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Categoria: Política Page 55 of 83

As Fichinhas do General

Sobre patrulha ideológica, há pouco mais de um ano, tive a oportunidade de participar de um seminário em Manaus, cujo tema era “A Dimensão Internacional da Amazônia”. Haja tema polêmico e discussão ideologizada. Na mesa, o Subchefe do Estado Maior do Exército na Amazônia, General Villas Boas, e um camarada do Greenpeace Amazônia.

Ninguém pode ser bobo de achar que não há uma dimensão internacional na questão amazônica, para o bem e para o mal, mas teorias conspiratórias e sandices do tipo “livros de geografia americanos mostram a Amazônia como área sob controle internacional” não ajudam em nada. Na verdade, este tipo de coisa, em geral, é exatamente contra-informação nefasta usada por grupos que querem por fogo no picadeiro para desacreditar o trabalho de organizações sérias – o que também não significa que não haja um punhado de ONGs picaretas fazendo tráfico de animais, biopirataria e roubo de conhecimento indígena disfaçados de trabalho ambiental e/ou científico.

De olho em todos

Eu acho o site Discover the Networks uma excelente iniciativa. Pessoas (isto é, eleitores) que “não sabem quem é de esquerda e quem é de direita” – e que não tem tempo para estudar política a fundo – deveriam, através de sites assim, vir a saber o nome dos “bois”, das “fazendas” e dos “fazendeiros”. Algum militante esquerdista honesto – onde quer que esteja escondido – deveria criar um site semelhante, dando os nomes e as conexões entre os militantes, ativistas, financiadores, teóricos e políticos de direita. Mas sem essa ingenuidade de colocar Adolf Hitler e David Horowitz no mesmo saco, na mesma categoria, isto é, considerá-los igualmente como exemplares da “extrema-direita”. Dá até para rir. Você, internauta, consegue imaginar o judeu Horowitz vestido de suástica e queimando judeus? Acho que ele só faz isso – queima um judeu – quando se bronzeia ao sol, se é que o faz. No mais, ele afirma:

Real human flesh and blood had been sacrificed on the altar of utopian ideals. A collusive silence had followed.
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Carne e sangue humanos reais têm sido sacrificados no altar dos ideais utópicos. Um silêncio conjuratório os tem seguido.

Patrulha Ideológica

Ontem, um comentário do Yuri no meu post sobre o portal Às Claras, me levou a chafurdar no estranho mundo da extrema-direita norte-americana e a pensar sobre como, nos extremos, as coisas se encontram.

O site Discover the Networks, cujo grande mentor é David Horowitz, ex-marxista convertido neoconservador, faz um mapeamento das conexões políticas e econômicas do que eles chamam de “esquerda americana”. Entre lá e digite “Bill Clinton”, “George Soros”, “Gore Vidal”, “Noam Chomsky” ou ainda qualquer nome de palestino conhecido em solo americano e descubra quem financia quem e quem é amigo de quem. Tirando o fato de que sempre alguém tem que me explicar o que é esquerda hoje em dia, saí tentando entender do que se tratava.

Transparência Eleitoral

Na mesma linha do site Contas Abertas, sugerido pelo Paulo no post abaixo, é muito instrutivo o portal Às Claras, mantido pela Transparência Brasil. Nele, podem ser consultados os gastos de campanha de todos os candidatos das eleições de 2002 e 2004 no país e ver quem foram seus financiadores declarados. Da mesma forma, no caminho inverso, é possível ver quem foram os políticos financiados por uma determinada empresa. Digite, por exemplo, Sama, e descubra quem é a bancada do amianto no Congresso Nacional. É fascinante ainda saber, entre muitas coisas, que o ex-relator da Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos, ex-Deputado Emerson Kapaz (PPS-SP), foi financiado pela empresa Vega Ambiental, uma das gigantes do lixo no país, que, aliás, também foi a maior doadora da campanha do prefeito Iris Rezende, em Goiânia, com 400 mil reais, que, aliás, também recebeu uma bolada de 350 mil reais da Qualix, concessionária dos serviços de limpeza urbana na capital…

Somos sérios ou suicidas?

Trechos dum artigo de Thomas Sowell, traduzido por Antônio Emílio Angueth de Araújo, para o MSM:

Se você está velejando no Rio Niagara, há sinais que marcam o ponto a partir do qual ou você sai por uma das margens ou então corre o risco de ser tragado pela cachoeira. Com o Irã se movimentando em direção ao desenvolvimento de armas nucleares, estamos nos aproximando, perigosamente, do ponto crítico, sem volta, no cenário mundial.

(…)

O próprio governo iraniano está nos dando a mais clara evidência do que um Irã nuclearizado significará, com suas fanáticas e iradas declarações sobre varrer Israel da face da Terra. Não tenhais dúvida por quem o sino toca. Ele toca por vós.

