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Categoria: Política Page 78 of 83

Cuidado, Mano Brown!

disse aqui uma vez e repito: Mano Brown, cuidado, de coração, não vá se meter com política. Para este país se reerguer, precisa ser puxado de cima, não pela política, que é do mundo, que é daqui de baixo, mas pelo espírito, que é do Alto. É preciso guardar-se contra a lábia açucarada dos políticos, tenham eles saído do povo ou de uma elite qualquer. No final das contas, não sabem o que fazem. Quando dizem que querem reformar a sociedade, na verdade, “apenas” almejam reformar o homem, e não libertá-lo. O homem já está pronto e a prisão está dentro de cada um, não no mundo. Você tem voz, Mano Brown, e muita gente costuma ouvi-lo, portanto, cuidado, não se deixe usar.

Eu sou do Jardim Prudência, de uma travessa da Avenida Cupecê, e aí cresci, na Zona Sul paulistana. Senti por muitos anos o cheiro da represa Billings e da Guarapiranga nos dias de muito calor. Talvez tenhamos disputado a mesma corrida de carrinho de rolimã, não sou um alienígena. Eu conheço essa região e sei das tentações. Inclusive a da política. Em 98, levei o carro de um amigo a uma oficina do Campo Limpo para trocar a bomba d’água. Ao lado, havia um terreno baldio cercado por muros e, sobre o muro da frente, alguns garotos, rindo e jogando pedras lá para dentro. Eu conversava com o mecânico, surpreso por ele ter a mesma opinião que eu: a revista Planeta não é mais aquela… (Ele tinha uma coleção de Planetas igual à do meu pai, desde os anos 70!) E então chegou um mano, o mesmo que acabara de conversar com os garotos, fazendo-os descer do muro. Perguntei o porquê de toda a euforia. “Você não sabe?”, me disse, “venha dar uma olhada”. De um buraco no muro, vi: um cara, em decúbito dorsal, a garganta e os pulsos cortados, o peito estourado. Puts!, soltei, o que foi que rolou? E o mano: “Dívida de tráfico, véio, não pagou, dançou”. E a polícia?, perguntei. “Ah, daqui a pouco eles tão aí, pra recolher o presunto…”

Claro, tudo isso deixa a gente revoltado, querendo mudanças já. E a gente pensa na política, em alguém consertando (e concertando) as coisas de cima para baixo. Pensa que, se os tentáculos do Estado nos abraçassem e protegessem, ficaríamos melhor. Mas não se engane: quanto maior for o Estado, mais longe estaremos do seu líder, seja ele benévolo ou não. E nenhum líder jamais poderá “derramar seu espírito sobre toda a carne” dos seus subalternos, jamais poderá saber tudo o que pensam e fazem no dia a dia, jamais poderá influenciá-los beneficamente de dentro para fora, não importando quantos espiões, informantes, corregedores e investigadores tenha, não importando qual ideologia defenda. Logo, quem controlará o poder dos pequenos ditadores periféricos? Afinal, não são eles a manifestação do próprio Estado, os efeitos das causas elaboradas no alto escalão? Quem com eles pode? Só Deus poderia, se assim eles quisessem, se assim O aceitassem. Mas estamos cansados de saber que o poder corrompe e que o que tem de ser, será. Nenhum Estado jamais reformará a sociedade, jamais salvará o homem do que quer que seja. Nem mesmo um Estado teocrático, desses que se utiliza da Palavra para justificar suas injustiças e arbitrariedades. A questão é dificílima, não é qualquer molusco político que a resolverá. Dificílima porque não depende de um projeto coletivo, mas da vontade de cada indivíduo.

Enfim, para o país, para o mundo se reerguer, só é necessária uma coisa: confiança. E confiança só existe entre irmãos. Outro dia escrevi a um amigo agnóstico: confiamos um no outro porque vivemos juntos experiências que aproximaram nossos corações. Beleza. Mas como iremos confiar em quem vive do outro lado do Atlântico? Não basta uma ideologia humanista, muita gente já morreu por não se encaixar neste ou naquele conceito de humano. Aliás, não basta qualquer ideologia, afinal nada matou mais no século XX do que as ideologias. Tampouco basta uma religião, muita gente já cometeu atrocidades em virtude da oposição a suas crenças. Para que alcancemos essa fraternidade, e consequente confiança mútua, necessitamos da experiência íntima de termos um Pai espiritual, um Pai de todos. E só. É o único jeito. Uma vez disse ao Ricardo Cruz, editor da Revista da MTV: “Quinho, quero entrevistar o Mano Brown”. E ele: “Pô, velho, vai ser difícil, a gente já tentou pra caramba, o cara não confia na MTV”. E eu: “Mas eu quero conversar sobre Deus, religião, moral, sobre essas coisas.” “Se você conseguir, beleza, mas não boto muita fé não…” Por que isso, Mano Brown? Porque você não conhece quem é aquele que irá entrevistá-lo, não sabe se é seu mano. Vivemos em mais uma época do filho contra pai e pai contra filho. É um época ótima para os políticos: se aproveitam da desconfiança geral no próximo para vender suas receitas de prosperidade. Receitas que dizem basicamente o seguinte: vamos politizar todas as relações humanas. Daí o crescimento do Estado e de seus mecanismos de vigilância para além do necessário. E tal expansão — devido a uma desconfiança básica no próximo — depende diretamente disto: do secularismo, da ausência de uma instância sagrada. Se um líder de governo for um cego espiritual, estamos perdidos. Se for um cego guiando outros cegos, meu Deus, será o fim.

