Desde épocas remotas a humanidade sempre teve o costume de sentar-se ao redor do fogo, à noite, para conversar e trocar impressões sobre o dia, sobre a vida, a morte e o universo. Os intervalos entre os diálogos eram pontuados de meditação espontânea tendo o brilho do fogo como catalisador. Qualquer um que já acampou – ou curtiu uma noite numa chácara – sabe o que é isso. Há aquele silêncio no qual a voz do coração fala mais alto, aprofundando o nível da charla ulterior. Isto é tão atávico em todos nós que até hoje as cozinhas – onde ainda há um resquício de fogo – costumam ser verdadeiras salas de reunião em nossas casas.
Eis o blog de um grande amigo meu, Rodrigo Fiume, jornalista d’O Estado de São Paulo.
Mais uma novidade. Agora apareceu esse Copyscape, um serviço de proteção contra o plágio. Graças a um algoritmo que compara as páginas dos sites, o Copyscape monitora quem está copiando os textos de seus assinantes. Parece bom, mas acho U$9,95/mês um valor demasiado alto. Poxa, mais do que pago pela hospedagem do meu site! Se liga, gente, veja o exemplo da Google: serviço gratuito e publicidade. Não há outra forma de crescer. (Contudo, este artigo faz uma verdadeira apologia da idéia, que é realmente excelente.)
O chato de se ter um intestino que funciona corretamente, na hora certa, com movimentos peristálticos britânicos, é que nunca consigo ler mais de um parágrafo por cagada. Eu mal me sinto entrado no texto e… pronto, acabou. E olha que tenho sete livros sobre a pia do meu banheiro, dois deles com mais de 450 páginas, a saber: Palmeiras Selvagens, de William Faulkner; Alexandre e César – vidas comparadas, de Plutarco; Física e Filosofia, de Werner Heisenberg (relendo); Lições das Parábolas de Jesus, de Ellen G. White; Tabu – o que o impede de saber quem você é, de Alan Watts (relendo); O Pensamento Artificial – Introdução à cibernética, de Pierre de Latil; e finalmente O homem eterno, de Pauwels e Bergier. Quando terminarei tal leitura? Será que terei de transferir esse leque de livros para minha escrivaninha? Mas lá já estão outros nove à minha espera, todos já iniciados… Que inveja desses intestinos presos que duram dez páginas! Segundo meus cálculos precisarei defecar no mínimo mais duzentos e cinqüenta anos para dar conta de tantos parágrafos. Mas ninguém caga com tal longevidade. Trocar por poesia não rola, o processo é todo muito prosaico. Hum, acho que vou trocá-los por livros com aforismos. Ótima idéia. O negócio é voltar à Gaya Ciência. Há lugar melhor para ler Nietzsche do que o banheiro? Talvez os demais não mereçam…
E o radialista norte-americano George Noory já está divulgando em seu programa “Coast to Coast AM” que o fim dos tempos realmente começou. Que o diga o PT…
Estranha pesquisa a desses cientistas. Embora ela não vá convencer nenhum ateu ou agnóstico da existência de Deus, e tampouco trazer alguma novidade para quem já acreditava, tá valendo.
- Lula vê semelhanças entre ele e JK. Mas, até agora, só há uma: Sabino Rabelo, ex-tesoureiro de campanha de Juscelino Kubitschek, foi o fundador do Banco Rural, parceirão do ex-tesoureiro petista Delúbio Soares.
- Lula pode ter anunciado que não vai ao estádio ver Brasil x Chile, domingo, para desmobilizar manifestações contra ele: fonte da Aeronáutica diz que aviões da FAB transportarão a “claque” petista para Brasília, no dia do jogo.
(Fonte: Cláudio Humberto.)
