16/12/2006

Três Boas Notícias no Cinema

pedro novaes, 6:51 am
Filed under: cinema

Em um só dia, várias boas notícias de cinema.

Primeiro, mais importante, nosso camarada Ricardo Calaça, após ter seu documentário “Divino Maravilhoso” selecionado para o prestigioso Festival de
Cinema de Brasília, agora foi contemplado em edital do Ministério da Cultura e contemplado com R$ 80 mil para a produção do curta metragem “O que se Come”. Parabéns ao Ricardo.

Segundo, o Brasil se deu muito bem no ainda mais prestigioso e disputado Festival Internacional del Nuevo Cine Latino Americano, em Havana, Cuba. O já aclamado “O Céu de Suely”, de Karim Ainouz, ganhou por unanimidade o primeiro prêmio do Juri, levando também o prêmio de melhor atriz, com Hermila Guedes. Além dele, “Os 12 trabalhos”, de Ricardo Elias ganhou o terceiro prêmio, atrás de “El Camino de San Diego”, do argentino Carlos Sorin (diretos dos excelentes “Histórias Mínimas” e “O Cachorro”). “É Proibido Proibir”, de Jorge Durán, premiado no Festcine Goiânia, levou o Prêmio Especial do Juri. Além disso, o ótimo “Antonia”, de Tata Amaral ganhou como melhor som e melhor trilha sonora e o fraco “O Maior Amor do Mundo”, de Cacá Diegues, ganhou prêmio de melhor canção, com as composições e Chico Buarque.

No campo do dodumentário, “O Fim e o Princípio”, do mestre Eduardo Coutinho ganhou uma menção especial do Juri e o curta “Dos Restos e das Solidões”, de Petrus Cariry recebeu uma menção especial.

Veja abaixo, a lista completa dos premiados em Havana:

Jurado de Ficción Largometraje

Primer Premio Coral (por unanimidad): El cielo de Suely, de Karim Ainouz
Segundo Premio Coral: El camino de San Diego, de Carlos Sorín
Tercer Premio Coral: Los 12 trabajos, de Ricardo Elías
Premio Especial del Jurado: Se prohíbe prohibir, de Jorge Durán
Mención especial del Jurado (por unanimidad): Páginas del diario de Mauricio, de Manuel Pérez Paredes

Cortometraje

Premio Coral: Gozar, comer, partir, de Arturo Infante
Mención especial: La leche y el agua, de Celso García y 10:15, de Hugo Cuautli Félix Mercado

Premios Coral por especialidades

Premio Coral de Dirección: Rodrigo Moreno, por El custodio
Premio Coral de Guión: Daniel Burman, por Derecho de familia
Premio Coral de Dirección de Fotografía: Luis Najmías Jr., por La edad de la peseta
Premio Coral de Edición: Alberto Ponce, por Crónica de una fuga
Premio Coral de Sonido: Joao Godoy y Eduardo Santos, por Antonia
Premio Coral de Música: Chico Buarque de Holanda, por El más grande amor del mundo
Premio Coral de Dirección de Arte: Vivian del Valle, por La edad de la peseta
Premio Coral de Actuación Femenina: Hermila Guedes, por El cielo de Suely
Premio Coral de Actuación Masculina: Julio Chávez, por El custodio

Jurado de Ópera Prima

Primer Premio Coral: El Benny, de Jorge Luis Sánchez
Segundo Premio Coral: Que tan lejos, de Tania Hermida
Tercer Premio Coral: Madeinusa, de Claudia Llosa
Premio a la contribución artística: Lo más bonito y mis mejores años, de Martín Boulocq

Jurado de Documentales, Animados y Carteles

Carteles

Oscar Niemeyer, a vida é um sopro

Experimental

Existen, de Esteban Insausti

Animación

Primer Premio: M’Appelle, de Javier Mrad (Argentina)
Segundo Premio: Pasta, de Tomás Weiss (Chile)
Tercer Premio: Los tres cerditos, de Claudio Roberto Guimaraes (Brasil)
Mención especial: Salió en el periódico, de Yanko del Pino (Brasil)

Documental

Primer Premio: En el hoyo, de Juan Carlos Rulfo (México)
Premio especial del Jurado: El fin y el principio, de Eduardo Coutinho (Brasil)
Segundo Premio: Palomilla salvaje, de Gustavo Gamou (México)
Tercer Premio: Arcana, de Cristóbal Vicente (Chile)
Mención especial: De restos y soledades, de Petrus Cariry (Brasil)
Mejor Película de un realizador no latinoamericano: Estado de miedo: la verdad sobre el terrorismo, de Pamela Yates (Estados Unidos)
Jurado de guiones

