Embora tenha minhas próprias opiniões e convicções políticas, estou a anos luz de ser o mais indicado para emitir juízos sobre a grande maioria das personalidades públicas. Como o povo da rua, desconheço 99% dessa gente. Ok, vá lá, 97%. Afinal, haja saco, tempo e energia para acompanhar a trajetória dessa turma. (Para tanto, consulte o Reinaldo Azevedo e o Cláudio Humberto.) Mas, devo dizer, há cerca de três ou quatro semanas, assisti por acaso a um discurso do deputado Thomaz Nonô, agora canditado à presidência da Câmara. Fiquei de cara: quando crescer quero ser um orador tão bom quanto ele! O cara consegue elaborar um discurso excelente – como se diz, em tempo real – como quem escreve um livro com texto de alta qualidade. E eu que pensava que só tínhamos analfabetos à maneira de Lula, capiaus maquiavélicos comedores de “S” à maneira de Dirceu ou cangaceiros à là Severino. Na ocasião, o discurso do deputado Nonô desancava o PT, mas não com leviandades e bobagens, senão com bom conteúdo muito bem realizado na forma. E eu tenho certo frenesi estético pela linguagem bem articulada, pela frase bem dita. O que leva alguns amigos a pensar que sou passível de ser engambelado por sofistas. Mas não o sou. Nunca curti arte pela arte, técnica pela técnica e umbigos tautológicos do gênero. Odeio blablablá vazio. Por isso nunca me empolgo com atrativos sem conteúdo, proposições sem sentido, punhetagens sem significado. Esse Nonô é ao menos inteligente e parecia compreender muito bem o estado de coisas desse governo. Se é honesto e se, caso eleito, fará alguma diferença, eu não sei. Mas que teria meu eventual apoio, isso teria.
____
P.S. (26/09): Como eu já imaginava: o apoio durou apenas o tempo necessário para escrever o post. O Nonô tem como plataforma de campanha o arquivamento de todos os pedidos de impeachment protocolados contra Lula. Realmente, não dá pra levar ninguém a sério ali dentro…