blog do escritor yuri vieira e convidados...

Categoria: Política Page 76 of 83

Papo de índio

Este texto é da Primeira Leitura: “PAPO DE ÍNDIO: a matança foi só um “aviso”, disse o cacique Pio Cinta-Larga, numa ameaça velada de que novas mortes podem acontecer na reserva Roosevelt, em Rondônia. Ele é um dos líderes dos cintas-largas, que promoveram a chacina de 29 garimpeiros, no último dia 7. Deve ser um dos primeiros a depor no inquérito da PF. O chefão já responde a quatro processos por formação de quadrilha e ligações com o tráfico de diamantes. O cacique posa para a foto de arco e flecha, mas é pouco pio em se tratando de hábitos indígenas: sua “oca” é uma amplíssima casa em Cipoal. O presidente da Funai, Mércio Pereira, ao falar sobre as mortes, disse que os índios estavam se defendendo. E como o (ím)Pio se defende bem: tem televisão, DVD, forno de microondas, sala de áudio, piscina, dirige uma caminhonete Mitsubishi L-200 cabine dupla e dispõe de um séquito de seguranças. Ah, é também um dos comandantes do garimpo ilegal na reserva que tem a proteção legal da Funai. Imaginem só: o homem é dono de um dos maiores latifúndios improdutivos do Brasil, explora uma reserva de diamantes, deixa matar, se for preciso, para tocar em paz o seu negócio e ainda tem em seu favor o governo, as ONGs e os contrabandistas. E sabe que o MST jamais vai baixar por lá. Pio, o imperador do Brasil!”

Tiradentes

Espero que as pessoas não se esqueçam que Tiradentes e outros inconfidentes estavam insatisfeitos com a Coroa graças, principalmente, aos altos impostos. O PT continua o que FHC começou. Como diz o José Nivaldo Cordeiro: “O governo FHC foi trágico para os brasileiros porque elevou dramaticamente a carga tributária, com isso inviabilizando a formação de poupança e, assim, inviabilizando na raiz qualquer hipótese de a economia prosperar. A carga tributária no patamar que está inviabiliza o consumo privado e os investimentos, logo estamos fadados à recessão, até que essa situação seja revertida.” E, como diz o José Simão, “Viva Tiradentes! Tá todo mundo enforcado! “.

Sepuku

Se o José Dirceu fosse japonês, já teria cometido o sepuku (ou harakiri) há muito tempo. Será que algum político nipônico já sobreviveu a tal queimação de filme? Aliás, taí uma boa forma de revelar qual o grau de influência da genética na cultura. Deveríamos fazer uma experiência: descobrir mais sujeiras ligando o Gushiken ao Waldomiro Diniz. Caso ele não cometa sepuku, é porque genética nada tem a ver com cultura. Ou será que a “brasilidade” é tão envolvente assim?

Bandeira

A observação abaixo — extraída do livro Eumeswil, de Ernst Jünger, pág.135. –, lembra a que fiz anteriormente a respeito da linda idéia do Senador Suplissimpsons de acrescentar a palavra “Amor” à nossa bandeira: “Quando se grava nas bandeiras o lema humanidade, isso significa não só excluir o inimigo da sociedade, como também privá-lo de todos os direitos humanos”.

Isso também explica o porquê de, no Brasil, tampouco haver ordem e progresso.

Outra

Essa também é ótima:


109. — Qual era a nacionalidade de Adão e Eva?

— Obviamente eram russos. Somente russos podem correr por aí descalços e desnudos, sem teto sobre suas cabeças, dividir uma única maçã entre dois e ainda gritar que estão no paraíso!

Piadas de comunista

Ronaldo Roque me enviou um site com algumas piadas de comunista bem engraçadas. Resolvi adaptar uma delas (Nº 95) em homenagem ao governo petista:

O orador começa a enumerar as conquistas da “Agenda Positiva”:

— Na cidade X foi criado um assentamento modelo para o MST…

Uma voz da sala:

— Acabei de vir de lá. Não existe por lá nenhum “assentamento modelo”, apenas uma favela rural!

O orador continua:

— Na cidade Y o Fome Zero é um grande sucesso…

A mesma voz: — Estive lá a semana passada. Apenas dez pessoas receberam o cartão, o resto dos cartões desapareceram!

O orador não se contêm:

— E o Sr., camarada (vou manter “camarada”, mais esclarecedor que “companheiro”), deveria ouvir mais o programa de rádio do Lula e parar de bater pernas por aí!

Para quem acha que o governo segue uma política econômica avessa ao socialismo, saiba que Lenin fez exatamente o mesmo que Palocci vem fazendo: manteve a economia saudável e o mercado livre enquanto, por baixo dos panos, o verme político ia comendo tudo. Até que…

Palavrão oblíquo

Essa eu ouvi no GNT e foi o cúmulo da linguagem politicamente correta. (Se bem que o tom foi mais de ironia.) O correspondente de Buenos Aires, Ariel Palácios, disse que certo fulano, membro da oposição, “atribuiu uma profissão sexual à mãe do pingüino“, ou seja, do Presidente Kirchner. Isso é que é xingar: “Eu atribuo uma profissão sexual à senhora sua mãe!!!!”

