blog do escritor yuri vieira e convidados...

Mês: abril 2006

Eu e o sem-fim

Três

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Yuri sentou-se no chão inexistente, como faz um adolescente. Tornozelos cruzados, o tronco curvado, mãos juntas sobre os pés, antebraços escorados nas coxas. Olhava a porta a distância, a cabeça apontando para baixo, os olhos na direção do reflexo. Olhos outrora cerrados com vigor, agora abertos com descrença. O peito ainda vivo esperava o inesperado.

Não havia tempo na escuridão. Só pensamentos. Refez o caminho do cérebro, contou como pôde quantos deles conseguiu lembrar-se e constatou um tempo imaginário: passaram-se muitos pensamentos.

Os olhos suspensos não piscaram depois que o reflexo opaco tremeu.

Overmundo

Vocês já conheceram o Overmundo?
Para quem não sabe, trata-se de um projeto idealizado pelo antropólogo Hermano Vianna e seus parceiros, com o objetivo de se tornar um canal de divulgação da produção cultural no Brasil e sobretudo de descentralizar as referências culturais do país, concentradas no eixo Rio-São Paulo.
O site é um coletivo virtual, onde qualquer um pode se registrar e publicar conteúdo que é submetido à apreciação e votação de toda a comunidade, ganhando destaque nas páginas principais. É uma proposta muito bacana e sobre a qual todo o mundo está falando.

Disneylândia em Brasília?

Aos poucos algumas humildes “profecias” contidas nos contos do meu primeiro livro (1997) vão se cumprindo: a blindagem das universidades por motivo de segurança, o assassinato de um calouro de medicina, um astronauta brasileiro e, por fim sem ser chinfrim, uma Disneylândia em Brasília. Segundo a revista Isto É, o governo do Distrito Federal ofereceu uma área de 175 hectares aos americanos. Será que essa área engloba o campus da UnB, conforme descrevo em um dos meus contos? Caso afirmativo, estas fotos mostram o que ocorrerá com a minha querida biblioteca da UnB.

A bilioteca hoje:

Biblioteca da UnB

E a Biblioteca da Cinderela após a venda da universidade à Disney:

Biblioteca da Cinderela

Bom, parece que, com uma Disneylândia, Brasília finalmente abraçará sua real vocação: distrair o povo enquanto certos bandidos se escondem na caverna dos piratas…

Libertários, estatistas, Friends, Jivago e Islã

Aaah, então o Daniel também tem crenças absolutas: “o indivíduo é pura ficção”, diz ele, num comentário ao texto do Paulo. A autoconsciência humana e o livre-arbítrio são, portanto, segundo essa perspectiva, desvios virtuais da nossa existência absolutamente animal e coletiva: não temos individualidade, somos meramente a “espécie humana”. Interessante mais essa confissão do nosso amigo, com a qual discordo. Mas ele tem razão em certo aspecto. No estágio em que estamos, sem um fiozinho sequer de Estado, cairíamos mesmo na barbárie, e como prova disso basta uma greve da polícia, que aliás já experimentamos.

Eu, porém, considero o Estado um tipo de gesso sobre o esqueleto fraturado da sociedade.

Google Books

Ao Ronaldo, Pedro, Alex e demais hermanos que estejam se preparando para publicar seus livros, uma dica: o Google Books já está aceitando catalogar e dispor ao público o conteúdo de livros de contribuidores individuais. (Pro Daniel não rola porque ele acha que o indivíduo não existe. Se é que o Daniel já escreveu ou pretende escrever algum livro.) Você pode escolher se quer divulgar todo o livro ou apenas trechos, que serão indexados e poderão ser encontrados pelos possíveis leitores através duma ferramenta de busca específica. (É o “antigo” Google Print do qual já falei.) Não apenas diversas editoras internacionais já sacaram que vale a pena, alguns autores também. Há histórias de gente (brasileira) que começou divulgando apenas na internet – é possível subir o arquivo em PDF – e, com a procura gerada, já publicou e vendeu oito edições em papel do dito cujo carcará sanguinolento. Eu já estou preparando minha revisão final com as ilustrações e capa do Sérvio Túlio Caetano.

Minha pequena confissão

Depois de 14 Estados brasileiros (mais o DF; e 11 parques nacionais), 11 americanos (mais o DC), 3 países sul-americanos, 1 caribenho e 7 europeus (mais o Vaticano), eu troquei a minha mochila por uma mala com rodinhas, que não detona as minhas costas nem amassa todas as roupas. Confesso que estou adorando…

Venezuela em transe (5 vídeos)

Eis o prefeito de Caracas, Juan Barreto, apoiando a desapropriação de edifícios – aquela coisa bem comuna – e dizendo para a repórter que ela não sabe o que é jornalismo (ou seja, puxa-saquismo esquerdista) e que “invasor” é um termo que deve ser usado para designar ricos que precisam de terras para jogar golfe. Termina a entrevista incitando o “pôvo e a póva” contra a jornalista.

Intervalo comercial

“Isso não é nenhuma indireta, hem.”

“Ah, tá, olha só minha cara de crédula…”

A meleca do Berlusconi

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