blog do escritor yuri vieira e convidados...

Autor: yuri vieira Page 86 of 107

A língua

Como já disse dias atrás, tenho me debruçado, aqui em São Paulo, sobre a obra de dois grandes escritores: Rubem Braga e Monteiro Lobato. Este leio quando na casa do Dante e da Joana, aquele quando no apê do Rodrigo Fiume. Tanto como Lobato, Rubem Braga também tem altos causos, alguns muito engraçados. Veja este, intitulado A língua:

“Conta-me Cláudio Mello e Souza. Estando em um café de Lisboa a conversar com dois amigos brasileiros, foram eles interrompidos pelo garçom, que perguntou, intrigado: – Que raio de língua é essa que estão aí a falar, que eu percebo tudo?”

Monteiro Lobato contra os impostos

Ouça agora, em meu podcast, uma crônica do escritor Monteiro LobatoNovo Gulliver – na qual ele discorre, de modo atualíssimo, sobre o sanguessuga que é o Estado brasileiro…

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Jogo dos 3 erros

A Carol tem razão. É difícil encontrar os erros nesse jogo clássico. A única saída é aumentar o volume e aguardar as dicas sonoras, que podem vir do vento, do motor do barco, etc. Realmente interessante.

Governo Brasileiro (cuspe!)

Depois de ter sido preso pelo “crime de sinceridade” – escreveu uma carta esperançosa ao Getúlio Vargas cheia de conselhos e reclamações contra o Conselho Nacional de Petróleo -, Monteiro Lobato finalmente perdeu as esperanças para com o futuro do Brasil sob tão terrível governo. Já nos anos 1920 falava dos “trinta governos militares” que sobrevinham um após o outro desde 1889 e do perene estado de sítio que o Brasil vivia. Falava dos impostos absurdos que sangravam a indústria, o comércio, sua editora e matava o produto brasileiro que se via assim impedido de competir com os produtos estrangeiros. (Um livro português era mais barato que um livro em branco feito no Brasil.) Ficou horrorizado quando o Poço Lobato, na Bahia, primeiro jorro de petróleo em terras brasileiras, foi fechado pelo governo – o qual aliás havia declarado que naquela região não havia hidrocarbonetos – e, em seguida, enfeitado com um obelisco e os dizeres: “O Primeiro Campo Onde Jorrou Petróleo no Brasil – Organização do Conselho Nacional do Petróleo no Governo do Dr. Getúlio Vargas”. Ao acusar o roubo estatal, foi preso. Mais tarde, descobriu que a Standard Oil Company, dos Rockefeller, já mapeara todas as áreas petrolíferas do país, isso desde o início do século, e por isso comprava políticos para manter o monopólio. Enquanto nos EUA eram abertos poços de petróleo particulares numa taxa de 20.000 ao ano – desde meados do século XIX – no Brasil, o primeiro poço era então tomado pelo governo, e os demais impedidos de funcionar por contradições legais: enquanto uma lei do famigerado Conselho proibia estrangeiros de participar como acionistas das companhias petrolíferas nacionais, um artigo da constituição proibia os diretores de empresa de excluir sócios devido à sua nacionalidade… Logo, a burocracia travou a livre iniciativa. (Não é à toa que o corolário de todo esse processo, a Petrobrás, seja aquilo que é – uma financiadora de politiqueiros malandros.)

Em 1932, quando os paulistas tentaram se livrar da opressão do governo federal, a cidade de São Paulo foi bombardeada por tropas legalistas. Segundo Lobato, morreram mais civis e foram destruídas mais casas em São Paulo, durante esse bombardeio, do que em Paris, na Primeira Guerra, que recebeu canhonaços alemães. Dizia o telegrama presidencial: “S.Paulo desrespeitou o princípio da minha autoridade; que S.Paulo deixe de existir”. Não fosse o milionário Macedo Soares – hoje nome do trecho que une a Marginal Tietê à Marginal Pinheiros – e os paulistas teriam perecido de fome, frio e sede. Soares bancou tudo, comida, água, cobertores, roupas, abrigos para os feridos e desalojados.