Em 1999, eu já morava com a escritora Hilda Hilst (sim, ela de novo) por cerca de um ano, quando veio juntar-se a nós o escritor José Luis Mora Fuentes, amigo dela desde 1968, que, em época pregressa, já havia residido por mais de 15 anos ali na Casa do Sol. Nós dois já nos conhecíamos desde Setembro de 1998, quando também conheci sua esposa, a artista plástica Olga Bilenky, mas eu não imaginava que iríamos dar tantas risadas em comum. Sim, porque, apesar de um excelente primeiro contato, havíamos trocado, via email, não apenas palavras amistosas, mas muitas farpas, advindas não apenas de diferenças de cunho político e do meu trabalho no site oficial da Hilda, mas, sobretudo, de sua preocupação com o bem estar da nossa amiga. Talvez ele achasse um tanto quanto contraproducente eu passar a maior parte do tempo em conversas mirabolantes com a Hilda, ou em leituras, em detrimento dos assuntos práticos da casa. Mas é que meu senso pragmático foi sempre meio ruinzinho mesmo…
Bem, acontece que o mais interessante da coisa toda é que, além de ser um escritor premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), o Zé Luis foi, durante alguns anos, um dos roteiristas responsáveis pelas histórias do Louco, personagem do Maurício de Souza. Minha geração, que nos anos setenta tinha o mundo da Turma da Mônica como uma realidade paralela, da qual os quadrinhos eram as notícias que chegavam, sabe muito bem o quão louco era o Louco. E alguém já imaginou o que seria conviver com um de seus roteiristas? Passei um ótimo segundo ano ali na Casa do Sol. Nunca dou tanta risada como quando converso com o Zé Luis. Basta passar uma tarde juntos e todas as farpas que trocamos são imediatamente esquecidas. Eu dizia pra Hilda: “Poxa, o Zé já tá me dando umas broncas de novo”. E ela: “Por que você acha que dei o apelido de Sapo pra ele? Você já apertou um sapo? O Zé é ótimo e querido, mas não o aperte não, Yuri.” Mas ela não sabia que eu só o apertava cada vez que, de alguma forma inconsciente e involuntária, em geral por omissão em questões de ordem prática, a apertava. O amor deles um pelo outro sempre foi muito grande. Prejudicar a Hilda era o mesmo que ingerir o curare do Zé. Mas sempre terei a vantagem de ser um escorpiano, outro sujeito bem venenoso. E quem se lembra da fábula do Sapo e do Escorpião sabe como ela termina. O famigerado artrópode prefere perder a vida a perder a ironia, prefere morrer a renunciar à oportunidade de dar uma sacaneada.
(Tá vendo, Zé, da primeira vez você não deixou, mas agora contei pra todo mundo: o apelido dele é Sapo, gente!)
Quem acompanha meu blog desde 2002 percebeu que centenas – sim, centenas – de comentários sumiram depois que passei a maior parte dos textos para o Mambo. Apesar das broncas de alguns amigos, que se sentiram ofendidos pela suposta “censura”, posso afirmar: não foi proposital. O problema é que o Mambo não oferecia – e parece que ainda não oferece – um script para migrar as entradas do Movable Type, que eu utilizava, para seu banco de dados. Por isso este blog, agora movido a WordPress – e destinado às entradas mais curtas e casuais – apresenta essa redução nos comentários. Basta olhar no arquivo “por data” aí ao lado. De Maio de 2002 a fins de 2003, e posteriormente em certos meses espalhados ao acaso, há um número muito pequeno de entradas. Sim, porque as demais agora estão no Mambo, isto é, em meu site principal. Eu costumava publicar, de modo geral, apenas contos e artigos mais longos no Movable Type. Depois criei um “miniblog”, anexado ao primeiro onde publicava as entradas curtas. E é deste “miniblog” que surgiu o blog atual, já que o WordPress sim possui um script de migração. E o “principal” foi transferido para o Mambo entrada por entrada, manualmente, e se eu tivesse pensado em fazer o mesmo com os comentários, estaria fazendo a transferência até hoje.
Outro motivo da diminuição dos comentários – no MT havia 745 e agora apenas 116 – é que não irei mais cometer o erro de transformar cada entrada num fórum de debates. Eu costumava responder aos comentários com outros comentários, o que gerava uma verdadeira disputa de egos, ora de uma parte ora de outra, já que, ao se discutir num blog, há público. Ninguém queria fazer feio e muitas vezes voltavam (voltávamos) a comentar apenas para não ficarem (ficarmos) desmoralizados, o que acabava transmitindo um astral péssimo para o site. Atualmente tenho me limitado a responder um ou outro comentário meramente via email. Entrarei com comentários de fato apenas quando houver necessidade de esclarecimento, não para comprar ou vender uma discussão. Quem quiser comprar uma discussão, vá até o Edifício Monty Python, 3º andar, sala 304. Cuidado para não entrar na sala 305, logo em frente, porque ali só se vendem “esporros” mesmo, sem qualquer preambulação lógica.
Taí um serviço interessante, através do qual você poderá criar e instalar em seu navegador uma barra personalizada.
