O Garganta de Fogo

blog do escritor yuri vieira e convidados…

Tag: Religião

Estudo relaciona descrença religiosa a Q.I. alto.

É possível estabelecer alguma diferença entre fato e valor? Eu, particularmente, não acredito que pesquisas como esta, apesar de baseadas em rigorosa metodologia, pretendam afirmar que os crentes são mais idiotas do que os não crentes. Há, entretanto, correlação, ou seja, de alguma forma a variável “descrença religiosa” altera-se quando a variável “Q.I. alto” é modificada. A discussão toda concentra-se nas variáveis intervenientes.

Eu, por exemplo, acredito muito na observação do professor de Psicologia da London School of Economics, Andy Wells. Inteligência implica uma gama maior de conhecimento, o que significa uma variedade maior de informação sobre várias coisas – inclusive visões de mundo – diversificando as opções antes restritas a crer ou não crer.

O mais interessante nem é isso. Ao relacionar estas variáveis o estudo mostra que não há, nem pode haver, relação causal entre elas. Quem crê em Deus não é mais inteligente ou esclarecido do que quem não crê em Deus. Nossa capacidade de compreender o mundo, nossa faculdade de intelligere como queriam os medievais, não está submetida à aceitação intelectual da idéia de Deus. O pensamento é capaz de conhecer a realidade e o homem capaz de compreender a si próprio mesmo que não acredite num Ser supremo.

Por outro lado, parece que para cada Santo Agostinho há uns 400 idiotas. Deve ser por isso que os pentecostais vivem amplificando seus cultos. Sua inteligência parece associar o volume da voz à capacidade divina de prestar atenção às suas súplicas. Deus deveria providenciar o milagre da elevação do Q.I.

Carta a uma jovem suicida

O texto que virá mais abaixo é minha resposta ao seguinte comentário:

A new comment on the post #3306 “Amigos suicidas” is waiting for your approval:

Author : Jane (IP: 189.94.67.32 , 189.94.67.32)
E-mail : minina_jane@[XXXXXXX]
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Comment:
Há alguns dias, me acometi de uma tristeza imensa…
Domingo dia 27 de abril eu resolvi, me vi com minha família completa e quis levar aquela imagem feliz, tomei uns anti-depressivos muito fortes, ouvindo uns flash backs, com copos e mais copos de um bom vinho, me senti leve e fui adormecendo e achei que seria o fim, em minhas mãos só escrevi tudo em letras maíusculas, pedindo PERDÃO a meus pais, na tarde do dia seguinte, me vi em um hospiral com minha mãe com o mesmo sorriso que creio eu que tenha sido o mesmo ao qual ela me viu pela primeira vez, hoje me sinto melhor, estou na minha casa meu pai reagiu de uma forma calma, só que não sei se ainda tenho certeza que vou continuar com minha vida !!!

Carta a uma jovem suicida

Cara Jane, eu tenho andado com uma preguiça de rachar o chão tanto no que se refere a escrever neste blog quanto a responder a comentários em geral e a provocações bobas de listas de discussão. Mas este seu comentário no blog — assimilado junto com o café forte que acabo de fazer — me causou um sentimento de urgência pungente. Talvez eu até precise dar uma pausa para ir ao banheiro, entende?, mas… enfim. Você está realmente pensando em se matar? Quer mesmo tentar de novo? Bom, tenho então algumas coisas a lhe dizer:

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O que é religião?

1ª resposta: olhando por fora:

O que é religião? Como responder essa pergunta sem orar a pedir a ajuda de Deus? Talvez possamos começar nos perguntando o que há de comum entre todas as religiões. Se fizermos essa investigação — e não é tão difícil —, descobriremos, talvez surpresos, que o que há de comum a todas elas curiosamente não é Deus. Ele está de fora de algumas e é plural em outras. Porém, existe uma coisa, um elemento comum que não está de fora de nenhuma religião conhecida, e é ele que nos fornece a chave para compreendermos todas as religiões, inclusive a nossa, caso tenhamos alguma. Trata-se do “depois-da-morte”. Os deuses das várias religiões, divergem infinitamente. Tente comparar, por exemplo, o deus do judaísmo com o deus do cristianismo e você ficará convencido de que jesus e moisés falavam de seres diferentes. No entanto, compare o inferno judaico com o inferno cristão e você verá muita semelhança. Curiosamente, o inferno cristão também se parece bastante com o hades. Mas, pouco importa se eles se parecem ou não, o que importa é o seguinte: o discurso sobre o que há depois da morte está presente em todas as religiões. Todas. Depois da morte há o céu e o inferno, depois da morte há a reencarnação, depois da morte há uma segunda vida, não importa, no momento, qual a sua opção, o que importa é que todas as religiões respondem à questão sobre o que há depois da morte. Assim chegamos a uma definição segura. Não corremos mais o risco de encontrar uma religião e não sabermos mais com o que estamos lidando: religião é um discurso sobre o que há depois da morte.

