Arquivo para July, 2008




31/07/2008

FotoGlobo

rodrigo fiume, 11:03 pm
Filed under: fotografia,Imprensa,internet,Mídia,sites

Dias atrás, acho que mais ou menos um mês e meio, o Globo Online iniciou um blog voltado para fotografia. Chama-se FotoGlobo.

Traz as experiências dos profissionais do jornal carioca, certamente um dos principais do país. Também são publicados textos sobre exposições, concursos e dicas sobre modos específicos de fotografia —a gastronômica, por exemplo.

Mas talvez o mais importante para os leitores — e tenho certeza de que o mais divertido — são das fotos deles próprios, isto é, leitores, publicadas no blog. Pode-se mandar qualquer coisa, desde fotos “viajandonas” ou da festa de aniversário da família.

Nem tudo é publicado, naturalmente, pois a internet e a fotografia digital praticamente extingüiram limites para produção (e, por experiência própria, garanto que leitor folgado não falta neste mundo; tinha uma que me ligava praticamente toda noite querendo os números sorteados nas loterias…).

Mas muito do que os leitores enviam aos repórteres-fotográficos do Globo é postado no blog.

O divertido é que os caras avaliam mesmo as fotos, sejam lá quais forem. Examinam enquadramento, composição, cores, foco, profundidade de campo, etc. E detonam. Principalmente um cara chamado Marcelo Carnaval. Ele é bem engraçado.

Quando a foto é boa eles também elogiam ou sugerem algo que poderia tê-la tornado melhor, como um corte diferente.

Se você quiser testar, mande um desafio para o Carnaval. Escolha uma foto e mande para os caras.

30/07/2008

Urbanismo x saúde

rodrigo fiume, 5:17 pm
Filed under: Cotidiano

Interessante. Mostra como questões urbanas podem influenciar diretamente em nossa vida biológica. De fato, hoje os bairros são projetados levando-se em conta mais os automóveis do que os pedestres. Um exemplo claro são os condomínios horizontais.

Da Folha Online:

Estudo diz que bairros antigos estimulam hábitos saudáveis

da Efe, em Washington

Um estudo divulgado pela Universidade de Utah diz que locais antigos podem facilitar o combate à obesidade.

“Os bairros mais antigos foram projetados de tal forma que apresentam opções saudáveis”, disse Barbara Brown, co-autora do estudo. “Nos mais tradicionais, freqüentemente há praças arborizadas, com sombras, pequenos comércios, pontos de ônibus, lugares de trabalho e locais atraentes que estimulam os residentes a caminhar”, acrescentou.

O estudo descobriu que os bairros construídos antes de 1950 oferecem mais possibilidades para caminhar, já que freqüentemente foram projetados tendo em mente os pedestres, enquanto os bairros mais novos, em geral, são moldados pensando no tráfego de automóveis.

Brown é uma psicóloga ambiental e social na Universidade de Utah e seu estudo aparece na edição de setembro da revista “American Journal of Preventive Medicine”.

Os pesquisadores usaram informações do Escritório do Censo e do desenho das ruas, e dados sobre o índice de massa corporal (IMC) de mais de 450 mil adultos que vivem no Condado de Salt Lake, em Utah.

Para Ethan Berke, médico e epidemiologista na Escola de Medicina de Darmouth, esta pesquisa é valiosa, “já que cria a expectativa de que as pessoas caminhem mais, e ocorra um ressurgimento das cidades”.

29/07/2008

Times Archive

rodrigo fiume, 11:40 pm
Filed under: internet,Mídia

O jornal inglês The Times abriu seu arquivo gratuitamente na internet. Pode-se pesquisar reportagens de 1785 a 1985. Pois é, são 200 anos mesmo.

Pesquisei sobre Santos-Dumont e apareceram reportagens de 1901, 1902, 1904… Com “Machado de Assis” veio um texto de 1927.

Busquei ainda “Richard Francis Burton”, o explorador que rodou meio mundo no século 19, Brasil incluso, e surgiram textos desde 1890 (na verdade, ano de sua morte; tenho certeza de que encontraria algo mais antigo, mas a busca travou).

O primeiro texto com “Robespierre” é de 1791.

É preciso fazer um cadastro para acessar as reportagens e a ativação disso pode demorar um pouco.

28/07/2008

Novo homem

rodrigo fiume, 6:35 pm
Filed under: Imprensa,Mídia

Não deixa de ser interessante. Do Estadão:

Revista masculina busca novo perfil

Nas publicações da Abril, anúncios de moda superaram este ano pela primeira vez os de automóveis e bebidas

27/07/2008

Grafite — 21

rodrigo fiume, 12:50 am
Filed under: Arte,fotografia

23/07/2008

Quem é Barack Hussein Obama?

diogo, 4:43 am
Filed under: Política

Muita gente me cobra uma posição sobre Obama, após alguns posts em que dava bye bye a ele. E agora, Diogo? Vai falar o quê, mané? Boa pergunta!

Tenho que confessar que não acreditava que os americanos levariam adiante esta bobagem de obamamania. Da mesma forma, não acreditava que o brasileiro levaria a sério o segundo mandato de Lula, e eis que não estamos tão longe do terceiro.

Ainda assim, acho que a obamamania terá o mesmo fim que o Lulalá de 89. Caso contrário, os americanos terão um abrupto ciclo de decadência não só cultural, mas – talvez mais importante – institucional. Pela irresistível idéia do primeiro negro viável – e sem mérito – que a esquerda conseguiu produzir , ignora-se completamente a sua ligação íntima com um lunático anti-americano, as inúmeras mentiras sobre sua religiosidade e até mesmo que ele tenha falsificado sua certidão de nascimento, publicada em um site oficial da sua campanha, conforme nos informa o Israel Insider.

The purported birth certificate was published by the Daily Kos on June 12 in response to unconfirmed reports that Obama was not in fact born in the United States (Canada and Kenya
were suggested as the possible locations of his actual birth). Since he would in that case not be a natural born US citizen (his mother was not present in the US sufficiently long as an adult to pass American citizenship on to him automatically), he would not be eligible to be president.

Há dois dias um técnico forense analisou e assegurou a falsidade da certidão de nascimento divulgada pelo site oficial da campanha obanista. A grande imprensa americana se calou, fingindo que não se trata de um escândalo. Mais informações sobre a certidão fake de Obama, aqui.

The Controversy Obama\'s New Yorker Cover

O fenômeno Obama foi longe demais. Distribuindo esperança a quem é tonto o bastante para crer que alguma coisa boa o espera, faz de jornalistas tarimbados, porta-vozes de seu fã clube. Muitos deles enfiaram-se até o pescoço nessa ladainha, e já admitem falta de isenção nas opiniões sobre as eleições. Ontem, o New York Times foi além e se recusou a publicar um artigo de McCain, em resposta a outro de Obama que o criticava pela forma como pretende conduzir as tropas que ainda restam no Iraque. O editor chegou ao ridículo de publicar o e-mail em que recusa o artigo, dando dicas de como consertá-lo para ser admitido pelo jornal.

A idéia de um negro esquerdista na Casa Branca é pura sedução. Afinal, como lembrou Pedro Sette Câmara no seu Indivíduo:

“…se a idéia de um presidente negro é simpática, também deveria ser (e é) a idéia de um juiz negro da Suprema Corte (Clarence Thomas), de dois Secretários de Estado negros (Colin Powell e Condoleezza Rice). Se essas pessoas não têm seus méritos reconhecidos e não geram otimismo, é só porque a divisão ideológica é muito mais forte do que a divisão racial.”

Todo este otimismo sedutor levam os americanos bem longe da pergunta: quem, afinal, é Barack Hussein Obama II?

21/07/2008

Lichia da Malásia

rodrigo fiume, 1:07 am
Filed under: fotografia

Lichia da Malásia, R$ 89,00 o quilo no Mercado Municipal de São Paulo. Quatro unidades me custaram R$ 10,00.

20/07/2008

Grafite — 20

rodrigo fiume, 12:49 am
Filed under: Arte,fotografia

18/07/2008

O Cavaleiro das Trevas

daniel christino, 5:03 pm
Filed under: cinema,literatura

Se vocês querem uma opinião imediata, na bucha, eu diria: é o melhor filme de super-herói de todos os tempos. Heath Ledger está terrível, diabólico como o Coringa. Quase tudo funciona perfeitamente. Christopher Nolan é o cara.

Agora, com calma.

A revolução que os autores de HQ da década de 80 fizeram com o personagem finalmente chegou às telas. Demorou muito. Em 1987 Frank Miller publicava a mini Cavaleiro das Trevas transformando o herói existencialista do início da década numa máquina militarizada de violência, arrogância e sadismo. A intenção de Miller é apresentar o personagem como uma força incontrolável, cujas ações são guiadas por uma lógica de ferro: o Mal deve ser punido, não importa os meios. O ponto alto é a luta entre ele e o Super-homem. Apesar de terem o mesmo nome, o filme não é inspirado pelo trabalho de Miller.

A mini, juntamente com Asilo Arkham e O longo dia das bruxas, deu mais profundidade ao personagem, estabelecendo a base psicológica final para a dramatis personae Batman. Ao mesmo tempo indicaram o cenário no qual esta construção funcionaria melhor: uma sociedade ou cidade em crise, à beira da destruição. Batman é uma figura extrema e funciona melhor quando apresentado contra uma cenografia igualmente extrema. Mais ainda do que no filme anterior, Gotham City desmorona, implode. O apelo da justiça ao medo é sempre um apelo desesperado.

É aqui que a figura do Coringa ganha relevância. Esqueça Jack Nicolson. A estética cartunesca de Tim Burton obrigou o ator a construir um personagem malvado, porém meio biruta, meio desenho animado. Não é o caso. O Coringa de Ledger é perverso, insano e genial. A certa altura temos a impressão de que Batman mais parece uma bola de tênis quicando de um lado para outro em Gotham, obedecendo aos caprichos milimetricamente calculados do Coringa. O relacionamento entre os dois personagens ganhou sua expressão mais sofisticada em A piada mortal de Alan Moore. O filme deixa claro sua inspiração na HQ. “Você me completa”, diz o Coringa. É como se Batman e Coringa fossem duas faces da mesma moeda.

Aqui o roteiro dos irmãos Nolan apresenta-se como um dos grandes trunfos do filme (embora, em nome do didatismo hollywoodiano, ele se explique demais através das falas do mordomo Alfred). Há várias tramas se desenrolando ao mesmo tempo, e cada uma delas caminha, de modo lento e inexorável, em direção à oposição entre Batman e Coringa. É o eixo de gravidade do filme. Para os dois o sentido da ação é evidentemente moral (a cena em que ele “atormenta” Harvey Dent no hospital é digna de mefistófeles), e sua resolução está vinculada a um velho cenário da teoria dos jogos. A luta dos dois, contudo, não é meramente uma luta entre os dois. Há algo maior em jogo, mais profundo. Como toda ficção de qualidade, O Cavaleiro das Trevas nos faz refletir sobre nossas escolhas morais e o modo como nossas ações determinam quem somos e o mundo no qual vivemos. Como diz Hannah Arendt, escolher como agir é também escolher o mundo no qual nossa ação faz algum sentido. E, supreendentemente, nem Batman nem Coringa podem existir num mundo sadio. Eles são, ambos, sintomas diferentes da mesma doença. E aí está o que um amigo meu chamou o “cinismo” do filme. Entre o caos destruidor e a ordem autoritária não nos resta outra opção senão rejeitar ambos. Esta é a dádiva do Coringa ao Batman e a Gotham City. “Why so serious?”

13/07/2008

Grafite — 19

rodrigo fiume, 12:47 am
Filed under: Arte,fotografia

10/07/2008

A Internet rastreada

daniel christino, 2:54 pm
Filed under: este blog,internet

Foi aprovada ontem no Senado Federal proposta substitutiva ao projeto de Lei da Câmara que trata dos crimes praticados na Internet. É o famigerado texto do senador Eduardo Azeredo. A blogosfera entrou em alerta. Os argumentos levantados em diversos sites podem ser resumidos a dois principais, ilustrados aqui pelo Pedro Dória e pelo Carlos Castilho. Segundo o Doria,

A lei cria o provedor que delata. Se uma gravadora, por exemplo, rastreia que um usuário ligado ao Speedy em São Paulo ou ao Vírtua em Maceió está usando a rede Bit Torrent, de troca de arquivos, ela pode ir à Justiça pedir a identidade do sujeito. Telefónica (do Speedy) ou Net (do Vírtua) são obrigados a dizer quem foi. Não importa que, muitas vezes, os arquivos trocados sejam legais. O fato é que todo provedor de acesso se verá obrigado a manter por três anos uma listagem de quem fez o quê e que lugares visitou na web. É como se os Correios mantivessem uma lista de todos os usuários de seu serviço e que indicasse com quem cada um se correspondeu neste período de anos. É coisa de Estado policial e uma franca violação da liberdade.

Outro problema da lei é a proibição de que se ‘obtenha dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização do legítimo titular, quando exigida.’ Vai uma pena de 2 a 4 anos, mais multa. O objetivo, evidentemente, é proibir pirataria. Mas imagine-se a loucura de ter a necessidade de provar que está autorizado a carregar qualquer informação colhida na rede.

A rede é, essencialmente, uma máquina de cópias. Carregou esta página do Weblog? Há uma cópia dela em seu HD. Um CD comprado só permite seu uso em CD players. A não ser que Herbert Viana ou outro dos Paralams o autorize expressamente, nada de passar para o iPod. O Google está digitalizando milhares de livros fora de catálogo. Muitos deles têm o detentor do copyright desconhecido. Se o dono aparecer, eles tiram da lista. Em caso contrário, fica público. No Brasil, se o substituto do senador Azeredo for aprovado, esta que será a maior biblioteca pública do mundo será ilegal. Esse artigo é tão mal escrito que, no fim das contas proíbe o uso da Internet.

O Castilho acrescenta o pertinente argumento de que é uma lei antiga para uma coisa nova. O descompasso pode torná-la obsoleta.

Para criar um conjunto de condutas e valores capazes de coibir a delinqüência virtual (tipo pedofilia, roubo, difamação, chantagem, terrorismo etc) é necessário primeiro procurar entender a natureza do processo no qual estão inseridas a internet e a Web. Impor um modelo repressor idêntico ao usado para canais de comunicação como radio, televisão e cinema, é uma absurda perda de tempo e de energias, porque até os neófitos da rede sabem que será um fracasso.

A internet não é apenas um conjunto de computadores interligados entre si. Ela já é uma expressão do novo sistema de produção econômica e cultural gerado a partir de inovações tecnológicas como a computação e a digitalização, que por sua vez são o resultado de pressões dos agentes econômicos por processos mais rápidos e automatizdos, capazes de atender à demanda de uma população em crescimento acelerado.

O mundo moderno tornou-se complexo demais para que continuemos a usar sistemas e valores surgidos junto com a da revolução industrial. No contexto atual, a troca e conseqüente recombinação de informações, sejam elas em texto, áudio ou imagens precisa ser a mais ampla possível para que os conhecimentos sejam produzidos no ritmo exigido pela economia e pela sociedade contemporânea.

Não se trata, portanto, de ser contra a tentativa de normatizar o uso da Internet e previnir crimes como pedofilia. O problema é que esta propsta não consegue fazer o que promete e ainda atrapalha o que está funcionando. Quem quiser pode assinar a petição aqui.

Muito além do River Raid

daniel christino, 12:05 pm
Filed under: Ciência,especulativas,Games

Eu disse noutro texto que adoro jogar videogame. Essa confissão já me rendeu alguns olhares estranhos na Universidade. “Mas você não tem algo mais importante para fazer?”, diziam. “Não!”, respondia meio injuriado. Embora seja uma chatice jogar “a sério” qualquer jogo de videogame, pensar sobre o impacto das novas mídias sobre os modelos de produção cultural já canonizados é um campo de estudos acadêmicos cada vez mais promissor.

Sem querer entrar numa de “peer-reviewing”, pelo menos não agora, indico dois artigos muito legais sobre como os estudos sobre games atravessam diversas áreas de pesquisa: Dynamic Lighting for Tension in Games e Tragedies of the ludic commons – understanding cooperation in multiplayer games.

