O Garganta de Fogo

blog do escritor yuri vieira e convidados...

O Poder vermelho

Mamãe cortava, lixava, arrancava cutículas. Eu, no meu canto, só podia pensar que aquilo era bobagem. Por que não resolver tudo com um simples cortador de unha? Pele, água quente, esmalte, a dor, sim, era quase nenhuma, mas e o tempo? Porque não gastá-lo com um livro ou filme? Por que o trabalho inútil de criar mais uma superfície onde já havia uma casca bastante eficiente, ainda que dura e fria? E depois, a corrosão. A segunda casca se desfazia e era preciso gastar mais uma tarde para uma nova camada de tinta. Desde cedo eu sabia que seria muito diferente de mamãe. Minhas unhas ficariam expostas, não havia motivo para cobri-las. Os homens que se conformassem. E as mulheres, eu as olhava de cima, não desperdiçava meu tempo e meu dinheiro com cores inúteis. Eu tinha mais o que fazer com minhas tardes de domingo.

Mas, quando ele apareceu, eu vi nos seus olhos alguma coisa mais firme e convicta que minha petulância. Ele parecia satisfeito consigo mesmo, e isso me assustava, eu que tanto tentava me transformar. Eu queria descobrir que força era aquela que o sustentava, que chão ele tinha achado para pisar no meio de tanta onda imprevisível. Mas ele não se revelava, ele apenas me olhava daquele jeito limpo e sereno. E fui aos poucos percebendo que era preciso encontrar outro meio de indagá-lo, era preciso submetê-lo a algum inquérito definitivo e silencioso, e o problema é que eu não tinha nem idéia de como começar. Foi quando aquelas lembranças vieram à minha mente com a força imprevista de um pequeno impacto. Procurei mamãe, vi as suas mãos cruas e pálidas, e senti medo. Pensei em lhe perguntar por que não havia mais cor, mas logo percebi que a resposta não me saciaria. Eu estava inquieta, arisca, obscuramente revoltada. Eu precisava de um ritual, não de uma explicação. Desci as escadas correndo – nem sei por que fui pelas escadas – e confesso que me senti um pouco derrotada quando paguei pelos pequenos vidros vermelhos. Mas depois, trancada no quarto, fui aos poucos recuperando minha confiança e lucidez. O contorno tinha de ser nítido; a cor, uniforme e compacta. Aquela pequena superfície tinha o dever intransferível de atestar toda a minha solidez. Saí do quarto sentindo uma alegria estranha e completamente nova para mim. Acho que pela primeira vez na vida senti vontade de mostrar algo à mamãe. Ela pegou minhas mãos, reparou nelas, contemplou-as como quem contempla de longe o vôo de um pequeno pássaro. Senti que uma nova compreensão, profunda e silenciosa, se instalava entre nós. Quando ele me ligou, não fiquei surpresa. Eu também tinha achado um chão onde pisar. As ondas começavam a se tornar previsíveis, como a órbita da lua, que as gera e justifica. O ritual estava concluído.

Poesia, Arte e Mito

Preste muita atenção:

“Quando a poesia exprime os mitos que a tradição lhe propõe, ela não é autônoma, não tem em si a mesma soberania. Ela ilustra humildemente a narrativa cuja forma e sentido existem sem ela. Se é obra autônoma dum visionário, ela define aparições furtivas que não tem a força de convencer e não têm verdadeiro sentido senão para o poeta. Assim, a poesia autônoma, fosse ela aparentemente criadora do mito, não é em última análise senão uma ausência de mito. De fato, este mundo em que vivemos já não engendra novos mitos, e os mitos que a poesia parece fundar, se não são objetos de fé, só revelam finalmente o vazio: falar de Enitharmon não revela a verdade de Enitharmon, é confessar mesmo a ausência de Enitharmon neste mundo a que a poesia o chama em vão.”
Georges Bataille, em “A Literatura e o Mal”.

E isto ocorre com todo e qualquer gênero artístico. A arte, em suma, deve fincar raízes no Mito e este, assim como toda energia consumida na Terra vem do Sol, recebe sua vitalidade de fora deste mundo…

Cartier-Bresson

Henri Cartier-Bresson/Magnum Photos

FRANCE. Ile-de-France. Seine-et-Marne. 1968
Henri Cartier-Bresson/Magnum Photos

Esta é uma das primeiras fotos que me lembro de ter admirado.

Hoje, há 100 anos, nascia o francês Henri Cartier-Bresson.

Mais fotos

No quiero ser un ciudadano

Neste áudio, Facundo Cabral explica, com muito humor, como chegou a conhecer Cristo graças a uma prostituta (“Cardo Seco”). Em seguida canta No quiero ser un ciudadano.

Visions of China, por Mike Powell

Mike Powell for NEWSWEEK

Salto com vara, masculino
Mike Powell for NEWSWEEK

Mike Powell for NEWSWEEK

Ana Paula, no vôlei de praia
Mike Powell for NEWSWEEK

Mike Powell em Visions of China, blog de fotógrafos da Newsweek sobre os Jogos de Pequim

360º em Pequim

O fotógrafo finlandês Kari Kuukka colocou em seu blog sobre os Jogos de Pequim uma imagem em 360° muito bacana para mostrar sua posição dentro do Ninho do Pássaro durante as provas de atletismo.

