O Garganta de Fogo

blog do escritor yuri vieira e convidados…

Mês: julho 2008 Page 1 of 3

FotoGlobo

Dias atrás, acho que mais ou menos um mês e meio, o Globo Online iniciou um blog voltado para fotografia. Chama-se FotoGlobo.

Traz as experiências dos profissionais do jornal carioca, certamente um dos principais do país. Também são publicados textos sobre exposições, concursos e dicas sobre modos específicos de fotografia —a gastronômica, por exemplo.

Mas talvez o mais importante para os leitores — e tenho certeza de que o mais divertido — são das fotos deles próprios, isto é, leitores, publicadas no blog. Pode-se mandar qualquer coisa, desde fotos “viajandonas” ou da festa de aniversário da família.

Nem tudo é publicado, naturalmente, pois a internet e a fotografia digital praticamente extingüiram limites para produção (e, por experiência própria, garanto que leitor folgado não falta neste mundo; tinha uma que me ligava praticamente toda noite querendo os números sorteados nas loterias…).

Mas muito do que os leitores enviam aos repórteres-fotográficos do Globo é postado no blog.

O divertido é que os caras avaliam mesmo as fotos, sejam lá quais forem. Examinam enquadramento, composição, cores, foco, profundidade de campo, etc. E detonam. Principalmente um cara chamado Marcelo Carnaval. Ele é bem engraçado.

Quando a foto é boa eles também elogiam ou sugerem algo que poderia tê-la tornado melhor, como um corte diferente.

Se você quiser testar, mande um desafio para o Carnaval. Escolha uma foto e mande para os caras.

Urbanismo x saúde

Interessante. Mostra como questões urbanas podem influenciar diretamente em nossa vida biológica. De fato, hoje os bairros são projetados levando-se em conta mais os automóveis do que os pedestres. Um exemplo claro são os condomínios horizontais.

Da Folha Online:

Estudo diz que bairros antigos estimulam hábitos saudáveis

da Efe, em Washington

Um estudo divulgado pela Universidade de Utah diz que locais antigos podem facilitar o combate à obesidade.

“Os bairros mais antigos foram projetados de tal forma que apresentam opções saudáveis”, disse Barbara Brown, co-autora do estudo. “Nos mais tradicionais, freqüentemente há praças arborizadas, com sombras, pequenos comércios, pontos de ônibus, lugares de trabalho e locais atraentes que estimulam os residentes a caminhar”, acrescentou.

O estudo descobriu que os bairros construídos antes de 1950 oferecem mais possibilidades para caminhar, já que freqüentemente foram projetados tendo em mente os pedestres, enquanto os bairros mais novos, em geral, são moldados pensando no tráfego de automóveis.

Brown é uma psicóloga ambiental e social na Universidade de Utah e seu estudo aparece na edição de setembro da revista “American Journal of Preventive Medicine”.

Os pesquisadores usaram informações do Escritório do Censo e do desenho das ruas, e dados sobre o índice de massa corporal (IMC) de mais de 450 mil adultos que vivem no Condado de Salt Lake, em Utah.

Para Ethan Berke, médico e epidemiologista na Escola de Medicina de Darmouth, esta pesquisa é valiosa, “já que cria a expectativa de que as pessoas caminhem mais, e ocorra um ressurgimento das cidades”.

Times Archive

O jornal inglês The Times abriu seu arquivo gratuitamente na internet. Pode-se pesquisar reportagens de 1785 a 1985. Pois é, são 200 anos mesmo.

Pesquisei sobre Santos-Dumont e apareceram reportagens de 1901, 1902, 1904… Com “Machado de Assis” veio um texto de 1927.

Busquei ainda “Richard Francis Burton”, o explorador que rodou meio mundo no século 19, Brasil incluso, e surgiram textos desde 1890 (na verdade, ano de sua morte; tenho certeza de que encontraria algo mais antigo, mas a busca travou).

O primeiro texto com “Robespierre” é de 1791.

É preciso fazer um cadastro para acessar as reportagens e a ativação disso pode demorar um pouco.

Novo homem

Não deixa de ser interessante. Do Estadão:

Revista masculina busca novo perfil

Nas publicações da Abril, anúncios de moda superaram este ano pela primeira vez os de automóveis e bebidas

Grafite — 21

Quem é Barack Hussein Obama?

Muita gente me cobra uma posição sobre Obama, após alguns posts em que dava bye bye a ele. E agora, Diogo? Vai falar o quê, mané? Boa pergunta!

Tenho que confessar que não acreditava que os americanos levariam adiante esta bobagem de obamamania. Da mesma forma, não acreditava que o brasileiro levaria a sério o segundo mandato de Lula, e eis que não estamos tão longe do terceiro.

Ainda assim, acho que a obamamania terá o mesmo fim que o Lulalá de 89. Caso contrário, os americanos terão um abrupto ciclo de decadência não só cultural, mas – talvez mais importante – institucional. Pela irresistível idéia do primeiro negro viável – e sem mérito – que a esquerda conseguiu produzir , ignora-se completamente a sua ligação íntima com um lunático anti-americano, as inúmeras mentiras sobre sua religiosidade e até mesmo que ele tenha falsificado sua certidão de nascimento, publicada em um site oficial da sua campanha, conforme nos informa o Israel Insider.

The purported birth certificate was published by the Daily Kos on June 12 in response to unconfirmed reports that Obama was not in fact born in the United States (Canada and Kenya
were suggested as the possible locations of his actual birth). Since he would in that case not be a natural born US citizen (his mother was not present in the US sufficiently long as an adult to pass American citizenship on to him automatically), he would not be eligible to be president.

