Di Cavalcanti di Glauber
Assisti a esse curta-metragem do Glauber Rocha pela primeira vez em 1994, quando ainda morava na UnB. (Comentei a respeito noutra entrada.) Dei muita risada então. Fora de brincadeira, acho que é uma das melhores coisas que ele já fez. Sua narrativa é hilariante. (Sem falar que, no cortejo fúnebre do Di Cavalcanti, ele ainda aparece seguindo o caixão, todo discreto. Era o Dr. Jekyll dele. Já o narrador, piradão, é o Mr. Hyde.) Diz ele que, em 1976, estava em casa, coçando, quando ficou sabendo da morte do Di. Passou na casa de alguns amigos para pegar restos de película, chamou o cinegrafista e se mandou pro velório. Deu no que deu. A família pirou a cabeça com o resultado. E proibiu o filme de ser veiculado no Brasil. Isto até hoje.







Bota hilariante nisso, Yuri! Há uma parte inacreditável, de morrer de rir (na voz em off do Glauber), mais ou menos assim: “Extra! Extra! Di Cavalcanti direto do túmulo: ‘Sou um gênio, não me encham o saaaaaacoooooo!!!’”
Está na rede, então é peixe. Eu baixei pelo E-Mule. Agora, o que não consegui encontrar mais foi o maravilhoso “Câncer”, que assisti no Itaú Cultural (Av. Paulista, 149) há anos. Tive vontade (mas não a coragem) de passar a mão na VHS, copiar e devolver. É certamente um dos filmes mais engraçados do Glauber. Mais info sobre o filme aqui: http://www.tempoglauber.com.br/glauber/Filmografia/cancer.htm
Comentário de 22-2-2006 @ 12:39 pm
[...] P.S. de 22Fev2006: O filme já não se encontra no site citado acima, mas pode ser assistido aqui mesmo. Envie por email | Imprima [...]
Pingback de 22-2-2006 @ 5:31 pm
[...] O filme Di é um exemplo disso. Nele, Glauber inverte completamente a relação entre imagem e fala que dá o tom normal dos documentários. Nestes, a fala dá o tom da imagem, fechando um significado para o significante exposto. “O povo se despedia de seu ídolo” sobre imagens de pessoas apoiadas no viaduto vendo o caixão de Ayrton Senna passar. Em Di, ao contrário, fala e imagem não se subordinam, correm em planos paralelos e ampliam os significados uma da outra. Mais ainda, há vários planos de narração se sobrepondo – sua ode e declaração de amizade e admiração pelo pintor, suas leituras de textos sobre ele e de notícias de jornal sobre o escândalo da filmagem do enterro, intervenções bruscas e delirantes de Glauber, etc. Além da trilha sonora inusitada, com, por exemplo, o caixão baixando à sepultura ao som de “Homem Gol”, de Jorge Ben. [...]
Pingback de 24-2-2006 @ 5:13 pm
Opa! Estou escrevendo pra avisar que coloquei o filme no portal do Tempo Glauber para que todo mundo continue fazendo download dele. Se vc puder divulgar, seria uma ótima! Um grande abraço,
João Rocha
Comentário de 23-3-2006 @ 4:09 pm
AHHHHH, o endereço do portal é :
http://www.tempoglauber.com.br
Comentário de 23-3-2006 @ 4:10 pm