“Fiquei muito feliz com a escolha de Tarso Genro para a presidência nacional do PT. Como já provou exaustivamente, este incompetente arruinará ainda mais a imagem de seu partido, se é que ela pode ser mais arruinada do que já foi. Com tudo que até agora fez – isto é, nada – , Tarso Genro acrescentará à avassaladora onda de burrice, trapalhadas e roubalheiras desse partido a sua contribuição pessoal, a qual os gaúchos conhecem muito bem.”
(Charles London, no Mídia Sem Máscara.)
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O Paulo Paiva me enviou uma entrevista interessantíssima: “Pelo amor de Deus, parem de ajudar a África!”. Nela, “o especialista em economia James Shikwati, 35, do Quênia, diz que a ajuda à África é mais prejudicial que benéfica. O entusiástico defensor da globalização falou com a SPIEGEL sobre os efeitos desastrosos da política de desenvolvimento ocidental na África, sobre governantes corruptos e a tendência a exagerar o problema da Aids”. Para ele, a ajuda da ONU e demais organismos internacionais “bonzinhos” apenas alimenta a corrupção dos políticos e funcionários públicos, estimula a indolência, quebra os incipientes mercados e impede uma maior interação econômica entre os países africanos.
“Enfim, se esse Lula for eleito – Deus nos livre! – vamos ver quanto tempo levará – e quantas merdas ele precisará fazer – para que seus equivocados eleitores se arrependam amargamente por tê-lo escolhido. Podem anotar o que digo…”
Foi isto o que escrevi no dia 03 de Outubro de 2002 neste blog. Eu já lia as fontes corretas. Muita gente ainda não as lê.
E o jornal The Guardian especula sobre uma possível substituição da Rússia pela Índia ou pelo Brasil num futuro G9. E avisa: o país substituto, ao contrário da Rússia de Putin, deve ser democrático.
A melhor pergunta feita ao Genoíno no programa Roda Viva foi: “da mesma forma que o ex-ministro José Dirceu, o senhor também sempre conta tudo ao Lula?” Claro que ele desconversou e não disse nem sim, nem não. Se dissesse “sim”, sua mais que provável queda levaria Lula de roldão. Se “não”, provaria que Lula é tão incompetente que não consegue sequer tirar informações do presidente do seu partido. (É óbvio que Genoíno tampouco se meteu a contestar o incontestável e destruidor “da mesma forma que o José Dirceu“. Seria literalmente chafurdar na lama.) Agora, cá entre nós: se o Brasil fosse mesmo um país sério (de Gaulle), Lula já teria caído. Que o diga o Reinaldo Azevedo.
Participar como mero observador dessa reunião no Ministério do Meio Ambiente – eu entrara de gaiato ao decidir acompanhar o Pedro Novaes – me fez pensar que seria bastante interessante um Big Brother ao contrário: colocar câmeras que mostrassem em tempo-real, na Internet, todas as reuniões das repartições e órgãos públicos. (Os demais ambientes de trabalho não seriam monitorados.) Claro, um projeto para os próximos vinte anos. Esteja certo que seria mais interessante que o BBB. A reunião a que assisti – cheia de engenheiros e técnicos – transcorreu civilizadamente e chegou mesmo a decidir coisas. Sim, coisas que estendem os tentáculos estatais, mas coisas. Só que eu queria mesmo é assistir a uma reunião no prédio ao lado, no estapafúrdio Ministério da Promoção da Igualdade Racial. (Sim, isso existe.) Acho que não conseguiria evitar algumas sugestões: que se pintasse de azul todos os brasileiros, assim ficaríamos mais iguais; que se definisse uma aparência autóctone ideal e que todos os que nela não se encaixassem fossem submetidos a cirurgias plásticas; que todos os descendentes de japoneses, chineses, coreanos, alemães, sírios, etc. fossem obrigados a jogar capoeira e comer acarajé; que os índios recebessem injeções de hormônios para deixarem de ser tão glabros, e assim por diante. As reuniões desse Ministério devem ser surreais, cheias de bate-bocas e conversa fiada travestida de academicismo. Segundo já ouvi, 90% do tempo dessas reuniões são perdidos em pura definição de conceitos. Essa gente das ciências humanas nunca fala a mesma língua…
Dois dias em Brasília, onde voltei a ajudar o Pedro Novaes com seu documentário. Entrevistamos diversas figuras ligadas às questões ambientais e inclusive estive presente a uma reunião no Ministério do Meio Ambiente com representantes do Banco Mundial. (Logo eu que não represento absolutamente nada!) Vi que não era mentira: meu bróder Paulo Paiva, que expunha seu projeto eco-mirabolante, realmente é um engenheiro idealista! Mas o melhor mesmo foi rever o Maurinho Oliveira, amigo das antigas, do saudoso grupo Trilhas e Cavernas, que eu não encontrava havia uns dez anos, hoje assessor do João Paulo Capobianco, Secretário de Biodiversidade. Mas quando eu disse que estava na reunião como representante da Abin, o Maurinho acreditou! Pensou que eu realmente havia prestado concurso na tal Agência. E, se até ele engoliu, quantos mais não terão embarcado na piada? Aquele gordito grisalho que vezenquando me observava com o canto dos olhos? Desconfiaaado. Divertido com a situação, cheguei a simular uma troca de pastas enquanto o Paulo estava no banheiro do Ministério. Foi minha estréia oficial como agente secreto… deste blog!!