No artigo Os tratados com a Bolívia, Lobato finalmente desabafa e joga a toalha:

Chega. Não quero nunca mais tocar neste assunto de petróleo. Amargurou-me doze anos de vida, levou-me à cadeia – mas isso não foi o peor. O peor foi a incoercível sensação de repugnância que desde então passei a sentir sempre que leio ou ouço a expressão Governo Brasileiro

Mona

Hoje foi um daqueles dias em que acordei botando fogo pelas ventas, com ódio amargo contra toda a humanidade, o que evidentemente inclui a mim mesmo, já que também eu faço parte dessa malta fedida. Na cama, quando me deparei comigo, só de raiva, quase me mordi. Cara chato que não larga do meu pé interior… Pois é, assim fui passando o dia. E olha que nem estou na minha casa, mas na de amigos. Eu e o Jorge Recóndito, o desgraçado, meu Mister Hyde particular. Logo de cara, já fui implicando – por dentro, por dentro, discreto, sem fazer propaganda – com a babá desses meus amigos, que não pára de falar, o volume no máximo, sempre a distrair o nenê, que se chama Luca, mas que ela evangelicamente trata por Lucas. Às vezes vem me dar recados do dia anterior, mas cada informação que me passa todo o quarteirão registra. Só fala em caixa alta: SEU YURI, ONTEM, QUANDO O SENHOR NÃO TAVA AQUI, LIGOU UM AMIGO SEU… Talvez o bebê goste disso. Eu não. Hoje respondi pequenininho, uma carranca horrorosa: tá, tá… Talvez a tenha assustado. Em sua santa ingenuidade de babá infantilizada, talvez não imaginasse que um cara TÃO LEGAL, TÃO GENTE BOA, TÃO GENTLEMAN (puts, ela jamais diria isto), enfim, TÃO BACANA fosse capaz de semelhante esgar, de tão feia careta.

Apelativos…

Meus amigos Paulo Paiva, Rodrigo Fiume e Daniel Christino andaram comparando o número de visitas que meu site tem por dia com o deles e começaram a apelar em termos de publicidade. Veja só como o Daniel, o Paulo e o Rodrigo estão divulgando seus blogs…

Lobato se despede

“Adeus, Rangel! Nossa viagem a dois está chegando perto do fim. Continuaremos no Além? Tenho planos logo que lá chegar, de contratar o Chico Xavier para psicógrafo particular, só meu – e a 1ª comunicação vai ser dirigida a você. Quero remover todas as tuas dúvidas.
Do Lobato.”

Este é o último parágrafo da última carta escrita por Monteiro Lobato – duas semanas antes de morrer – a seu amigo Godofredo Rangel, com quem se correspondeu por mais de quarenta anos. Tais cartas se encontram nos dois tomos de A Barca de Gleyre. Segundo li por aí, Lobato “realmente” se comunicou com Rangel através de Chico Xavier. Infelizmente a morte fez com que se esquecesse da palavra código que haviam combinado…

Homem X Árvore

Não, não se trata de ecologismos. Os nerds inventaram um jogo onde seu oponente é controlado por uma planta qualquer conectada ao PC. Que nerda!

Mais Monteiro Lobato

Nos últimos dois meses já li “Miscelânea”, “America”, “Na antevéspera”, “Onda verde”, “Mundo da Lua”, “Prefácios e entrevistas”, “Problema vital”, “A barca de Gleyre” e “Idéias de Jeca Tatu”, todos do Monteiro Lobato, uma verdadeira overdose de leitura, livro sobre livro, algo que costumo fazer sempre que me apaixono pelas palavras dum escritor. E já fazia tempo que não me apaixonava literariamente. Todos esses títulos fazem parte da “obra para adultos” do José Renato – ele passou a assinar José Bento apenas para usar a bengala do avô, cujo castão trazia as iniciais JBML. E estou chocado: o cara é certamente o maior escritor da primeira metade do século XX e só falam nele como se fosse “apenas” o pai da Emília. O cara foi um gênio incansável, um visionário, e metia o bedelho em tudo: política, economia, indústria, ciência, comércio, filosofia, artes, literatura, etc. e isso não apenas pela palavra como também pela ação, tendo lançado a primeira grande editora do país, procurado petróleo e estimulado a mineração de ferro, a construção de estradas e o saneamento. Perto dele, a obra do Mário de Andrade é uma sujeirinha sob a unha do dedão do pé da cultura local. E olha que a li quase toda, a obra do Mário, isto é, seus dois únicos romances: Macunaíma e Amar, verbo intransitivo.

Avestruz Master

Pois é, bem que o tal investidor de Wall Street, que conheci na Chapada dos Veadeiros, tinha razão: era pirâmide…

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