blog do escritor yuri vieira e convidados...

Categoria: Cotidiano Page 42 of 58

Eu, o careta, e o Superbowl

Confesso que não entendo os estadunidenses (tá no Aurélio! tá bom, vou chamá-los de norte-americanos).

Estava assistindo a alguns clipes de rap na TV. Eles pegaram a minha atenção porque tinham legendas. Ou seja, pude entender o que os caras falavam, coisa impossível por conta do meu inglês e de um monte de gírias. Sabe o que diziam?

Um falava algo do tipo: “Vem cá, garota, te ponho de quatro, você vai gostar” — e o cara ia mostrando com as mãos e os quadris o que faria. Em outro, uma garota ficava dizendo: “Você não gostaria que sua namorada fosse tão gostosa quanto eu?”

Aí eu fiquei pensando. Poxa, não teve pouco tempo atrás aquele rebu por conta de um mamilo?

Plágio de Brokeback II

Aparentemente, não sou o único a reivindicar para o talento nacional a originalidade da idéia de um romance entre cowboys gays, retratada em O Segredo de Brokeback Mountain. Agora vejo que o Gustibus noticiava ontem, citando a coluna Gente Boa, de O Globo, que o ator José de Abreu reclama, para o cinema nacional, a vanguarda neste sentido. Ele atuou, em 1980, no filme “A Intrusa”, em que fazia uma das metades de um par cowboy gay gaúcho…

Além disso, também não se deve esquecer, conforme ressaltou o caderno Mais! há duas semanas, que nosso Grande Sertão Veredas também trata do tema, embora, no final, a coisa acabe não sendo bem assim.

Como disse o Cláudio, o melhor do Brasil é o Brasileiro… 🙂

Com moderação, mas beba…

Apesar do calor, ontem tomei uma tacinha de tinto (levemente resfriada). Olha que notícia boa. Da BBC Brasil:

Composto de vinho tinto prolonga vida de peixes em até 50%

Um composto presente no vinho tinto tem o poder de prolongar a vida – ao menos em peixes –, de acordo com pesquisadores italianos.

O dono da urubua

Célio e LoiraA internet é mesmo espantosa. Num dia vc escreve sobre alguém e menos de uma semana depois – graças ao Google, lógico – esse alguém bate em suas portas virtuais. Isso aconteceu uma vez quando meti o pau no horrendo show dos irmãos Caruso, um a que assisti no Teatro Nacional de Brasília ainda antes da eleição do ex-iluminado Lula. (Tão iluminado quanto o filho do Jack Nicholson naquele filme homônimo. A diferença é que Lula não consegue mais conversar com o dedo – redrum! redrum! – que fugiu por achá-lo muito chato.) Pouco depois a mulher dum deles (falo ainda dos irmãos Caruso) encontrou meu texto na net e veio toda magoada tirar satisfação. Uê, que é que eu podia fazer se eles, enquanto músicos e compositores, são ótimos cartunistas militantes? E, claro, ambos pra lá de sem graça. Mas, puts, eu havia prometido a mim mesmo que não faria mais isso, botar o dedo na ferida alheia. (Desculpa, Papai do Céu, eu sei que vc disse que muito melhor é elogiar quem merece e calar sobre os demais, mas… ainda vou aprender.)

Pois é, agora recebi um email que curti muito, do Célio Luiz da Silva, o dono da Loira – a urubua mais charmosa de Minas Gerais – sobre quem escrevi há alguns dias: O urubu e o amor. Coloquei ao pé do texto – com autorização dele – o referido email, o qual esclarece minhas dúvidas sobre a possível futura primeira dama de Cambuí…

Ah, é óbvio que fui convidado para a comunidade da Loira e do Célio, à qual já aderi.

Essa internet…

Lamento de Donzela

Eu quero um homem

que faça versos

que me mostre o quanto eu não sei

fazer versos

e me deixe subitamente feliz por não precisar mais

fazer versos.

eu quero um homem que seja

um menino

magro, desamparado

rejeitado por todas as mulheres

e ainda assim tenha no peito

um amor quente e inquestionável

úmido e salgado como lágrima

espesso como sêmen

explosivo como sêmen.

