O Garganta de Fogo

blog do escritor yuri vieira e convidados…

Mês: dezembro 2007 Page 1 of 4

Top 10 Filmes Estrangeiros

Scoop

Estes são os 10 melhores filmes estrangeiros a que assisti no cinema em 2007:

1 – Scoop – O Grande Furo, de Woddy Allen (EUA/Inglaterra);
2 – Notas sobre um Escândalo, de Richard Eyre (Inglaterra);
3 – Sonhos com Xangai, de Wang Xiaoshuai (China);
4 – Um Amor além do Muro, de Dominik Graf (Alemanha);
5 – Babel, de Alejandro González Iñarritu (EUA/México);
6 – Planeta Terror, de Robert Rodriguez (EUA);
7 – Pecados Íntimos, de Todd Field (EUA);
8 – Medos Privados em Lugares Públicos, de Alain Resnais (França)
9 – Ventos da Liberdade, de Ken Loach (Irlanda)
10 – A Vida Secreta das Palavras, de Isabel Coixet (Espanha)

Da Paz

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Igreja Nossa Senhora da Paz, Ipanema, Rio — 9dez7

Low 3 Filmes Brasileiros

Os três filmes brasileiros realmente ruins lançados em 2007. Há vários outros que não são muito bons, mas que também não merecem fazer parte de uma lista de “piores”. Estes três, entretanto, são hors-concours:

1 – Encontro com Milton Santos ou o Mundo Global Visto do Lado de Cá (veja o meu post aí abaixo sobre o Dr. Milton Santos);
2 – Os 12 Trabalhos;
3 – Proibido Proibir.

Top 10 Filmes Brasileiros

Taí a lista mais importante do ano: meu ranking pessoal dos 10 melhores filmes brasileiros lançados este ano. Evidentemente que só se incluem os que eu vi, mas se eu eu não vi, não deve prestar.

1 – A Via Láctea, de Lina Chamie;
2 – Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho;
3 – Mutum, de Sandra Kogut;
4 – Tropa de Elite, de José Padilha;
5 – Person, de Marina Person;
6 – Antonia, de Tata Amaral;
7 – Cão sem Dono, de Beto Brant;
8 – Maria Bethânia – Pedrinha de Aruanda, de Andrucha Waddington;
9 – Aboio, de Marilia Rocha;
10 – Santiago, de João Moreira Salles.

Como acabar com a pirataria?

Resposta a uma questão atual

Como acabar com a pirataria?

Antes de responder essa pergunta, precisamos responder outras.

Você quer acabar com a pirataria? Existe vantagem na pirataria?

Não sou cineasta, nem produtor de cinema, por isso gosto muito da pirataria. Adoro poder ir à esquina ao lado e comprar alguns dos meus filmes favoritos. Na locadora eu pagaria mais caro e ainda teria o trabalho de devolver. No pirata eu pago mais barato e não preciso me preocupar com o dia da devolução. E o que é melhor: o filme vem sem aquelas capinhas ridículas. Sempre achei as capinhas desnecessárias, porque (1) fazem o DVD ocupar mais lugar e (2) toda informação que vem nelas pode muito bem vir dentro do DVD. Compro um DVD interessado no filme que está lá dentro, a capinha não me interessa. Se ela for substituída por um envelopinho de plástico, tanto melhor. Menos matéria e menos espaço a ocupar.

Então eu pergunto: você quer acabar com a pirataria? A resposta é não. Queremos um DVD mais barato e não queremos voltar para devolver.

O pirata nos presta um bom trabalho, e queremos lhe pagar pelo trabalho, como fazemos a qualquer profissional. Não queremos que o pirata acabe. Se as pessoas se preocupassem mais em criar e menos em perseguir, o mundo estaria melhor.

Por outro lado, queremos que o cineasta ganhe algum dinheiro, do contrário ele não poderá sobreviver e fazer mais filmes legais. Também queremos que os donos de locadora sobrevivam de alguma forma. Eles são nossos amigos e estamos cansados de ouvir suas lamentações.

Então surge a solução total!

Vamos transformar as locadoras em centros de distribuição de filmes. Você vai lá com um DVD e eles copiam para você! Assim os dois saem ganhando. Ele ganha porque vai poder cobrar pelo trabalho, e você ganha porque não precisará voltar para devolver. Ele também pode vender o DVD virgem, o que o levaria a ganhar um troquinho a mais.

Depois o estado vai lá e cobra os direitos autorais dos donos de locadoras! Notem que isso é infinitamente mais fácil e viável, pois é mais fácil fiscalizar e punir um sujeito que está sempre no mesmo lugar que um nômade. A fiscalização só existe sobre um determinado espaço, é por isso que os ciganos não querem ter um lugar fixo. Se um sujeito tem um lugar fixo, você pode reunir um grupo e puni-lo (esse grupo, na modernidade, se chama polícia). Se um sujeito não tem lugar fixo, fica mais difícil puni-lo. Assim fica dada a solução. Não se deve acabar com a pirataria, pois gostamos do bem que ela nos faz. Devemos é legalizar a pirataria, ou seja, cobrar os direitos autorais depois que o sujeito fez a cópia. E o melhor jeito de fazer isso é nomeando o sujeito que faz a cópia, sabendo onde é o lugar que ele trabalha, onde é a casa dele, etc.

O estado não existe para proibir a atividade criativa, ele existe para cobrar um troquinho do cara depois que ele criou.

Se eu fosse dono de locadora, lutaria pela implementação desse sistema.

Procura-se Nerino, 7

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Rua Harmonia, Vila Madalena, São Paulo

Natal

Pelo horário do post vocês já devem imaginar que comi horrores e não consigo dormir nesta madrugada de natal. Então, aqui vai um post cheio de pernil, salada com pesto, arroz com castanhas e trufa (que sobremesa maravilhosa!).

