O Garganta de Fogo

blog do escritor yuri vieira e convidados…

Mês: setembro 2005 Page 1 of 5

A Nível D

Ainda na casa dos meus amigos Joana e Dante, em São Paulo, eis que encontro duas caixas minhas entupidas de livros, textos que abandonei ou publiquei e, claro, mil e uma lembranças da época em que ali residi. Numa delas encontrei um exemplar da revista uspiana A Nível D, na qual publiquei alguns dos meus contos. Nem sei se essa revista ainda existe. Imagino que não. O número que tenho – Nº1, Ano 4 – deve ser de 1997 ou 1998. Seu editor, Sunami Chun, na época estudante de sociologia, é hoje diretor-presidente (e idealizador) da Monkey LAN House. Eis a capa:
A Nível D
O conto que publiquei nesse número foi Paralíticos e Desintegrados, para o qual os caras arranjaram ilustrações bem engraçadas:
Mauro Austris
Roberto Eca
Logo mais falarei sobre outros achados, alguns bem interessantes. Nada como fuçar no baú de antanho…

Vai tocar, Wagner Tiso!

O músico Wagner Tiso, em entrevista ao jornal O Globo, provou que como pensador político é um ótimo músico, muito embora eu, com meu quê de João Cabral de Melo Neto, que não gosta de música (gosto sim), não saiba citar sequer uma de suas composições. Imagino que o cara seja na verdade um entrante, isto é, o Wagner original desencarnou e cedeu o porco, digo, o corpo para a falecida Velhinha de Taubaté, que hoje o habita. Do contrário, como explicar que, após tantas denúncias e testemunhos (incluindo o do governador de Goiás), o cara ainda acredite que o PT não se envolveu com corrupção e ainda tenha a manha de afirmar que voltará a votar no Lula? E chega a defender o governo alegando que nosso grande estadista aumentou a distribuição de renda, diminuiu a fome e todas essas mentiras que a publicidade petista tenta nos impingir. Incrível, chega a ser hilário. Ele só admite que o PT tenha manuseado – eu diria encuecado – R$55 milhões para molhar a mão de partidos aliados durante a campanha, o que para ele é perdoável, já que se tratava de verba com “destinação política”.

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A Colorsplash da Lomo

http://www.lomography.comHoje à tarde, aqui no Pulse Studio, troquei uma idéia com o Henri, diretor de arte da agência Leo Burnett, e ele me falou a respeito dessa câmera Colorsplash, da Lomo, uma espécie de Lada das câmeras fotográficas. Sim, uma máquina russa que sobreviveu ao ocaso da União Soviética. Segundo ele, a onda agora é comprar uma dessas geringonças – que contém flash colorido intercambiável – e colocar as fotos no fotolog da própria Lomo. É uma idéia das mais interessantes uma câmera com diversas cores de flash. Deve ser ótima para registrar nossas baladas vampirescas de cada “dia”. Mas infelizmente ela ainda usa película, o que dificulta um pouco a logística de um fotolog. Mas tá valendo.

O eterno retorno ao Centro

Minhas peregrinações pelo centro de São Paulo começaram em 1985, quando eu ainda ia completar 14 anos de idade. Eu e o Dante estávamos sempre inventando uma missão – comprar uma peça de reposição de autorama (Mabushi, Estrela, etc.), o disco de uma banda punk (Cólera, Inocentes, Garotos Podres, etc.), um relógio com joguinho, um tênis ou qualquer outro badulaque importado da Galeria Pajé, etc., etc. – o que sempre nos levava a perder todo um dia em mil e um becos e cenários decadentes da capital paulistana. Às vezes, sem mais nem menos, pegávamos o trem na Estação da Luz e íamos até Ribeirão Pires ou qualquer outra cidade, apenas porque no trem era possível fazer o que não se pode no metrô: passar de um vagão para o outro durante a viagem. (Na verdade, nossa primeira grande epopéia foi a travessia de boa parte da Zona Sul, a pé, em 1982 ou 1983, apenas para comprar um ioiô Super da Coca-Cola, que aliás foi mais difícil de encontrar que o Graal, já que nos bares e lanchonetes do percurso só havia o modelo Profissional. Eu teria ficado satisfeito – como de fato fiquei, pois adquiri mesmo um Profissional – mas nããããããão, o Dante nãão, claro que não, era o Super que ele tinha de comprar. Por conta disso, eu, que via minha querida rua Mariana Calache como centro do universo, me vi jogado num mundo hostil, alheio e interminável, cheio de “maloqueiros” tentando nos tomar a grana do ioiô e, mais tarde, o próprio ioiô. Mas isso é uma outra história…)

