!!, estão em paz. Hoje é o dia no qual converso com todos.

“Como vão as coisas?”, “O que o senhor tem feito, meu Tio? Continua fechado em si mesmo? É a morte para o senhor tão solitária quanto foi a vida?”.

“Vó, aprendeu mais algum ponto sofisticado no crochê? Há sapos por aí? Sei que senhora não os suporta. Olha, estou morando na sua casa, seu bisneto foi visitar-lhe o túmulo hoje, viu como está grande?”.

“Tio, How are you? Sentimos sua falta na mesa de pôquer”.

“Jordino, como estás rapaz? Sinto falta dos seus conselhos, do seu humor capenga, da sua silhoueta torta pelos corredores da faculdade.”

O meu olhar não pode mais alcançar sua diáfana existência. Apenas a memória persiste. Nela fico atrás da porta, logo após a curva, para tentar alcançá-los desprevenidos, surpreendê-los com um susto ou num gesto inédito, espontâneo. Mas nunca. Sempre os mesmos movimentos, a mesma doçura e a mesma paz. Sempre no museu de cêra dos meus pensamentos.

22/10/2006

Nova Infância

ronaldo brito roque, 1:36 am
Filed under: interiores,literatura,memória

Aqui onde é a sala, era o meu quarto. As bonecas disputavam espaço com os ursos, e sempre ganhavam. Mas perdiam para mim quando eu queria dançar. Mamãe reclamava da música alta, mas não da bagunça, porque eu já era organizada. Diferente da Táti, que não sabia guardar nem o seu riso destrambelhado. Mas as outras meninas moravam longe, e eu brincava com a Táti mesmo. Eu era sempre a princesa, porque era mais bonita. Em troca, ela puxava meu cabelo, e eu chorava, chorava, chorava até a hora de a gente brincar de novo. O rancor não cabia no meu coração de seis anos.

Aos domingos mamãe me levava ao culto. Eu ainda não sabia cantar os salmos, mas adorava dar a “paz de Cristo”. Não gostava era dos meninos, que vinham me mostrar besouros e percevejos. Mas mamãe me protegia, e me dava pipoca doce pr’eu não chorar. Mais tarde meu corpo se arredondou, e os meninos continuaram a me incomodar, mas agora queriam me mostrar carros e músculos. Dei meu primeiro beijo, rasguei minha primeira foto, e fiquei muito triste, porque a vida não estava parecendo as estórias bonitas que minha mãe me contara. Mas minhas amigas também rasgavam algumas fotos, e isso me dava certo alívio. Juntas nós ríamos das lágrimas que chorávamos sozinhas.
(Continua…)



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