O pior dessa CPMI dos correios é a completa falta de pulso do senador Delcídio Amaral (PT-MS), presidente da tal Comissão. Parece até que foi esta a tática do PT: “Põe um cara sem autoridade ali e a coisa virará bagunça…” É incrível como todo o procedimento se assemelha às assembléias caóticas da UNE e dos DCEs de todo o país. Claro que os demais colegas do senador “ajudam” ao atrapalhar, cada qual demonstrando mais falta de educação (ou será desespero?) que o outro. Não conseguem organizar e controlar a si mesmos e ainda querem botar ordem no mundo. (Como se eu já não soubesse que sempre foi assim e assim continuará sendo…)
Em entrevista concedida ao portal da revista Imprensa, o jornalista (Boris Casoy) faz revelações sobre como o partido de Lula age diante da liberdade de informação. “Pressionaram a direção violentamente para me tirar da Record. Ameaçaram cortar a publicidade”, conta. “Fizeram uma grande pressão (…) Queriam que eu não cobrisse mais o caso Celso Daniel”, revela.
(No site do jornalista Diego Casagrande.)
Tenho um amigo – professor de filosofia e chefe do departamento de jornalismo de uma universidade – que sempre cita Hanna Arendt em nossas conversas sobre política. Cheguei a pensar, maldosamente, é claro, que ele não pensava com a própria cabeça, mas com a dela. Eu jamais poderia lhe dizer tal coisa, pois ele teria um leque de autores para me acusar de haver roubado o cérebro: Allan Watts, D.T.Suzuki, Spengler, Nietzsche, Goethe, Dostoiévski, Henry Miller, Pauwels e Bergier, Olavo de Carvalho, Fernando Pessoa, Hilda Hilst, etc. Poderia até me chamar de urantiano. Mas a questão é que, ao ler A Condição Humana, de Hannah Arendt, vou observando o que me chama a atenção e, de quebra, o que – pelas conversas que tivemos – parece ter chamado a atenção dele. (Mas isso é algo a ser discutido pessoalmente.) Por enquanto ressalto o que atraiu meu interesse:
“Sempre que a relevância do discurso entra em jogo, a questão torna-se política por definição, pois é o discurso que faz do homem um ser político.” (O que prova que, em nossas discussões, quando falávamos de política, cada qual entendia algo completamente distinto. Daí a necessidade de definir os conceitos previamente.)
“A condição humana não é o mesmo que a natureza humana, e a soma total das atividades e capacidades que correspondem à condição humana não contitui algo que se assemelhe à natureza humana.”
“(…) literatura de ficção científica, tão destituída de respeitabilidade (e à qual, infelizmente, ninguém deu até agora a atenção que merece como veículo dos sentimentos e desejos das massas.” (O que confirma a boa idéia que estou tentando levar adiante num livro que venho escrevendo.)
“(…) se temos uma natureza ou essência, então certamente só um deus pode conhecê-la e defini-la; e a condição prévia é que ele possa falar de um ‘quem’ como se fosse um ‘quê’.” (Daí eu concluo também que, se não adianta especular sobre o que é Deus, necessário é aceitá-Lo – como um quem – e lidarmos com Ele.)
“A mudança mais radical da condição humana que podemos imaginar seria uma emigração dos homens da Terra para algum outro planeta.” (Disso também já estou tratando…)
“A inversão hierárquica na era moderna tem em comum com a tradicional hierarquia a premissa de que a mesma preocupação humana central deve prevalecer em todas as atividades dos homens, posto que, sem um único princípio global, nenhuma ordem pode ser estabelecida. Tal premissa não é necessária nem axiomática; e o uso que dou à expressão vita activa pressupõe que a preocupação subjacente a todas as atividades não é a mesma preocupação central da vita contemplativa, como não lhe é superior nem inferior.” (Concordo. Mas devo dizer também que o único princípio global que nos une é aquele que chega por revelação – daí não ser axiomático – a saber, nossa filiação divina e conseqüente fraternidade humana, já que a fraternidade, sem paternidade, é impensável. Tampouco há paternidade impessoal e paz duradoura sem fraternidade. Logo…)
“A queda do Império Romano demonstrou claramente que nenhuma obra de mãos mortais pode ser imortal, e foi acompanhada pela promoção do evangelho cristão, que pregava uma vida individual eterna, à posição de religião exclusiva da humanidade ocidental. Juntas, ambas tornavam fútil e desnecessária qualquer busca de imortalidade terrena; e conseguiram tão bem transformar a vita activa e o bios politikos em servos da contemplação que nem mesmo a ascendência do secular na era moderna e a concomitante inversão da hierarquia tradicional entre ação e contemplação foram suficientes para fazer sair do oblívio a procura da imortalidade que, originalmente, fora a fonte e o centro da vita activa.” (Bem, a própria Hanna Arendt admite: Jesus não negava a ação e foi Paulo quem colocou a salvação como centro da doutrina. Aliás, o cristianismo não é a religião que Jesus, enquanto homem, seguia e ensinava. É o que dela restou. Quanto à dicotomia imortalidade/eternidade, Ernest Becker discorreu muito bem a respeito. Escrevi um artigo sobre o tema.)
