Arquivo para a categoria "Viagens"




12/10/2008

Falta de sorte.

daniel christino, 11:48 pm
Filed under: Economia,especulativas

O jogador de roleta não terá dúvida alguma em reconhecer que está jogando, mas já o mesmo não sucederá com o corretor de valores. Este último sustentará que a compra e venda ao sabor das altas e baixas da Bolsa fazem parte das coisas sérias da vida, ou pelo menos da vida dos negócios, e constitui uma função econômica da sociedade. Em ambos os casos o fator operante é a esperança do lucro. Mas, enquanto no primeiro caso o caráter puramente fortuito da coisa é geralmente reconhecido (não obstante todos os “sistemas”); no segundo, o jogador ilude-se a si mesmo com a idéia de que é capaz de prever a tendência futura do mercado. Seja como for, é ínfima a diferença de mentalidade entre ambos os casos.

Johan Huizinga, historiador e filósofo holandês, em 1938.

07/10/2008

Pessoas esquisitas e pessoas comuns

yuri vieira, 7:50 pm
Filed under: escritores,especulativas,literatura,livros

Da Ortodoxia, de Chesterton:

“As esquisitices chocam apenas as pessoas comuns. É por isso que as pessoas comuns têm uma vida muito mais instigante; enquanto as pessoas esquisitas sempre estão se queixando da chatice da vida. É por isso também que os novos romances desaparecem tão rapidadmente, ao passo que os velhos contos de fada duram para sempre. Os velhos contos de fada fazem do herói um ser humano normal; suas aventuras é que são surpreendentes. Elas o surpreendem porque ele é normal. Mas no romance psicológico moderno o herói é anormal; o centro não é central. Conseqüentemente, as mais loucas aventuras não conseguem afetá-lo de forma adequada, e o livro é monótono. Pode-se criar uma história a partir de um herói entre dragões, mas não a partir de um dragão entre dragões. O conto de fadas discute o que o homem sensato fará num mundo de loucura. O romance realista sóbrio de hoje discute o que um completo lunático fará num mundo sem graça.”

Ortodoxia, G. K. Chesterton, tradução de Almiro Pisetta, Mundo Cristão, 2008.

01/10/2008

Porque admiro o pensamento cristão

daniel christino, 10:22 pm
Filed under: especulativas,Religião

Por isso:

Atenho-me, no caso, ao axioma clássico: ab esse ad posse valet illatio. A filosofia cristã existe. Logo, pode existir, ainda que as fronteiras teóricas desse poder-ser se apresentem, de Clemente de Alexandria à neo-escolástica e a Maurice Blondel, em perpétuo movimento. De minha parte, entrego-me ao exercício de um filosofar que respira, como diria Maritain, em clima cristão ou que tenta aspirar os ares que descem dos altiplanos teológicos. Nesse clima cristão cresce e frondeja a grande árvore do intellectus fidei, a um tempo filosófico e teológico, da qual me sinto pequeno e obscuro ramo e cuja seiva racional se alimenta incessantemente na experiência original da fé como “geratriz de razão” de que fala Etienne Gilson, e que é a experiência primeira e fundadora de todo pensamento cristão.

Henrique C. de Lima Vaz

Estamos todos nós, ocidentais, à sombra desta “grande árvore”. Embora nem todos apreciemos seus frutos.

19/09/2008

E a crise financeira mundial?

daniel christino, 6:33 pm
Filed under: Economia,especulativas

Um ótimo artigo do Financial Times sobre a crise americana e mundial. Obviamente é idiota a tese marxista chinfrim de que o “capitalismo” está em crise, contudo ninguém pode mais diminuir a importância do Estado na regulação da economia. Se o governo conservador foi obrigado a intervir, mesmo agindo sob a cartilha do Estado mínimo, significa que o debate vai muito além da ideologia. O Cláudio, do Gustibus, para variar, organizou um check-list muito bom sobre o problema.

10/07/2008

Muito além do River Raid

daniel christino, 12:05 pm
Filed under: Ciência,especulativas,Games

Eu disse noutro texto que adoro jogar videogame. Essa confissão já me rendeu alguns olhares estranhos na Universidade. “Mas você não tem algo mais importante para fazer?”, diziam. “Não!”, respondia meio injuriado. Embora seja uma chatice jogar “a sério” qualquer jogo de videogame, pensar sobre o impacto das novas mídias sobre os modelos de produção cultural já canonizados é um campo de estudos acadêmicos cada vez mais promissor.

