blog do escritor yuri vieira e convidados...

Categoria: Política Page 57 of 83

Impostômetro

No site do Impostômetro, descubra quanto cada um de nós, brasileiros, vem pagando para sustentar essa classe de parasitas que cresce em ritmo galopante, esse sem número de burocratas, políticos e funcionários públicos. (Se vc se encaixa numa dessas espécies, e por acaso se sente útil, não precisa se irritar comigo, não é? Afinal, conhece essa realidade melhor do que eu e sabe muito bem que gente verminosa é essa.) Pois é, com o Impostômetro vc pode descobrir quanto se paga em cada estado e qual o valor exato da sua própria “contribuição”.

Engano chinês

E o governo chinês continua com sua tentativa inútil de barrar o avanço da liberdade. Quando a palavra correta se difundir por meio dessas novas tecnologias, adeus totalitarismo…

Cadê o Roberto Jefferson?

Está aqui, na Folha de SP, declarando-se a favor do impeachment do “homem inocente” e da dissolução do Congresso Nacional:

“O ‘seu’ Lula tinha de ser impichado, e ter eleições gerais agora em Janeiro. Aí, o que faz o Congresso? Uma jogada para a opinião pública, um jogo para a galera. E o próprio governo corroborou, pois o Zé Dirceu era doente terminal.”

(Alguém discorda?) E ele também explicita algo que muita gente pensou: não fosse a tal bengalada daquele escritor na fuça do José Dirceu e um maior número de deputados o teria apoiado. Esse Congresso é mais impressionável do que se imagina.

USP, MSTe os Doutores Jecas

Depois de ler a notícia no site da Universia Brasil (USP estuda criar graduação para o MST) e o artigo do Olavo, fiquei pensando: será que por ser herdeiro dumas terrinhas no centro-oeste poderei entrar nesse curso “voltado para o campo”? Afinal, ainda há uma tal democracia, não é? E eu já passei em seis vestibulares… Não, concluí em seguida, infelizmente não sou coletivista e analfabeto o suficiente. Sim, analfabeto, porque essa gente pretende fazer apenas provas orais durante o curso, já que não dominam muito bem a linguagem escrita… Analfabetismo doutoral, diz o Olavo. É por essas e outras que minha ojeriza pela universidade aumenta cada dia mais.

O Presidente Jeca Lula Molusco Calça Quadrada e Tatu

Cássia Queiroz – my ex, atual maninha – me conta que seu pai teve uma fazenda enorme no Pará. Seu vizinho mais próximo morava a apenas 100Km de distância, um pulinho. (Coitado do entregador de jornal.) Quando criança, Cássia ganhou do seu pai um bichinho que toda criança sadia adoraria ter: um tatu. Toda imaginosa, a doce e sapeca menininha loira – sim, ela já foi loira – amarrava uma corda de sisal numa das patas traseiras do semovente e, cheia de maquiavelismo infantil, deixava o pobre cavar, cavar, cavar até sumir-se em seu buraco de terra fresquinha. Ao notar que só lhe restava uma pontinha de sisal nas mãos, Cássia metia-se a içar o iludido animal de volta à tona. Felizmente aquela vivência do mito de Sísifo não se agitaria senão numa mente autoconsciente, coisa totalmente alheia a um tatu, cujo sofrimento se resumia à mera linguinha dependurada pelo esforço vão e a seus olhinhos arregalados pelo instinto de sobrevivência. Mas isso não significa que seja fácil ser um animal irracional…

Cabrera Infante e Fidel Castro

O Alex Cojorian me enviou o link dessa entrevista com o escritor cubano Guillermo Cabrera Infante, na qual há um comentário que justifica os três milhões de dólares que Lula ganhou de Fidel:

GMN: Entre suas admirações, alguém lhe decepcionou quando visto pessoalmente ?

Cabrera Infante: “Uma das pessoas com quem tive uma enorme decepção depois de vê-lo pela televisão e pelos jornais foi Fidel Castro. Tivemos contato íntimo. Em abril de 59, fomos a Washington, Nova Iorque, Montreal e ao Brasil, antes de seguirmos para Montevideu e Buenos Aires. A intimidade de estar num avião para apenas vinte pessoas em companhia de Fidel Castro durante tantos dias me convenceu de que aquele indivíduo era um horror. Era um avião de hélice. Em direção ao Rio, o avião baixou para que víssemos a floresta amazônica. O piloto disse : “Comandante, estamos voando sobre a floresta!”. Eu estava sentado no banco logo atrás de Fidel Castro. O que foi que aconteceu? Fidel ficou olhando a floresta não sei por quanto tempo. De repente, disse : “Que grande país!”. Eu pensava que era admiração pelo Brasil. Mas ele disse: “Aqui é que deveríamos ter feito a nossa Revolução!”. Neste momento, entendi que Cuba era pequena para ele. Fidel se achava um lider tão grande que necessitava de um continente, não de uma ilha…”

GMN: Se, num acaso digno de uma das páginas de Garcia Marquez, o senhor se encontrasse com Fidel Castro hoje, num saguão de aeroporto, o que é que o senhor diria a ele ?

Cabrera Infante: “Eu só diria uma frase : ‘Você não acha que já chega?'”.

