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O Jobim do Mal

Nada como um pouco de memória. O mesmo ministro Nelson Jobim que articula sua candidatura à Presidência da República, adornado pela aura de magistrado sério, conforme noticiam este mesmo blog e todos os jornais do país, foi quem:


1. Revelou, há algum tempo, em tom de galhofa, que, como relator da Revisão Constitucional (1993-1994), sorrateiramente introduziu alguns artigos não votados na Carta Magna (e agora, na corte suprema, é guardião dessa mesma Constituição);

2. Em 2002, já ministro do STF (depois de ser Ministro da Justiça de FHC), conduziu operação diplomática, em parceria com o empresário Mário Garnero, tendo como contraparte do lado americano Condoleezza Rice, destinada a aproximar o então recém-eleito George W. Bush de Fernando Henrique, conforme noticiou Luis Nassif à época – um magistrado da corte suprema do país, cuja premissa mais básica de atuação é a independência em relação ao Executivo, conduzindo uma operação diplomática?;

3. Aliou-se a Severino Cavalcante em prol do aumento de salários dos ministros do STF e dos parlamentares;

4. O mesmo Jobim que relatou o processo que, breve, deve resultar em jurisprudência que isentará autoridades políticas das garras da Lei de Improbidade Administrativa;

5. O mesmo Jobim que se sentou durante seis anos sobre uma Ação Direta de Inconstitucionalidade para seguir permitindo transferências de recursos públicos sem qualquer critério e transparência a organizações sociais, desrespeitando Resolução do próprio STF, que estabelece prazo máximo de 10 dias para vistas de processo.

Nem é sério o Ministro, nem esse país, onde magistrados da corte suprema podem, a seu bel-prazer, deixarem a magistratura para exercer atividade político-partidária. No mínimo, deveria ser imposta uma quarentena de alguns anos para tanto, o que, na prática, impediria sem-vergonhices como a de Jobim. Melhor ainda, deveria haver vedação explícita de atividade desta natureza, anterior e posterior. Nos EUA, salvo engano, só podem ser designados para a Suprema Corte, magistrados de instâncias inferiores da própria Justiça Federal.

Mas não é se se estranhar a atitude de Jobim. Outro ministro – Sepúlveda Pertence -, declarado amigo de José Dirceu, não viu razão para impedimento próprio na votação de recurso relativo ao processo de cassação desse nobre ex-ministro (não obstante o resultado não ter sido favorável a Dirceu, é indesculpável). Outro, Carlos Velloso, é “bróder” do advogado de Paulo Maluf, o ex-presidente nacional da OAB, José Roberto Battochio. Curiosamente, ele mesmo foi o relator do processo que resultou na revogação da prisão temporária deste político tão honesto. Velloso foi quem soltou a pérola de que ficara imaginando “o sofrimento de um pai preso junto com um filho”, e que “isso o havia sensibilizado”.

Vivas aos nossos guardiões da Constituição! Viva o candidato Nelson Jobim!

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1 Comment

  1. Jamila

    É simplesmente humilhante ter que engolir a candidatura desse mentecapto!!!! Às vezes eu penso em largar tudo e sumir desse Brasil. Dá um desânimo muito grande esse tipo de informação aí…Existirá salvação para essa nação que se preocupa mais com Carnaval, futebol e mulher pelada do que dignidade, direitos humanos e coerência política?

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