O Garganta de Fogo

blog do escritor yuri vieira e convidados...

902 membros

E a comunidade orkutiana Comédia da Vida Universitária, que criei para meu livro A Tragicomédia Acadêmica, está agora com 902 membros. Meus agradecimentos aos novos integrantes e obrigado a todos pelo apoio.

Grandes homens

Um trecho do artigo “Artur Neiva”, de Monteiro Lobato, a respeito do cientista de Manguinhos que pôs em prática suas idéias na chefia sanitária de São Paulo:

Certo dia, na universidade de Leipzig, um estudante japonês abordou o eminente Ostwald com esta pergunta estranha:

– Haverá meios de distingüirmos cedo os homens que um dia se notabilizarão nas ciências?

Esta pergunta, encomendada pelo governo nipônico, embaraçou deveras o grande professor alemão e ficou a verrumar-lhe os miolos por muitos dias. Mas ao cabo de longo matutar ele apreendeu finalmente o traço característico dos futuros grandes homens, o primeiro a revelar-se em anos verdes: horror à escola! Os alunos mais bem dotados nunca se mostram satisfeitos com o que lhes oferece o ensino, conformado sob medida para a mentalidade e o caráter do maior número, isto é, dos medíocres. As criaturas de exceção, essas sofrem a asfixia do ambiente estreito e revoltam-se. Passam a constituir a classe dos maus alunos, dos vadios, dos indisciplinados, e acabam, não raro, expulsos da escola.

Discutindo… Deus!

No blog do Janer Cristaldo andou rolando um desses debates inúteis entre ateus, agnósticos e crentes, dos quais já estou mais que cansado, tendo participado de inúmeros justamente nas três posições citadas, aliás, migrando duma a outra nessa mesma ordem aí descrita. Vale dizer: me sinto melhor hoje… Bem, a questão é que o Olavo acabou aparecendo na discussão com um texto excelente: Discussões vãs. Não deixe de ler.

Cabrera Infante e Fidel Castro

O Alex Cojorian me enviou o link dessa entrevista com o escritor cubano Guillermo Cabrera Infante, na qual há um comentário que justifica os três milhões de dólares que Lula ganhou de Fidel:

GMN: Entre suas admirações, alguém lhe decepcionou quando visto pessoalmente ?

Cabrera Infante: “Uma das pessoas com quem tive uma enorme decepção depois de vê-lo pela televisão e pelos jornais foi Fidel Castro. Tivemos contato íntimo. Em abril de 59, fomos a Washington, Nova Iorque, Montreal e ao Brasil, antes de seguirmos para Montevideu e Buenos Aires. A intimidade de estar num avião para apenas vinte pessoas em companhia de Fidel Castro durante tantos dias me convenceu de que aquele indivíduo era um horror. Era um avião de hélice. Em direção ao Rio, o avião baixou para que víssemos a floresta amazônica. O piloto disse : “Comandante, estamos voando sobre a floresta!”. Eu estava sentado no banco logo atrás de Fidel Castro. O que foi que aconteceu? Fidel ficou olhando a floresta não sei por quanto tempo. De repente, disse : “Que grande país!”. Eu pensava que era admiração pelo Brasil. Mas ele disse: “Aqui é que deveríamos ter feito a nossa Revolução!”. Neste momento, entendi que Cuba era pequena para ele. Fidel se achava um lider tão grande que necessitava de um continente, não de uma ilha…”

GMN: Se, num acaso digno de uma das páginas de Garcia Marquez, o senhor se encontrasse com Fidel Castro hoje, num saguão de aeroporto, o que é que o senhor diria a ele ?

Cabrera Infante: “Eu só diria uma frase : ‘Você não acha que já chega?'”.

(Fonte: http://www.geneton.com.br)

A língua

Como já disse dias atrás, tenho me debruçado, aqui em São Paulo, sobre a obra de dois grandes escritores: Rubem Braga e Monteiro Lobato. Este leio quando na casa do Dante e da Joana, aquele quando no apê do Rodrigo Fiume. Tanto como Lobato, Rubem Braga também tem altos causos, alguns muito engraçados. Veja este, intitulado A língua:

“Conta-me Cláudio Mello e Souza. Estando em um café de Lisboa a conversar com dois amigos brasileiros, foram eles interrompidos pelo garçom, que perguntou, intrigado: – Que raio de língua é essa que estão aí a falar, que eu percebo tudo?”

Monteiro Lobato contra os impostos

Ouça agora, em meu podcast, uma crônica do escritor Monteiro LobatoNovo Gulliver – na qual ele discorre, de modo atualíssimo, sobre o sanguessuga que é o Estado brasileiro…

  • Ouça agora!
  • [audio:http://karaloka.net/audio/audio/lobato1.mp3]

Jogo dos 3 erros

A Carol tem razão. É difícil encontrar os erros nesse jogo clássico. A única saída é aumentar o volume e aguardar as dicas sonoras, que podem vir do vento, do motor do barco, etc. Realmente interessante.