O Idiota

O Senador Suplicy se encaixa perfeitamente no conceito de minha mãe – irônico, vale ressaltar – a respeito de si mesma e de minha irmã caçula: é tão bonzinho que é quase um idiota. Imagine, beijar o terrorista do Stédile, escrever “Amor, Ordem e Progresso” na bandeira… Já não há nem ordem, nem progresso, e agora os caras querem acabar com o amor. É foda. Aliás, não é nada foda…

Dogville, um filme duro de roer

O filme Dogville é interessante na forma, ótimo na escolha dos atores e um enorme desperdício dramático. Poderia ter sido uma obra trágica, mas o diretor – contaminado pelo mais ingênuo nietzscheanismo – preferiu transformá-lo numa piada de humor negro. Arma uma enorme e absorvente arapuca durante dois terços de projeção para ao final não pegar senão dois patos: eu e você. E olha que estava indo muito bem. Aquele carinha, o “escritor” do filme, por exemplo, é digno de todo desprezo, uma soma de fraqueza moral sem tamanho com uma incapacidade de reconhecer fatos óbvios, evidentes. (Personagem muito comum hoje em dia nos meios intelectuais.) E o mais louco é que ele, numa cidade sem um pastor, sem um padre, de igreja vazia, se arvora em guia humanista dela, uma espécie de prefeito moral. O cara é um político puro e não deseja senão legislar sobre a vida dos seus vizinhos, mudar o mundo para melhor, isto é, para seu próprio conceito de “melhor”. E, claro, aparece uma linda mulher. Para apimentar as coisas, como sempre.

Tom, o escritor, parece bonzinho – e aí, Suplicy, beleza? – e usa a mulher como objeto de uma experiência sociológica, para ajudá-lo na importante tarefa de melhorar o mundo. E a coitada se ferra legal, é óbvio, até mais do que se tivesse votado no PT. Vira escrava, vira depósito de esperma coletivo. E o escritor ainda diz que a ama… Esse escritorzinho não passa de uma mistura de Pôncio Pilatos (governador que se deixa dominar pelos súditos) com Judas Iscariotes (um traidor filho-da-puta). A tragédia poderia ser elaborada a partir daí. Afinal, ¿como permitir que fossem feitas tais coisas com uma mulher que se diz amar? No entanto, se não gostei do “sentido” do filme é porque ele é tão obra de arte quanto meu conto “Matando um mosquito com um tiro de canhão“: uma boa construção estética que se perdeu ao transformar-se em piada sofisticada. No entanto, modéstia à parte, a piada dele é pior que a minha, afinal, não sabe rir de si mesma.

Repito: von Trier tinha tudo na mão para fazer uma excelente obra trágica, mas, por ser um niilista bobo, criou um enredo digno de um adolescente. Em vez de causar o pathos, uma catarse essencial qualquer, ele dá vazão a que nos regozijemos num sórdido sentimentozinho de vingança. “Bem feito”, pensam os aborrescentes-adultos, “trataram mal a gostosa, se foderam… Ahahaha!” (Até eu dei muita risada, afinal, ¿não era uma piada?) O relativismo moral ali é completo, ninguém tem um chão para justificar suas ações, nem mesmo a pretensamente compassiva Grace (imagine, Graça!!). Ao menos ela, se realmente tivesse amor no coração, poderia ter sido uma heroína trágica, à maneira de Catarina de Alexandria. Mas não, ela não via a situação de cima, mas apenas por um prisma mental distorcido: era uma dissimulada “super-mulher”. Por isso digo: a compaixão, o serviço ao próximo baseado unicamente num sentimento humanitário qualquer, num humanismo de papel, só pode desembocar nas ações dessa personagem: chumbo e fogo. Grace aguenta, aguenta, aguenta e, de repente, percebe: são todos como cães, não podem agir de outro modo, logo, vamos exterminá-los. Uma Zarathustra assassina. Nazista. Ridículo. Se esse filme é um filme de maturidade, eu então sou um matusalém. Daria um bom roteiro para o South Park. Para que rolasse um elemento trágico ali, alguém deveria ter a alma de aço, não aquele monte de geléia espiritual. Se não isso, um que pelo menos tivesse consciência de sua fraqueza, como Hamlet, ou de sua maldade, como Ricardo III, ou seja, que ao menos não pecasse contra a própria inteligência. Até Don Quijote é um trouxa com uma alma de aço. Assim como o Idiota, de Dostoiévski. Dogville deveria se chamar Dogfilm, porque é o filme do Cão. É o filme de um mundo onde Moisés, o portador do decálogo, não existiu senão como cachorro (¿lembra-se do nome do cão? Moses!!!), um mundo no qual o primeiro mandamento – “amará ao Senhor seu Deus sobre todas as coisas” – soou simplesmente como au au au au… Ninguém ouviu nada.

Eumeswil

Nesses momentos de turbulência política, nada como ler Eumeswil, romance de Ernst Jünger, escrito quando este tinha 82 anos de idade. (Morreu as 102, em 1998, após testemunhar todo o século XX.) Trata-se das elucubrações de um historiador que trabalha como barman do tirano de sua nação (Eumeswil).

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