Há dois dias um técnico forense analisou e assegurou a falsidade da certidão de nascimento divulgada pelo site oficial da campanha obanista. A grande imprensa americana se calou, fingindo que não se trata de um escândalo. Mais informações sobre a certidão fake de Obama, aqui.

The Controversy Obama\'s New Yorker Cover

O fenômeno Obama foi longe demais. Distribuindo esperança a quem é tonto o bastante para crer que alguma coisa boa o espera, faz de jornalistas tarimbados, porta-vozes de seu fã clube. Muitos deles enfiaram-se até o pescoço nessa ladainha, e já admitem falta de isenção nas opiniões sobre as eleições. Ontem, o New York Times foi além e se recusou a publicar um artigo de McCain, em resposta a outro de Obama que o criticava pela forma como pretende conduzir as tropas que ainda restam no Iraque. O editor chegou ao ridículo de publicar o e-mail em que recusa o artigo, dando dicas de como consertá-lo para ser admitido pelo jornal.

A idéia de um negro esquerdista na Casa Branca é pura sedução. Afinal, como lembrou Pedro Sette Câmara no seu Indivíduo:

“…se a idéia de um presidente negro é simpática, também deveria ser (e é) a idéia de um juiz negro da Suprema Corte (Clarence Thomas), de dois Secretários de Estado negros (Colin Powell e Condoleezza Rice). Se essas pessoas não têm seus méritos reconhecidos e não geram otimismo, é só porque a divisão ideológica é muito mais forte do que a divisão racial.”

Todo este otimismo sedutor levam os americanos bem longe da pergunta: quem, afinal, é Barack Hussein Obama II?

Lichia da Malásia

Lichia da Malásia, R$ 89,00 o quilo no Mercado Municipal de São Paulo. Quatro unidades me custaram R$ 10,00.

Grafite — 20

O Cavaleiro das Trevas

Se vocês querem uma opinião imediata, na bucha, eu diria: é o melhor filme de super-herói de todos os tempos. Heath Ledger está terrível, diabólico como o Coringa. Quase tudo funciona perfeitamente. Christopher Nolan é o cara.

Agora, com calma.

A revolução que os autores de HQ da década de 80 fizeram com o personagem finalmente chegou às telas. Demorou muito. Em 1987 Frank Miller publicava a mini Cavaleiro das Trevas transformando o herói existencialista do início da década numa máquina militarizada de violência, arrogância e sadismo. A intenção de Miller é apresentar o personagem como uma força incontrolável, cujas ações são guiadas por uma lógica de ferro: o Mal deve ser punido, não importa os meios. O ponto alto é a luta entre ele e o Super-homem. Apesar de terem o mesmo nome, o filme não é inspirado pelo trabalho de Miller.

A mini, juntamente com Asilo Arkham e O longo dia das bruxas, deu mais profundidade ao personagem, estabelecendo a base psicológica final para a dramatis personae Batman. Ao mesmo tempo indicaram o cenário no qual esta construção funcionaria melhor: uma sociedade ou cidade em crise, à beira da destruição. Batman é uma figura extrema e funciona melhor quando apresentado contra uma cenografia igualmente extrema. Mais ainda do que no filme anterior, Gotham City desmorona, implode. O apelo da justiça ao medo é sempre um apelo desesperado.

É aqui que a figura do Coringa ganha relevância. Esqueça Jack Nicolson. A estética cartunesca de Tim Burton obrigou o ator a construir um personagem malvado, porém meio biruta, meio desenho animado. Não é o caso. O Coringa de Ledger é perverso, insano e genial. A certa altura temos a impressão de que Batman mais parece uma bola de tênis quicando de um lado para outro em Gotham, obedecendo aos caprichos milimetricamente calculados do Coringa. O relacionamento entre os dois personagens ganhou sua expressão mais sofisticada em A piada mortal de Alan Moore. O filme deixa claro sua inspiração na HQ. “Você me completa”, diz o Coringa. É como se Batman e Coringa fossem duas faces da mesma moeda.

Aqui o roteiro dos irmãos Nolan apresenta-se como um dos grandes trunfos do filme (embora, em nome do didatismo hollywoodiano, ele se explique demais através das falas do mordomo Alfred). Há várias tramas se desenrolando ao mesmo tempo, e cada uma delas caminha, de modo lento e inexorável, em direção à oposição entre Batman e Coringa. É o eixo de gravidade do filme. Para os dois o sentido da ação é evidentemente moral (a cena em que ele “atormenta” Harvey Dent no hospital é digna de mefistófeles), e sua resolução está vinculada a um velho cenário da teoria dos jogos. A luta dos dois, contudo, não é meramente uma luta entre os dois. Há algo maior em jogo, mais profundo. Como toda ficção de qualidade, O Cavaleiro das Trevas nos faz refletir sobre nossas escolhas morais e o modo como nossas ações determinam quem somos e o mundo no qual vivemos. Como diz Hannah Arendt, escolher como agir é também escolher o mundo no qual nossa ação faz algum sentido. E, supreendentemente, nem Batman nem Coringa podem existir num mundo sadio. Eles são, ambos, sintomas diferentes da mesma doença. E aí está o que um amigo meu chamou o “cinismo” do filme. Entre o caos destruidor e a ordem autoritária não nos resta outra opção senão rejeitar ambos. Esta é a dádiva do Coringa ao Batman e a Gotham City. “Why so serious?”

Grafite — 19

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