Rosa Maria Lima (1970-2061)

Nasci exatamente um mês após a vitória da Seleção do Rivelino e do Tostão no México e fiquei deslumbrada a primeira vez que vi o gramado bem verdinho na tv em cores que meu pai trouxe de uma de suas muitas viagens…

Este e outros muitos deslumbramentos, como uma jaguatirica de estimação, foram presentes dele, o Seu Souza, homem guimaraneo e figura gostável por demais, que me mostrou a impermanência das coisas enquanto perambulávamos por inúmeras cidades entre Goiás e o Triângulo Mineiro durante a minha infância. A última lição foi em setembro de 2006, quando foi embora de vez pra terceira margem do rio. Já minha mãe foi bem antes, em 1998, mas preferiu ficar lá com os Imortais que passou a vida trazendo pro meio de nós: os seus milhares de alunos-filhos!

O Gustavo, meu irmão-herói e aventureiro destemido de plantão, foi quem me apresentou o Yuri, lá nos tempos do G.E.M.B.L.A. E depois vieram o Paulo, o Pedro…

“Iconoclasta”, me chamaram certa vez; inquieta lá dentro e com cara de paisagem aqui de fora, prefiro. Terminei a adolescência na Universidade Federal de Goiás, enquanto vagava pela mata junto ao antigo ICHL… Aos vinte, e já me sentindo muito velha, mudei a vida de curso quando caí numa pós-graduação na Getúlio Vargas, em São Paulo, que abandonei por definitava incompatibilidade de gênio e de fundos.

Vim-me embora pro Cerrado e fui parar na Faculdade de Direito. “Belas petições”, disse-me um professor, “devia ter feito Letras”! Elogio dúbio e desconfortável, mas com um quê de revelação, me rendeu o trabalho de preparar recursos (todos com muita deferência à língua, mas com muito pouca aos meus interlocutores na Corte).

Conheci Moreira Alves na UNB antes da aposentadoria e isso valeu cada ano despendido no Direito. Quis mergulhar no Direito de Estado e nas Constituições, através do direito comparado, mas a paixão foi golpeada mortalmente com uma rejeição inexplicada e “na bacia das almas” para o curso de mestrado de lá. Advogar nunca mais teve gosto e as petições perderam a cor. Iniciar outro programa de mestrado, mas em Ecologia, me resgatou parte do tesão por algum tempo, mas ainda procuro o tom…

Canceriana atípica, já que não me conformo ou me encaixo (“Deve ser o ascendente em Aquário”, dizem os astrólogos!), vivo pelo mundo “não perdida, mas desencontrada”. Tive grandes encontros nas andanças por São Paulo e pelo sertão do Piauí; por Praga e Madrid; nas ruas estreitas do Chiado, em Lisboa; nos dias molhados da vida em Londres; no aeroporto de Bangkok… Nenhum deles, entretanto, comparável ao meu primeiro amor e à Nova Zelândia, pedaço de mundo (ou fim-de-mundo) onde construo minha casa agora.

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