Sem querer entrar numa de “peer-reviewing”, pelo menos não agora, indico dois artigos muito legais sobre como os estudos sobre games atravessam diversas áreas de pesquisa: Dynamic Lighting for Tension in Games e Tragedies of the ludic commons – understanding cooperation in multiplayer games.

O primeiro deles possui uma ligação bastante clara com o cinema e com a narratologia (ou teoria da narrativa). O modo como um jogo explora os efeitos de luz para compor um determinado clima supõe uma noção de narratividade visual muitas vezes importada do cinema. Por outro lado, os games, por trabalharem com um ambiente completamente virtual e manipulável (dentro de certos limites tecnológico de velocidade de processamento e memória), potencializam os usos possíveis da iluminação para criação destes efeitos. Ao contrário do cinema, os games têm controle completo sobre o ambienta no qual a ação ocorre. No cinema, isso só acontece nas CGI (imagens geradas por computador).

There are many lighting design techniques exhibited in theatre, film, architecture and dance that address the role of lighting on emotions and arousal. Currently, game developers and designers adopt cinematic and animation lighting techniques to enrich the aesthetic sense of the virtual space and the gaming experience. For example, game lighting designers manually manipulate material properties and scene lighting to set a mood and style for each level in the game.

O segundo entende o videogame como modelo de interação social, ou seja, discute o modo como um contexto de simulação pode iluminar aspectos comportamentais dos indivíduos. O estudo retira sua força da metáfora do jogo e enfatiza uma das suas principais características: a relação entre os jogadores. Mesmo as brincadeiras de amarelinha ou pique-pega (e brincar é diferente de jogar) podem ser entendidas como simulações. Há um conjunto de regras não-naturais (o termo é controverso) em funcionamento normatizando o modo como a ação pode ou não acontecer. O legal dos videogames é sua capacidade modelar, ou seja, nele possuímos algum controle sobre o ambiente no qual a ação se desenvolve e, por conta disso, podemos isolar ou testar variáveis de modo muito mais preciso. Neste caso os pesquisadores optaram por estudar o modo com o jogo apresenta alguns conflitos e a relação entre a solução destes conflitos e a vida social “real” do indivíduos. Em outras palavras, o artigo pressupõe que a simulação dos games pode nos ajudar a entender melhor a dinâmica social de pequenos grupos. É o caso quando eles estudam a trapaça (cheating) como um dilema social. O game dado como exemplo é o Diablo.

Accounts of cheating in games almost always invoke the eloquent example of Blizzard’s Diablo (Blizzard Entertainment, 1996), among the first truly successful commercial online games. It is generally acknowledged that the gaming experience was seriously affected by the amount of cheating apparent among many participants. In a somewhat informal survey conducted by the gamer magazine Games Domain (Greenhill 1997), 35% of the Diablo-playing respondents confessed to having cheated in the game (n=594). More interesting, however, were the answers to the question of whether a hypothetical cheat and hack free gaming environment would have increased or decreased the game’s longevity and playability. Here, 89% of the professed cheaters stated that they would have preferred not being able to cheat. This response distribution clearly tells of a social dilemma. Arguably, the players queried are tempted to cheat but understanding that this temptation applies to other players as well, would prefer that no-one (including themselves) have full autonomy.

Certo. Os artigos foram linkados a partir do site da Game Studies cuja base de dados encontra-se, hoje, aberta ao público. Há outros tantos em bases de dados restritas. Os games não são apenas diversão interessante, são também objetos acadêmicos relevantes tanto por sua popularidade quando pelas questões que levantam. Estamos muito além do River Raid. Divirtam-se.

26/06/2008

Estudo relaciona descrença religiosa a Q.I. alto.

daniel christino, 11:15 pm
Filed under: Ciência,especulativas,Religião

É possível estabelecer alguma diferença entre fato e valor? Eu, particularmente, não acredito que pesquisas como esta, apesar de baseadas em rigorosa metodologia, pretendam afirmar que os crentes são mais idiotas do que os não crentes. Há, entretanto, correlação, ou seja, de alguma forma a variável “descrença religiosa” altera-se quando a variável “Q.I. alto” é modificada. A discussão toda concentra-se nas variáveis intervenientes.

Eu, por exemplo, acredito muito na observação do professor de Psicologia da London School of Economics, Andy Wells. Inteligência implica uma gama maior de conhecimento, o que significa uma variedade maior de informação sobre várias coisas – inclusive visões de mundo – diversificando as opções antes restritas a crer ou não crer.