2ª resposta: olhando por dentro:

O mais interessante é notar que essa definição, não é coerente apenas quando olhamos as religiões de fora, mas também quando as olhamos de dentro. Note só: quem poderia saber o que há depois da morte? Ou alguém que esteve lá ou alguém que conversou com quem esteve lá. Ora, mas todas as religiões são fundadas em experiências nas quais o sujeito, ou vai para o “depois-da-morte”, ou conversa com alguém que está lá. Moisés conversou com Deus, e Deus estava no “depois-da-morte”, por isso mesmo ele podia dizer o que havia lá. Jesus era o próprio Deus e por isso sabia o que havia depois da morte, pois ele mesmo fez aquele lugar. Maomé falou com um anjo, e, sendo anjo, ele também habitava o “depois-da-morte”. Alan Kardec falou com espíritos e eles estavam no depois da morte. Swedenborg falou com anjos e eles estavam no depois da morte. Toda religião é fundada numa experiência sobre-natural na qual o sujeito fundador fala com algum ser que sabe o que há depois da morte, ou então esse sujeito fundador é ele mesmo transportado para o depois-da-morte e volta para nos contar o que há lá. O cristão não vai negar que sua religião lhe revela o que há depois da morte. O judeu também não, o budista também não, o muçulmano também não, etc. E o filósofo ateu também não vai negar que a religião diz o que há depois da morte, com a ressalva de que ele talvez não acredite nisso. Então, quando eu digo que “religião é um discurso sobre o que há depois da morte” não quero reduzir as religiões a isso, pois elas são, obviamente, mais do que isso; quero mostrar qual o traço distintivo da religião, aquilo que ela tem que outras áreas do conhecimento não têm e que a torna o que ela é. Essa definição, como já disse, funciona quando olhamos as religiões a partir de dentro, acreditando nas suas premissas, e funciona quando a olhamos de fora, quando não acreditamos. Você pode não crer em nenhuma religião ou crer simultaneamente em mais de uma, o que você não pode é negar que as religiões – inclusive a sua – dizem o que há depois da morte. E como a morte é um princípio auto-evidente – alguém aí duvida que vai morrer? – podemos dizer que essa definição é filosófica.

Religião e ciência

Agora que sabemos o que é religião fica fácil distingui-la da ciência.

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Leitura para a Páscoa

Antes de postar o texto abaixo, que trata da última oração de Jesus em presença dos apóstolos, quero lembrar aos leitores deste blog — e a meus colaboradores — que o Livro de Urântia, em português, já está à venda na Livraria Cultura por R$58,88. Segundo o bibliotecário de Alexandria, isto é, segundo meu pai, o preço inicial proposto era de mais de R$90,00, mas após protestos de leitores brasileiros a Fundação Urântia baixou o preço para o referido valor.

Para esta Páscoa, além do texto abaixo — intitulado No Getsêmane — sugiro ainda a leitura dos seguintes documentos: Traição e Prisão de Jesus, Perante o Tribunal do Sinédrio, O Julgamento Diante de Pilatos, Pouco Antes da Crucificação, A Crucificação, O Período Dentro do Túmulo, A Ressurreição, As Aparições Moronciais de Jesus, Aparições para os Apóstolos e Outros, Aparições na Galiléia, As Aparições Finais e a Ascensão, O Outorgamento do Espírito da Verdade, Depois de Pentecostes, A Fé de Jesus.

É importante perceber que a morte de Jesus pela crucificação não teve um significado contundente apenas para nós terráqueos — ou urantianos — mas para todo um universo. Transmissões ao vivo da Paixão de Cristo foram assistidas por inumeráveis seres e, “assim terminou um dia de tragédia e de sofrimento para um vasto universo, cujas miríades de inteligências haviam-se estremecido com o espetáculo chocante da crucificação do seu amado Soberano, em sua encarnação humana; elas estavam aturdidas com essa exibição de insensibilidade mortal e de perversidade humana”.