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Réu confesso

Trecho de mais um artigo imperdível, do Olavo de Carvalho, publicado no Diário do Comércio:

“Nunca um presidente eleito de qualquer país civilizado mostrou um desprezo tão completo à Constituição, às leis, às instituições e ao eleitorado inteiro, ao mesmo tempo que concedia toda a confiança, toda a autoridade, a uma assembléia clandestina repleta de criminosos, para que decidisse, longe dos olhos do povo, os destinos da nação e suas relações com os vizinhos. Nunca houve, no Brasil, um traidor tão descarado, tão completo e tão cínico quanto Luís Inácio Lula da Silva. “

Amigos e bibliotecas

Sempre que me hospedo com meus amigos acabo por também visitar e revirar suas bibliotecas. No apê do Rodrigo Fiume “bati um papo” com o Caio Fernando Abreu, com o Nélson Rodrigues e, principalmente, com o Rubem Braga, que muito me agradou. Fiz questão de ler esse último – do qual conhecia muito pouco – depois que o Alex Cojorian e o Bruno Borges me disseram que sou um bom cronista. Se o sou, devo me remeter a um mestre, pensei, para voltar a me sentir ruinzinho e ter um motivo para continuar melhorando. Dei muita risada com o Rubem Braga, principalmente com as crônicas da borboleta amarela (dica do Rodrigo) e a da viagem a Casablanca. É como ler um irmão mais velho cheio de gênio e humor. É o tipo do cara que, num futuro que fatalmente virá, valerá a pena encontrar do outro lado para saber das novidades do universo.

Na casa do Dante, voltei a curtir um Emerson – seu Homens Representativos, seu relato do encontro com Wordsworth e Carlyle – e as Obras Completas do Monteiro Lobato, da qual escolhi um volume de entrevistas e introduções que ele escreveu para livros alheios. Eu não tinha noção da importância do cara para a indústria editorial brasileira. Antes dele, não havia edições com mais de mil exemplares e as livrarias de todo o país não passavam de quarenta. Essas edições levavam anos e anos para escorrer por aí, num ritmo de conta gota. E o Monteiro Lobato, indignado com essa situação das mais primitivas – sua editora não conseguia crescer – teve uma idéia das mais cibernéticas: escreveu para quase duas mil agências de correio de todo o Brasil, a solicitar endereços das respectivas casas comerciais locais, não importando se fossem livrarias, papelarias, quitandas ou açougues. Redigiu então uma carta (quase um manifesto) na qual propunha a consignação de livros, sublinhando o aspecto de mercadoria do mítico objeto. Assim, em menos de dois meses, as livrarias passaram de quarenta para mil e duzentas e ele chegou a publicar uma tiragem de cinqüenta mil exemplares de “Reinações de Narizinho”, que esgotou em menos de um ano. Daí para frente, o mercado livreiro, no Brasil, nunca mais foi o mesmo.