Ou um homem velho, bruto,

fatigado das mulheres.

Enquete

Mulher demais atrapalha? Do Estadão:

Obrigado a ter 4 esposas, homem acaba deprimido

Riad – Um muçulmano pode se casar com até 4 mulheres, mas um jovem de Riad, na Arábia Saudita e que não teve o nome revelado, teve de ser internado com problemas psicológicos após ser obrigado por seus pais a ter 4 esposas. Primeiro, o pai impôs uma mulher de sua família, e imediatamente a mãe fez o mesmo. O pai, zangado e decidido a manter a influência familiar, obrigou o filho a aceitar uma 3ª esposa, também do lado paterno. Para não ficar atrás, a mãe fez o mesmo.Pouco após as quatro cerimônias, o jovem deu entrada em um hospital com depressão e agora ele se nega a ver seu pai, sua mãe e suas quatro esposas.

Perguntas que não querem calar…

Pergunta 1: a Bruna Surfistinha está esperando as vendas do livro dela darem uma arrefecida para posar nua? (Pois é de se estranhar que ainda não o tenha feito, certo?).
Pergunta 2: na segunda arrefecida ela se casa em grande estilo?
Pergunta 3 e mais importante: será que o casamento da Bruna Surfistinha vai sair em Caras?
Seria talvez o ápice da história do Brasil. Depois, vem a decadência.

O mau Jobim

Como um juiz que é filiado a um partido da base aliada do governo e tem ambições políticas pode julgar ações de interesse — neste caso, contrário — do governo? Só no Brasil mesmo. Do Estadão:

Jobim é interpelado para dizer se pretende disputar a eleição

Pêlos

Eu invejava todo aquele carinho. As mãos deslizando sobre a barriga, o tórax, o pescoço, aquela lentidão indecente de peixe de aquário. Imóvel, trancado na minha própria vergonha, eu desejava participar duplamente da carícia: sentir as mãos dela pelo meu corpo, e tocar — por que não? — a aspereza mole dos pêlos dele. A cena, quase vil de tão explícita. Mais de uma vez quis interrompê-los, mas só de olhar eu já comungava um pouco daquele balé. Se não era convidado a subir no palco, pelo menos completava o drama como espectador; ouvia os gemidos com modesta agonia. Mais tarde eu teria aqueles pêlos à minha disposição, mas as mãos dela, as mãos que me curariam dessa dor fina e enjoada, estariam no corpo de outro, talvez com o mesmo prazer que tinham no dele. Já estava com ciúmes quando ela se despediu:

— Ele já está quase bom, acho que não vou precisar mais vê-lo.

— Nem mais uma vez?

— Me ligue se ele tiver uma recaída.

Em casa, pego o cartão (Renata — Clínica Veterinária São Francisco de Assis) e penso no que vou dizer ao telefone. Talvez simplesmente a verdade: quero que ela me trate como um cachorro.

As delícias da banca

Em artigo ontem na Folha, Luís Nassif aponta como um dos principais obstáculos a quedas mais consistentes nos juros, o fato de que um grupo restrito de bancos e grandes empresas, com acesso a créditos no exterior, faz cotidianamente fortunas à custa da viúva aqui, tomando dólares e euros a juros de 4% ao ano lá fora e aplicando-os aqui dentro em títulos públicos que rendem 20% ao ano. Segundo ele, de 45% a 50% (!!!) de nossa dívida pública lastrea hoje operações deste tipo. Num exemplo fictício, Nassif calcula que um investidor que, em 2003, tenha tomado US$ 10 milhões no exterior e os reaplicado no Brasil, três anos depois paga sua dívida lá fora com os juros devidos, sobrando-lhe um lucro de US$ 14 milhões!

É para isso que serve o superávit fiscal conseguido à custa dos impostos noruegueses que o senhor ou a senhora paga e dos serviços públicos africanos que recebe. E depois os juros não caem por conta da inflação e da inadimplência. Acredita quem quer.

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