blog do escritor yuri vieira e convidados...

Categoria: Política Page 60 of 83

Homem-bomba-flor


Cada vez que vejo uma dessas notícias de “homem-bomba mata não sei quantos”, fico impressionado com a intensidade da piração desses caras. Essa perversão da fé religiosa é pior do que o “se Deus não existe, tudo é permitido” do Ivan Karamazov. É como se eles estivessem dizendo: “Deus existe e foi Ele quem mandou”. Isso é o que dá quando não se faz upgrade num sistema operacional. Jesus fez uma atualização incrível no sistema judáico – “amai a vosso inimigo” – mas essa turma islâmica ainda vive baseada num tipo de COBOL ou Fortran que se recusa a qualquer alteração. Essa confa toda ainda vai dar muito pano pra manga nesse século.

Mas o que eu queria mesmo dizer é o seguinte: se eu fosse artista plástico ou ator, elaboraria um happening cujo título seria “O Homem-bomba-flor”. Colocaria alguém me filmando de longe e entraria – num país islâmico, de preferência – num espaço público qualquer (ônibus, restaurante, feira, etc.) e dispararia uma bomba de ar comprimido que faria um grande estrondo, atirando flores e pétalas para todos os lados. Tudo obviamente coroado por alguns passos de dança à la Gene Kelly e por uma canção do “rei”: “Todos estão surdos”. Seria um upgrade daquela hipponga que colocou uma flor na arma do policial e uma “vingança” ocidental contra a turma da jihad. Claro, seria um risco enorme fazer isso num país muçulmano. Mas, por outro lado, o que seria da arte sem a ousadia?
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P.S.: Hoje, 31/08, várias pessoas – mais de 1000 (!) – morreram pisoteadas em Bagdá. Tudo porque entraram em pânico ao ouvir um boato sobre a suposta aproximação de um homem-bomba. A paranóia chegou ao máximo. Logo, esse happening pode ser muito mais eficaz para matar gente do que um homem-bomba real. Enfim, vou cancelar minha passagem pro Iraque. Protestozinhos de paz e amor só convencem hippies mesmo. O buraco é mais embaixo.

Provas

“Meu Deus, quando uma pessoa confessa, que prova há mais?”
(FHC, sobre Lula e petistas dizerem que “não há provas” da existência do mensalão. Citado por Cláudio Humberto.)

EU NÃO VOU MAIS SUPORTAR ISSO!!!

Cada dia a mais com o Lula ainda no poder, com o José Dirceu à solta e com no mínimo (minimozinho) 100 deputados ainda sem serem cassados não é nada mais, nada menos que a confirmação calcada e recalcada da famosa frase de De Gaulle (encore lui): “O Brasil não é um país sério”. Que talvez equivalha a: “O Brasil é um país de palhaços”. Ou ainda, segundo a turma do Casseta & Planeta: “Ê, povinho bunda!” Não fosse nossa absoluta indolência, seria este o momento propício para quebrar a maldição. Contudo, se o buraco é muito mais embaixo — no cu da alma de cada um –, e por isso trata-se dum problema que levará anos para se resolver, poderíamos ao menos fazer como naquele filme do qual não me lembro o nome: a certa hora, todos colocaríamos a cabeça para fora da janela de nossas casas, sairíamos ao quintal ou à rua e gritaríamos “EU NÃO VOU MAIS SUPORTAR ISSO!!!”. E repetiríamos o grito até acabar o fôlego. Já imaginou que contagiante e espantoso meio mundo gritando isso ao mesmo tempo? Acho que seria o maior flashmob do mundo e o efeito poderia até resgatar uma veleidadezinha de confiança nesse país. Mas o 7 de Setembro tá muito em cima e, em 15 de Novembro, já estarão todos com a barriga entupida de pizza. Parece que o brasileiro típico só sabe gritar “gol” — e apenas durante a copa.

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Atualização de 23/06/2013: E finalmente aconteceu. (Antes tarde do que nunca.)

Uma pinóia

“Em artigo publicado no Globo do dia 21, Miriam Leitão reconhece que ‘houve falha generalizada no sistema de acompanhamento do que se passa no país. Um dos culpados é a própria imprensa… Não vimos que o dinheiro era farto demais no PT para ser de boa fonte’.

“A admissão da verdade, mesmo tardia, pode ser um mérito, contanto que não venha acompanhada de novas mentiras incumbidas de embelezar os erros confessados, dispensando o pecador de tentar corrigi-los e ainda autorizando-o a cometê-los de novo com consciência tranqüila.

“Miriam começa por mentir no uso do verbo. ‘Não vimos’, uma pinóia. Eu vi tudo, denunciei tudo, expliquei tudo, escrevi artigo em cima de artigo, no próprio Globo , para alertar contra a criminalidade petista.

“A resposta de meus colegas veio sob a forma de silêncio desdenhoso, rotulações pejorativas, boicotes, risinhos cínicos com ar de superioridade, supressão abrupta de minha coluna em três órgãos de mídia.

“O mínimo indispensável de honestidade exige, daquele que admite por fim fatos longamente negados, o reconhecimento ao mérito de quem não foi ouvido quando os proclamou em tempo.

