Arquivo para November, 2005




30/11/2005

ROUThost.com

yuri vieira, 5:54 pm
Filed under: internet,sites

Já se passaram alguns meses desde que mudei meu site para o ROUThost.com e, por enquanto, tem sido um excelente serviço de hospedagem. Um amigo, o Gustavo Barcellos, acionou alguns de seus contatos nerds e eles – após uma avaliação à base de óculos fundo de garrafa – concluíram que não apenas o espaço e a banda, mas também o equipamento, são de ótima qualidade. Vale lembrar que a empresa também vem conseguindo manter o sistema ativo mais de 99% do tempo. A única desvantagem deste serviço, em relação àquele que antes usava, é que, no outro (JKAHosting.com), eu tinha de entrar em contato com o suporte técnico com tanta freqüência que meu inglês já ia de vento em popa. Já o site…

29/11/2005

A melhor personagem da Lygia Fagundes

yuri vieira, 5:15 pm
Filed under: escritores

Cá entre nós – não conte para ninguém – a melhor personagem da Lygia Fagundes Telles é a empregada que ela finge ser quando não está afim de atender ao telefone.

“A dona Lygia num tá! Acho que foi ver o filho dela…”, diz a escritora com uma voz das mais engraçadas.

“É o Yuri, Lygia, o amigo da Hilda Hilst…”, e aí a gente percebe a figura engolindo em seco. Instantes de hesitação.

“Seo Yuri, desculpe, eu digo préla que o senhor ligô”, retorna a personagem um tanto quanto sem graça.

“OK, então. Não se esqueça de mandar um beijão para ela, viu?”

Ela desliga. Sorrio: “A fama é mesmo uma gaiola de ouro”, já dizia o cantor argentino Facundo Cabral

O bibliotecário de Alexandria

yuri vieira, 3:06 pm
Filed under: amigos,extraordinárias,livros

Uma amiga me contou que, anos atrás, costumava despertar fora do corpo, isto é, “sofria” projeções astrais espontâneas e involuntárias. (Sim, no jargão da psicologia, alucinações.)

“Que demais!!”, eu disse.

“Demais nada, quase morria de medo…”

E descreveu o pânico que sentia cada vez que isso rolava e a ansiedade que ia nutrindo por acreditar que enlouquecia, por achar que estava perdendo seus parafusos um a um. Nessas ocasiões, nunca saía de seu quarto e muito menos de perto da cama. Fechava os olhos e rezava para voltar ao aconchegante corpo.

“Ai, era horrível!”

Mas um dia, abriu os olhos e viu um desconhecido em seu quarto, parado bem aos pés da cama: “E aí? Quer ir comigo na Biblioteca de Alexandria?”

“E você foi?”, perguntei eu, empolgadíssimo.
(Continua…)

28/11/2005

USP, MSTe os Doutores Jecas

yuri vieira, 3:07 pm
Filed under: Educação,Política

Depois de ler a notícia no site da Universia Brasil (USP estuda criar graduação para o MST) e o artigo do Olavo, fiquei pensando: será que por ser herdeiro dumas terrinhas no centro-oeste poderei entrar nesse curso “voltado para o campo”? Afinal, ainda há uma tal democracia, não é? E eu já passei em seis vestibulares… Não, concluí em seguida, infelizmente não sou coletivista e analfabeto o suficiente. Sim, analfabeto, porque essa gente pretende fazer apenas provas orais durante o curso, já que não dominam muito bem a linguagem escrita… Analfabetismo doutoral, diz o Olavo. É por essas e outras que minha ojeriza pela universidade aumenta cada dia mais.

26/11/2005

Adsense, PayPal, SkypeOut

yuri vieira, 11:55 pm
Filed under: sites,software,tecnologia

Essa teimosia do Google Adsense em não aceitar fazer pagamentos através do Paypal é uma grande sacanagem. Não criam um sistema semelhante e tampouco aderem ao já existente. (Ou seja, não cagam nem desocupam a moita.) Se o fizessem, seria uma revolução na telefonia – ao menos para mim. Sim, pois o SkypeOut – o serviço pelo qual é possível ligar do Skype para telefones fixos e celulares – aceita pagamentos através do Paypal. Com um crédito de 10 euros (cerca de R$26) é possível conversar por horas. Com a renda atual da publicidade (Adsense) do meu site, eu já poderia passar dias fazendo interurbanos e chamadas internacionais. A internet é um assombro, mas ainda possui muitos focos de estagnação e incoordenação.


