O Garganta de Fogo

blog do escritor yuri vieira e convidados...

Adsense, PayPal, SkypeOut

Essa teimosia do Google Adsense em não aceitar fazer pagamentos através do Paypal é uma grande sacanagem. Não criam um sistema semelhante e tampouco aderem ao já existente. (Ou seja, não cagam nem desocupam a moita.) Se o fizessem, seria uma revolução na telefonia – ao menos para mim. Sim, pois o SkypeOut – o serviço pelo qual é possível ligar do Skype para telefones fixos e celulares – aceita pagamentos através do Paypal. Com um crédito de 10 euros (cerca de R$26) é possível conversar por horas. Com a renda atual da publicidade (Adsense) do meu site, eu já poderia passar dias fazendo interurbanos e chamadas internacionais. A internet é um assombro, mas ainda possui muitos focos de estagnação e incoordenação.


Uma charada

Monteiro Lobato (1882-1948) leu Nietzsche (1844-1900) e sua vida então mudou: finalmente tornou-se ele mesmo. Nietzsche leu Monteiro Lobato e… nunca mais foi o mesmo.

Um flagrante do Mr. Hyde

Dessa eu não me lembrava. (Claro, o Dr. Jekyll nunca tem plena consciência dos atos do Mr. Hyde.) O Pedro Novaes conseguiu me flagrar num dia em que o Señor Recóndito, numa festa na chácara do Gustavo Lima, tomou não apenas meu corpo mas também o microfone. Quando ele viu que a banda tinha bateria, guitarra e teclado, mas não um vocalista, deu o golpe de estado, tornou-se o MC da noite. Depois me contaram como ele (alguns pensam que era mesmo eu, mas não era) como ele inventou, em tempo-real, as letras das músicas que cantou. Uma doideira. Para ver como esse cara aí se parece comigo, mas não sou eu, veja como sua presença encaracola meus cabelos e dá um ar sinistro às minhas meigas feições. Sério, veja em meu perfil (ou na foto do casamento da minha irmã) como sou de fato. Ninguém entende como é duro levar essa vida dupla…

O Presidente Jeca Lula Molusco Calça Quadrada e Tatu

Cássia Queiroz – my ex, atual maninha – me conta que seu pai teve uma fazenda enorme no Pará. Seu vizinho mais próximo morava a apenas 100Km de distância, um pulinho. (Coitado do entregador de jornal.) Quando criança, Cássia ganhou do seu pai um bichinho que toda criança sadia adoraria ter: um tatu. Toda imaginosa, a doce e sapeca menininha loira – sim, ela já foi loira – amarrava uma corda de sisal numa das patas traseiras do semovente e, cheia de maquiavelismo infantil, deixava o pobre cavar, cavar, cavar até sumir-se em seu buraco de terra fresquinha. Ao notar que só lhe restava uma pontinha de sisal nas mãos, Cássia metia-se a içar o iludido animal de volta à tona. Felizmente aquela vivência do mito de Sísifo não se agitaria senão numa mente autoconsciente, coisa totalmente alheia a um tatu, cujo sofrimento se resumia à mera linguinha dependurada pelo esforço vão e a seus olhinhos arregalados pelo instinto de sobrevivência. Mas isso não significa que seja fácil ser um animal irracional…

Nietzsche e Lobato

Eis um interessante artigo de Aluizio Alves Filho – Nietzsche e Lobato – que pode servir de ponto de partida para quem quiser estudar a influência que o primeiro exerceu sobre o segundo.

