Uma funcionária da Biblioteca Nacional (RJ) acaba de nos informar – a mim e à Cássia, co-diretora – que atrasou dois meses para nos remeter o registro do meu roteiro – No Espelho do Cinema – porque, em todo esse tempo, não tinha envelopes para fazê-lo!!! Jesus Cristo, e pensar que um norte-americano – usando o editor de roteiros Movie Magic Screenwriter – só tem que clicar num ícone para fazer o registro! Enquanto isso a corja de políticos, funcionários públicos, empresários corruptores, presidentes turistas esbanjando à vontade… Se os americanos quisessem realmente invadir a Amazônia, eu me mudaria imediatamente para lá, a que pese todo o insuportável calor. Ninguém pode negar que fizeram um ótimo trabalho nos países que se submeteram: Itália, Alemanha e Japão.
Que lindo! A revista Isto É elegeu Palocci – o ministro da fazenda da revolução dos bichos (vide Orwell) – o “Brasileiro do Ano”! E o dito cujo ainda declarou: “Eu sou de esquerda e continuo socialista. Está muito enganado quem pensa o contrário”. Ou seja, exatamente a mesma constatação que, quando feita pelo Olavo de Carvalho, leva as pessoas a dizerem que o mesmo é um louco furioso. Leiam a matéria, a única diferença do que há ali para o que Olavo diz está no tom: o jornalista da Isto É considera um elogio o que para o Olavo é uma acusação procedente. Esse Palocci deveria assistir ao excelente filme “A Invasão dos Bárbaros”, de Denys Arcand. Pelo menos neste o protagonista, em vista dos fatos, se arrepende amargamente por acreditar em seus “ismos”.
Os esquerdinhas xiitas que me desculpem, mas não há nenhuma empresa “governando” a Internet. Há sim uma ONG sediada nos EUA, a Icann , sem fins lucrativos e com funções estritamente técnicas: é responsável pela distribuição de números de “Protocolo de Internet” (IP). Cada site tem o seu IP e se alguém não cuidasse da sua emissão e organização muita bagunça iria rolar. Aliás, tanto é verdade que eles não governam a Internet que nunca me mandaram assinar nada, não tiraram minhas impressões digitais, não metem o bedelho no que escrevo, não me cobram impostos, não me exigem documentos, nem me ameaçam com cadeia. Sem falar que tem muito dono de site que nunca ouviu falar dessa ONG. Nesse sentido, se considerarmos a hipótese de que sim, eles governam, ao menos estariam de acordo com Lao Tsé: “O melhor governo é o que menos aparece”. Enfim, como disse Ivan Moura Campos, um dos diretores da Icann, “se alguma coisa for alterada (na Internet), será uma hecatombe tecnológica”, ou seja, caos, ninguém acharará o site de ninguém. Tenho certeza que funcionários públicos de qualquer país, mesmo dos países mais desenvolvidos, mais cedo ou mais tarde, entre um bocejo e outro, emitiriam IPs repetidos. Então, quando alguém tentasse entrar no site do PT iria parar no da TFP…
Ai, esses anti-imperialistas…
Não imaginei que ficaria tão decepcionado com a trilogia Matrix. E não é porque os últimos dois filmes “não têm conteúdo”, “são apenas filmes de ação” ou críticas do gênero. O primeiro Matrix foi uma espécie de clave de sol que a orquestra, nas duas sequências, interpretou como clave de fá. Se tivessem se afinado com o primeiro filme, eu até poderia não concordar com a cosmogonia dos caras, mas bateria palmas. E não tem nada a ver culpar o virtuosismo técnico do John Gaeta, dizer que os efeitos especiais oprimiram a idéia original. O problema é bem outro: os irmãos Wachovsky tentaram juntar zen-budismo com messianismo salvador, uma coisa que nem o Li Hongzhi da Falun Gong ainda se atreveu a fazer. E, claro, só podiam mesmo criar um monstro de mil e uma cabeças de Mister Smith. Aliás, o maior símbolo da decadência da trilogia é a figura de Morfeus. No primeiro filme, ele é um Mestre, um Iniciado em Altos Mistérios. No segundo não é senão um militar. E no último, apenas o namorado espantado de uma garota que dirige feito doida. Sim, os brothers rimaram Buda com bunda…
Amigos, estou com um zilhão de emails pra responder. (Ô cara exagerado!) Se vc é uma dessas pessoas que me escreveram – e já está pensando em passar a me ignorar – please, paciência, logo mais meterei a cara no Outlook. Valeu! (E já respondendo às fãs do Friends: “How’re you doing?”)
Nenhum jornal tocou no assunto, mas a forma como descobriram o esconderijo de Saddam Hussein foi inusitada: botaram um agente da CIA para seguir o Lula!! Lógico, só pode ser. Quem não desconfiaria de alguém que compra um pacote turístico chamado “Ditadores do Mundo”? Lula só viaja para visitar essa gente! É claro que pretende imitá-los assim que for possível.
Posso dizer que antes eu era assim. Sim, porque ver coisas que supostamente não existem, além de pegar mal pra nossa imagem, ainda deixa esse mundo muito mais complicado do que já é. Mas agora convenhamos: viver fora da LEI, ignorando o SLTP (Spiritual Life Transfer Protocol), é que realmente dá uma puta paranóia…
No site do Quino, o criador da Mafalda, encontrei este cartum que me lembrou minha infância de invernos paulistas e verões cariocas. A pergunta do garoto, em português, é a seguinte: “Mamãe, sinto algo, não sei muito bem onde, que não sei o que é. O que é?”
A crescente opressão exercida pelos fundamentalistas islâmicos sobre certos povos pode ser sentida através da leitura de Persepolis, uma HQ de Marjane Satrapi. Em comparação com a protagonista de Satrapi, podemos dizer que Mafalda era feliz e não sabia…
“O que me eriçou foi escutar, uma vez mais, um colega fazer angelismo e celebrar, com uma lágrima nos olhos, esse grande sentimento de fantasia: esperar um mundo todo açúcar e homens com asas. Nos lares, bem entendido, pensavam que se tratava de um nobre coração. Para mim, tratava-se de um representante de venenos. A literatura dispõe muitas vezes para esta segunda profissão.”
“O messianismo é uma doença cíclica do espírito.”
(Louis Pauwels)