Voto nulo

Trecho da entrevista concedida por Ubiratan Iorio, presidente executivo do CIEEP (Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista), ao MSM:

MSM: Ano que vem teremos eleições. Há algum presidenciável em quem o senhor recomendaria publicamente o voto?

Iorio: Vou declarar algo que poderá chocar a muitos. Creio que a maior manifestação de democracia que um liberal brasileiro pode dar, já que todos os presidenciáveis são de esquerda, é anular o seu voto, uma vez que o mesmo é obrigatório.

MSM: Mas pregar a anulação do voto não é uma pregação contra a democracia?

Ah, o Estado!

Olha só que bonito. Está no blog do Josias de Souza. O Supremo Tribunal Federal deve cancelar até março, quando transitar uma decisão para a qual falta apenas o voto do ministro Joaquim Barbosa (já vencido, caso ele vote contra), mais de 10 mil ações de improbidade administrativa. A partir de um relatório do homem que confessou ter enfiado alguns artigos não votados na Constituição e pré-candidato à presidência Nelson Jobim, o STF entende, e doravante será jurisprudência portanto, que agentes políticos, como presidentes, ministros e governadores, não são abrangidos pela Lei de Improbidade Administrativa – só podem ser julgados por crime de responsabilidade, evidentemente com foro privilegiado. Isso extingue, entre outras, ações em que Paulo Maluf e Celso Pitta são réus. Tudo começou com a famosa viagem de férias em jatinho da FAB do hoje Embaixador brasileiro na ONU, ex-ministro da era FHC, Ronaldo Sardenberg. E viva o Brasil!

Anarco-indigenismo

Vamos voltar ao tema suscitado pelo Paulo ali embaixo com seu amigo David D. Friedman. Eu li alguns dos textos do cara e até achei legais, mas todos, sem exceção, são uma elocubração teórica só. Coisa típica de economista, embora ele não seja um.

E, não se enganem comigo, eu adoro Economia. No meu trabalho acadêmico e sobre políticas públicas, grande parte das minhas referências vem de economistas que eu admiro muito, como, do lado da Economia das Instituições, o Prêmio Nobel Douglass North, e, nos estudos do desenvolvimento, outro Nobel, o indiano Amartya Sen (aliás, motivo de grande revolta contra o Microsoft Word, que insiste em sempre corrigir automaticamente o nome dele para “Sem”).

Meu propósito é tentar chegar exatamente ao que nos une e desune aqui nesse blog em relação à sociedade ideal. Acho que isso é importante porque esses pontos de discordância estão exatamente ao redor de alguns dos grandes nós da modernidade.

Libertários vs. Libertários

Eu não tenho dúvida de que aprender a julgar as pessoas com base em seus atos, e não em suas idéias, é um dos grandes desafios que todos nós temos. Possuímos toda uma retórica sobre a importância e o valor da democracia, mas, infelizmente, e aqui me incluo, somos virtualmente incapazes de verdadeiro respeito pelas opiniões e preferências das pessoas. Julgamos e condenamos, muitas vezes perpetuamente, com base em duas palavras e, pior, mas nessa não me incluo, volta e meia estamos prontos a querer calar o outro, cerceá-lo em suas idéias.

É muito difícil manter uma postura realmente aberta e de genuína curiosidade diante das pessoas e do mundo porque isso pressupõe, em alguma medida, manter sempre em questão nossos valores e nossas próprias idéias, o que dá um medão. Mas é um trabalho que vale à pena. Aliás, talvez o único que realmente o valha porque fora dele é pura perdição. Não é à toa que nosso mundo ande tão mal das pernas, eternamente de TPM.

Controle, controle, controle…

Este post pretende complementar o post do Yuri sobre a necessidade dos Estados – acho que até meio independente dos partidos a navegá-los – de manter controle sistêmico sobre seus cidadãos. Niklas Luhman (que o pessoal da sociologia deve conhecer bem) gostava de comparar o “sistema” Estado ao “sistema” indivíduo, afirmando que ambos deveriam chegar a um eqüílibrio necessário: se há Estado demais, o indivíduo desaparece e estamos sob um regime totalitário; se há indivíduo demais, o Estado desaparece, e estamos na barbárie.

Pois é, agora os Estados Unidos, bastião do liberalismo (se anárquico ou não eu deixo pro Paulo falar) mundial, estão querendo controlar o que dizem e escrevem seus cidadãos e, pasmem, com a aquiescência dos mesmos. Segundo notícia do Estadão, “mais da metade dos americanos se mostraram favoráveis a que o Governo conte com uma ordem judicial para obter informações secretas de seus cidadãos”. Em que medida uma ordem judicial poderia garantir a liberdade individual do cidadão é um mistério, mesmo assim é uma barreira formal que acabará caindo. Se quisermos ser um pouco mais sofisticados em qualquer análise política, não convém identificar atores reais com valores morais rígidos (bem e mal), ou perderemos a heurística dos conceitos.

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