Webscenidades

Disse o Ricardo Calaça:
“O meu orkut eu não dou pra ninguém! Tá me estranhando?”
Acrescentou o Rodrigo Lustosa:
“Eu também não dou! Em orkut que mamãe pôs talquinho, ninguém põe a mão…”
No dia seguinte, a Rosa Maria Lima narrou o diálogo entre um seu amigo e uma garota que ele conhecera havia pouco tempo. Perguntou a garota:
“Você já entrou no meu blog?”
E o cara: “Credo, a gente nem sequer saiu pra jantar ainda. E se eu já tivesse entrado no seu blog, tenho certeza que vc se lembraria…”

Professorinha querida

Ronaldo Roque tem toda a razão: essa é realmente a professora dos nossos sonhos adolescentes. Condená-la à prisão equivale a prender o Netinho por distribuir “dias de princesa” às meninas pobres.

Vaquinha pra comprar o Ronaldinho

Ontem, num boteco de Goiânia, reencontrei o François D’Herbolez, francês de Toulouse, marido de uma amiga, a Gel. Ele é professor de tênis na França – está se transferindo pro nosso centro oeste – e me disse que seus alunos adoraram uma idéia que tive da última vez que nos encontramos: fazer uma vaquinha pra comprar o Ronaldinho Gaúcho. Segundo ele, os alunos já queriam contribuir com seus euros. (Poxa, se eu soubesse teria lhe dado o número da minha conta.) A justificativa eu dei tempos atrás: ter o passe do Ronaldinho seria ótimo, poderíamos tê-lo conosco para ensinar a nós, pernas de pau, a jogar nos finais de semana. Jogaríamos altas peladas. Com ele também poderíamos conhecer garotas (altas e peladas), entrar em festas, restaurantes, tocar um sambinha nas feijoadas, vê-lo pagar a conta do boteco e assim por diante. Durante a semana, ele poderia ser o motorista da nossa (dele) Ferrari e nos levar por aí. Acho que seria um serviço bastante leve. Claro, teríamos de fazer um rodízio, afinal, o número de sócios seria grande. Quanto será necessário para adquirir tal passe? Quem quiser contribuir, clique aí no link do meu PayPal, no site principal. Aceito cartões de crédito. E, caso sobre alguma bufunfa, um troco, talvez a gente também possa dar de entrada para comprar o Roberto Carlos, que parece ser um sujeito bom de papo.

A inveja do Père-Lachaise

Tudo bem. O cemitério Père-Lachaise possui os “indícios” de Apollinaire, Balzac, Sarah Bernhardt, Chopin, Delacroix, Saint-Hilaire, Ingres, Kardec, la Fontaine, Méliès, Molière, Édith Piaf, Oscar Wilde, Proust, Pissarro, Yves Montand, Jim Morrison, Rossini, etc. e tal — até Abelardo e Heloísa estão ali, imagine — mas… mas… ele, o Père Lachaise, está morrendo de inveja do cemitério da Consolação, sim, o cemitério paulistano. Simplesmente porque este o impediu de abrilhantar ainda mais sua coleção de figurinhas fúnebres. Talvez seja porque o dono do defunto em questão, isto é, o espírito que o habitou, tenha combatido a influência opressiva da cultura francesa nas letras e nas artes brasileiras do princípio do século XX. Claro, também ele bebeu dela, mas sabia que a monotonia francesa enfraquecia nossa expressão. Quem é a figurinha que o Père-Lachaise perdeu? Ora, quem…

Fui ao Cemitério da Consolação pela primeira vez, creio, no carnaval de 1998. Eu acabara de chegar duma viagem que fizera a São Tomé das Letras com M.C., minha então namorada, e, naquela manhã de carnaval, acordei com a figura novamente arrumando as malas.

“Onde a gente vai agora?”, perguntei.

“A gente não – eu!”. Fiquei aliviado. Eu, tão escorpiano quanto ela, também estava intoxicado com a relação. Muitas risadas, muito papo, muito prazer, mas, claro, ferroadas em excesso. Só havia um problema: estávamos no apartamento dela e eu não estava nem um pouquinho interessado em sair da cama. Deixar o apartamento e voltar para minha casa naquela hora então? Nem pensar.

“Eu vou pra Serra do Caparaó”, disse ela. “Você pode ficar aqui se quiser. Vou deixar a chave. Se trouxer alguém aqui, por favor, não deixe vestígios.”

