O Garganta de Fogo

blog do escritor yuri vieira e convidados…

Mês: setembro 2008 Page 2 of 3

Rebelião no Spore!

Dica do 100nexos.

E a crise financeira mundial?

Um ótimo artigo do Financial Times sobre a crise americana e mundial. Obviamente é idiota a tese marxista chinfrim de que o “capitalismo” está em crise, contudo ninguém pode mais diminuir a importância do Estado na regulação da economia. Se o governo conservador foi obrigado a intervir, mesmo agindo sob a cartilha do Estado mínimo, significa que o debate vai muito além da ideologia. O Cláudio, do Gustibus, para variar, organizou um check-list muito bom sobre o problema.

Lula e os “superes” inteligentes

“…era como se eles fossem os superes inteligentes e nós os superos coitados.”

Spore!

Quem matou a charada foi um colunista do NYT: “Spore! é um ótimo brinquedo, mas um jogo apenas razoável”. É verdade. Brinquei por volta de duas horas com ele. Pude customizar meu animalzinho e dar-lhe algumas funcionalidades (tipo de boca, de pata, etc.), além de interagir com o meio ambiente e outras espécies. A maioria das resenhas, entretanto, diz que o jogo só fica realmente interessante quando chegamos à fase da exploração galática.

Vou falar do que eu gostei até agora. Spore! é um excelente modo de compreender a lógica da evolução. Se você tem um filho de 10 ou 12 anos, deixe-o brincar sem medo. Tenho certeza de que irá melhorar sensivelmente seu desempenho nas aulas de ciência. Além disso o gerador de criaturas exigirá toda a criatividade que o moleque tem. Basta dar uma olhada nas criações dos usuários postadas na sporepedia (já são mais de 2 milhões de criaturas, edifícios, veículos, etc).

Algumas resenhas defenderam a idéia de que a lógica do jogo seria criacionista, exatamente pelo peso colocado no design das criaturas e pela perspectiva “divina” concedida ao jogador. De fato, você pode desenhar (ou montar) seu personagem do jeito que quiser. Mas design e funcionalidade estão diretamente associados e você não pode modificar o meio ambiente. Assim, coloque nadadeiras num animal terrestre e ele não evoluirá. A perspectiva divina é facilmente explicada: num jogo é muito mais divertido ser Deus do que ser criatura. A parte ruim é o gameplay repetitivo. Há muito de The Sims nestas primeiras fases e, depois de algum tempo, ver seu bichinho andando para lá e para cá não é lá muito estimulante.

De certo modo Spore! parece uma versão beta. Há uma infinidade de possibilidades para se explorar em futuros upgrades e expansões. Por exemplo a interação on-line entre os jogadores. Atualmente quando você cria um animal em Spore! ele é imediatamente carregado na sporepedia. Quando outro jogador, em outro lugar, inicia seu jogo, as criaturas com as quais ele interage são baixadas direto do site. Assim quando ele está lutando tenazmente por sua vida na fase da poça, interage com o animalzinho que você criou. Entretanto estas criações são controladas pelo CPU. Não há interação em tempo real. Mas está tudo pronto isso, esperando apenas um novo patch.

Spore! é um jogo em muitos e isso deixou os desenvolvedores meio receosos de se aprofundar em determinado estilo. Há pedaços de simulações, RTS e RPG. Talvez a equipe esteja esperando para ver como o público se comporta e quais os estilos são mais apreciados para aprofundar esta ou aquela potencialidade. De qualquer forma, Spore! é o que se inventou de mais amplo na experiência de se jogar videogame até agora. Vale a pena.

O nosso 11 de setembro

A coisa que mais me irrita no Brasil é a falta de senso de proporções. Já não se distingue mais realidade da ficção ou paranóia e pior do que isso só a busca da analogia em coisas completamente diversas, incomparáveis. Porém, às vezes, este disparate comparativo serve mesmo para deixar as coisas às claras — ou às luzes, como preferem os mais espertinhos.