O xixi do vizinho

Ao passar alguns dias na casa de um amigo de infância, em São Paulo, no mesmo bairro onde cresci, acabei por protagonizar uma verdadeira cena de novela das sete, daquelas com brigas de vizinho italiano do tipo “Guerra dos Sexos” ou “Vereda Tropical”. Minha antiga rua tinha italianos (seo Emílio e esposa), iugoslavos (Dona Draga, marido e filhas), japoneses (com uma cadela fêmea que se chamava Yuri!!), além de brasileiros de quase todos os estados. E, claro, havia brigas e cenas homéricas entre os vizinhos, as quais eu me limitava a assistir. Mas nesse último final de semana não deu pra evitar. Estávamos numa reunião com amigos, ouvindo um sarau com flauta transversal e violão, tomando um vinho, curtindo um frio paulistano de final de inverno, quando o vizinho, insano como sempre, resolveu jogar um copo de plástico cheio de urina – sua forma corrente de protestar contra a zoeira das festas – no quintal desse meu amigo, onde agora estou hospedado. Isso já havia rolado em anos pregressos, na época em que eu mesmo morara naquela casa, mas foi a primeira vez que tal recipiente mau cheiroso encontrou minhas próprias roupas no varal. (!!!) Eu, que já estava mais pra lá do que pra cá, o cérebro embebido em Cabernet Sauvignon, mal recebi da Joana – esposa do meu amigo – a linda notícia, já fui correndo para o quintal. Enquanto retirava do varal as roupas, iniciei um longo e estridente sermão que certamente alcançou os ouvidos de todos os moradores do quarteirão. Bom, não nego que foi engraçado, principalmente a parte em que certa pessoa (não vou entregar quem), foi ao banheiro e produziu uma bomba de xixi semelhante, jogando-a em seguida de volta ao outro lado do muro, desautorizando todo o discurso que eu acabara de fazer em prol da sensatez, da cortesia, da razão, da tolerância, etc., etc. (Claro que isso tudo ainda há de virar um conto, né.)

Deputado Thomaz Nonô

Embora tenha minhas próprias opiniões e convicções políticas, estou a anos luz de ser o mais indicado para emitir juízos sobre a grande maioria das personalidades públicas. Como o povo da rua, desconheço 99% dessa gente. Ok, vá lá, 97%. Afinal, haja saco, tempo e energia para acompanhar a trajetória dessa turma. (Para tanto, consulte o Reinaldo Azevedo e o Cláudio Humberto.) Mas, devo dizer, há cerca de três ou quatro semanas, assisti por acaso a um discurso do deputado Thomaz Nonô, agora canditado à presidência da Câmara. Fiquei de cara: quando crescer quero ser um orador tão bom quanto ele! O cara consegue elaborar um discurso excelente – como se diz, em tempo real – como quem escreve um livro com texto de alta qualidade. E eu que pensava que só tínhamos analfabetos à maneira de Lula, capiaus maquiavélicos comedores de “S” à maneira de Dirceu ou cangaceiros à là Severino. Na ocasião, o discurso do deputado Nonô desancava o PT, mas não com leviandades e bobagens, senão com bom conteúdo muito bem realizado na forma. E eu tenho certo frenesi estético pela linguagem bem articulada, pela frase bem dita. O que leva alguns amigos a pensar que sou passível de ser engambelado por sofistas. Mas não o sou. Nunca curti arte pela arte, técnica pela técnica e umbigos tautológicos do gênero. Odeio blablablá vazio. Por isso nunca me empolgo com atrativos sem conteúdo, proposições sem sentido, punhetagens sem significado. Esse Nonô é ao menos inteligente e parecia compreender muito bem o estado de coisas desse governo. Se é honesto e se, caso eleito, fará alguma diferença, eu não sei. Mas que teria meu eventual apoio, isso teria.
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P.S. (26/09): Como eu já imaginava: o apoio durou apenas o tempo necessário para escrever o post. O Nonô tem como plataforma de campanha o arquivamento de todos os pedidos de impeachment protocolados contra Lula. Realmente, não dá pra levar ninguém a sério ali dentro…

As pin-ups de Garv

Acho que todos conhecem as clássicas pin-ups do desenhista Alberto Vargas. Mas e as pin-ups de Garv – na minha opinião, seu sucessor – vc conhece?

www.GarvGraphx.com

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Blog do Paulo Paiva

Finalmente meu bróder Paulo Paiva resolveu lançar seu próprio blog, o Fios de Ariadne. Agora só falta ele voltar a escrever poemas, o que costumava fazer muito bem.

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