O mais interessante nem é isso. Ao relacionar estas variáveis o estudo mostra que não há, nem pode haver, relação causal entre elas. Quem crê em Deus não é mais inteligente ou esclarecido do que quem não crê em Deus. Nossa capacidade de compreender o mundo, nossa faculdade de intelligere como queriam os medievais, não está submetida à aceitação intelectual da idéia de Deus. O pensamento é capaz de conhecer a realidade e o homem capaz de compreender a si próprio mesmo que não acredite num Ser supremo.

Por outro lado, parece que para cada Santo Agostinho há uns 400 idiotas. Deve ser por isso que os pentecostais vivem amplificando seus cultos. Sua inteligência parece associar o volume da voz à capacidade divina de prestar atenção às suas súplicas. Deus deveria providenciar o milagre da elevação do Q.I.

22/06/2008

Viver está ficando perigoso demais…

daniel christino, 2:54 pm
Filed under: Ciência,Cotidiano,especulativas,memória

Quando eu era menino o final de junho geralmente significava duas coisas muito boas: festa junina e férias. As férias, por sua vez, desdobravam-se em vários subtemas (futebol, viagens, brincadeiras de rua, etc.). Dentre estes, o mais desejado e esperado era soltar raia (ou pipa, dependendo do modelo aerodinâmico em questão).

A expressão em si já é deliciosa. “Soltar raia”. Soltar. Deixar ir, liberar. Não eram tanto os constructos de papel e taboca, mas nós mesmos que nos liberávamos na brincadeira. Sujos, soltos e barulhentos corríamos pelas ruas do setor Fama.

A logística da brincadeira era a seguinte: acordávamos lá pelas nove horas da manhã e começávamos a juntar as peças. Papel impermeável, linha, taboca (apanhada às margens do Anicuns ou do Capim Puba), cola, vidro (lâmpadas fluorescentes ou, quando não dava, garrafas de vidro transparente) e plástico para as rabiolas. Depois do almoço nos dividíamos. Um grupo construía a raia ou pipa e outro preparava o cerol.

Fazer o cerol era mais uma questão de força e persistência do que talento. Com uma barra de ferro amassávamos incansavelmente o vidro numa lata de óleo de soja até que não sobrasse nada além de um pó fino – tão parecido com açúcar refinado que o irmão mais novo de um dos moleques adoçou um copo de leite com ele, felizmente tomou apenas um gole antes de perceber que o pó não era nada doce. O cerol era então misturado com cola tenaz e um pouco de água. Aí vinha a parte onde era necessária alguma habilidade. A mistura era feita na palma da mão e aplicada na linha (10) esticada entre dois postes. Era importante dar entre dois ou três “toques” para que a camada de cerol não ficasse muito grossa, dificultando o manejo da raia durante uma “guerra”. O número de toques variava de acordo com a composição do cerol. Eu era bom nisso, apesar de ser uma negação em engenharia de pipas. Meu amigo Gláucio era um construtor muito mais habilidoso.

(Continua…)

21/05/2008

O Governo Britânico e os OVNIs

yuri vieira, 3:31 am
Filed under: Cotidiano,extraordinárias,Política

Não, não é um link para o site da revista Planeta ou quejandos. É o site do National Archives, o órgão oficial britânico responsável por guardar e preservar todos os documentos do governo. Eles agora abriram os arquivos oficiais sobre o avistamento de OVNIs nesses últimos anos.

Pronto. Isto é pelo meu pai, que adora o assunto, e pela Hilda Hilst, que também adorava.

02/05/2008

Carta a uma jovem suicida

yuri vieira, 7:53 pm
Filed under: Cotidiano,este blog,interiores,Religião,Umbigo

O texto que virá mais abaixo é minha resposta ao seguinte comentário:

A new comment on the post #3306 “Amigos suicidas” is waiting for your approval:

Author : Jane (IP: 189.94.67.32 , 189.94.67.32)
E-mail : minina_jane@[XXXXXXX]
URL :
Whois :
Comment:
Há alguns dias, me acometi de uma tristeza imensa…
Domingo dia 27 de abril eu resolvi, me vi com minha família completa e quis levar aquela imagem feliz, tomei uns anti-depressivos muito fortes, ouvindo uns flash backs, com copos e mais copos de um bom vinho, me senti leve e fui adormecendo e achei que seria o fim, em minhas mãos só escrevi tudo em letras maíusculas, pedindo PERDÃO a meus pais, na tarde do dia seguinte, me vi em um hospiral com minha mãe com o mesmo sorriso que creio eu que tenha sido o mesmo ao qual ela me viu pela primeira vez, hoje me sinto melhor, estou na minha casa meu pai reagiu de uma forma calma, só que não sei se ainda tenho certeza que vou continuar com minha vida !!!

