Peço aos amigos e visitantes que não se irritem com minha demora em responder suas mensagens. Em meu computador há um vírus de 1,78m de altura, um completamente fora de controle… Sem falar nos spams. É mais fácil encontrar uma bala perdida do que meus emails nesse Outlook. Fora de brincadeira.
Tô seriamente pensando em dar um pulo na Guerra Civil, digo, no Rio, e ver se descolo por lá um trampo fixo de roteirista. Chega de frila. E jamais voltem a me propor sociedade no que quer que seja. Tô ferrado até hoje por conta disso. São Paulo me quebrou legal. Qto ao Rio, aceito dicas e sugestões. Não, balas não. Chocolates talvez.
Não, não é dinheiro não. É um conjugador verbal disponível em 35 línguas. Qui magavilha!!
E esse, galera, é o Pulse Studios, em São Paulo-SP.
O filme Dogville é interessante na forma, ótimo na escolha dos atores e um enorme desperdício dramático. Poderia ter sido uma obra trágica, mas o diretor – contaminado pelo mais ingênuo nietzscheanismo – preferiu transformá-lo numa piada de humor negro. Arma uma enorme e absorvente arapuca durante dois terços de projeção para ao final não pegar senão dois patos: eu e você. E olha que estava indo muito bem. Aquele carinha, o “escritor” do filme, por exemplo, é digno de todo desprezo, uma soma de fraqueza moral sem tamanho com uma incapacidade de reconhecer fatos óbvios, evidentes. (Personagem muito comum hoje em dia nos meios intelectuais.) E o mais louco é que ele, numa cidade sem um pastor, sem um padre, de igreja vazia, se arvora em guia humanista dela, uma espécie de prefeito moral. O cara é um político puro e não deseja senão legislar sobre a vida dos seus vizinhos, mudar o mundo para melhor, isto é, para seu próprio conceito de “melhor”. E, claro, aparece uma linda mulher. Para apimentar as coisas, como sempre.
Tom, o escritor, parece bonzinho – e aí, Suplicy, beleza? – e usa a mulher como objeto de uma experiência sociológica, para ajudá-lo na importante tarefa de melhorar o mundo. E a coitada se ferra legal, é óbvio, até mais do que se tivesse votado no PT. Vira escrava, vira depósito de esperma coletivo. E o escritor ainda diz que a ama… Esse escritorzinho não passa de uma mistura de Pôncio Pilatos (governador que se deixa dominar pelos súditos) com Judas Iscariotes (um traidor filho-da-puta). A tragédia poderia ser elaborada a partir daí. Afinal, ¿como permitir que fossem feitas tais coisas com uma mulher que se diz amar? No entanto, se não gostei do “sentido” do filme é porque ele é tão obra de arte quanto meu conto “Matando um mosquito com um tiro de canhão“: uma boa construção estética que se perdeu ao transformar-se em piada sofisticada. No entanto, modéstia à parte, a piada dele é pior que a minha, afinal, não sabe rir de si mesma.