Verissimos

Do escritor Luis Fernando Verissimo, hoje no Estadão:

O escritor Luis Fernando Verissimo relembra o pai, Erico. “Uma vez, após um enfarte, meu pai foi convidado a se candidatar à ABL e respondeu: “Mas eu já sou quase uma vaga!? Quando o amigo Vianna Moog insistiu, disse: ‘Está bem, Moog. Vou me candidatar para a tua vaga’. Moog nunca mais tocou no assunto. Meu pai era contra qualquer tipo de formalidade”. Verissimo, o filho, vai na mesma linha: “Eu não me candidato porque não tenho obra literária que mereça a honra nem o físico para o fardão, ainda mais depois que o (Moacyr) Scliar me contou que a gente não fica com a espada. Mas também tenho amigos lá dentro e respeito a instituição”.

Mais uma vez: Bye Bye, Obama!

Vocês bem sabem que o principal problema dos EUA hoje, é o preço da gasolina. E o americano não pretende, de forma alguma, deixar o carro em casa. Enquanto Obama mais uma vez ficou sem saber o que dizer, McCain foi esperto e posicionou-se a favor de furar o Alasca para consumir os 15 bilhões* de barris do petróleo que tem por lá. Mais uma vez, Barak Hussein Obama esboça mudar de opinião, mas sempre sem tomar uma posição definitiva. Aliás, como já fez em relação ao aborto, declarando que é um assunto que está além do seu alcance; ou quando titubeava quanto a apoiar ou rechaçar as idéias do lunático reverendo Wright.

Embora a imprensa mundial torça pela recessão econômica americana e a eleição de Obama, ambas as coisas estão longe de se tornar realidade. O eleitor americano parece não se deixar levar pela onda rockstar surfada pelo candidato democrata. A última pesquisa aponta McCain liderando com cinco pontos à frente. Expressa que ninguém anda gostando da tour mundial democrata, onde o candidato preferido do mundo tem muito a falar às multidões sobre todas as coisas, enquanto não abre a boca quando o debate se dá em torno da permissão ou não das perfurações de poços de petróleo no Alasca, a única solução viável que pode baixar os preços dos combustíveis. Hoje, 73% dos americanos são favoráveis às perfurações.

Eles querem o nosso mar negro – Vale lembrar, que as reservas de petróleo no Alasca estão estimadas em 10 bilhões de barris a mais do que o tão celebrado mar de petróleo da Bacia de Santos, que conta com 5 bilhões. E as suas condições para extração são muito mais simples e baratas. Mesmo assim, não custa nada ficarmos atentos, não é mesmo? Afinal, nos alerta a corrente de e-mails – do pessoalzinho vermelho que usa camisa do Che Guevara – sobre a IV Frota Yankee estar estacionada no nosso quintal com um… navio-hospital, porca miséria!

Miami (EUA), 11 de Agosto de 2008 – O navio anfíbio americano “USS Kearsarge”, pertencente a recém-reativada IV Frota, partiu na sexta-feira passada de Miami rumo à Nicarágua, onde vai iniciar uma missão humanitária de quatro meses por seis países da América Central, do Caribe e da América do Sul, informou o Comando Sul dos Estados Unidos.

Com uma tripulação de mais de 1.300 militares, aos quais se unem médicos e engenheiros do Brasil, Canadá, França, Holanda e Espanha, o “USS Kearsarge” chegará logo à Colômbia, República Dominicana, Guiana, Panamá e Trinidade e Tobago antes de regressar em novembro aos Estados Unidos.

(…) Médicos, dentistas e veterinários especialistas a bordo do Kearsarge proverão um grande número de serviços médicos e sanitários a comunidades marginalizadas da região, inclusive cuidados cirúrgicos, preventivos, oftalmológicos e treinamento em saúde pública, informou o Comando Sul americano, encarregado da missão. Equipes de engenheiros da Marinha e da Força aérea dos EUA colaborarão com vários projetos de construção nos países que o navio visitará.
(Gazeta Mercantil/Caderno A – Pág. 12)

Espelho – 1 ano

Já ia me esquecendo: hoje faz um ano desde o lançamento do curta-metragem ESPELHO, que já foi assistido mais de 7000 vezes no You Tube e é, dentre 16900 vídeos, o segundo resultado quando se busca “curta-metragem” no mesmo site. (A versão legendada em inglês foi vista 1293 vezes.)

Obrigado a todos os que estão ajudando a bombar o filme. 🙂

(Sim, sim: o “feliz aniversário Michael de Nebadon“, que aparece ao final dos créditos, e a data do lançamento não são mera coincidência…)

Feliz Natal a todos

Apenas para desejar, a você, leitor deste blog, um feliz aniversário de Jesus de Nazaré, mi Maestro y Jefe. E não reclame, o aniversário do Cara é hoje, ponto. 🙂

Claro, continue comemorando o aniversário Dele logo após as Saturnais Romanas também. Quem disse que Ele vai reclamar?

P.S. das 13:12h: E não é que o Papai Noel chegou justamente hoje? Puts, já experimentei e voltei à infância…

E abaixo, o músico Pato Banton, que também está comemorando o Natal hoje, durante um encontro em Jerusalém:

Siga a bolinha luminosa…

Lyrics | Pato Banton – Life Is A Miracle

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