NO GETSÊMANE

Eram por volta das dez horas dessa quinta-feira quando Jesus conduziu os onze apóstolos saindo da casa de Elias e Maria Marcos, pelo caminho de volta ao acampamento do Getsêmane. Desde aquele dia nas colinas, João Marcos tomara como seu o dever de manter Jesus sempre à vista. João, que estivera precisando de dormir, havia conseguido várias horas de descanso durante o intervalo em que o Mestre esteve com os seus apóstolos na sala superior, mas, ao ouvi-los descendo para o andar debaixo, ele levantou-se e, jogando rapidamente sobre si um manto de linho, seguiu-os pela cidade, passando pelo riacho Cédrão, e prosseguiu até o seu acampamento particular, adjacente ao parque do Getsêmane. E João Marcos permaneceu tão perto do Mestre durante essa noite e no dia seguinte, que testemunhou tudo e ouviu grande parte do que o Mestre disse desde esse momento até a hora da crucificação.

Enquanto Jesus e os onze encontravam-se no caminho de volta ao acampamento, os apóstolos começaram a perguntar-se sobre o significado da ausência prolongada de Judas, e falavam uns com os outros sobre a predição do Mestre de que um deles o trairia e, pela primeira vez, suspeitaram de que nem tudo estava bem com Judas Iscariotes. No entanto, eles não fizeram nenhum comentário aberto sobre Judas, até que chegaram ao acampamento e observaram que ele não estava lá, à espera para recebê-los. Então todos eles cercaram André para saber o que tinha acontecido a Judas; o dirigente deles apenas observou: “Eu não sei onde Judas está, mas temo que ele nos tenha desertado”.

1. A ÚLTIMA PRECE DO GRUPO

Poucos momentos depois de chegarem ao acampamento, Jesus disse-lhes: “Meus amigos e irmãos, o tempo que me resta para passar convosco é muito curto, e o meu desejo é que nos isolemos enquanto oramos ao nosso Pai no céu pedindo força para sustentar-nos nesta hora e daqui por diante em todo o trabalho que devemos fazer no Seu nome”.

Depois de falar assim, ele seguiu pelo caminho até uma curta distância, subindo o monte das Oliveiras, onde havia uma vista plena de Jerusalém, e pediu-lhes que se ajoelhassem sobre uma rocha grande e espalhada, em volta dele em um círculo, como tinham feito no dia da sua ordenação; e, então, enquanto permanecia ali, glorificado no meio deles, sob a luz suave da lua, Jesus levantou os olhos aos céus e orou:

“Pai, é chegada a minha hora; glorifica agora o Teu Filho, para que o Filho possa glorificar-Te. Sei que me deste a autoridade plena sobre todas as criaturas vivas no meu Reino, e eu darei a vida eterna a todos que se tornarem filhos de Deus pela fé. E a vida eterna é que as minhas criaturas Te conheçam como o único Deus verdadeiro e Pai de todos, e que elas acreditem naquele a quem Tu enviaste ao mundo. Pai, eu exaltei-Te na Terra e realizei o trabalho que Tu me deste para fazer. Eu já quase terminei as minhas auto-outorgas junto aos filhos da nossa própria criação; resta-me apenas deixar a minha vida na carne. E agora, ó meu Pai, glorifica-me com a glória que eu possuía Contigo antes da existência deste mundo e recebe-me uma vez mais à Tua mão direita.

“Eu tenho-Te manifestado aos homens a quem escolheste no mundo e que me deste. Eles são Teus – como toda a vida está nas Tuas mãos – e Tu os deste a mim, e eu vivi entre eles ensinando-lhes o caminho da vida, e eles creram. Esses homens estão aprendendo que tudo o que tenho vem de Ti, e que a vida que eu vivo na carne é para tornar o meu Pai conhecido aos mundos. A verdade que Tu me deste, eu a revelei a eles. E eles, meus amigos e embaixadores, sinceramente dispuseram-se a receber a Tua palavra. Eu disse-lhes que saí de Ti, que Tu me enviaste a este mundo, e que eu estou na iminência de voltar para Ti. Pai, eu oro por esses homens escolhidos. E oro para eles, não como oraria pelo mundo, mas como oro por aqueles a quem eu escolhi neste mundo para representar-me, depois que tiver retornado à Tua obra, como eu próprio representei-Te neste mundo durante a minha permanência na carne. Esses homens são meus; Tu os deste a mim; todas as coisas que são minhas, todavia, são sempre Tuas, e tudo o que era Teu, Tu agora tornaste meu. Tu foste exaltado em mim, e agora oro para que possa eu ser honrado nesses homens. Eu não mais posso ficar neste mundo; estou na iminência de voltar à obra que Tu me deste para fazer. Eu devo deixar esses homens aqui para representar-nos e ao nosso Reino entre os homens. Pai, mantém esses homens fiéis, enquanto eu me preparo para deixar a minha vida na carne. Ajuda esses amigos meus a serem um em espírito, como somos Um. Enquanto pude estar com eles, eu cuidei deles e guiei-os, mas agora estou para ir embora. Fica junto a eles, Pai, até que possamos enviar o novo instrutor para confortá-los e fortalecê-los.