“Esse mínimo está infinitamente acima do que se pode esperar de quase todo o jornalismo brasileiro.”

(Mídia anestésica, por Olavo de Carvalho.)

Pat Robertson e Hugo Chaves

Esse Pat Robertson, o pastor gringo, é mesmo um trapalhão. Tudo bem, o Hugo Chaves é um pé-no-saco e merecia umas férias bem longas numa prisão, mas, puts, pregar a eliminação do cara não condiz senão com um negativo do Bin Laden. (Cópia em negativo porque Binzinho e Huguinho devem ser muy amigos e, por isso, se Patinho fosse uma cópia exata, certamente defenderia o protoditador venezuelano.) Mas o mais louco que ouvi sobre o tal pastor foi sua teoria de que a acentuada ocorrência de furacões no sudeste dos EUA não é senão um castigo divino devido à grande quantidade de homossexuais na região. (!) Pode? Se ele fosse mais “esperto”, teria organizado e financiado uma Parada Gay na Venezuela, bem juntinho do palácio do governo do señor Chaves. O Deus das Batalhas em que acredita daria conta do resto.

Esquerda fashion week

“Os mesmos artistas que não vacilam um segundo sequer em culpar George W. Bush por qualquer espirro dado por um soldado americano a dezenas de milhares de quilômetros da Casa Branca têm se mostrado extremamente cuidadosos quando o assunto é prever as relações entre o nosso presidente e a realidade que o cerca, incluindo-se aí o esquema político-eleitoral-financeiro que o conduziu ao poder e o manteve governando até agora. Muitos desses artistas são os mesmos que, por bem menos, esperneavam pelo impeachment de Collor ou de Celso Pitta. São figurinhas carimbadas da bravataria nacional.

“Artistas engajados sabem, enfim, onde, quando e em quem bater, embora se importem bem menos com os porquês fundamentais. Na crise atual, têm adotado um comportamento contraditório: ao mesmo tempo em que condenam a corrupção, fecham os olhos para os corruptos, com medo de enxergarem alguém conhecido. Alguns se dizem decepcionados, outros botam a culpa no “sistema político” (como se este fosse o mesmo que o clima, como se não fosse resultado direto da ação dos homens), na administração anterior, ou simplesmente se calam. Poucos parecem ter coragem de vestir carapuças.”
(Daniel Sant’Anna, no Mí­dia Sem Máscara.)

Vale a pena ler o restante do artigo, que comenta mais especificamente o comportamento de alguns artistas e veículos, digamos, mudernos.

Bandidos

Estão ambos sentados à mesa. Ele lê o jornal, ela, uma revista.
Ela: “Nossa! Você viu que eles vão clonar o Bandido?”
Ele(surpreso): “Clonar o Lula?!!”
Ela(rindo): “Não, bobo, o Bandido, aquele boi da novela…”
Ele(aliviado): “Pô, que susto você me deu!”

Vaias

“Em junho, achavam Lula ruim ou péssimo 22% dos entrevistados pelo Ibope; variou, dentro da margem, para 24% em julho e cresceu para 31%. Lula fez o chamado “x negativo”, vale dizer: o número dos que o acham ruim ou péssimo (31%) está acima daqueles que o vêem como bom ou ótimo (29%). Seu saldo, pois, é 2 pontos negativos. Em julho, ainda tinha 13 positivos. Uma variação de 15 pontos em três meses. Pesquisólogos afirmam que, quando se faz este “x”, a personalidade pública já não pode comparecer espontaneamente à rua sem risco de ser vaiada. É por isso que Lula só comparece agora a eventos rigorosamente controlados.”
Reinaldo Azevedo, no Primeira Leitura

Passeata virtual

Pensei que o tal protesto virtual já estava chegando lá, em Brasília. Mas ainda falta muiiiita gente.

Era uma ironia…

Na minha crônica Sinhozinho Lula, eu comparei o possível comportamento de Lula ao de Sinhozinho Malta da novela Roque Santeiro. Mas, obviamente, tal analogia não passou de uma ironia: para mim está mais do que claro que Lula, além de saber de todas as safadezas do PT, foi ainda seu verdadeiro mentor. Mas para o empresário lulista Oded Grajew – um desses que ganham a vida fabricando as cordas que irão enforcá-lo – Lula realmente agia como o famigerado coronel de Dias Gomes. Veja o que ele responde, na revista Época desta semana, à pergunta O Lula sabia da corrupção?:

Acho que não sabia. Espero. (…) O Lula tem um estilo que é bem assim. Pode ser bom, pode ser ruim, mas eu via o Lula dizer: “Zé (Dirceu), essa lei é muito importante. Você tem de fazer com que ela passe”. Aí, depois, o Zé dizia: “Passou”. Mas o Lula não perguntava como ele tinha conseguido.

É ou não é exatamente o que escrevi? Palavra por palavra. Agora, cá entre nós, dizer que não sabe se isso é bom ou ruim é de uma falta de vergonha na cara sem limites. Realmente a má consciência é um pré-requisito para se ser um estatólatra.

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