O Garganta de Fogo

blog do escritor yuri vieira e convidados…

Dia dos pais

Eu odeio datas em geral. Dia dos pais, dia das mães, natal, tudo isso é tolice. Não gosto nem do meu aniversário. Mas eu gosto do meu pai, então acabei escrevendo uma coisa para ele.

Olha aí.

Herói Pessoal

Para Lourival Roque

Ele não fez o gol do milênio,

Não inventou o celular,

Não venceu dezoito guerras

Contra dezoito inimigos invencíveis.

Ele acordou cedo, fez a barba e foi trabalhar.

Ele pagou o seguro do carro,

Depois me ensinou a ir soltando a embreagem devagarinho.

Nos dias de sangue e bronquite alérgica,

Ele correu comigo para o médico.

Nos corredores escuros da enfermaria,

Ele reaprendeu a rezar.

Nas madrugadas de sábado,

Quando eu não chegava em casa,

Ele descobria que tinha medo.

No dia seguinte,

Seu medo se traduzia em palavras duras.

Palavras que, no fundo, eram de amor.

Esse amor que também transborda no seu silêncio,

No seu olhar preocupado,

No seu carinho desajeitado de homem.

Pai,

Eu também não fiz o gol do milênio,

Não inventei o celular,

Não venci dezoito guerras,

Contra inimigos intratáveis.

Mas eu quero que meus filhos,

Se lembrem de mim,

Como eu me lembro de você:

Um homem certo e sereno.

Um homem cuja maior vitória

Não se vê estampada na galeria da fama,

Mas no brilho tranqüilo

Do riso sincero

De um filho feliz.

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3 Comments

  1. Paulo Paiva

    Ronaldo, gostei bastante de seu poema. Um abraço!

  2. Vin

    Very Good!

  3. filipe

    mo careta!
    muito melhor o meu:
    Presente
    Amavel
    Inteligente
    brincadeiras a parte, quando tento fazer alguma homenagem ao meu velho, a unica coisa q me vem a cabeça é:

    “meu pai nao tinha educaçao
    ainda me lembro
    era um grande coraçao
    ganhava a vida com muito suor
    mesmo assim nao podia ser pior
    pouco dinheiro pra poder pagar
    todas as contas e despesas do lar
    mas deus quis vê-lo no chao,
    com as maos levantadas pro ceu,
    implorando perdao…”
    MARVIN

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