Uma charada

yuri vieira, 8:56 am
Filed under: escritores,especulativas

Monteiro Lobato (1882-1948) leu Nietzsche (1844-1900) e sua vida então mudou: finalmente tornou-se ele mesmo. Nietzsche leu Monteiro Lobato e… nunca mais foi o mesmo.

24/11/2005

Um flagrante do Mr. Hyde

yuri vieira, 7:51 pm
Filed under: amigos,fotografia,Umbigo

Dessa eu não me lembrava. (Claro, o Dr. Jekyll nunca tem plena consciência dos atos do Mr. Hyde.) O Pedro Novaes conseguiu me flagrar num dia em que o Señor Recóndito, numa festa na chácara do Gustavo Lima, tomou não apenas meu corpo mas também o microfone. Quando ele viu que a banda tinha bateria, guitarra e teclado, mas não um vocalista, deu o golpe de estado, tornou-se o MC da noite. Depois me contaram como ele (alguns pensam que era mesmo eu, mas não era) como ele inventou, em tempo-real, as letras das músicas que cantou. Uma doideira. Para ver como esse cara aí se parece comigo, mas não sou eu, veja como sua presença encaracola meus cabelos e dá um ar sinistro às minhas meigas feições. Sério, veja em meu perfil (ou na foto do casamento da minha irmã) como sou de fato. Ninguém entende como é duro levar essa vida dupla…

O Presidente Jeca Lula Molusco Calça Quadrada e Tatu

yuri vieira, 4:52 pm
Filed under: Política

Cássia Queiroz – my ex, atual maninha – me conta que seu pai teve uma fazenda enorme no Pará. Seu vizinho mais próximo morava a apenas 100Km de distância, um pulinho. (Coitado do entregador de jornal.) Quando criança, Cássia ganhou do seu pai um bichinho que toda criança sadia adoraria ter: um tatu. Toda imaginosa, a doce e sapeca menininha loira – sim, ela já foi loira – amarrava uma corda de sisal numa das patas traseiras do semovente e, cheia de maquiavelismo infantil, deixava o pobre cavar, cavar, cavar até sumir-se em seu buraco de terra fresquinha. Ao notar que só lhe restava uma pontinha de sisal nas mãos, Cássia metia-se a içar o iludido animal de volta à tona. Felizmente aquela vivência do mito de Sísifo não se agitaria senão numa mente autoconsciente, coisa totalmente alheia a um tatu, cujo sofrimento se resumia à mera linguinha dependurada pelo esforço vão e a seus olhinhos arregalados pelo instinto de sobrevivência. Mas isso não significa que seja fácil ser um animal irracional…
(Continua…)

23/11/2005

Nietzsche e Lobato

yuri vieira, 3:22 pm
Filed under: escritores,literatura

Eis um interessante artigo de Aluizio Alves Filho – Nietzsche e Lobato – que pode servir de ponto de partida para quem quiser estudar a influência que o primeiro exerceu sobre o segundo.

22/11/2005

Webscenidades

yuri vieira, 9:39 pm
Filed under: Humor,internet

Disse o Ricardo Calaça:
“O meu orkut eu não dou pra ninguém! Tá me estranhando?”
Acrescentou o Rodrigo Lustosa:
“Eu também não dou! Em orkut que mamãe pôs talquinho, ninguém põe a mão…”
No dia seguinte, a Rosa Maria Lima narrou o diálogo entre um seu amigo e uma garota que ele conhecera havia pouco tempo. Perguntou a garota:
“Você já entrou no meu blog?”
E o cara: “Credo, a gente nem sequer saiu pra jantar ainda. E se eu já tivesse entrado no seu blog, tenho certeza que vc se lembraria…”

Professorinha querida

yuri vieira, 8:32 pm
Filed under: colírio,Cotidiano

Ronaldo Roque tem toda a razão: essa é realmente a professora dos nossos sonhos adolescentes. Condená-la à prisão equivale a prender o Netinho por distribuir “dias de princesa” às meninas pobres.