Por isso é que lhe digo, Mano Brown, cuidado com os políticos, não importa quem sejam. Fica com Deus e vigie. A César o que é de César.

Vergonha ou morte

Em novembro de 2000, em entrevista à revista Caros Amigos, disse Luiz Inácio Lula da Silva: “Se eu ganhasse a presidência para fazer o mesmo que Fernando Henrique Cardoso está fazendo, preferia que Deus me tirasse a vida antes. Para não ter que passar vergonha. Por que sabe o que acontece? Tem muita gente que tem o direito de mentir, o direito de enganar. Eu não tenho. Há uma coisa que tenho como sagrada: é não perder o direito de olhar nos olhos dos companheiros e de dormir com a consciência tranqüila de que a gente é capaz de cumprir cada palavra que a gente assume E, quando não cumprir, ter a coragem de discutir o que não cumpriu”.

O presidente precisa ter mais cuidado. E se agora em 2004 Deus resolve escutar seu pedido?

Citado por Maria Lucia Victor Barbosa, no MSM.

Marta e Agnaldo

Tá todo mundo cansado de saber que o Clodovil é venenoso em seus comentários e praticamente a mesma quantidade de gente não assinaria embaixo do que ele diz. Não vi o tal programa em que ele desceu a lenha na Marta Suplicy, mas entendo perfeitamente a razão e dou todo meu apoio. Impedir o Agnaldo Timóteo – que não ouço mas tem quem goste – de vender seus próprios CDs na rua? É o fim da picada. Ambulantes não são bandidos, trabalham. Ainda mais quando produzem sua própria mercadoria. E agora a prefeita ainda quer processar o Clodovil por continuar sendo quem ele é, um cara que fala pelos cotovelos. Eis o modus operandi da censura petista: botar a “justiça” em cima de qualquer um que diga o que seus afiliados não gostam mas precisam ouvir.

Trampolim

Se essa moda de tentar se atirar da galeria do Senado pega, os senadores da oposição terão de criar um projeto de lei defendendo a construção de um enorme trampolim no local. Claro que seus colegas da situação revidarão esticando redes de trapézio por todo o recinto. Nisto se resume a política do país. Coisa de circo.

Esqueçam o que eu disse

“Aloizio Mercadante (PT-SP) era deputado, em janeiro de 2001, e fez um discurso que o eleitorado adorou: ‘CPI é ética na política, é transparência, é controle do Judiciário, é o fim da corrupção que o povo pede nas ruas’.” (Citado por Cláudio Humberto, Jornal “de Brasília.)
“O ex-assessor do ministro José Dirceu não só continua na lista telefônica da Casa Civil como ganhou novo ramal: Waldomiro Diniz da Silva, Palácio do Planalto, 4º andar, sala 83. Os telefones 6-9700 411-1440 e 6-9701 411-1441 são um bom palpite.” (Idem.)

CPI

Escreveu José Dirceu, para a Folha de SP, em 29 de Julho de 2000, a respeito de FHC: “Melhor é fazer a CPI, caso contrário, fica patente para todo o país: o presidente da República não quer a CPI porque esconde a verdade e teme a Justiça, ou seja, esconde e teme sua própria culpa”. :))

Rosenfield

Ótimas colocações do professor Denis Lerrer Rosenfield.

Os pentelhos

Diz-se que, na União Soviética, os operários só tinham uma maneira de burlar as proibições de fazer greve: sabotando a produção. Quando estavam insatisfeitos, colavam a sola do sapato ao contrário, costuravam o zíper da calça pelo lado de fora e assim por diante. Tudo depois era rejeitado por ser inadequado ao consumo. Aqui no Brasil ainda não somos comunistas, mas os caras já começaram a aderir a esse procedimento. Hoje fui comprar cuecas e, fora de brincadeira, no pacote hermeticamente fechado havia um enorme e inconfundível pentelho. Adorei a cara da vendedora quando lhe mostrei o produto.

Renda mínima

Essa lei parece uma coisa muito linda, mas eu só quero ver de onde é que o governo vai tirar dinheiro para dar a essa gente toda. “Renda mínima”, “fome zero”, “viagens mil”. Qualquer dia o povo vai pagar essa onda toda com “paciência nula”. Só não sei quando isso irá rolar: se em dois ou em dez anos. Afinal, o povo ainda tá se achando no poder.

Imposto universitário

Em conversa recente com amigos ouvi a afirmação de que “é uma ironia o PT criar esse imposto para ex-estudantes de universidades públicas”. Não vejo nenhuma ironia aí. O PT acha que só o Estado pode dar um jeito na nossa vida e, para tanto, evidentemente, precisa de dinheiro. A fonte desse dinheiro pouco importa. Basta parecer “justa”. Aliás, em pouco tempo hão de liberar a venda de algumas drogas, aumentando assim a arrecadação. Não duvido nada.

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