Carta a uma jovem suicida

Cara Jane, eu tenho andado com uma preguiça de rachar o chão tanto no que se refere a escrever neste blog quanto a responder a comentários em geral e a provocações bobas de listas de discussão. Mas este seu comentário no blog — assimilado junto com o café forte que acabo de fazer — me causou um sentimento de urgência pungente. Talvez eu até precise dar uma pausa para ir ao banheiro, entende?, mas… enfim. Você está realmente pensando em se matar? Quer mesmo tentar de novo? Bom, tenho então algumas coisas a lhe dizer:
(Continua…)

24/04/2008

Use as drogas certas, bicho.

daniel christino, 10:23 am
Filed under: Ciência,extraordinárias,Humor,internet

Quer ser o centro das atenções ao decifrar um complicado teorema matemático entre um gole e outro de cerveja? Entender completamente as letras do Djavan? Não foi, entretanto, favorecido com uma estrutura genética apropriada para a inteligência? Não tema. Se os antidepressivos são uma farsa, as drogas cognitivas chegaram para ajudar a realizar o sonho de todo grande jogador de futebol. Chega de se alienar com mulheres, fama e dinheiro. De agora em diante, apenas matemática, computadores e Star Wars. Viva a vida intensamente.

Mas antes, um aviso: “Cérebro + drogas = ovos fritos! Nem sempre. Algumas pílulas podem incrementar sua performance cognitiva. Mas nós aqui do Garganta não somos médicos. Qualquer um que tome uma batelada de remédios baseado em nossos palpites só pode estar chapado”.

Aqui o link para a deliciosamente bem-humorada matéria da Wired.

21/04/2008

Pela janela

daniel christino, 2:59 am
Filed under: Cotidiano,especulativas,Imprensa

Da janela da minha sala na Universidade eu vejo um recorte geométrico do bosque. De vez em quando passam guinchando alguns macacos-prego, como num documentário do Discorevy Channel. Olham-me com urgência, assustados. Desacostumados ao pasmo sempre renovado de ver, em seu aquário de aridez, um ser humano, parecem interrogar-se sobre a possibilidade evolutiva de um animal tão estranho. E eu observo de volta. Um deles, uma fêmea, traz nas cócoras seu filhote. O macacaquinho se agarra firmemente ao pêlo da mãe, enquanto ela salta de árvore em árvore, agilmente, tentando encontrar alguma lata de refrigerante ou restos de um salgado comido pelas metades.

Numa outra janela piscam anúncios em flash. Dentro dela (ou fora daqui!) alguém me diz que uma menina foi atirada pelo pai e pela madrasta do apartamento onde moravam, no sexto andar. Eu observo os acusados jurarem inocência. Estou espantado. Noutra reportagem o apresentador se pergunta porque o caso mobilizou tanto a atenção das pessoas. Assisto a matéria. Fala um psicanalista, um sociológo e outro psicanalista. Nenhum deles diz nada sobre o repórter nem sobre o programa. O interesse das pessoas é tratado como um fato natural e a peça jornalística que nos convoca a atenção não é tematizada. É como se não estivesse lá, como se fosse transparente.

Sinto-me dentro de um cubo geométrico translúcido. A metáfora das janelas se desdobra em várias faces. Eu vejo os macacos, que me vêem, e vejo os pais da menina que não me vêem e vejo a forma de expressão da manipulação dos interesses, que não quer ser vista. Só não vejo a inocência, só não vejo o humano. A inocência atravessou a janela e se espatifou no gramado úmido.

Talvez o combustível da emoção seja o pathos da morte. Não uma morte qualquer. Não uma boa morte, coroação de uma vida plena. Mas a morte da inocência, o terror. Um pathos egóico, sem dúvida, porque vivido na tensão interior do expectar. Não o pathos da vida, a compaixão, mas o pathos associado, desde Aristóteles, às narrativas trágicas. Muitos de nós vivenciamos a morte de Isabella Nardoni pelas narrativas elaboradas pela mídia, embora ela se esforce para nos convencer de que é apenas uma janela, um meio através do qual algo nos vem ao encontro. Por que esta tragédia – assim como várias outras – nos mobiliza a atenção? Exatamente porque é uma tragédia. Porque o drama nos é apresentado num esquema estruturado de compreensão, cujos elementos nos exigem uma determinada emoção, como num script cognitivo vivenciado milhares de vezes.

