Esta é pelo aniversário do meu bróder, o fotógrafo Dante Cruz.
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Outro beija-flor na Cidade de Goiás
Beija-flor na Cidade de Goiás
Embarque no Aeroporto de Congonhas, em SP
Karina, minha irmã, apareceu por aqui com o DVD do show-tributo ao George Harrison – Concert for George – no Royal Albert Hall em Londres. Não vou nem falar das bandas que aparecem na segunda parte ou das intervenções do Monty Python durante o intervalo. Quem me enlouqueceu foi a filha do Ravi Shankar, Anoushka Shankar, que além de ser uma sitarista maravilhosa, ainda foi a regente da orquestra indiana ali presente. Foi simplesmente incrível com que graça e delicadeza ela, sem parar de reger, silenciou a platéia que teimou em aplaudir antes do final da peça. A garota é linda. Se vc tiver o celular dela, o MSN, qualquer coisa, por favor… 🙂
Io non sono intelligente. Sono sveglia!
(Eu não sou inteligente. Sou esperta!)
Monica Vitti, para Marcello Mastroiani, em La Notte (1961)
Marcelo era ateu, mas de um ateísmo singular, que não vinha do seu professor de história, nem do seu psicanalista. Vinha de sua avó. A velha era católica demais, ia sempre à missa, falava dos santos e do Juízo Final. Por isso todos ficaram revoltados quando apareceu o tumor.
— Logo ela, que tem tanta fé! Por que Deus faz uma coisa dessas?!?
O rapaz estava entrando na adolescência, e queria compreender a contradição. Se Deus existia, por que deixava sofrer os que criam nele? Seu pai não soube responder:
— Essas coisas transcendem o entendimento, meu filho.
Mas o jovem estava angustiado. Queria se livrar logo da contradição. Resolveu dar a Deus um ultimato:
— Cure minha avó, e acreditarei em Você!
A velha morreu no dia seguinte, logo depois de deixar um bilhete aos netos:
Meus queridos, não esqueçam suas orações.
Todos se comoveram, menos Marcelo, que a essa altura já tinha cedido à descrença total.
— Pobre velha. Morreu com sua ilusão.
— Não diga isso, meu filho!
Por dentro, todos pensavam como ele, mas em público preferiam passar como crentes.
♣
Veio o vestibular, vieram o primeiro carro e a primeira namorada. Marcelo agora acreditava na ciência e nas leis impessoais que regiam o universo. Deus era a ilusão de que os desafortunados precisavam para levar a vida. Ele vivia por outros motivos: as mulheres, por exemplo. Eram gostosas de beijar, de tocar, e cediam facilmente quando estavam bêbadas. Era uma lei da ciência: mulher + álcool + carro = sexo = prazer. Ele só não entendia era por que elas eram tão pegajosas, por que faziam tanta questão da fidelidade. Era mais uma coisa que transcendia seu entendimento. Assim como a rápida ascensão do islamismo no seu país. Marcelo continuava achando que religião não passava de ignorância.
— Essa gente precisa de ilusões cada vez piores… Que tristeza!
Mas, quando soube que os muçulmanos eram polígamos, a idéia imediatamente lhe agradou.
Minhas irmãs me disseram que ela está com os cabelos sujos. Alguém se importa?
Esta foto é pro Paulo, que curte uma fricção, digo, uma ficção científica…
A produção é do Tarantino e da Lucy Liu: