04/11/2008

Ele não questionava

ronaldo brito roque, 2:29 pm
Filed under: Arte,literatura,plásticas
Tags: 

Eu pensei em tirar uma foto, depois voltei atrás. Ela era bonita, colorida, os olhos simples e estáticos me emocionaram um pouco. Não sorria; tinha um pirulito na mão, mas preferia não lamber. Talvez quisesse apenas mantê-lo ao alcance da boca, mostrar que ainda estava na idade de pensar que um pirulito era apenas um pirulito, sem maiores conotações freudianas. Mas havia qualquer coisa de triste no seu olhar, uma serenidade meio apática que delatava uma infância com muito açúcar e pouca alegria. Ela era sim, bonita, colorida, no entanto um pouco triste. Despertava certa veia maternal dentro de mim: uma força que me impelia a protegê-la e ampará-la, mesmo que eu não soubesse como ou por quê. Mas a câmera eu guardei. Alguma sombra dentro de mim negava aquela menina. Algo que invejava e temia aquele tipo de arte. Fiquei um tempo pensando no sujeito que a pintou. Provavelmente não era formado, pois sua obra era muito simples: uma criança com pirulito na mão e barriga de fora. Um pouco triste, um pouco perplexa e nada mais. E era justamente isso que me machucava. Um ignorante, com meia dúzia de esprêis, era capaz de despertar emoções sinceras – coisa que eu não conseguia fazer com meus escâner, computador, câmera e conceitos modernos. Pensei em tirar uma foto e colocar no meu blógue. Cogitei falar da força misteriosa da simplicidade, do impacto emocional que o figurativo ainda causa nas almas desprevenidas. Mas tudo isso seria apenas mais um argumento, não uma emoção. Eu, que tanto atacava o mundo da razão, ia usar a menina como desculpa para produzir mais uma reflexão? Saí de casa confusa, e o comentário da vizinha só fez piorar meu estado:

— Esses meninos são uns vândalos, vivem estragando a propriedade alheia. Mas temos que admitir que alguns deles têm sensibilidade…

— É… pois é… alguns deles…

Sensibilidade era uma palavra gasta. Eu aprendera a odiá-la na faculdade. Toda uma geração havia falado em sensibilidade e conseguira produzir apenas paisagens campestres e mulheres seminuas. Não estávamos mais na época da sensibilidade; uma bobagem dessas simplesmente não seria aceita pelos meus professores. Me refugiei na idéia de que a velha era apenas mais uma ignorante, e sua opinião jamais seria partilhada por alguém de cultura, tanto menos por um investidor.

Mas na esquina tive novo desconforto. Um gari tinha parado de varrer. Debruçado na própria vassoura, contemplava o silêncio da menina. Me perguntei se ele estaria tendo as mesmas emoções que eu; se o desenho lhe tinha despertado algum instinto paternal, se o fazia recordar o desamparo e a fragilidade da própria infância. Mais uma vez me abriguei na idéia de ignorância. Ele era um gari, o que podia saber sobre arte?
(Continua…)

O ser humano não é uma ilha

yuri vieira, 3:06 am
Filed under: Arte,Cotidiano,Podcast e videos
Tags: 

Filme feito inteiramente com imagens captadas por um celular nas ruas de NY e Sydney. (Via The all seeing eye.)

Visões da vida quase-real 1

diogo, 2:55 am
Filed under: Arte
Tags: 

A beleza natural de Nicole com um quê artificial de Photoshop…

Quem precisa de uma segunda-vida?

03/11/2008

Batmaccain X Coringama

yuri vieira, 12:05 pm
Filed under: fotografia,Humor,Política
Tags: 

A imagem é de um amigo cartunista que prefere não se identificar. Seu comentário:

“Esta foto saiu na capa da Folha ontem. Confesso que não foi meu desejo inicial expressar uma opinião política com o meu retoque… A associação estética veio primeiro. O queixo quadrado do Mccain e o rosto sorridente e mercuriano do Obama é que me sugeriram, quase impuseram, a lembrança dos dois personagens. Talvez os significados acabem se encaixando depois…”

batmaccain e coringama

batmaccain e coringama

¿Por qué no te callas, Lula?

yuri vieira, 11:50 am
Filed under: Humor,Mídia,Política
Tags: 

Lula é vítima de pegadinha na Espanha. (Via Gafanhoto.)

31/10/2008

Pinocchio Hussein Obama

diogo, 11:46 pm
Filed under: Economia,Política
Tags: 

Dinheiro de quem?

diogo, 2:15 pm
Filed under: Economia
Tags: 

“Não vou aceitar a tese de conservadores que acham que é preciso diminuir os gastos do Estado. Não vamos diminuir, porque todos aqueles que, na década de 80 e 90, diziam que o Estado não podia ser forte, que atrapalhava, que gastava demais, na hora em que o sistema entra em crise, quem vai salvá-lo é o Estado que eles diziam que não prestava para nada”, Lula na 28ª Cúpula Ibero-americana antes de ir ao encontro do operador do El Paredón, Raul Castro.

Vejam lá: uma crise econômica causada por políticos que gera lucros apenas para… políticos. Interessante como Lula, assim como todos os burocratas estatais, parece nunca saber de onde vem o dinheiro do Estado, com o qual se pretende salvar o sistema.

29/10/2008

Visões do Second Life 7

yuri vieira, 3:02 am
Filed under: Arte,Second Life
Tags: 

Por Ro8 Avro.

28/10/2008

Goiânia, campeã mundial

yuri vieira, 5:22 pm
Filed under: Cotidiano,Economia,Imprensa,Política
Tags: 

Da revista Isto É Dinheiro:

Brasil tem as cidades mais desiguais

O relatório “Estado das Cidades no Mundo 2008/2009”, divulgado na semana passada pela Agência das Nações Unidas para a Habitação, apresentou dados alarmantes referentes ao Brasil. Segundo o estudo, as cidades brasileiras têm hoje as maiores desigualdades de distribuição de renda no mundo. Pior ainda: Goiânia (GO) é a campeã mundial, seguida de Brasília, Belo Horizonte, Fortaleza e São Paulo. Acompanhe a seguir os principais dados da pesquisa.

• As Nações Unidas utilizam o coeficiente Gini, indicador que mede a concentração de renda de um país e que aponta desigualdade maior à medida que se aproxima do número 1. No ranking, Goiânia obteve Gini 0,65, o maior do mundo. Segundo a ONU, a linha de alerta começa em 0,4.

29% da população urbana do Brasil vive em favelas. Entre as cidades brasileiras, o Rio de Janeiro é a recordista, com índice de 40%. Na América Latina, 27% da população habita moradias consideradas inadequadas.

• Metade da população mundial vive atualmente em cidades. Em 2040, esse índice pode chegar a 70%.

São Paulo é a quarta megacidade do planeta, com 18,8 milhões de habitantes. Projeções da ONU indicam que a capital paulista será a segunda maior cidade do mundo em no máximo 20 anos.

• O inchaço das grandes cidades aumenta os riscos ambientais. Se nada for feito, a ONU atribui 58 mil mortes prematuras por ano à poluição do ar nas áreas urbanas da América Latina.

Elite

rodrigo fiume, 1:56 pm
Filed under: Política
Tags: 

Do blog de Guillherme Fiuza:

Matou a política e foi ao cinema

A eleição mais disputada do Brasil foi decidida pela ignorância. A ignorância dos cultos e dos bem-pensantes.

O vencedor, candidato de Lula e do governador Sérgio Cabral Filho, era também o candidato das milícias, como mostraram as pesquisas de opinião. Além do braço armado, tinha o braço da pirataria ideológica. Panfletos difamatórios foram apreendidos aos milhares nos comitês de Eduardo Paes.

A parcela mais esclarecida da população, aquela que grita por uma cidade mais civilizada e ética, aderiu a Fernando Gabeira. Uma “onda verde” das pessoas de bem adotou o candidato da transparência, que divulgou nome por nome dos seus doadores de campanha. E as quantias também. Tudo isso antes do primeiro turno. Uma revolução.

Num eleitorado de quase 5 milhões, Gabeira perdeu por pouco mais de 50 mil votos. Não foi derrotado pela campanha suja do adversário. Foi derrotado pelas “pessoas de bem”.

A abstenção no Rio foi recorde. No feriadão criado pelo padrinho do vencedor, mais de 20% não votaram. E esse recorde foi puxado pela Zona Sul da cidade – onde está a maior concentração de cultos e bem-pensantes. Dessa turma, nada menos que um em cada quatro eleitores trocou a urna por um programa melhor.

Gabeira foi derrotado pelo eleitor de Gabeira.

O candidato do Partido Verde, que fez história nessa eleição com sua cruzada contra a baixaria, disse que derrotaria as máquinas estadual, federal e universal – a do bispo Crivella, amigo de Lula, que assim como as milícias aderiu a Eduardo Paes.

Gabeira derrotou-as. Só não conseguiu vencer a máquina da ignorância culta.

É a mais letal das ignorâncias. Trata-se daquela em que o sujeito tem educação e informação suficientes para discernir. Mas não assume suas responsabilidades.

Do povão manobrável, espera-se que seja manobrado. Das milícias e máquinas, espera-se que manobrem o povão. Da elite esclarecida, espera-se que dê o exemplo.

A elite esclarecida matou a política e foi ao cinema. Ou à praia. É direito dela. Só não tem mais direito de choramingar a falta de ética dos outros.

Fãs de Barack Obama

yuri vieira, 4:39 am
Filed under: Cotidiano,Política
Tags: 

Do Olavo de Carvalho:

Chamado de “Messias” pelo líder radical muçulmano Louis Farrakhan e de “Meu Jesus” pela editora-chefe de um jornal universitário, Barack Hussein Obama informa: “Contrariamente ao que diz a opinião popular, não nasci numa manjedoura.” Já pensaram se ele não avisasse?

Qualquer que seja o caso, pelo menos um milagre confirmado ele [Obama] já fez: é o primeiro candidato presidencial que obtém o aplauso de todos os inimigos dos EUA sem que isto desperte contra ele a menor desconfiança do establishment americano. Entre seus entusiastas, contam-se o Hamas, o presidente iraniano Ahmadinejad, Muammar Khadafi, Fidel Castro, Hugo Chávez e o canal de TV Al-Jazeera. Imagino o que aconteceria à candidatura de Franklin D. Roosevelt em 1932 se ele recebesse o apoio ostensivo de Josef Stalin, Adolf Hitler e Benito Mussolini. (Continua)

Tenho feito a minha parte

yuri vieira, 2:49 am
Filed under: Cotidiano,Economia,Humor
Tags: 

Recebi o texto abaixo do Pedro Novaes, que, como quase todo mundo neste blog, anda com preguiça de publicar. (É a vida. E blog não enche a barriga de ninguém, só dá é dor de cabeça, principalmente quando o Daniel resolve comentar no seu post.) Enfim, é uma suposta declaração do analista de investimentos e empresário, Marc Faber (minha tradução segue logo abaixo):

…Investment analyst and entrepreneur Dr. Marc Faber concluded his monthly bulletin (June 2008) with the Following:

”The federal government is sending each of us a $600 rebate. If we spend that money at Wal-Mart, the money goes to China . If we spend it on gasoline it goes to the Arabs. If we buy a computer it will go to India . If we purchase fruit and vegetables it will go to Mexico, Honduras and Guatemala . If we purchase a good car it will go to Germany . If we purchase useless crap it will go to Taiwan and none of it will help the American economy. The only way to keep that money here at home is to spend it on prostitutes and beer, since these are the only products still produced in US. I’ve been doing my part.”

[Tradução: O governo federal está enviando a cada um de nós um abatimento de U$600. Se nós gastarmos esse dinheiro no Wal-Mart, o dinheiro irá à China. Se o gastarmos em gasolina, irá para os árabes. Se comprarmos um computador, irá até a Índia. Se adquirirmos frutas e vegetais, irá para o México, Honduras e Guatemala. Se adquirirmos um bom carro, ele irá para a Alemanha. Se adquirirmos porcarias inúteis, ele irá a Taiwan e nada desse dinheiro ajudará a economia Americana. A única maneira de manter esse dinheiro aqui em casa é gastá-lo com prostitutas e cerveja, uma vez que são esses os únicos produtos ainda produzidos nos EUA. Eu tenho feito a minha parte.]

27/10/2008

Wayne Wang no You Tube

yuri vieira, 3:43 pm
Filed under: cinema,Imprensa,internet
Tags: 

Semanas atrás, conversando com um cineasta local, comentei sobre a idéia de lançar o curta-metragem De Partida — dirigido por mim e pelo Pedro Novaes — apenas pelo You Tube. Enviaríamos o link para Deus e o mundo e depois marcaríamos um encontro numa choperia. O figura deu um sorrisinho e disse que isso era pura preguiça da minha parte, que valia a pena sim organizar um lançamento nos moldes tradicionais, que esse negócio de lançar filmes pelo You Tube era uma heresia estética e tal. (Sei, como se as projeções digitais das nossas salas tivessem alguma qualidade…) Mais tarde, conversando com o Pedro, decidimos que o lançamento ocorreria mesmo durante a projeção na VIII Goiânia Mostra Curtas, o que se deu no início deste mês de Outubro. Não que não quiséssemo lançá-lo pelo You Tube, mas porque o curta ficou pronto justamente a tempo de participar da seleção do festival. Enfim… hoje, leio na revista Isto É Dinheiro (N.578):

Lançamento no You Tube

O diretor de cinema Wayne Wang, autor de Cortina de Fumaça e de O Clube da Felicidade e da Sorte, encontrou uma solução para lançar seu novo longa-metragem sem gastar dinheiro. Ele disponibilizou seu filme The Princess of Nebraska para ser visto gratuitamente no portal You Tube. [O filme está bloqueado no Brasil, mas vc pode vê-lo através de um proxy.] Com um orçamento apertado, o chinês percebeu que teria dificuldades para estrear nas salas de cinema e decidiu atingir o público pela internet. A mesma estratégia tem sido usada pelo polêmico diretor Michael Moore*, autor do documentário Tiros em Columbine.

Lançar um longa-metragem no You Tube é mais ou menos como lançar um romance integralmente no formato ebook: apenas alguns poucos irão fruí-lo por inteiro, mas a maioria se sentirá seduzida e correrá atrás da versão mais “amigável” da obra. Fazer pouco caso de uma tecnologia como a que temos hoje à nossa mão é pura frescura de puristas sem o menor sentido da realidade.

* O Michael Moore pode ser desonesto, mas é muito esperto em termos de marketing…

A chi altri non piace il mio film? *

yuri vieira, 3:07 pm
Filed under: Avisos,cinema,sites
Tags: 

Nosso curta-metragem ESPELHO foi escolhido como melhor curta-metragem da semana — na segunda semana de Julho deste ano — pelo site italiano Mooovie, o qual tem o objetivo de reunir em site, livro e DVD la prima selezione di film di qualità. A resenha:

Vi sarà capitato sicuramente nella vita di imbattervi in un film sperimentale incomprensibile e noioso. In questo simpatico cortometraggio brasiliano il pubblico del cinema viene messo a confronto con la propria immagine riflessa. Quando la sperimentazione non è gradita, la provocazione accende solo una discussione sterile e alquanto pericolosa… con finale a sorpresa. Dedicato ai decadenti che si atteggiano ad intellettuali.

A propósito, levando em conta tanto a versão legendada quanto a não-legendada, o curta ESPELHO já foi assistido 11.002 vezes no You Tube. Também está disponível no Metacafe e no MySpace.

* “A chi altri non piace il mio film?” = “Alguém mais não gostou do meu filme?” (Fala do personagem interpretado pelo Pedro Novaes.)

24/10/2008

Presidents, by NYT

rodrigo fiume, 7:43 pm
Filed under: Imprensa,Política
Tags: 

New York Times Endorsements Through the Ages

A collection of The Times’s endorsements for the presidency, from Abraham Lincoln in 1860 through the editorial board’s choice of Senator Barack Obama this year.

22/10/2008

Caso Eloá: a mídia no comando

diogo, 9:28 am
Filed under: Mídia
Tags: 

Perfeito… não há muito o que falar além do exposto abaixo!

Caso Eloá: a mídia no comando

Por Luciano Porciúncula Garrido

Não restam dúvidas a respeito da má atuação da PMESP no seqüestro de Eloá. A condução do caso foi absolutamente equivocada. Não creio que valha a pena comentar a malfadada decisão que resultou na devolução da jovem ao poder do perpetrador, coisa absolutamente bisonha sob todos os aspectos: técnico, moral e legal. Passemos aos pontos mais controversos.

O ânimo passional do perpetrador já prenunciava um desfecho trágico do episódio. O clima de tensão levou Lindenberg às efusões de um delírio quase psicótico. Alguns chegaram a traçar-lhe o perfil psicológico semelhante ao do caráter obsessivo-compulsivo, transtorno no qual a ambivalência afetiva – isto é, as oscilações entre amor e ódio – é bastante pronunciada. Assim sendo, o prognóstico do quadro não era dos melhores, e muito menos autorizava a imprudência de tomá-lo apenas como uma “crise amorosa”. O fato do perpetrador não ter antecedentes criminais tampouco era razão suficiente para subestimar o seu potencial ofensivo. Por outro lado, em nenhum momento se ouviu falar em possíveis antecedentes psiquiátricos ou comportamentais, coisas muito mais relevantes em crimes dessa natureza.

Naquelas circunstâncias, e conforme assinala as técnicas de gerenciamento de crise, todos sabiam que as jovens tomadas em poder de Lindenberg não eram propriamente reféns, mas sim vítimas. Nos casos em que há reféns, a barganha é a motivação central na ação do perpetrador, sendo a negociação muito mais viável. Contudo, quando nos deparamos com pessoas na condição de vítimas, o espaço para negociações fica extremamente reduzido, pois os alvos em poder do perpetrador não se configuram como instrumentos de troca; eles são, ao contrário, o próprio objeto da ação delituosa. Em casos como esse, portanto, as negociações limitam-se quando muito a tentativas precárias de dissuasão verbal, donde muitas vezes se mostram inócuas frente à perturbação mental em que se encontra o autor.

Acrescente-se a tudo isso as interferências constantes de jornalistas e âncoras de TV, que faziam com o perpetrador contato telefônico em tempo real, protagonizando um verdadeiro show de barbaridade às custas da pobre adolescente. Eis aí o enredo perfeito para um desenlace macabro.

Que as vicissitudes deste episódio nos tragam uma lição exemplar. E que essa lição não se restrinja apenas a formulações tecnicistas para uso operacional dos órgãos de segurança pública. Que o drama vivido em Santo André nos sirva para repensar toda atuação de nossas próprias polícias.

Quais influências sofrem os órgãos de segurança pública para que suas ações não se pautem unicamente por fatores técnicos e científicos na condução de eventos críticos? Que utopia desvairada é essa que obriga a polícia a poupar vidas a todo custo, mesmo quando essa obstinação “politicamente correta” assinala como prelúdio a morte de inocentes?
O pronunciamento de quem comandou a operação é bastante sintomático:

“Se tivéssemos dado o tiro de comprometimento, os senhores (imprensa) estariam questionando essa decisão”

Que importa os questionamentos de uma imprensa leiga? Basta apenas que a polícia cumpra o seu dever convicta de sua isenção profissional, de sua capacidade técnica e munida de uma coragem moral inabalável. Se assim não for, continuará refém de toda sorte de hesitações obtusas e de melindres ideológicos, que redundarão inevitavelmente em erros primários de conseqüências desastrosas.

Que a polícia venha optar sempre pelo “tiro de comprometimento”, se o compromisso for com a vida de inocentes! E aos que titubeiam diante de possíveis questionamentos alheios, recomendo as sábias palavras do apóstolo São Paulo:

“A nossa glória é essa: o testemunho de nossa consciência”.

—————–

Luciano Porciúncula Garrido é Psicólogo, Policial Civil do Distrito Federal e pós-graduando em Segurança Pública e Direitos Humanos pela SENASP/Unieuro. E-mail: garrido1974@gmail.com



Página 3 de 170« First...234...1020...Last »

Add to Technorati Favorites



Blogarama - The Blog Directory








66 queries. 0,732 seconds. | Alguns direitos reservados.