Repito: von Trier tinha tudo na mão para fazer uma excelente obra trágica, mas, por ser um niilista bobo, criou um enredo digno de um adolescente. Em vez de causar o pathos, uma catarse essencial qualquer, ele dá vazão a que nos regozijemos num sórdido sentimentozinho de vingança. “Bem feito”, pensam os aborrescentes-adultos, “trataram mal a gostosa, se foderam… Ahahaha!” (Até eu dei muita risada, afinal, ¿não era uma piada?) O relativismo moral ali é completo, ninguém tem um chão para justificar suas ações, nem mesmo a pretensamente compassiva Grace (imagine, Graça!!). Ao menos ela, se realmente tivesse amor no coração, poderia ter sido uma heroína trágica, à maneira de Catarina de Alexandria. Mas não, ela não via a situação de cima, mas apenas por um prisma mental distorcido: era uma dissimulada “super-mulher”. Por isso digo: a compaixão, o serviço ao próximo baseado unicamente num sentimento humanitário qualquer, num humanismo de papel, só pode desembocar nas ações dessa personagem: chumbo e fogo. Grace aguenta, aguenta, aguenta e, de repente, percebe: são todos como cães, não podem agir de outro modo, logo, vamos exterminá-los. Uma Zarathustra assassina. Nazista. Ridículo. Se esse filme é um filme de maturidade, eu então sou um matusalém. Daria um bom roteiro para o South Park. Para que rolasse um elemento trágico ali, alguém deveria ter a alma de aço, não aquele monte de geléia espiritual. Se não isso, um que pelo menos tivesse consciência de sua fraqueza, como Hamlet, ou de sua maldade, como Ricardo III, ou seja, que ao menos não pecasse contra a própria inteligência. Até Don Quijote é um trouxa com uma alma de aço. Assim como o Idiota, de Dostoiévski. Dogville deveria se chamar Dogfilm, porque é o filme do Cão. É o filme de um mundo onde Moisés, o portador do decálogo, não existiu senão como cachorro (¿lembra-se do nome do cão? Moses!!!), um mundo no qual o primeiro mandamento – “amará ao Senhor seu Deus sobre todas as coisas” – soou simplesmente como au au au au… Ninguém ouviu nada.
Um amigo continua tentando me convencer de que minhas experiências com sonhos lúcidos e viagens astrais são nada mais nada menos que… irreais. Para tanto me envia o link desse artigo científico. Diz meu amigo: “Eis uma explicação para nossas atividade oníricas. Até onde sua tese sobre viagens astrais depende da ‘ignorância’ da ciência? hehehe….” Bom, acho louvável qualquer estudo do lado físico-químico, palpável, fisiológico, etc. do fenômeno. Nada contra. Mas a frase que mais caracteriza o artigo diz o seguinte: “O sono REM é uma charada envolvida em um mistério dentro de um enigma”. Continuo achando que só resolverão o mistério quando levarem em conta o lado… “parafísico” da questão. Caso contrário continuarão apenas descrevendo as repercussões fisiológicas do fenômeno sem alcançar qualquer certeza das causas.
Nesses momentos de turbulência política, nada como ler Eumeswil, romance de Ernst Jünger, escrito quando este tinha 82 anos de idade. (Morreu as 102, em 1998, após testemunhar todo o século XX.) Trata-se das elucubrações de um historiador que trabalha como barman do tirano de sua nação (Eumeswil).
Eu e Cássia – campeões no quesito “últimos a sair da festa” – encontramos fim de semana passado dois amigos com a mesma fama. Foi o final do campeonato. Ficamos os quatro, atéééé o fim. Mas acabou em empate. Após um acordo, claro, nenhum de nós queria perder a fama. Para divertimento – ou terror – da dona da festa…
Esta semana já estive na França e na China. Em sonhos, claro, que é bem mais barato, mas bati ótimos papos. Até tentaram me ensinar chinês, veja só. Na França, em meio a algum evento cultural, eu dizia para uma garota que me acusou de não gostar de cachorros: mas se eu já morei com 80 cachorros! E ela ficou espantadíssima. E lhe contei dos cães da Hilda Hilst. Também lhe falei sobre quando a mulher do Paulo Caruso me escreveu reclamando do meu texto ao estilo “Eu odeio os irmãos Caruso!!“, no qual eu realmente me mostrei demasiado grosseiro. “Mas se ninguém curte aquelas charges”, acrescentei. “Acho que só mesmo a mulher dele.” E a garota: “Vai ver é preciso dar pro Paulo Caruso pra gostar do que ele faz”. À nossa volta, mil olhares de censura…
O artigo A “mente” da Al-Qaeda (1a. Parte) é realmente de arrepiar os cabelos. E me faz pensar: se só há um campo onde é possível combater essa gente – Deus e um livro revelado – então tá mais do que na hora de se divulgar O Livro de Urântia…
