O Garganta de Fogo

blog do escritor yuri vieira e convidados...

Uma boa coisa do Governo Lula (não é piada)

Taí uma coisa muito importante feita pelo Governo Lula: o Portal da Transparência da Controladoria Geral da União. É realmente impressionante (apesar de que deveria ser o óbvio). É possível consultar todas as despesas do Governo Federal por categoria, inclusive gastos com cartão de crédito por órgão e por portador – exceto os da Presidência da República e da ABIN, protegidos “para garantia da segurança da sociedade e do Estado” (mesmo assim é possível saber ao menos o total dos gastos).

Também podem ser consultadas as transferências para os estados e municípios, incluindo os indivíduos e empresas favorecidos. É possível, por exemplo, saber quem são os beneficiários do Bolsa Família em qualquer município do país e quanto um favorecido recebeu num dado período. Mais ainda, clicando no CPF do cidadão, pode-se saber se recebeu algum outro pagamento do Governo.

O que faz a gente pensar por que, apesar de tanta informação disponível, seguimos tão pouco cidadãos? O Cláudio Weber Abramo propõe debate nessa direção.

Pela Extinção do Senado

Cláudio Weber Abramo chama atenção para artigo de Paulo Queiroz, Procurador Regional da República, publicado no Correio Braziliense, apresentando fortes e convincentes argumentos em favor da extinção do Senado e da adoção de um sistema legislativo unicameral.

Giannetti e o paradoxo do genoma

Sigo lendo O Valor do Amanhã, do economista Eduardo Giannetti. Subintitulado “Ensaio sobre a Natureza dos Juros”, o livro está longe de ser uma obra meramente econômica. É filosofia. Como mostra ele, os juros financeiros são apenas uma faceta menor de um fenômeno inscrito na natureza darwiniana da vida e em nosso código genético: as trocas intertemporais – desfrutar agora custa, esperar rende.

Águas de Março

Já que estamos nos aproximando das enchentes de São José (19 de Março), o negócio é ir cantarolando desde já a canção apropriada. Para tanto, acompanhe esse video-clip genial do Cartoon Network.

Capote II

Acabo de assistir a Capote e concordo integralmente com o Fiume. É um grande filme. Absurdamente melhor que Crash e que Brokeback Mountain. Não há dúvida de que todo o seu mérito, além da atuação felizmente premiada com o Oscar de Philip Seymour Hoffman, reside na sutileza com que trata a figura de Truman Capote e a pesada história real de sua obra-prima “A Sangue Frio”. Coisa rara em filme americano: sugerir as coisas, ao invés de explicá-las didadicamente. Meritório também o filme não cair presa da personalidade de Capote – o homossexualismo, o alcolismo, a megavaidade, etc. -, mas exatamente sugerir tudo isso enfatizando suas relações com outras pessoas no processo de se envolver com a história de brutais assassinatos, que resultaria num dos grandes livros norte-americanos.
Mais impressionante ainda por se tratar do primeiro longa de ficção do diretor Benett Miller. Imperdível.

Carteira de identidade inglesa?

Estamos tão (mal) acostumados ao estatismo brasileiro – até nossos avós tinham RG – que chega a causar grande estranhamento o fato de os ingleses estarem, há alguns poucos anos apenas, em meio a mil e um calorosos debates sobre essa “nova” idéia de se obrigar os cidadãos dum país a portar uma carteira de identidade. São enormes as controvérsias sobre a invasão de privacidade, o absurdo que é registrar as digitais de cidadãos inocentes e coisas do gênero. O site Say No To ID apresenta diversas razões para se rejeitar o famigerado projeto. Enquanto isso, do lado de cá do equador, somos um povo tão ovelha, tão besta, que logo logo seremos os primeiros a usar a versão tangível da marca da besta, isto é, uma identidade da ONU, um chip da Nova Ordem Mundial, uma tanga de crochê…

Capote

Fui ver Capote ontem. É excelente. Num papo por email com meu amigo Gustavo Alves, jornalista do Globo e autor do blog River Run, ele acabou resumindo por que o filme é tão bom — faltou apenas citar o ótimo trabalho do Philip Seymour Hoffman:

Capote é genial. E muito sutil. A forma como o mostra caminhando para o alcoolismo, a tensão por gostar do assassino e ao mesmo tempo querer que ele morra para terminar o livro, tudo é muito sutil. O ator que faz o matador baixinho, aliás, é espetacular.

[Texto modificado às 17h44 de 14/6]

Billy Blob

Pintura de Billy Blob
Vale à pena conferir o site do artista plástico americano Billy Blob. Suas pinturas são lindas e as animações, de viés algo budista, engraçadas e muito inteligentes. Alguns dos títulos sugestivos são “The Kharma Ghost” e “Bumble Beeing – The Butterfly Effect”

O editor de textos da Google

A Google comprou a Upstartle, empresa que desenvolveu o Writely, um editor de textos que funciona dentro da própria web. Pelo jeito, os planos da Google de criar o Googleputer – isto é, um computador mundial central onde cada um dos nossos PCs não será senão um mero terminal – estão indo de vento em popa.

Sobre a necessidade de classificar o mundo

Certa vez eu, o Yuri e o Paulo conversamos até tarde num barzinho (destes que Goiânia pari e mata aos montes) sobre o paradoxo de Russell e sobre como ele redefinia a idéia de classificação com a qual sempre trabalhamos. Em outras palavras, Russell mandou para o espaço o que costumo chamar, não sem alguma pretensão didática, “visão supermercadológica” do mundo. O que isso tem a ver com o post anterior do Pedro e sua resistência à nossa insistência em enquadrá-lo? Sigam-me.

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