Premio Coral al Mejor Guión Inédito: Peter Pan Kids, de Arturo Sotto (Cuba)
Mención especial al guión Gigante, de Adrián Biniez (Uruguay)
Mención: 35 años no es nada, de Fernando Spiner (Argentina)
Premio de la FIPRESCI: Nacido y criado, de Pablo Trapero (Argentina)
Premio SIGNIS: Crónica de una fuga, de Israel Adrián Caetano (Argentina)

Por fim, a terceira boa notícia foi a sanção pelo Presidente Lula ontem da nova Lei Geral da Micro Empresa, criando o novo Simples Nacional que, além de reduzir a burocracia para abertura de empresas e reduzir a carga tributária de muitos setores, inclui as empresas produtoras de cinema e cultura entre suas possíveis beneficiárias.

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4 Comments

  1. yuri vieira escreveu:

    O Ricardo é meu amigo e dividimos apartamento em Brasília por 4 anos e meio. Mas cada dia que passa tenho pensado mais em me voltar completamente para a literatura e assumir de vez a pobreza. 80 mil reais de dinheiro público para um curta-metragem? Meu Deus, tá passando da hora de começar a escrever meu “Manifesto Cinematográfico para Estudantes de Administração e Empreendedores em Geral”…

    Comentário de 16-12-2006 @ 5:32 pm

  2. pedro novaes escreveu:

    Yuri,

    Se entendi bem a lógica, seu raciocínio pra variar com relação ao Estado me parece bastante torto, pra não dizer um pouco hipócrita. Afinal, pelo que eu saiba, você mesmo tem 30 mil reais em mãos de dinheiro público pra produção de um curta-metragem, ou não? O que é pouco, assim como 80 mil também são pouco, dependendo dos objetivos, especialmente se se pretende filmar em película.
    É evidente que todos desejamos um futuro próximo onde o Estado não precise colocar este tipo de dinheiro e se mantenha a distância segura da produção cultural, na medida em que tenhamos um mercado desenvolvido e mecanismos pelos quais a própria iniciativa privada e a sociedade civil, sem interferência do Estado, possa financiar a formação dos novos cineastas e de filmes para os quais há pouco mercado.
    Agora, esse seu radicalismo teórico, pra quem tudo que vem do Estado é mau por nascimento, não pega bem especialmente pra quem está se beneficiando do mesmo tipo de mecanismo.
    Ah, e não se esqueça também que o notebook em que vc escreve foi, ao menos em parte, pelo que me falou, resultado de trabalho seu em um filme também custeado com dinheiro público.

    Abs,

    Pedro.

    Comentário de 17-12-2006 @ 9:43 am

  3. O Garganta de Fogo » Fazer cinema no Brasil… um cu! escreveu:

    Caro Pedro

    O roteiro de curta-metragem Espelho (anteriormente Reflexo e, depois, No Espelho do Cinema) foi um presente de dia dos namorados que dei à Cássia há dois anos, quando ainda estávamos juntos. Se o roteiro foi aprovado numa lei de incentivo (20 mil e não 30) o mérito é todo dela, porque, além de eu achar uma chatice toda a burrocracia envolvida, sem falar das panelinhas, me sinto, sim, um peixe completamente fora d’água nessa questão vampiresca, tanto que não receberei cachê pelo projeto, pelo roteiro e pelo trabalho que eu por ventura ainda venha a ter com ele. Já disse a ela que não quero nada e você pode confirmar. O projeto é dela, está no nome dela e meu nome consta apenas na Cessão de Direitos do meu roteiro. Quanto ao meu laptop, eu o paguei com dinheiro que recebi de um trabalho como monitor do Dib Lutfi (aliás, fui praticamente diretor das filmagens, porque ele mesmo me pediu para ser dirigido, ou a coisa não iria andar) e como roteirista do making of do FICA, juntamente com uma grana emprestada por minha irmã. (Meu eterno obrigado a você, Pedro, pela oportunidade, não esqueço essas coisas.) Se sua produtora tinha ou não capital de giro, se ela me pagou com dinheiro que recebeu do estado ou de empresas privadas, Pedro, eu não faço idéia, e isso não importa para quem vende a própria força, talento e capacidade de trabalho. Aceitar fazer um trabalho por uma determinada quantia é bem diferente de ganhar aquilo que a própria pessoa estipula num orçamento muitas vezes arbitrário e distante da realidade do mercado. (Aliás, quatro anos atrás, fiz 19 roteiros para uma agência publicitária de Brasília, que fazia a campanha do Detran e do Procon, e nunca fui pago, não porque abri mão da grana, mas porque eram desonestos mesmo. Prometeram, prometeram e no final nada. Quem mandou eu confiar em petistas e não exigir contrato de trabalho? Quem trabalha tem de receber, porra!) E, falando em orçamento arbitrário, o Eduardo Castro, que está montando aquele documentário explosivo sobre a Guerrilha do Araguaia, me falou sobre um certo documentário bobo, a que assisti no Festcine, que, segundo ele, não custou mais de R$3000,00 mas recebeu da lei R$50.000,00. Onde foi parar essa grana? Está certo isso?

