O Garganta de Fogo

blog do escritor yuri vieira e convidados...

Schiller e Beethoven

Leia esse trecho do poema do Schiller (Ode à alegria), que São Beethoven musicou no quarto movimento da Nona. (E que eu estou, desafinadamente, e para desespero da Cássia, aprendendo a cantar. Falando nisso, o Calaça aí deve estar com saudade das minhas cantorias lá da UnB, né não?)

Froh, wie seine Sonnen fliegen
Com alegria, como os corpos celestes
Durch das Himmels pracht’gen Plan,
Que Ele colocou em seus cursos pelo esplendor do firmamento
Laufet, Bruder, eure Bahn,
Então, irmãos, sigam seus caminhos
Freudig wie ein Held zum Siegen.
Alegres, como um herói rumo à conquista.

O que é Urântia?

Nos últimos três dias, recebi quatro emails com a mesma indagação: mas afinal o que é, em resumo, Urântia? Que nome é esse? Bem, embora eu imagine que nos seja impossível averigüar a etimologia correta desse vocábulo — uma vez que o próprio Livro nunca faz uma referência direta a seu significado — basta saber que Urântia não é senão o nosso próprio planeta, o mesmo no qual o Filho Criador experimentou a vida na carne.

Lemos no Documento 188:

“É um fato que Urântia é conhecida entre outros planetas vizinhos habitados como ‘o mundo da cruz'”.

Para ficar um pouco mais claro, podemos ainda ressaltar estes três parágrafos do Prefácio:

“Na mente dos mortais de Urântia — sendo este o nome de vosso mundo — há grande confusão quanto ao significado de termos tais como Deus, divindade e deidade. Os seres humanos estão ainda mais atônitos e incertos acerca das relações das personalidades divinas designadas por estes numerosos apelativos. Devido a esta pobreza conceitual associada com semelhante confusão ideativa, fui exortado a formular esta declaração introdutória como explicação dos significados que devem corresponder a certos símbolos verbais que, daqui por diante, serão utilizados nestes documentos, que o corpo de reveladores da verdade de Orvonton foi autorizado a traduzir ao idioma inglês de Urântia.

(…)

“Vosso mundo, Urântia, é um dos muitos planetas habitados similares que juntos compreendem o universo local de Nebadon. Este universo, juntamente com outras criações similares, forma o supra-universo de Orvonton, desde cuja capital, Uversa, provém nossa comissão. Orvonton é um dos sete supra-universos evolucionários do tempo e do espaço que rodeiam a criação da perfeição divina que não possui nem princípio nem fim — o universo central de Havona. No coração deste universo central e eterno encontra-se a Ilha Estacionária do Paraíso, o centro ‘geográfico’ da infinidade e a morada do Deus eterno.

“Referimo-nos comumente aos sete supra-universos em evolução associados com o universo central e divino com o nome de Grande universo; estes constituem agora as criações organizadas e habitadas. Todos eles são parte do Universo mestre, que compreende também os universos do espaço exterior não habitados, mas em mobilização.”

Vale dizer que, embora aí esteja dito que Deus resida pessoalmente no centro do cosmos, o Livro também se estende interminavelmente sobre a existência, função e atuação dos Monitores Residentes, ou seja, as centelhas divinas que, em conjunto com nossa personalidade, formam nossas almas imortais. Aliás, nem preciso dizer que toda a massa de informações presente no livro — seja as que se referem à história esquecida do nosso planeta e Sistema, seja as que tratam das hierarquias celestes e da conformação do cosmos — nada vale se o principal não for apreendido: somos filhos de um Pai amoroso, que nos oferece a possibilidade de uma carreira eterna de amor, adoração, serviço, estudo e lazer. Enfim, nada que difira tanto do que sempre pregaram tantas tradições religiosas.

Feliz aniversário!

Atualmente, Tolkien está na moda. Senhor dos anéis isto, Senhor dos anéis aquilo. O que pouca gente sabe é que ele, quando professor em Oxford, participou da conversão do escritor C.S.Lewis, seu colega, à crença no Cristo. Para ele, Tolkien, apenas uma pessoa desprovida de imaginação não poderia conceber a visita de um representante do Criador a este mundo. A cuca do C.S.Lewis ficou com este grilo por muito tempo. Afinal, nada pior, para um escritor, do que ter sua capacidade imaginativa colocada em questão. Mas o tal grilo ficou ali apenas até ser tocado pelo Espírito da Coisa. Quando a Coisa vem, sai de baixo.

Este texto, resumo do que ando lendo, ouvindo e até vendo por aí, pede para que você se coloque não no lugar do papai-noel (que ainda vem por aí) – e sua angústia sedexiana de entregar tantos presentes em 24 horas – mas no lugar do verdadeiro aniversariante.

Urantia Gaia, objectif 2012

De modo geral, costumo ficar chateado – para não dizer muito puto – quando descubro que alguém já está executando (ou já executou) uma idéia que me é cara, uma idéia que me parece original e inédita. (Como quando assisti ao filme Waking Life, cuja história traz certa semelhança ao meu livro, ainda inacabado, “Eu odeio terráqueos!!“.) Mas, como já disse nesta entrada, o Livro de Urântia é uma fonte inesgotável de argumentos para RPG. Sem falar que, quanto mais jogos baseados nele houver, maior será a divulgação do seu conteúdo. Por isso não fiquei grilado quando, esta manhã, encontrei o site desse tal Sébastien Fraigneau, um francês que também está desenvolvendo um RPG para computadores baseado no Livro. Chama-se Urantia Gaia, objectif 2012. Espero que esse 2012 não tenha nada a ver com o Calendário Maya, senão… Bom, pelo menos as imagens divulgadas são instigantes, confira.