(Fonte: http://www.geneton.com.br)

Monteiro Lobato contra os impostos

Ouça agora, em meu podcast, uma crônica do escritor Monteiro LobatoNovo Gulliver – na qual ele discorre, de modo atualíssimo, sobre o sanguessuga que é o Estado brasileiro…

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  • [audio:http://karaloka.net/audio/audio/lobato1.mp3]

Governo Brasileiro (cuspe!)

Depois de ter sido preso pelo “crime de sinceridade” – escreveu uma carta esperançosa ao Getúlio Vargas cheia de conselhos e reclamações contra o Conselho Nacional de Petróleo -, Monteiro Lobato finalmente perdeu as esperanças para com o futuro do Brasil sob tão terrível governo. Já nos anos 1920 falava dos “trinta governos militares” que sobrevinham um após o outro desde 1889 e do perene estado de sítio que o Brasil vivia. Falava dos impostos absurdos que sangravam a indústria, o comércio, sua editora e matava o produto brasileiro que se via assim impedido de competir com os produtos estrangeiros. (Um livro português era mais barato que um livro em branco feito no Brasil.) Ficou horrorizado quando o Poço Lobato, na Bahia, primeiro jorro de petróleo em terras brasileiras, foi fechado pelo governo – o qual aliás havia declarado que naquela região não havia hidrocarbonetos – e, em seguida, enfeitado com um obelisco e os dizeres: “O Primeiro Campo Onde Jorrou Petróleo no Brasil – Organização do Conselho Nacional do Petróleo no Governo do Dr. Getúlio Vargas”. Ao acusar o roubo estatal, foi preso. Mais tarde, descobriu que a Standard Oil Company, dos Rockefeller, já mapeara todas as áreas petrolíferas do país, isso desde o início do século, e por isso comprava políticos para manter o monopólio. Enquanto nos EUA eram abertos poços de petróleo particulares numa taxa de 20.000 ao ano – desde meados do século XIX – no Brasil, o primeiro poço era então tomado pelo governo, e os demais impedidos de funcionar por contradições legais: enquanto uma lei do famigerado Conselho proibia estrangeiros de participar como acionistas das companhias petrolíferas nacionais, um artigo da constituição proibia os diretores de empresa de excluir sócios devido à sua nacionalidade… Logo, a burocracia travou a livre iniciativa. (Não é à toa que o corolário de todo esse processo, a Petrobrás, seja aquilo que é – uma financiadora de politiqueiros malandros.)

Em 1932, quando os paulistas tentaram se livrar da opressão do governo federal, a cidade de São Paulo foi bombardeada por tropas legalistas. Segundo Lobato, morreram mais civis e foram destruídas mais casas em São Paulo, durante esse bombardeio, do que em Paris, na Primeira Guerra, que recebeu canhonaços alemães. Dizia o telegrama presidencial: “S.Paulo desrespeitou o princípio da minha autoridade; que S.Paulo deixe de existir”. Não fosse o milionário Macedo Soares – hoje nome do trecho que une a Marginal Tietê à Marginal Pinheiros – e os paulistas teriam perecido de fome, frio e sede. Soares bancou tudo, comida, água, cobertores, roupas, abrigos para os feridos e desalojados.

No artigo Os tratados com a Bolívia, Lobato finalmente desabafa e joga a toalha:

Chega. Não quero nunca mais tocar neste assunto de petróleo. Amargurou-me doze anos de vida, levou-me à cadeia – mas isso não foi o peor. O peor foi a incoercível sensação de repugnância que desde então passei a sentir sempre que leio ou ouço a expressão Governo Brasileiro

Interpenetração literária

No artigo Amigos do Brasil (Na Antevespera, pág. 164), escreveu Monteiro Lobato (com sua grafia própria, sem acentos “inúteis” e etc.):

“A interpenetração literaria é o que há de mais proficuo na aproximação dos povos. Só ela suprime as muralhas que a estupidez dos governos ergue. Só ela demonstra que somos todos irmãos no mundo, com as mesmas visceras, os mesmos defeitos, os mesmos ideais. Se a França tornou-se amada entre nós a ponto de bombardear Damasco e esmagar Abd-el-Krim sem que isso nos arrepie as fibras de indignação, deve-o aos senhores Perrault, La Fontaine, Hugo, Maupassant, Taine, Anatole e quantos mais nos trouxeram para aqui esta sensação da irmandade do homem. Se a Alemanha não se gosou de identicas simpatias é que viamos os atos de violencia dos seus homens de governo e não havia dentro de nós, para atenuar-lhes a repercussão, o coxim de veludo da literatura alemã, bem absorvida como temos a francesa. (…) Os morcegos passam e os livros ficam.”

Homenagem ao José Mojica Marins

Uma notícia para o dia de Finados: acabo de falar ao telefone com a Neide – escudeira do José Mojica Marins – e ela me disse que ambos estão viajando esta semana para Brasília, onde o “Zé do Caixão” receberá a medalha de Honra ao Mérito Cultural das mãos do nada honorável Lula. (O “nada honorável” é meu, não dela ou do Mojica.) O fato é que o Mojica merece, já estava passando da hora de ser reconhecido oficialmente. (Se é que isto tem lá alguma importância…)

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