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Fundamentalismo Eclético

WBC

Nesta última sexta, vi uma das coisas mais bizarras dos últimos tempos. Alguém aí também assistiu a “A Família mais Odiada da América”, no GNT?

Sempre gostei das reportagens de viagens do Louis Theroux, que também já foram exibidas pelo GNT. Ele tem um jeito ao mesmo tempo honesto e respeitosamente cético com seus objetos que rende excelentes entrevistas e imagens.

Numa série de reportagens em que segue trabalhando para a BBC, Louis, que é filho do escritor Paul Theroux e cidadão britânico e americano, aborda, em viagens pelos EUA, temas como cirurgias plásticas e adição ao jogo. Neste primeiro episódio escolhido pelo GNT para exibição no Brasil, ele visita a Westboro Baptist Church.

Trata-se de uma igreja de orientação batista – embora não-afiliada a ou reconhecida por nenhuma associação ou linha batista formal nos EUA – constituída essencialmente por membros de uma mesma família – a comunidade toda se limita a 75 pessoas -, com sede em Topeka, estado do Kansas, e conhecida nos EUA por sua virulenta homofobia e pelos protestos em funerais de militares americanos mortos no Afeganistão e no Iraque. Crêem eles que o mundo está perdido, que os EUA são uma nação depravada, e que as mortes no Iraque são atos de ira divina, pelo serviço destes militares a uma nação afundada na luxúria e no despudor. Na verdade, como se pode observar em seu site oficial “God Hates Fags” (literalmente “Deus Odeia as Bichas”), toda e qualquer morte por catástrofe, natural ou provocada pelo homem, é comemorada pela igreja, que a toma como resposta divina aos pecadores.

É absolutamente bizarro e um pouco assustador, embora risível. Para se ter idéia, estas pessoas planejaram, por exemplo, um protesto para o funeral das vítimas do massacre na escola amish, na Pensilvânia, em 2006. Em seus cartazes, a WBC chamava as meninas mortas de “putas” (whores) e dizia que elas já “estavam queimando no inferno”. Os membros da igreja foram dissuadidos por um radialista que , em troca de sua desistência, ofereceu-lhes uma hora em seu programa de rádio.

Além da homofobia, a igreja tem declarações anti-semitas, anti-islâmicas, anti-católicas, contra a Suécia, como uma país defensor de homossexuais (o pastor Phelps, patriarca da igreja, atribuiu o alto número de mortos suecos no tsunami do Oceano Índico a isso), contra a Irlanda, a favor de Al Gore – por declarações pretéritas contra um projeto de lei pró-gays -, contra Bill e Hillary, a favor de Fidel Castro e a favor e contra Saddam Husseim.

Independente de tudo isso, o que mais impressiona na reportagem de Theroux é o fato de que nenhum dos membros da igreja abre a guarda em momento algum. Cada vez mais boquiaberto, o telespectador cria a expectativa de que, no momento seguinte, um deles haverá de ceder à lógica e conceder uma vitória às perguntas diretas de um entrevistador cada vez mais abismado. Alguém irá ver que está se contradizendo, vai gaguejar e recorrer a impropérios e à raiva, o que já seria algo. Mas não, friamente, as resposta seguem sempre na mesma linha. O único a vacilar é um pequeno membro da igreja, um neto de Phelps, com quatro ou cinco anos, que ao ler para Theroux uma série de regras de comportamento faz uma parêntese a “não mentir”, dizendo que “algumas pessoas às vezes mentem, principalmente quando são crianças”.

Theroux pergunta: “eu acredito que cada um deve poder fazer sexo com quem achar melhor, tenho uma filha com minha namorada e não sou casado? Eu vou pro inferno? A interlocutora sorri e responde que sim. “Você fica feliz com isso?” Ela torna a sorrir e a dizer que sim.

Acho que vale à pena assistir. Na verdade, não sei se eles merecem. Mas como fiquei chocado, resolvi compartilhar. Veja aqui as exibições programadas deste e de outros episódios da série.

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