O primeiro deles possui uma ligação bastante clara com o cinema e com a narratologia (ou teoria da narrativa). O modo como um jogo explora os efeitos de luz para compor um determinado clima supõe uma noção de narratividade visual muitas vezes importada do cinema. Por outro lado, os games, por trabalharem com um ambiente completamente virtual e manipulável (dentro de certos limites tecnológico de velocidade de processamento e memória), potencializam os usos possíveis da iluminação para criação destes efeitos. Ao contrário do cinema, os games têm controle completo sobre o ambienta no qual a ação ocorre. No cinema, isso só acontece nas CGI (imagens geradas por computador).

There are many lighting design techniques exhibited in theatre, film, architecture and dance that address the role of lighting on emotions and arousal. Currently, game developers and designers adopt cinematic and animation lighting techniques to enrich the aesthetic sense of the virtual space and the gaming experience. For example, game lighting designers manually manipulate material properties and scene lighting to set a mood and style for each level in the game.

O segundo entende o videogame como modelo de interação social, ou seja, discute o modo como um contexto de simulação pode iluminar aspectos comportamentais dos indivíduos. O estudo retira sua força da metáfora do jogo e enfatiza uma das suas principais características: a relação entre os jogadores. Mesmo as brincadeiras de amarelinha ou pique-pega (e brincar é diferente de jogar) podem ser entendidas como simulações. Há um conjunto de regras não-naturais (o termo é controverso) em funcionamento normatizando o modo como a ação pode ou não acontecer. O legal dos videogames é sua capacidade modelar, ou seja, nele possuímos algum controle sobre o ambiente no qual a ação se desenvolve e, por conta disso, podemos isolar ou testar variáveis de modo muito mais preciso. Neste caso os pesquisadores optaram por estudar o modo com o jogo apresenta alguns conflitos e a relação entre a solução destes conflitos e a vida social “real” do indivíduos. Em outras palavras, o artigo pressupõe que a simulação dos games pode nos ajudar a entender melhor a dinâmica social de pequenos grupos. É o caso quando eles estudam a trapaça (cheating) como um dilema social. O game dado como exemplo é o Diablo.

Accounts of cheating in games almost always invoke the eloquent example of Blizzard’s Diablo (Blizzard Entertainment, 1996), among the first truly successful commercial online games. It is generally acknowledged that the gaming experience was seriously affected by the amount of cheating apparent among many participants. In a somewhat informal survey conducted by the gamer magazine Games Domain (Greenhill 1997), 35% of the Diablo-playing respondents confessed to having cheated in the game (n=594). More interesting, however, were the answers to the question of whether a hypothetical cheat and hack free gaming environment would have increased or decreased the game’s longevity and playability. Here, 89% of the professed cheaters stated that they would have preferred not being able to cheat. This response distribution clearly tells of a social dilemma. Arguably, the players queried are tempted to cheat but understanding that this temptation applies to other players as well, would prefer that no-one (including themselves) have full autonomy.

Certo. Os artigos foram linkados a partir do site da Game Studies cuja base de dados encontra-se, hoje, aberta ao público. Há outros tantos em bases de dados restritas. Os games não são apenas diversão interessante, são também objetos acadêmicos relevantes tanto por sua popularidade quando pelas questões que levantam. Estamos muito além do River Raid. Divirtam-se.

08/07/2008

Bem-vindo à Era do Petabyte

daniel christino, 5:22 pm
Filed under: Ciência,Imprensa,software,tecnologia

Um modo acurado de entender teorias científicas é compará-las a modelos. Ou melhor, modelos são simulações de funcionamento dos princípios de uma teoria. São construídos a partir de dados. O exemplo mais comum vem da metereologia, mas também encontramos modelagem na física e na biologia. Com os modelos podemos entender de que modo os dados empíricos se associam para formar uma explicação razoavelmente coerente dos fenômenos estudados. É uma espécie de semântica dos dados. Com informações sobre o comportamento de massas de ar, áreas de pressão, velocidade dos ventos, temperatura e imagens de satélite alimentando um determinado modelo, podemos prever, com boa dose de acerto, o comportamento do clima. Exemplos podem ser encontrados aqui.