    Na minha opinião, o Ricardo deveria receber não 80 mil reais, mas 80 mil dólares para rodar o curta dele. Só que esse dinheiro deveria vir de empreendedores, não de produtores indiretos e compulsórios, tal como é agora, mas, sim, de gente que queira viver do cinema e ter lucro com ele. (Daí meu manifesto para estudantes de administração e empreendedores em geral. Porra, já existiram empresas de cinema nos anos 50 do século passado, por que não podem existir agora?) E se um curta não dá retorno financeiro, é porque se trata dum cartão de visitas, dum trabalho de marketing para quem o fez. E isso também seria vantajoso para quem quisesse se estabelecer como produtor de cinema.

    Eu acho que esse sistema de incentivo está viciado sim, e tem muita gente por aí comprando até carro com a grana. (Eu ando de Caravan 1983 até hoje.) Conheço gente em Brasília que abriu editora e, para cada livro que lança, entra com um projeto diferente numa lei de incentivo. E ainda ganha mais que o triplo do autor! Ou seja: é uma empresa privada cujo capital de giro e cujo lucro vêm prontos do Estado! Isso é muuuuito esquisito e só funciona para quem tem o famigerado Q.I., o Quem Indica. A própria Cássia tentou me convencer várias vezes a publicar meus livros mediante essas leis, mas nem fodendo, não me meto mesmo com isso, prefiro ficar na internet e esperar que as pessoas entendam o potencial dos ebooks, com os quais venho lidando desde 2000. (Um dia irão emplacar!) Só não me tornei editor (de mim mesmo) este ano porque minha família não aprovou a venda de um terreno nosso, que eu propus especificamente para isso, por 80.000 reais. Dinheiro nosso!!! Aceitei a decisão porque afinal tenho três irmãs, meus pais estão mais vivos do que eu e, por isso, não posso pretender ser o único herdeiro de algo que ainda pode ser usufruído por toda a família. Além de publicar dois novos livros que tenho engatilhados, eu iria reeditar A Tragicomédia Acadêmica e sair arregimentando vendedores (estudantes interessados, Centros Acadêmicos, etc.) pelas universidades do país, dividindo o lucro pau a pau. Mas… a vida não é mole, principalmente para quem tá cagando e andando para esses incentivos que só têm incentivado uma maioria de gente muito ruim, sem qualquer talento, pretensiosa, amoral e com o ego nas nuvens. Até parece que isso irá levar o cinema a algum lugar. Faz-me rir…

    Cá entre nós, cada dia que passa fico mais fã do Francis Ford Coppola — é preciso dizer o nome completo e não apenas Coppola, não se deve esquecer de articular o sobrenome Ford como quem estivesse a dizer “Forte” –, afinal o cara não apenas rodou um dos melhores filmes de todos os tempos (Apocalipse Now), mas chegou a vender uma fazenda e falir sua empresa para finalizá-lo: ele tinha visão e acreditava nela. Sem falar que é um caso raro de diretor e produtor, de artista e empreendedor, uma figura a quem Spengler certamente atribuiria o qualificativo de gênio, isto é, “a força fecundante do varão que ilumina toda uma época”. Em suma, o cara é Macho pra caralho!!!

