19/03/2007

O futuro da Internet

yuri vieira, 11:34 am
Filed under: Imprensa,internet,Second Life,software,tecnologia

Da matéria de capa da revista Época #461, A segunda vida da Internet, assinada por Eduardo Vieira (meu parente?):

“Pode parecer uma brincadeira para alguns, mas tenho a sensação de que estamos diante do futuro da Internet. O Second Life torna possível fazer tudo o que já fazemos na web, mas de uma maneira mais amigável.”

(Sam Palmisano, presidente mundial da IBM)

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“O Second Life é um exemplo de inovação dos programas de interação entre homens e máquinas. A interface em três dimensões é o futuro da internet. Ela vai provocar uma revolução tão grande quanto a própria criação da World Wide Web. (…) Hoje, se eu quiser, posso comprar uma carruagem e dois cavalos. Mas sei que andar de carro é mais eficiente. Quem vive no Second Life tem exatamente essa sensação. De que, no fundo, está um passo à frente dos outros.”

(Theodor Nelson, professor da Universidade de Oxford, criador dos conceitos de hipertexto e hipermídia nos anos 1960.)

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“O Second Life é um mundo em que tudo é possível. E um universo como esse merece dedicação intelectual integral.”

(Henry Jenkins, professor de Estudos de Mídia do MIT)

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“O impacto do Second Life é semelhante ao do videocassete nos anos 80 e ao da web nos 90.”

(Irving Wladawsky-Berger, vice-presidente de Estratégias da IBM.)

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“O Second Life é só o começo de uma onda de realidade virtual que vai inundar nossa vida.”

(Professor Silvio Meira, fundador do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife.)

Em suma, não sou o único a achar a mesma coisa, não sou o único a clicar com tanta insistência no mesmo ícone. Tenho falado isso repetidas vezes, tanto no blog quanto entre amigos, desde Setembro de 2006, quando “nasci” no SL. “O bicho é revolucionário”, escrevi em meu primeiro post sobre o SL. Mas as pessoas se limitam a responder com sorrisinhos, como quem sente peninha de um maluco. É o que dá não ser professor de Oxford, do MIT, presidente da IBM ou coisas assim. Às vezes é preciso lembrar às pessoas que “ter visão” não é algo entranhado com títulos e cargos. Basta abrir os olhos sem preconceitos. O 3D, via internet, já chegou e o SL é o primeiro capítulo dessa nova fase.

Aliás, a reportagem da revista Época é a primeira abordagem brasileira sobre o assunto a não se restringir ao sensacionalismo (“cuidado com o vício!”, “não troque uma realidade por outra!”, “joguinho novo na área!”, etc.) ou àquela visão a là papai-mamãe que observa o filhinho jogar RPG sem ter a menor noção do que se trata. Tanto que há um depoimento bastante bem humorado do jornalista Marcelo Zorzanelli sobre sua experiência com a “segunda vida”, onde ele confessa que “vagabundeou”, trabalhou como segurança de boate, transou e que, se chorou ou se sofreu, o importante é que emoções ele viveu… (Aposto que ele não conseguirá largar mais, hehehe.)

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5 Comments

  1. O Garganta de Fogo » “O papel é uma prisão!” escreveu:

    […] E por falar em ambientes 3D na internet, também merece ser lida a entrevista da revista Época #461 (também por Eduardo Vieira) com Theodor Nelson, criador dos conceitos de hipertexto e hiperlink ainda nos anos 1960, e atualmente professor em Oxford. O mau humor dele para com os ambientes 2D chega a ser engraçado. O cara odeia interfaces que copiam o formato do papel. E diz que seu conceito de hiperlink, esboçado no sistema Xanadu, já previa o uso duma interface tridimensional. Veja este trecho: (…) Época – Seu sistema de hipertexto criado nos anos 60, o Xanadu, não pegou como o padrão para os links da internet. Esse ódio não é um ressentimento pelo fracasso? Nelson – Pode até ser. Eu não me importo. Só acho que poderiam ter feito a web de forma mais inovadora. Tudo é muito copiado. Hoje, as pessoas falam em blogs, wikis, redes sociais online. Não são idéias originais, são coisas de que já se falava nos anos 60. Publicar um diário é a coisa mais velha do mundo. E qual é a diferença entre um blog e um site? O blog rola mais para baixo? A colaboração dos wikis também não é algo novo. A novidade é que alguém o aplicou. E o MySpace? Sinceramente, não entendo o que é aquilo. Acho que preciso me tornar adolescente de novo, ter 50 anos a menos, para saber por que acham aquilo interessante. Entrei no MySpace. E me senti noutro planeta, e saí. As pessoas confundem inovação com o conceito de cópia melhorada. Quando não copiam, acham que inovação é caos. Inovação é ruptura. E nada disso é um rompimento. […]

    Pingback de 19-3-2007 @ 2:29 pm

  2. Hermes escreveu:

    E mais e mais o mundo é de quem tem dinheiro. As idéias se baseiam dentro de um mundo onde a mairoria das pessoas do mundo “externo” não tem acesso. Depois exigem algum tipo de respeito. Falam de ética. Essas frases enojam qualquer ser humano que pratique então a reflexão para obter a ética. Vocês são um bando de almofadinhas mimados. Para a visão de mundo, infelizmente, em cada vão âmago seus, são realmente insignificantes. Não se sacrificam por nada, muito menos por uma melhor geração futura. E será um fardo ler essas fulas palavras… ainda bem que reconheço, não?