O interessante sobre os modelos é que muitos deles se baseiam, na verdade, na insuficiência de dados e não em sua abundância. O modelo utiliza hipóteses derivadas da teoria para preencher a lacuna deixada pela falta de informação. É por isso que a Física formula teorias consistentes com até 12 dimensões sem ter conseguido provar, experimentalmente, mais do que quatro. Acontece o mesmo na Economia, principalmente na Teoria dos Jogos de Estratégia. Aliás, incidentalmente, foi a procura por um modelo econométrico que inspirou a criação do Instituto Santa Fé, cuja principal conquista foi a controversa Teoria do Caos (sobre isso, o livro mais legal que já li é esse).

Nem mesmo as ciência humanas – notadamente a sociologia e a economia – escaparam da hipótese de se poder modelar o comportamento social humano. Na Sociologia, a Teoria dos Sistemas (cf. Niklas Luhmann e Talcott Parsons) gerou modelos computacionais sobre interação social e comportamento de consumo. Se quiser aprofundar basta checar a literatura sobre sistemas complexos adaptativos.

Mas os pressupostos metodológicos e epistemológicos por detrás da idéia de modelagem podem ter sido ultrapassados pela tecnologia. É o que argumenta a reportagem da Wired “O fim da teoria“. Segundo Chris Anderson, editor de ciência da revista,

Sixty years ago, digital computers made information readable. Twenty years ago, the Internet made it reachable. Ten years ago, the first search engine crawlers made it a single database. Now Google and like-minded companies are sifting through the most measured age in history, treating this massive corpus as a laboratory of the human condition. They are the children of the Petabyte Age.

O raciocínio de Anderson tem a ver com a equação quantidade x qualidade. Segundo ele a tecnologia nos dá a capacidade de interagir com quantidades de informação nunca antes disponíveis aos indivíduos sem a mediação de um modelo teórico que conferisse algum sentido a estes dados. No lugar das teorias, algoritmos de busca. No lugar da causalidade, correlação. O que sustenta este raciocínio é a percepção (ele não formula um tratado sobre o assunto) de que não é mais possível circunscrever toda informação disponível a uma totalidade de sentido. Por mais irônico que possa parecer, quando finalmente temos acesso a quantidades impressionantes de dados para comprovar a plausibilidade de determinados modelos, eles não são mais necessários.

At the petabyte scale, information is not a matter of simple three- and four-dimensional taxonomy and order but of dimensionally agnostic statistics. It calls for an entirely different approach, one that requires us to lose the tether of data as something that can be visualized in its totality. It forces us to view data mathematically first and establish a context for it later. For instance, Google conquered the advertising world with nothing more than applied mathematics. It didn’t pretend to know anything about the culture and conventions of advertising — it just assumed that better data, with better analytical tools, would win the day. And Google was right.

Este raciocínio tem um pressuposto, entretanto. A idéia de que teorias científicas são constructos anteriores à experimentação e sua “verdade” deve ser comprovada ex post facto. Em outras palavras, Anderson é um popperiano legítimo e sua interpretação da lógica da ciência pode ser entendida como um racionalismo crítico. Para falar com Bachelard, o vetor epistemológico vai da teoria em direção à experiência. É por isso que ele vê uma espécie de revolução no modelo científico ao entender que a tecnologia inverte o vetor bachelardiano. Agora, é a experiência que vem primeiro.

There is now a better way. Petabytes allow us to say: “Correlation is enough.” We can stop looking for models. We can analyze the data without hypotheses about what it might show. We can throw the numbers into the biggest computing clusters the world has ever seen and let statistical algorithms find patterns where science cannot.

Como evidência Anderson cita um cluster formado pela IBM, Google e mais seis universidades americanas prestes a colocar um gigantesco conjunto de precessadores de informações para funcionar. Curiosamente, o projeto inclui também programs de simulação (modelos!!) do cérebro e do sistema nervoso.

The cluster will consist of 1,600 processors, several terabytes of memory, and hundreds of terabytes of storage, along with the software, including IBM’s Tivoli and open source versions of Google File System and MapReduce. Early CluE projects will include simulations of the brain and the nervous system and other biological research that lies somewhere between wetware and software.