Mas o terror, por outro lado, é real. A própria idéia de que a inocência está sob constante ameaça no mundo nos enche de pavor verdadeiro. Quanto mais repassamos, auxiliados pelas reconstituições minuciosamente ilustradas dos portais da Web, o que pode ter acontecido no apartamento, mais nos assustamos com o que nós somos. A forma nos ajuda e nos afasta desta disposição para o terror. Ela trai e adia esta experiência fornecendo um esquema conhecido de interpretação, ela nos torna expectadores; põe grades na janela, nos impendindo uma “queda em si”.

Na verdade se pudéssemos atravessar o palco e espiar as coxias do teatro do simbólico, perceberíamos o caráter farsesco de todo este drama. No jogo absurdo de janelas, caro leitor, algo nos elude. Na transparência entrevemos algo opaco, brumoso, adiáfano. E o que encontramos – perdidos na vertigem do olhar – não é outra coisa senão um enorme e polido espelho. E nele, a nos fitar, nossos olhos enormes de macaco.

08/04/2008

Falando em milagres

daniel christino, 11:10 am
Filed under: extraordinárias,Humor,Religião

Já que o Ronaldo resolveu falar sobre milagres – com seriedade, diga-se – deixo aqui minha contribuição nada séria.

Isso é que é milagre, né não?

Isso é que é milagre.

12/03/2008

Na Natureza Selvagem

Livro

Sempre gostei dos livros e do estilo de escrita de Jon Krakauer. Foi em 1999, logo depois de traduzir seu “Sobre Homens e Montanhas” para a Companhia das Letras, que li “Na Natureza Selvagem”, seu relato sobre a história de Chris Mccandless, o jovem que abandonou sua família na Virgínia por uma vida na estrada e de aventuras ao estilo dos personagens de Jack London e inspirado por Thoreau e John Muir.

Ontem, fuçando nas minhas coisas, encontrei um artigo que à época escrevi para o jornal “O Popular”. Seu título é “Selvagem é o Concreto”. Tem um tom nostálgico e meio melodramático que dá uma certa vergonha. Infelizmente, só o tenho em papel, mas se tiver saco vou redigitá-lo para algumas reflexões. Pensar se ainda acredito no que dizia há quase dez anos – afinal, em outros campos, mudei radicalmente. Afinal, todo o mundo se encantou e ainda se encanta com as idéias de Thoreau e com uma certa visão romântica da vida liberta na estrada e junto à natureza.

Outro dia, meu amigo Nelson me ligou no meio da tarde. Saía da sessão de “Na Natureza Selvagem”, o filme de Sean Penn baseado na novela de Krakauer (trailer aqui). Quase fora atropelado na Paulista de tão atordoado. Dizia que saíra do cinema pensando em mim. Vá saber por quê.

Cartaz

O livro me causou forte impacto em 1999, e ontem, na expectativa da estréia do filme aqui no sertão, comecei a relê-lo e já não o consigo largar. As perguntas são sempre as mesmas e seguem essenciais, penso: o que realmente vale à pena? Vale trocar as montanhas pela segurança do cotidiano? Em tempo, eu não considero que tenha abandonado as montanhas, mas por ora tenho outras prioridades, antes de retornar a elas.

Chris largou tudo e foi viver no Alaska, depois de rodar metade dos Estados Unidos – a pé, de carona, de canoa. Morreu de inanição em meio ao inverno rigoroso.

10/03/2008

Namaste [final]

rodrigo fiume, 4:41 pm
Filed under: fotografia,Viagens

sadhu2.jpg

Sadhu, homem santo hindu, em Varanasi, Índia. Clique nesta foto para ver o álbum completo de Índia, Nepal e Paris

28/02/2008

Domingo em Varanasi

rodrigo fiume, 2:43 pm
Filed under: Cotidiano,Viagens

20/02/2008

Namaste — 2

rodrigo fiume, 12:21 pm
Filed under: fotografia,Viagens

fiume-blog-2.jpg

Cerimonia que antecede cremacao em templo hinduista de Kathmandu, Nepal


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