20/11/2005

Vaquinha pra comprar o Ronaldinho

yuri vieira, 11:45 am
Filed under: Esportes,Humor

Ontem, num boteco de Goiânia, reencontrei o François D’Herbolez, francês de Toulouse, marido de uma amiga, a Gel. Ele é professor de tênis na França – está se transferindo pro nosso centro oeste – e me disse que seus alunos adoraram uma idéia que tive da última vez que nos encontramos: fazer uma vaquinha pra comprar o Ronaldinho Gaúcho. Segundo ele, os alunos já queriam contribuir com seus euros. (Poxa, se eu soubesse teria lhe dado o número da minha conta.) A justificativa eu dei tempos atrás: ter o passe do Ronaldinho seria ótimo, poderíamos tê-lo conosco para ensinar a nós, pernas de pau, a jogar nos finais de semana. Jogaríamos altas peladas. Com ele também poderíamos conhecer garotas (altas e peladas), entrar em festas, restaurantes, tocar um sambinha nas feijoadas, vê-lo pagar a conta do boteco e assim por diante. Durante a semana, ele poderia ser o motorista da nossa (dele) Ferrari e nos levar por aí. Acho que seria um serviço bastante leve. Claro, teríamos de fazer um rodízio, afinal, o número de sócios seria grande. Quanto será necessário para adquirir tal passe? Quem quiser contribuir, clique aí no link do meu PayPal, no site principal. Aceito cartões de crédito. E, caso sobre alguma bufunfa, um troco, talvez a gente também possa dar de entrada para comprar o Roberto Carlos, que parece ser um sujeito bom de papo.

18/11/2005

A inveja do Père-Lachaise

yuri vieira, 5:38 pm
Filed under: escritores,fotografia,memória

Tudo bem. O cemitério Père-Lachaise possui os “indícios” de Apollinaire, Balzac, Sarah Bernhardt, Chopin, Delacroix, Saint-Hilaire, Ingres, Kardec, la Fontaine, Méliès, Molière, Édith Piaf, Oscar Wilde, Proust, Pissarro, Yves Montand, Jim Morrison, Rossini, etc. e tal — até Abelardo e Heloísa estão ali, imagine — mas… mas… ele, o Père Lachaise, está morrendo de inveja do cemitério da Consolação, sim, o cemitério paulistano. Simplesmente porque este o impediu de abrilhantar ainda mais sua coleção de figurinhas fúnebres. Talvez seja porque o dono do defunto em questão, isto é, o espírito que o habitou, tenha combatido a influência opressiva da cultura francesa nas letras e nas artes brasileiras do princípio do século XX. Claro, também ele bebeu dela, mas sabia que a monotonia francesa enfraquecia nossa expressão. Quem é a figurinha que o Père-Lachaise perdeu? Ora, quem…

Fui ao Cemitério da Consolação pela primeira vez, creio, no carnaval de 1998. Eu acabara de chegar duma viagem que fizera a São Tomé das Letras com M.C., minha então namorada, e, naquela manhã de carnaval, acordei com a figura novamente arrumando as malas.

“Onde a gente vai agora?”, perguntei.

“A gente não – eu!”. Fiquei aliviado. Eu, tão escorpiano quanto ela, também estava intoxicado com a relação. Muitas risadas, muito papo, muito prazer, mas, claro, ferroadas em excesso. Só havia um problema: estávamos no apartamento dela e eu não estava nem um pouquinho interessado em sair da cama. Deixar o apartamento e voltar para minha casa naquela hora então? Nem pensar.

“Eu vou pra Serra do Caparaó”, disse ela. “Você pode ficar aqui se quiser. Vou deixar a chave. Se trouxer alguém aqui, por favor, não deixe vestígios.”