Trocamos um beijo e ela saiu. Voltei a dormir. Mais tarde, já de pé, fui à janela: o que poderia fazer sozinho em São Paulo numa manhã de carnaval? Depois da viagem, eu queria tudo, menos badalação. Vi então, logo adiante, os ciprestes do Cemitério da Consolação. Pensei: dizem que São Paulo é o túmulo do samba. Bom, vou verificar… e saí. Circulei por quase duas horas ali dentro. Mil ex-presidentes, políticos ilustres, ricaços tradicionais, gente de livro de história. Parei, pois, para descansar nessa caixa de mármore: Monteiro Lobato 18/04/1882 – 04/07/1948. Fiquei um bom tempo ali, matutando. Eu não sabia que o cara havia deixado a “roupa” em São Paulo. Pensei que fosse em Taubaté ou algo assim. Lembrei então da primeira escola em que estudei: Jardim Escola Visconde de Sabugosa. Quando criança, eu sentia orgulho de estudar numa escola homônima de um dos personagens do Sítio do Picapau Amarelo. Lembrei dos livros, claro. Graças ao anjo do filme “A felicidade não se compra” (Frank Capra), anjo este que fala sobre o mais recente livro de Mark Twain escrito “lá em cima”, fiquei imaginando: o que o cara não estará escrevendo agora? Ao contrário dos demais “mortos”, que faziam parte da história do país ou de São Paulo, aquele cara fazia parte da minha história. Foi um ótimo primeiro dia de Carnaval…
Eu no túmulo do Monteiro Lobato 1882-1948
Esta semana, voltei ao local. Passei dois meses lendo vários livros do sujeito, precisava ir até ali prestar minhas homenagens. Agora eu tinha um novo Monteiro Lobato em mente. Era não o autor infantil, mas o autor de “Miscelânea”, “America”, “Negrinha”, “Na antevéspera”, “Onda verde”, “Mundo da Lua”, “Prefácios e entrevistas”, “Problema vital”, “A barca de Gleyre”, “Mister Slang e o Brasil”, “O escândalo do Petróleo e do Ferro”, “Urupês” e “Idéias de Jeca Tatu”. Alguns destes livros deveriam ser obrigatórios em todas as escolas. Atualíssimos. Reveladores da nossa história, do nosso país, desse grande vulto, Monteiro Lobato – um desses escritores com quem agora me sinto irmanado. Aliás, um cara a ser emulado, posto que se esforçou tanto pela Arte e por esse país de Jecas… Fiquei feliz por ver tantas flores sobre seu túmulo. Morra de inveja, Père-Lachaise.

Garapa de limão

Aprendi com minha falecida avó materna – uma camponesa até a raiz dos cabelos, destas que falam “em riba” (em cima), “duda” (dúvida), “pousar” (dormir, pernoitar) – que “garapa” não era outra coisa senão caldo de cana. Mas minha avó paterna acaba de me dizer que no interior da Bahia, sua terra natal, garapa é praticamente sinônimo de suco, refresco. Por isso, lá, pode-se chamar limonada de “garapa de limão”. E também o maluco da rua era garapa. Segundo minha avó, em Valença, quando não passava duma menina, havia um doidinho que perambulava pelas ruas do seu bairro fazendo sabe lá Deus o quê. As crianças o chamavam de garapa, o que o deixava furioso, levando-o inclusive a distribuir umas palmadas nos pequenos que conseguia alcançar nas inúmeras perseguições de saída de colégio. Portanto inventou-se um sistema. Quando a molecada via o tal doidinho, separavam-se e cada qual recitava seu aparte. Dizia um: “Água!” Outro: “Limão!!” E um terceiro: “Açúcar!!!” Berrava então o doidinho: “Vai, seus descarados! Junta tudo que eu quero ver!!” Finalmente alguém arriscava um “Garapa!!!!” e saíam todos em disparada.

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