E pode ter certeza: muitos jogos mais virão!

RPG e o Livro de Urântia

Continuo impressionado por não encontrar, onde quer que seja, algum ensaio ou artigo que inclua o Livro de Urântia no rol das principais fontes de argumentos para Role Playing Game. Para quem não sabe, RPG é aquele jogo no qual cada participante, sob a coordenação de um narrador (o Mestre), desempenha um papel, comanda um personagem. Pode ser jogado on line – muito comum hoje em dia – ou ao vivo. Aliás, quem nunca reparou nesses bandos de adolescentes que, trancados num quarto cheio de misteriosos livros em inglês e de dados com numerosas faces, permanecem absortos em algum estranho ritual? Sem falar, é claro, naqueles que não largam o vídeo-game, haja vista o sem número de títulos disponíveis para jogar contra o computador. Eu, por exemplo, joguei meu primeiro RPG num CP-400 Color, um jogo baseado apenas em texto, sem imagens. E, tal como um bom livro, era o máximo! Bom, detalhes detalhes…

Aniversário do Filho do Homem

Amigos, na entrada anterior anuncio o lançamento da versão em português do Livro de Urântia. Hoje, recebi pelo correio um comunicado da Associação Urantia do Brasil, convidando para o, digamos, aniversário do Senhor Jesus, que, como todos aqueles que leram o livro sabem, nasceu no dia 21 de Agosto do ano 7 A.C. Embora não haja nele nenhuma referênica ao lançamento, fui informado, em particular, de que irá ocorrer no mesmo dia e no mesmo local. Veja o comunicado oficial:

Lançamento da versão em português

Fui informado – obrigado, Junior – de que a versão em português do Livro de Urântia será lançada oficialmente no dia 21 de Agosto, às 20:00 horas, na Rua Mesquita, 423 (travessa da Rua Cel Diogo, na altura da Av. Lins Vasconcelos), Jardim da Glória, São Paulo-SP. Caso queira comparecer, confirme sua presença pelos telefones 11-6163-0188 ou 3085-7909, ou então por e-mail: rogerio@lumanet.com.br. Já era hora!

Versão em português

Fui informado – obrigado, Junior – de que a versão em português do Livro de Urântia será lançada oficialmente no dia 21 de Agosto, às 20:00 horas, na Rua Mesquita, 423 (travessa da Rua Cel Diogo, na altura da Av. Lins Vasconcelos), Jardim da Glória, São Paulo-SP. Caso queira comparecer, confirme sua presença pelos telefones 11-6163-0188 ou 3085-7909, ou então por e-mail: rogerio@lumanet.com.br. Já era hora!

A lucidez de Fernando Pessoa

Fernando PessoaPessoa sempre afirmou ser um neurastênico (categoria muito difundida hoje em dia), sendo, além disso – eis seu diferencial – capaz de criar uma personalidade para cada sentimento que lhe acometesse: “Dar a cada emoção uma personalidade, a cada estado de alma uma alma”, escreveu. Daí seus heterônimos. Mas a lucidez, não sendo uma emoção, mas um “enxergar apesar de toda emoção”, não era uma prerrogativa do, digamos, Álvaro de Campos. Bernardo Soares era, como “outros Pessoas”, muito lúcido também. Veja como ele possuía, na primeira metade do século vinte, a clara noção do estado de coisas que se prolonga até os nossos dias:

Um roteiro de curta-metragem

Amigos, estou disponibilizando para download um roteiro que escrevi há três anos – Estou de Olho / Eye am the I – aliás, último trabalho que concluí enquanto ainda morava com a escritora Hilda Hilst. De lá pra cá, passou consecutivamente pela mão de três cineastas que, animadíssimos, quiseram “rodá-lo de qualquer maneira”. Por incidentes – e até acidentes – diversos, o dito cujo acabou não vindo à luz. O mais incrível é que foi aprovado por uma lei estadual e até pela Lei Rouanet. A turma da captação, claro, me deu o cano, até agora nada. E o já ex-diretor têm outras prioridades, já que finalmente encontrou a realização artística como DJ trance, tendo viajado a trabalho inclusive pela Alemanha e periferias semelhantes… Pois é, como não sou produtor executivo e muito menos gostaria de ser diretor iniciante de um roteiro tão complexo (embora seja um curta), fica ele aqui exposto aos interessados. Quem quiser plagiá-lo, fique sabendo que – além de ele já estar registrado há dois anos na Biblioteca Nacional – que isto seria ótimo, já que assim eu teria alguém para processar e finalmente descolar uma grana (ohohoho). Ah, mais uma coisa: se alguém aí resolver rodá-lo, já vou avisando que não mudarei o final do filho-da-mãe nem sob tortura. Boa leitura!

PS.: Para salvar o arquivo PDF em seu PC, clique no link acima com o botão direito do mouse e escolha “salvar destino como…”.

[Ouvindo: These Days – Nico]

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