Learning to use a “computer” of this scale may be challenging. But the opportunity is great: The new availability of huge amounts of data, along with the statistical tools to crunch these numbers, offers a whole new way of understanding the world. Correlation supersedes causation, and science can advance even without coherent models, unified theories, or really any mechanistic explanation at all.

Eu, do meu lado, não consigo ver no horizonte da tecnologia uma mudança tão radical a ponto de redimensionar a relação teoria x experiência na ciência. Sem dúvida Anderson tem a seu favor a evidência histórica de que os impactos de uma nova tecnologia podem, realmente, alterar o modo como a ciência vê a si mesma (basta lembrar do telescópio de Galileu).

Por outro lado, as revoluções científicas sempre acontecem antes na especulação criativa dos cientistas do que na análise fria dos dados. Foi o que aconteceu com a teoria de evolução, por exemplo. Mesmo que, nos termos de Anderson, a correlação supere a causalidade, a ciência percorreu um caminho muito tortuoso e difícil até admitir sua natureza histórica, sua dimensão verdadeiramente humana (toda ciência é humana, neste sentido!) para agora dar meia-volta inspirada em algo evidente desde os gregos: a realidade é imensamente complexa e nossa capacidade limitada. Uma posição meramente instrumentalista, como a que Anderson defende, implica abandonar o problema do sentido, deixando-o de lado como se fosse um brinquedo quebrado. É preciso recuperar o pasmo essencial. Teorias serão sempre necessárias.

06/07/2008

Grafite — 18

rodrigo fiume, 12:43 am
Filed under: Arte,fotografia

04/07/2008

Paulo Francis

daniel christino, 9:06 pm
Filed under: Cotidiano,escritores,memória

Nunca fui fã do Paulo Francis. Mas tenho que admitir que o texto abaixo é muito bom.

O marxismo foi, por certo, uma revelação, só comparável ao valor sacrossanto que o cristianismo descobriu na pessoa humana. Mas Marx é o que Merleau-Ponty disse: um clássico. Suas verdades e erros fazem parte de um todo, onde o aplicável e o inaplicável não alteram ou destróem a grandeza geral, mas devem ser vistos à distância, com um detachment brechtiano, e jamais como uma camisa-de-força da nossa realidade, inclusive da ampliação de conhecimento da natureza humana que adquirimos a partir de 1914.

Paulo Francis. Certezas da dúvida. Paz e Terra, 1970. Graças ao Leon Rabelo.

Fodo

yuri vieira, 4:15 pm
Filed under: Humor,Política

“Mestre vai trair nóis!”

“Num vai não.”

“Vai sim, ele proibe nóis de beber e dirigir, depois vai proibir nóis de beber e andar a pé, porque nóis pode ser atropelado de tão tonto. Mestre acha que nóis num é capaiz de pensar por nóis mesmo…”

“Mestre é bãozinho, não vai fazê isso não!”

“Vai sim, depois ele vai proibir nóis de pregar cruz nas parede dos prédio público, das iscola e biblioteca.”

“Hã?”

“E aí mestre vai liberar a maconha.”

“Hã?!”

“E nóis vai virar tudo muçulmano, vai sim, vai ficar sem beber, fumando haxixe no narguilé… Nóis vai fazê Ramadã pra comemorar o Fome Zero, vai sim… Lembra que nóis arrancou o dedo de mestre na dentada pra pegar nosso Precioso?”

“Nóis lembra.”

“E cadê o anel que num tava lá?

“Nóis num sabe…”

“Nóis foi muito burro, porque nóis arrancamo o mindinho, o dedo errado, e o anel ainda tá lá no outro, dominando o mestre…”

“Não! Não!! Nããããããããão!!!”

“Sim! Sim!! Siiiiiiiiim!!!”

Enquanto isso, no Palácio do Ocaso, Fodo, entre uma pinguinha e outra, tenta imaginar mais uma maneira de comprar com promessas, “benefícios” e, claro, dinheiro, a consciência do povo brasileiro.

“Quem não está comigo, eu fodo mesmo!”, fala em voz alta.

“Ah, então é por isso que vc não me procura mais?”, reclama dona Foda. “Só porque estou sempre com você? Então tá, vai lá fazer o que você mais gosta, vai lá mostrar o anel pro Dirceruman…”



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