“A vaidade está de tal forma arraigada no coração do homem que um soldado, um criado, um cozinheiro, um malandro, se gaba e pode ter seus admiradores; e os próprios filósofos pretendem o mesmo. E os que escrevem contra isso querem a glória de escrever bem, e os que os lêem querem ter a glória de os ter lido; e eu, que escrevo isto, talvez tenha essa vontade, e talvez os que me lerem…”
Pascal
Autor: yuri vieira Page 97 of 107
Esse Pat Robertson, o pastor gringo, é mesmo um trapalhão. Tudo bem, o Hugo Chaves é um pé-no-saco e merecia umas férias bem longas numa prisão, mas, puts, pregar a eliminação do cara não condiz senão com um negativo do Bin Laden. (Cópia em negativo porque Binzinho e Huguinho devem ser muy amigos e, por isso, se Patinho fosse uma cópia exata, certamente defenderia o protoditador venezuelano.) Mas o mais louco que ouvi sobre o tal pastor foi sua teoria de que a acentuada ocorrência de furacões no sudeste dos EUA não é senão um castigo divino devido à grande quantidade de homossexuais na região. (!) Pode? Se ele fosse mais “esperto”, teria organizado e financiado uma Parada Gay na Venezuela, bem juntinho do palácio do governo do señor Chaves. O Deus das Batalhas em que acredita daria conta do resto.
“Os mesmos artistas que não vacilam um segundo sequer em culpar George W. Bush por qualquer espirro dado por um soldado americano a dezenas de milhares de quilômetros da Casa Branca têm se mostrado extremamente cuidadosos quando o assunto é prever as relações entre o nosso presidente e a realidade que o cerca, incluindo-se aí o esquema político-eleitoral-financeiro que o conduziu ao poder e o manteve governando até agora. Muitos desses artistas são os mesmos que, por bem menos, esperneavam pelo impeachment de Collor ou de Celso Pitta. São figurinhas carimbadas da bravataria nacional.
“Artistas engajados sabem, enfim, onde, quando e em quem bater, embora se importem bem menos com os porquês fundamentais. Na crise atual, têm adotado um comportamento contraditório: ao mesmo tempo em que condenam a corrupção, fecham os olhos para os corruptos, com medo de enxergarem alguém conhecido. Alguns se dizem decepcionados, outros botam a culpa no “sistema político” (como se este fosse o mesmo que o clima, como se não fosse resultado direto da ação dos homens), na administração anterior, ou simplesmente se calam. Poucos parecem ter coragem de vestir carapuças.”
(Daniel Sant’Anna, no Mídia Sem Máscara.)
Vale a pena ler o restante do artigo, que comenta mais especificamente o comportamento de alguns artistas e veículos, digamos, mudernos.
«A todos os meus melhores alunos de graduação eu digo para não cursarem pós-graduação. Façam qualquer outra coisa, garantam a sobrevivência do jeito que for, mas não como professores universitários. Sintam-se livres para estudar literatura por conta própria, para ler e escrever sozinhos, porque a próxima geração de bons leitores e críticos terá de vir de fora da universidade.»
Harold Bloom
Estão ambos sentados à mesa. Ele lê o jornal, ela, uma revista.
Ela: “Nossa! Você viu que eles vão clonar o Bandido?”
Ele(surpreso): “Clonar o Lula?!!”
Ela(rindo): “Não, bobo, o Bandido, aquele boi da novela…”
Ele(aliviado): “Pô, que susto você me deu!”
“Tudo pode mudar em nosso mundo desmoralizado exceto o coração, o amor do homem e seu empenho em conhecer o divino. A pintura, como toda a poesia, tem uma parte no divino; as pessoas sentem isso hoje, do mesmo modo que costumavam sentir outrora. Que pobreza cercou minha infância, que provações experimentou meu pai, com seus nove filhos! E, no entanto, ele estava sempre cheio de amor e, à sua maneira, era um poeta.
Foi através dele que pressenti, pela primeira vez, a existência de poesia neste mundo. Depois senti-a durante as noites quando contemplava o céu escuro. Aprendi então que também existia um outro mundo. Isso fez brotar lágrimas em meus olhos, tão profunda foi a comoção que se apossou de mim.”
Marc Chagall
“Sempre acreditei que toda versão de um conto é melhor que a anterior. Como saber então qual deve ser a última? É um segredo do ofício que não obedece às leis da inteligência mas à magia dos instintos, como a cozinheira que sabe quando a sopa está no ponto.”
Gabriel García Márquez
“Em junho, achavam Lula ruim ou péssimo 22% dos entrevistados pelo Ibope; variou, dentro da margem, para 24% em julho e cresceu para 31%. Lula fez o chamado “x negativo”, vale dizer: o número dos que o acham ruim ou péssimo (31%) está acima daqueles que o vêem como bom ou ótimo (29%). Seu saldo, pois, é 2 pontos negativos. Em julho, ainda tinha 13 positivos. Uma variação de 15 pontos em três meses. Pesquisólogos afirmam que, quando se faz este “x”, a personalidade pública já não pode comparecer espontaneamente à rua sem risco de ser vaiada. É por isso que Lula só comparece agora a eventos rigorosamente controlados.”
Reinaldo Azevedo, no Primeira Leitura
Pensei que o tal protesto virtual já estava chegando lá, em Brasília. Mas ainda falta muiiiita gente.


“Tudo pode mudar em nosso mundo desmoralizado exceto o coração, o amor do homem e seu empenho em conhecer o divino. A pintura, como toda a poesia, tem uma parte no divino; as pessoas sentem isso hoje, do mesmo modo que costumavam sentir outrora. Que pobreza cercou minha infância, que provações experimentou meu pai, com seus nove filhos! E, no entanto, ele estava sempre cheio de amor e, à sua maneira, era um poeta.
Foi através dele que pressenti, pela primeira vez, a existência de poesia neste mundo. Depois senti-a durante as noites quando contemplava o céu escuro. Aprendi então que também existia um outro mundo. Isso fez brotar lágrimas em meus olhos, tão profunda foi a comoção que se apossou de mim.”