    Comentário de 20-3-2007 @ 2:02 pm

  3. Al Fredo escreveu:

    Pra mim a Second Life é uma forma q inventaram de ser o que você nao pode ser na realidade. Seja por deficiencia fisica ou falta de coragem.

    Comentário de 11-5-2007 @ 3:12 pm

  4. Angela escreveu:

    Second Life: mais uma coisinha que inventaram pro pessoal fugir da realidade, a sua e a do mundo. Não tem disposição pra mudar o que está errado na sua vida, então vai lá e cria um mundinho particular, fique com a sensação de que alguma coisa você tem o poder de controlar… Lembra aqueles filmes de ficção científica em que todo mundo fica dopado, embotado, robotizado…

    Comentário de 14-5-2007 @ 2:53 pm

  5. yuri vieira escreveu:

    O Hermes, claro, foi hermético e não entendi de onde ele partiu e onde pretendeu chegar. (Será que comentou no post correto?) Mas vou pegar o mote. A relação Second Life/dinheiro é bem interessante. No começo, tudo o que se criasse no SL poderia ser copiado por outras pessoas, num, digamos, comunismo total. E era exatamente por isso que o sistema não ia pra frente, afinal, ter suas criações passadas adiante sem receber nada em troca é bem pouco estimulante. E foi então que um advogado deu ao criador do programa a idéia de conceder a “propriedade intelectual” do que se produzisse no SL aos usuários. Sucesso total. O crescimento do mundo virtual finalmente tornou-se vertiginoso, e não porque ele é “só pra quem tem dinheiro”, mas porque agora quem possui criatividade e capacidade empreendedora pode ganhar dinheiro ali dentro, tal como a arquiteta chinesa que, em poucos meses, faturou mais de um milhão de dólares. Tem de ser muito idiota – para não dizer “esquerdinha ressentido” – pra achar que isso é pura brincadeirinha de gente rica. Mais idiota ainda quem achar que a chinesa não usa esse dinheiro no mundo real…

    Já o papo do Al Fredo, pelo amor de Deus. As pessoas continuam analisando o SL como se fosse uma Matrix: “ah, esse mundo real não presta, vou ser feliz no virtual”. Claro que muita gente pode vir a usar o sistema como um tipo de fuga. Mas qualquer coisa criada pelo homem pode ser uma fuga, seja um livro (vide o que os demais personagens pensavam de Don Quijote), seja a televisão, um carro, um game, uma bola, qualquer coisa. Agora, dizer que essa característica é inerente ao objeto em questão é coisa de gente primitiva que ainda vê um poder mágico nas coisas. É o ser humano quem dá o sentido aos instrumentos, ferramentas e objetos que utiliza. Eu participei de palestras e debates sobre literatura, filosofia, política, etc. no SL. Cheguei a trocar uma idéia com o editor da Penguim Books, de Londres. Há professores dando aulas de vários assuntos diferentes lá. Meu inglês tem melhorado bastante, meu espanhol anda melhor do que nunca e até andei ensaiando umas conversas em francês. Que eu saiba, medo é negar a priori a experiência daquilo que é novo. Logo, quem é o covarde aqui? Quanto à deficiência física, se o Al Fredo é capaz de voar sem asas e de se teletransportar daqui até um local onde só falam chinês ou japonês, bem, ele é o único ser humano sem essas deficiências físicas em todo o planeta, as únicas deficiências que o SL realmente pode remediar.

    Qto à Ângela, as mesmas bobagens. Nem precisava repetir: só quem procura onirismo encontra onirismo no SL. Quem procura pessoas com identidades reais para se relacionar certamente as encontrará. Basta ver meus outros posts para se certificar disso. Se vc tem medo de restringir seu mundo ainda mais, então o problema é seu. Fique assistindo à sua novela em casa.

    Enfim, para cada passo que o ser humano dá adiante há vários braços que surgem tentando agarrá-lo e puxá-lo para trás. É tão difícil perceber que essas críticas podem ser feitas ao telefone, à televisão, ao rádio e à própria Internet? O segredo reside no uso. É simples assim. Será que vocês não têm inteligência e força de vontade suficientes para não se deixar dominar pela tecnologia? Há perigos e tentações em tudo, sempre há riscos. Mas é possível encontrar o modo certo de se lidar com essas mídias. Basta não ter medo e/ou preguiça de experimentá-las.
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    Comentário de 14-5-2007 @ 6:53 pm

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