Natal é clima. Natal é família. Natal é surpresa. Este ano ganhei dois presentes incríveis. O primeiro foi da minha esposa, Adriana (um beijo, meu bem). Ela me deu o livro “A cidade e a infância” do escritor português José Luandino Vieira. Estou lendo e adorando. Depois comento mais.

Já o segundo presente veio num e-mail inesperado.

Comecei a dar aulas por impulso, obedecendo a um prazer bem próprio e egoista: eu gostava de conversar com os outros sobre o que eu lia ou estudava, e gostava também de explicar-lhes como eu me sentia ao ler e estudar o que eu lia e estudava. Na verdade eu não me importava muito com o impacto do que eu falava nas outras pessoas. Dava aulas porque me sentia bem fazendo isso. Claro, eu tive alguns professores geniais, dos quais ainda me lembro com muito carinho (Udo, Luis Cláudio, Jordino, Adriano, etc.), mas nunca havia atinado para a intensidade deste tipo especial de relacionamento. Como o Pedro, minhas amizades sempre constituiram laços intelectuais e emocionais muito mais fortes. Meus amigos mudaram minha vida muito mais do que meus professores.

Recebi, ontem, este e-mail de uma ex-aluna da Alfa. Era uma menina meio sonolenta e emsimesmada. Não se saia muito bem nas avaliações e nem participava ativamente das aulas. Parecia meio deslocada em sala, chegava sempre atrasada e me olhava com um ar entre o desprezo e o enfado, pelo menos para mim. Enfim, era uma aluna mediana. Lembro-me dela porque fui convidado como avaliador para sua banca de TCC (trabalho de conclusão de curso). Sinceramente nem me lembro de qual foi o título do seu trabalho – ela se formou em 2005.

Na carta ela diz coisas como “Na primeira aula que assisti na turma de jornalismo da Faculdade Alfa, no segundo semestre de 2001, um professor de cabelos longos, anelados, falava sobre a responsabilidade do jornalista no que ele chamava de “construção da realidade”. Fiquei maravilhada. Até então, não havia experimentado o prazer de assistir a uma aula, do inicio ao fim, sem “piscar os olhos”.

Ou então “Na verdade, eu não gostava de ser eu. No início, o que eu mais gostava era de assistir as aulas desse professor de cabelos compridos. Ele era tão jovem, tão inteligente, tão brilhante. Eu o admirava. Eu o amava. Queria ser notada por ele. Queria merecer sua admiração. Queria retribuí-lo pelo prazer do conhecimento que despertara em mim“.

Era pra eu ficar envaidecido, não é? Só que no seu TCC eu não lhe dei nota 10 – eu, especificamente, porque sua orientadora queria lhe dar 10. Nem me importei com o significado da nota para a garota. Por princípio não avalio pessoas, procuro avaliar a obra apenas – a única evidência objetiva que possuo. Pois é, ao final do e-mail a garota desabafou: Foi nessa fase, já no final do curso, que vi na monografia a única possibilidade de fazer algo que eu realmente me orgulhasse. Na verdade, eu queria meu estimado professor pra me orientar no trabalho, não deu. Mas, tudo bem, trabalhei duro ao lado de pessoas maravilhosas, que me apoiaram e me ensinaram muito… Eu queria, mais uma vez, movida pela vaidade, provar pra todo mundo, o quanto eu era boa. Não medi esforços pra fazer um trabalho nota 10… Virei noites a fio. Eu sonhava com um 10 pra esfregar na cara do mundo. Pra eu me sentir 10.

Sacanagem não é? Ela, então, arremata: Professor, hoje eu entendo: a vaidade era minha. Quando percebi (demorou alguns meses), tive uma profunda vergonha do que fiz. Da maneira ridícula como chorei ao telefone, fazendo chantagem emocional… Achei, então, que não era mais digna do seu respeito e decidi esquece-lo para sempre. Não consegui. Agora, não me importa a nota que você dará para este e-mail. Fiz o que tinha de fazer, da forma mais digna e sincera que pude. Sinto-me livre.

Que coisa maravilhosa e perigosa é ser professor! Havia me esquecido completamente. Tão acostumado eu fiquei com as colas e os plágios, com a preguiça intelectual e com essa maldita estupidez democraticamente distribuída entre as idades e os sexos, que me esqueci do principal: o vínculo humano pressuposto no ato de ensinar. Ela realmente havia me ligado chorando, tentando explicar como aquele ponto (ou pontos) significou a mais avassaladora e sombria derrota que ela jamais sofrera. Fiz ouvidos moucos, não me movi.

Sabe, eu fico feliz da garota se ver, finalmente, livre de mim. Também eu devo aprender a me esquecer.

Feliz Natal

Santo protetor

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Rua Harmonia, Vila Madalena, São Paulo

Sentimentos Primitivos

vivo

morto

Muito já se disse e escreveu por aí sobre a qualidade dos serviços prestados pelas operadoras telefônicas. Neste momento, estou há 30 minutos ao telefone com o SAC da Vivo tentando cancelar um serviço que não solicitei, e tudo o que posso invocar é a célebre frase do ex-deputado Roberto Jefferson (referindo-se então ao capo de tutti capi José Dirceu): “Colocam-me em contato com os meus sentimentos mais primitivos.”

PS: Acabei o post e continuo ao telefone com a atendente da Vivo. Ou seja, o sistema da WordPress é bem mais eficiente que o da maior operadora de celulares do Brasil!

Arpoador

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Pôr-do-sol no Arpoador, Rio — 9dez7

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