    Enfim, conforme passam os anos percebo com maior clareza o porquê de o Rubem Fonseca ter ido aos Estados Unidos estudar cinema e, ao voltar, não ter escrito senão livros e contribuído com um roteiro ou outro. Direção? Para quê? Porque esse país gosta mesmo é do atraso, odeia empreendedores, gosta é de mamar nas tetas do Estado, se caga nas fraldas até hoje, e não passa de um adulto infantilizado, mais ou menos como eu o sou. Qualquer pessoa madura sabe que a maior vitória que há é a vitória sobre si mesma, e não é outra coisa o que o escritor faz: é ele contra o papel em branco, contra o Word em branco, contra o destino em branco, contra seus fantasmas, contra si mesmo. O diretor de cinema, ao contrário, quando não é autor do próprio roteiro, já está com meio caminho andado, bastando-lhe apenas vencer as circunstâncias e um que outro idiota que possa cruzar seu caminho, seja ele um profissional incompetente, um ator metido a estrela, um produtor estressado e assim por diante. (Claro, com produtor quero dizer “administrador do orçamento”, uma vez que não existe investidor estressado no Brasil, afinal, o dinheiro é todo a fundo perdido e vem dos contribuintes.) E é apenas por isso que, para um escritor como Rubem Fonseca, muito maior valor há em escrever um livro, e vencer a si mesmo, que em vencer idiotas com o uso duma câmera: porque é sempre muito mais digno de nota vencer alguém tão filho-da-puta, espertinho, escroto, vagabundo, traiçoeiro e devasso, como cada um de nós é lá no fundo, do que vencer esses vícios nos outros, é muito mais difícil vencer a si mesmo interiormente do que dominar o outro exteriormente. (Não encare o verbo “vencer” no sentido negativo, mas no sentido de “conduzir sem sofrer oposição”.) Para mim, cinema é narrativa, tal como a literatura, e pouco me importa o que pensam os anti-narrativos. Aquelas porcarias que em geral ganham o rótulo de “cinema experimental” — a única forma legítima de experimentação que reconheço se chama criatividade — não passam de expressões do interior duma pessoa que é, lá no íntimo, tão confusa e vazia de significado quanto seu próprio filme. Escrever e filmar é, a princípio, a mesmíssima coisa. A diferença está em que é muito mais barato controlar meus dedos que agora teclam do que todo um set de filmagem. A diferença está no nível de controle, de poder. Por isso, quanto mais dinheiro para se fazer um filme, melhor, mais recursos serão movidos de acordo com seus pensamentos. Nesta linha de raciocínio, posso afirmar que o Ricardo deveria receber não 80.000 dólares, mas 1 milhão. Mas, porra, a gente vive num país miserável!!! Desde a tal “Constituição Cidadã”, o Estado não faz senão amarrar a mão dos empreendedores e, de forma suicida, tentar absorver toda a mão de obra que acabou desempregada por sua própria culpa. (Isso quando não parte de vez para os projetos assistencialistas.) Não existe o moto-perpétuo. Dinheiro do Estado é dinheiro confiscado ao povo, aos empresários. (Vale lembrar que qualquer um que conseguisse poupar poderia tornar-se um empreendedor em potencial, mas o estado não o permite.) Em suma: o governo está matando a galinha dos ovos de ouro, vai se foder logo logo. E nós com ele.

    Você acha que um empresário, caso tivesse uma visão clara do processo, ficaria feliz em ajudar a realizar um filme por meio de leis de incentivo? É um labirinto o caminho que esse dinheiro percorre. E estamos num país de impostos altíssimos. O cara está “dando” aquela grana ao cineasta, a qual supostamente pertence ao Estado na forma de tributos, e ainda acha bonito. Mas ao menos 70% dela não deveria pertencer senão a ele. Porque o Estado é um vampiro sanguessuga que atrapalha a prosperidade deste país. Sem falar nos sanguessugas circunstanciais, tal como esses negociadores de notas fiscais que pretendem ajudar o realizador a “provar” que o dinheiro do orçamento do filme foi realmente gasto conforme o estabelecido. Veja o absurdo: no Brasil as notas fiscais são verdadeiros produtos que dão lucro a um monte de gente!! “Ah, fulano cobra menos pela nota, vamos fazer com ele…” É uma seqüência de trambicagens fora do comum.

    Conclusão: tô cansado desse tal de cinema brasileiro. Vão todos tomar nos seus respectivos e supostamente imaculados cus. Porque fazer cinema no Brasil é de fato um cu. O cu do povo. Hoje em dia, onde quer que haja um cu, há um representante do estado lá dentro. Muah hahahaha! (Rindo para não chorar…)

    Pingback de 17-12-2006 @ 4:34 pm

  4. Nestor escreveu:

    Grande Yuri!

    Disse tudo o que é preciso dizer sobre o tal “cinema brasileiro”. Na verdade, não tudo, mas o suficiente para deixar claro o tremendo engodo que é essa “industria”. Para bom entendedor, o resto é óbvio.
    Só discordarão os mesmos de sempre, os beneficiários dessa criminosa enganação…
    Que venha logo o Manifesto!

    Comentário de 17-12-2006 @ 11:12 pm

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