Trocamos um beijo e ela saiu. Voltei a dormir. Mais tarde, já de pé, fui à janela: o que poderia fazer sozinho em São Paulo numa manhã de carnaval? Depois da viagem, eu queria tudo, menos badalação. Vi então, logo adiante, os ciprestes do Cemitério da Consolação. Pensei: dizem que São Paulo é o túmulo do samba. Bom, vou verificar… e saí. Circulei por quase duas horas ali dentro. Mil ex-presidentes, políticos ilustres, ricaços tradicionais, gente de livro de história. Parei, pois, para descansar nessa caixa de mármore: Monteiro Lobato 18/04/1882 – 04/07/1948. Fiquei um bom tempo ali, matutando. Eu não sabia que o cara havia deixado a “roupa” em São Paulo. Pensei que fosse em Taubaté ou algo assim. Lembrei então da primeira escola em que estudei: Jardim Escola Visconde de Sabugosa. Quando criança, eu sentia orgulho de estudar numa escola homônima de um dos personagens do Sítio do Picapau Amarelo. Lembrei dos livros, claro. Graças ao anjo do filme “A felicidade não se compra” (Frank Capra), anjo este que fala sobre o mais recente livro de Mark Twain escrito “lá em cima”, fiquei imaginando: o que o cara não estará escrevendo agora? Ao contrário dos demais “mortos”, que faziam parte da história do país ou de São Paulo, aquele cara fazia parte da minha história. Foi um ótimo primeiro dia de Carnaval…
Eu no túmulo do Monteiro Lobato 1882-1948
Esta semana, voltei ao local. Passei dois meses lendo vários livros do sujeito, precisava ir até ali prestar minhas homenagens. Agora eu tinha um novo Monteiro Lobato em mente. Era não o autor infantil, mas o autor de “Miscelânea”, “America”, “Negrinha”, “Na antevéspera”, “Onda verde”, “Mundo da Lua”, “Prefácios e entrevistas”, “Problema vital”, “A barca de Gleyre”, “Mister Slang e o Brasil”, “O escândalo do Petróleo e do Ferro”, “Urupês” e “Idéias de Jeca Tatu”. Alguns destes livros deveriam ser obrigatórios em todas as escolas. Atualíssimos. Reveladores da nossa história, do nosso país, desse grande vulto, Monteiro Lobato – um desses escritores com quem agora me sinto irmanado. Aliás, um cara a ser emulado, posto que se esforçou tanto pela Arte e por esse país de Jecas… Fiquei feliz por ver tantas flores sobre seu túmulo. Morra de inveja, Père-Lachaise.

Garapa de limão

yuri vieira, 1:10 pm
Filed under: Cotidiano,memória

Aprendi com minha falecida avó materna – uma camponesa até a raiz dos cabelos, destas que falam “em riba” (em cima), “duda” (dúvida), “pousar” (dormir, pernoitar) – que “garapa” não era outra coisa senão caldo de cana. Mas minha avó paterna acaba de me dizer que no interior da Bahia, sua terra natal, garapa é praticamente sinônimo de suco, refresco. Por isso, lá, pode-se chamar limonada de “garapa de limão”. E também o maluco da rua era garapa. Segundo minha avó, em Valença, quando não passava duma menina, havia um doidinho que perambulava pelas ruas do seu bairro fazendo sabe lá Deus o quê. As crianças o chamavam de garapa, o que o deixava furioso, levando-o inclusive a distribuir umas palmadas nos pequenos que conseguia alcançar nas inúmeras perseguições de saída de colégio. Portanto inventou-se um sistema. Quando a molecada via o tal doidinho, separavam-se e cada qual recitava seu aparte. Dizia um: “Água!” Outro: “Limão!!” E um terceiro: “Açúcar!!!” Berrava então o doidinho: “Vai, seus descarados! Junta tudo que eu quero ver!!” Finalmente alguém arriscava um “Garapa!!!!” e saíam todos em disparada.

14/11/2005

902 membros

yuri vieira, 6:48 pm
Filed under: Avisos,sites

E a comunidade orkutiana Comédia da Vida Universitária, que criei para meu livro A Tragicomédia Acadêmica, está agora com 902 membros. Meus agradecimentos aos novos integrantes e obrigado a todos pelo apoio.

Grandes homens

yuri vieira, 4:14 pm
Filed under: Ciência,Educação,escritores

Um trecho do artigo “Artur Neiva”, de Monteiro Lobato, a respeito do cientista de Manguinhos que pôs em prática suas idéias na chefia sanitária de São Paulo:

Certo dia, na universidade de Leipzig, um estudante japonês abordou o eminente Ostwald com esta pergunta estranha:

– Haverá meios de distingüirmos cedo os homens que um dia se notabilizarão nas ciências?

Esta pergunta, encomendada pelo governo nipônico, embaraçou deveras o grande professor alemão e ficou a verrumar-lhe os miolos por muitos dias. Mas ao cabo de longo matutar ele apreendeu finalmente o traço característico dos futuros grandes homens, o primeiro a revelar-se em anos verdes: horror à escola! Os alunos mais bem dotados nunca se mostram satisfeitos com o que lhes oferece o ensino, conformado sob medida para a mentalidade e o caráter do maior número, isto é, dos medíocres. As criaturas de exceção, essas sofrem a asfixia do ambiente estreito e revoltam-se. Passam a constituir a classe dos maus alunos, dos vadios, dos indisciplinados, e acabam, não raro, expulsos da escola.
(Continua…)



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