Hoje o cineasta Bruno Barreto, diretor do filme, “Última parada 174”, que ganhou a chance de tentar um Oscar, declarou que “o ônibus 174 é o nosso 11 de setembro”. Coisas deste tipo — principalmente aquela cena patética do final de Carandiru — deixa claro que o Brasil não precisa de cineastas, principalmente quando tungadores do erário. Que tenham lá uma idéia cretina na cabeça e uma câmera na mão, vá lá, desde que seja com o dinheiro deles.

Entretanto, a comparação de Barreto não é lá de toda idiota. Em verdade ela nos mostra o tipo de país que somos — ou que os Barretos queiram que sejamos. Enquanto os americanos se aterrorizam com um grupo milionário de tarados muçulmanos; aos brasileiros basta um simples delinquente que toma um ônibus. Ou quem sabe um navio de ajuda humanitária cobiçando um petróleo que está a 7 mil metros e alguns bilhões de dólares abaixo de nós.

Mas é claro que tal preocupação — e analogia — se dá somente entre pessoas interessadas no “drama humano” por detrás do proselitismo. São daquele tipo de pessoas que conseguem enxergar uma relação muito próxima entre um show da Madona e as eleições americanas, e ainda jurar que isto é racional.

SNL: Tina Fey e Sarah Palin

A Tina Fey conseguiu fazer uma paródia incrível da Sarah Palin. A “Hillary Clinton”, completamente histérica, também está ótima. (Muito boa a parte em que a “Sarah Palin” diz que o famigerado aquecimento global ocorre porque Deus está abraçando a Terra mais apertadinho.) No último Saturday Night Live:

Grafite — 28

Ironia

Quem diria! Num paí­s com, talvez, a produção intelectual feminista mais consistente da história e quase toda de matriz democrata, a primeira mulher a galvanizar a atenção dos EUA numa campanha eleitoral presidencial (a segunda a concorrer como vice) acabou sendo exatamente uma conservadora. O impacto foi tectônico! Eis um trecho do que a escritora Camile Paglia escreveu sobre Palin na Revista Salon!

Conservative though she may be, I felt that Palin represented an explosion of a brand new style of muscular American feminism. At her startling debut on that day, she was combining male and female qualities in ways that I have never seen before. And she was somehow able to seem simultaneously reassuringly traditional and gung-ho futurist. In terms of redefining the persona for female authority and leadership, Palin has made the biggest step forward in feminism since Madonna channeled the dominatrix persona of high-glam Marlene Dietrich and rammed pro-sex, pro-beauty feminism down the throats of the prissy, victim-mongering, philistine feminist establishment.

Daí se vê o impacto do “furacão” Palin.

Chuck Norris e Sarah Palin

Recebi, via Human Events, um artigo do Chuck Norris (!!) no qual ele cita o Sarah Palin Facts, um site com o mesmo espírito do Chuck Norris Facts, para quem não sabe, uma das fontes de todas aquelas frases engraçadas do tipo “Não há botão Ctrl no computador do Chuck Norris. Chuck Norris está sempre no controle”. Ou ainda: “Chuck Norris está processando o MySpace por este ter tomado o nome que ele dá a tudo o que está ao seu redor”.

Dois dos “fatos” prediletos do Chuck Norris referentes à Sarah Palin:

“Uma vez, Sarah Palin esculpiu, num bloco de gelo, um retrato da Mona Lisa usando apenas seus dentes.”

“Sarah Palin é corajosa e valentona o bastante para barbear o Chuck Norris — e enfrentar seu terceiro punho disfarçado de queixo.”

Os meus prediletos:

“A Sarah Palin é a razão pela qual as bússolas apontam para o Norte.”

“Sarah Palin foi expulsa do Survivor por matar um homem e comer suas entranhas.”

“Certa vez, a Morte teve uma Experiência-de-quase-Sarah-Palin.”

“Na verdade, a Sarah Palin não tem sotaque — há apenas uma distorção na transmissão telepática feita diretamente do cérebro dela ao seu.”

Para quem ainda não entendeu o desespero dos Democratas, basta assistir ao discurso da Sarah Palin. (Ou ler a sua tradução segundo a Folha de São Paulo.)

7 anos

Apenas para lembrar que três brasileiros também morreram no atentado ao World Trade Center: Ivan Kyrillos Fairbanks Barbosa, Anne Marie Sallerin Ferreira e Sandra Fajardo Smith.

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