Governo Brasileiro (cuspe!)

Depois de ter sido preso pelo “crime de sinceridade” – escreveu uma carta esperançosa ao Getúlio Vargas cheia de conselhos e reclamações contra o Conselho Nacional de Petróleo -, Monteiro Lobato finalmente perdeu as esperanças para com o futuro do Brasil sob tão terrível governo. Já nos anos 1920 falava dos “trinta governos militares” que sobrevinham um após o outro desde 1889 e do perene estado de sítio que o Brasil vivia. Falava dos impostos absurdos que sangravam a indústria, o comércio, sua editora e matava o produto brasileiro que se via assim impedido de competir com os produtos estrangeiros. (Um livro português era mais barato que um livro em branco feito no Brasil.) Ficou horrorizado quando o Poço Lobato, na Bahia, primeiro jorro de petróleo em terras brasileiras, foi fechado pelo governo – o qual aliás havia declarado que naquela região não havia hidrocarbonetos – e, em seguida, enfeitado com um obelisco e os dizeres: “O Primeiro Campo Onde Jorrou Petróleo no Brasil – Organização do Conselho Nacional do Petróleo no Governo do Dr. Getúlio Vargas”. Ao acusar o roubo estatal, foi preso. Mais tarde, descobriu que a Standard Oil Company, dos Rockefeller, já mapeara todas as áreas petrolíferas do país, isso desde o início do século, e por isso comprava políticos para manter o monopólio. Enquanto nos EUA eram abertos poços de petróleo particulares numa taxa de 20.000 ao ano – desde meados do século XIX – no Brasil, o primeiro poço era então tomado pelo governo, e os demais impedidos de funcionar por contradições legais: enquanto uma lei do famigerado Conselho proibia estrangeiros de participar como acionistas das companhias petrolíferas nacionais, um artigo da constituição proibia os diretores de empresa de excluir sócios devido à sua nacionalidade… Logo, a burocracia travou a livre iniciativa. (Não é à toa que o corolário de todo esse processo, a Petrobrás, seja aquilo que é – uma financiadora de politiqueiros malandros.)

Em 1932, quando os paulistas tentaram se livrar da opressão do governo federal, a cidade de São Paulo foi bombardeada por tropas legalistas. Segundo Lobato, morreram mais civis e foram destruídas mais casas em São Paulo, durante esse bombardeio, do que em Paris, na Primeira Guerra, que recebeu canhonaços alemães. Dizia o telegrama presidencial: “S.Paulo desrespeitou o princípio da minha autoridade; que S.Paulo deixe de existir”. Não fosse o milionário Macedo Soares – hoje nome do trecho que une a Marginal Tietê à Marginal Pinheiros – e os paulistas teriam perecido de fome, frio e sede. Soares bancou tudo, comida, água, cobertores, roupas, abrigos para os feridos e desalojados.

No artigo Os tratados com a Bolívia, Lobato finalmente desabafa e joga a toalha:

Chega. Não quero nunca mais tocar neste assunto de petróleo. Amargurou-me doze anos de vida, levou-me à cadeia – mas isso não foi o peor. O peor foi a incoercível sensação de repugnância que desde então passei a sentir sempre que leio ou ouço a expressão Governo Brasileiro

Mona

Hoje foi um daqueles dias em que acordei botando fogo pelas ventas, com ódio amargo contra toda a humanidade, o que evidentemente inclui a mim mesmo, já que também eu faço parte dessa malta fedida. Na cama, quando me deparei comigo, só de raiva, quase me mordi. Cara chato que não larga do meu pé interior… Pois é, assim fui passando o dia. E olha que nem estou na minha casa, mas na de amigos. Eu e o Jorge Recóndito, o desgraçado, meu Mister Hyde particular. Logo de cara, já fui implicando – por dentro, por dentro, discreto, sem fazer propaganda – com a babá desses meus amigos, que não pára de falar, o volume no máximo, sempre a distrair o nenê, que se chama Luca, mas que ela evangelicamente trata por Lucas. Às vezes vem me dar recados do dia anterior, mas cada informação que me passa todo o quarteirão registra. Só fala em caixa alta: SEU YURI, ONTEM, QUANDO O SENHOR NÃO TAVA AQUI, LIGOU UM AMIGO SEU… Talvez o bebê goste disso. Eu não. Hoje respondi pequenininho, uma carranca horrorosa: tá, tá… Talvez a tenha assustado. Em sua santa ingenuidade de babá infantilizada, talvez não imaginasse que um cara TÃO LEGAL, TÃO GENTE BOA, TÃO GENTLEMAN (puts, ela jamais diria isto), enfim, TÃO BACANA fosse capaz de semelhante esgar, de tão feia careta.

Apelativos…

Meus amigos Paulo Paiva, Rodrigo Fiume e Daniel Christino andaram comparando o número de visitas que meu site tem por dia com o deles e começaram a apelar em termos de publicidade. Veja só como o Daniel, o Paulo e o Rodrigo estão divulgando seus blogs…

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